30.9.09

Dizem que é uma espécie de sondagem

O Daniel Oliveira lançou um inquérito de opinião sobre autárquicas, no qual incluiu o desafio da minha vida: as eleições em Almada. Em que lugar ficarei entre os leitores do Arrastão? Dizem que é uma espécie de sondagem... Eu já votei e, mais uma vez, foi no PS, como calculam.

Camaleão Barroso

29.9.09

Almada, nova atitude e novas energias

Almada precisa de quem tenha novas soluções e não de quem repita velhas queixas, de quem se empenhe totalmente na solução dos problemas e não de quem deles queira alimentar plataformas reivindicativas. É desta nova atitude que resulta o nosso programa eleitoral, o contrato que propômos aos cidadãos do concelho e que pode consultar aqui.

21.9.09

É campanha eleitoral, não é Carnaval

É certo que estamos em campanha eleitoral e o PSD está desesperado ao ver a distância face ao PS aumentar. Mas nada justifica que passe das marcas em populismo, transformando o CDS num partido institucional e com grande dignidade de Estado. A semana passada Manuela Ferreira Leite desferiu um ataque totalmente injustificado ao SIS mal ouviu uma frase infeliz de José Manuel Fernandes, acusando o SIS de manipulação, para acabar desmentida pelo próprio, quando reconheceu que ninguém lhe tinha mexido no sistema informático. Este fim-de-semana foi a vez de Paulo Mota Pinto, que tem a responsabilidade acrescida de ter sido Juíz do Tribunal Constitucional, a fazer a mesma figura. Procurando cavalgar o descontentamento de um magistrado por uma decisão do Conselho Superior de Magistratura, veio alegar inadmissivelmente a partidarização de tal orgão, fazendo de conta que ignora que três dos seus membros, ainda que fossem - e não são seguramente - partidariamente manipuláveis nunca fariam maioria para tomar qualquer decisão. Espero que o CSM repudie tão inaceitáveis alegações e não me venham dizer que sou parte nesse assunto porque não sou. Nada me move contra a pessoa do magistrado Rui Teixeira. Apenas não me conformarei nunca que o Estado deixe de assumir as consequências do erro que praticou. Por isso processei o Estado. Quaisquer efeitos laterais desse processo, essencial à reposição ao meu direito ao bom nome são-me alheios e Paulo Mota Pinto sabe-o muito bem, pelo que a urgência de fazer fretes à teoria da imaginária asfixia democrática não o desculpa de tal escorregadela populista do pior estilo. Eu sei que há quem ache que a campanha eleitoral é como o Carnaval, ninguém leva a mal. Mas sou um democrata radical e não me conformo com tal degradação do debate democrático.

18.9.09

José Sócrates, autor do POLIS, faz justiça à Costa da Caparica

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Disparate de Verão ou inventona? A resposta mora em Belém (parte 2)

Depois desta nota da Direcção Editorial do Público a questão fica resolvida. Se um membro da Casa Civil assumiu, nessa qualidade, a informação e lá continua, Cavaco não precisa de esclarecer mais nada: abençoou a inventona do Verão passado.

O BE e o centro de Almada: uma no cravo, outra na ferradura

Ontem de manhã acompanhei a manifestação convocada pela Associação de Comerciantes do Distrito de Setúbal em que foi lido também um comunicado da Comissão de Utentes do Centro de Almada, porque concordo com o protesto dos comerciantes e as razões que invocam. Na véspera tinha aqui escrito o que penso que deve ser feito para devolver a vida ao centro de Almada e quem acompanhar regularmente o que aqui escrevo sabe que aqui, aqui e aqui deixei bem claro o que penso. Nessa manifestação participaram também os cabeças de lista do CDS e do BE. Se Fernando da Pena tem também uma posição inequívoca de apoio a uma política alternativa para o centro de Almada, como se viu no debate da TVI24, a candidata do BE tem tido uma atitude errática. Na televisão fez, sobre esta questão, um discurso tirado a papel químico dos vereadores da CDU. Disse mesmo que não há um problema dos comerciants do centro de Almada. Na manifestação, como se vê nesta notícia do Público tergiversou e defendeu que a falsa zona pedonal continuasse como está. Não acredita? Leia aqui e veja ali. Helena Oliveira dá uma no cravo e outra na ferradura. Não quer ficar de fora do protesto intenso que se faz sentir no centro de Almada, mas continua encostada à CDU. Ou seja, como ontem foi àquela manifestação, amanhã poderia estar noutra que defendesse a manutenção do esquema de circulação absurdo que a CDU engendrou e no qual faz um finca-pé arrogante, ao lado dos actuais vereadores, embora pedindo-lhes mudanças nos detalhes. Tenho muitas dúvidas que os eleitores do BE pensem como ela, mas não me cabe ser àrbitro nessa matéria. Agora, com estes discursos, ficou clara uma coisa: toda a força que os eleitores derem ao BE servirá para manter o absurdo que induziu o aos no centro de Almada; servirá para manter uma falsa zona pedonal, artificial, que parte o coração da cidade; servirá para fazer a Almada o equivalente do que seria fechar ao trânsito a Avenida Luisa Todi, em Setúbal, ou a Rotunda do Marquês de Pombal e parte da Avenida da Liberdade em Lisboa.

Disparate de Verão ou inventona? A resposta mora em Belém.

O disparate de Verão do Público revelou-se hoje como uma encomenda de um assessor bastante próximo de Cavaco Silva há décadas, que é também um profissional de comunicação bastante experiente. Acresce que a notícia foi mantida em latência durante mais de um ano e libertada no calor de um período pré-eleitoral. Sobre o que este caso obriga a reflectir sobre o trabalho dos jornalistas, a revelação de hoje não acrescenta nada. Tudo o que havia a dizer de relevante já foi dito pelo Provedor do Público. Sobre a proximidade entre a Presidência e a direcção do Público, já havia evidências suficientes e não tem, em si, nenhum mal, antes pelo contrário. Poderia até ajudar o jornal a fazer um bom trabalho, desde que soubesse manter separados o trigo e o joio, como se exige a qualquer aspirante a jornal de referência. Sobre a linha editorial do jornal também não diz nada de novo. Onde a notícia do DN traz dados novos é ao debate político. Goste-se ou não do facto, ela torna claro que na Presidência da República se procurou através de uma informação planeada e direccionada prejudicar o Governo e se agiu reiteradamente em período pré-eleitoral, quebrando uma regra de ouro da conduta de um Presidente respeitador do equilíbrio das instituições. Se semelhante comportamento teve luz verde de Cavaco Silva, este manchou de modo definitivo a sua credibilidade e capitaneia no Palácio de Belém um núcleo de gerrilha interinstitucional que fragiliza o país e as instituições democráticas. Confesso, aliás, a minha perplexidade com a reacção de Cavaco Silva à notícia de hoje, fazendo de conta que não percebe a gravidade do gesto do seu assessor e deixando subentendido que o que o preocupa são aspectos de segurança. Sejamos claros, o Watergate foi uma gigantesca falha de segurança, mas derrubou um Presidente porque revelou à opinião pública um comportamento ilegítimo e anti-democrático de um Presidente. Neste caso, os aspectos de segurança são completamente irrelevantes. A pergunta a que há que responder é muito mais simples: Cavaco sabia? Cavaco autorizou? Se sim, o caso afinal não é um disparate, é uma inventona. Se, pelo contrário, o assessor abusou da confiança do Presidente, envolvendo-o numa paranóia que seja só sua, para além das medidas clínicas adequadas, recomenda-se-lhe que seja capaz de extraír enquanto é tempo as necessárias conclusões dos seus gestos para evitar ao Presidente mais uma conversa desagradável, como a que deve ter tido que ter com Dias Loureiro a certa altura. Uma coisa é certa, para Portugal continuar a ser uma democracia que se leva a si próprio a sério, o dia de hoje não pode terminar sem que alguém a desminta ou alguém se demita ou seja demitido no Palácio de Belém. Como tudo indica que Cavaco entrou em estado de negação sobre a gravidade do assunto, há fortes razões para crer que continua a dar aos que pensavam que respeitaria escrupulosamente a concepção semipresidencial do sistema democrático português um forte motivo para julgarem que foram ingénuos.

A autarquia de Almada não se apercebeu ainda que em Portugal não há sindicatos oficiais?

O STAL decidiu convocar uma greve. Está no seu direito. Os trabalhadores que entendam fazê-la têm que ter toda a liberdade para aderir. Há trabalhadores que decidem não aderir à greve. Devem poder aceder aos seus locais de trabalho e realizar a sua jornada de trabalho livremente. Parece óbvio, não parece? Mas em Almada não é nada assim. Há piquetes de greve que se encarregam de impedir os trabalhadores de optar. Há instalações fechadas que impedem os que optam por não aderir de aceder aos seus locais de trabalho. Há uma prática de gestão de recursos humanos que presume grevistas trabalhadores que não se declararam em greve, obrigando-os até, pasme-se, a ter que declarar que assim foi. Tudo isto é ilegal e tudo isto acontece reiteradamente. Na greve de 16 de Setembro, este comportamento ilegal e inadmissível de coacção sobre os trabalhadores foi denunciado pelo Movimento Independente dos Trabalhadores da CMA e o acontecimento levou até a autarca do BE sindicalizada no STAL Ermelinda Toscano a saír do sindicato em causa. Quem me conhece sabe do grande respeito que tenho pelo sindicalismo e da grande importância que dou à liberdade sindical. Por isso mesmo aqui digo que não é admissível que, 35 anos depois do 25 de Abril, haja uma Câmara Municipal que força os seus trabalhadores a aderir a uma greve e é complacente com o desrespeito pela Lei da Greve. Tão grave violação dos direitos dos trabalhadores da autarquia nunca acontecerá numa câmara presidida por mim.Não permitirei a ninguém que esboce qualquer restrição ao direito de greve ou tente dar tratamento menos favorável a grevistas. Mas também nunca tolerarei a falta de respeito por trabahadores que decidam não fazer uma greve ou terei qualquer complacência com quem queira abusivamente impôr a sua opção a outros. Devo dizer, aliás, que são tão inimigos da liberdade sindical os que são contra os sindicatos como os que pensam que pode haver sindicatos "oficiais", sejam do patrão, do partido ou do chefe. Se a actual vereação de Almada não o percebe só nos resta pedir aos eleitores que nos ajudem a explicar-lhe.

16.9.09

Para a vida regressar ao centro da cidade de Almada, a CDU tem que saír da Câmara

Os responsáveis autárquicos da CDU em Almada encontraram-se com os jornalistas na tentativa desesperada de desmobilizar o protesto que os espera na quinta-feira de manhã a propósito dos seus erros na gestão urbanística do centro da cidade. A ideia de que não desistem de fazer um Rossio do centro de Almada, vinda dos actuais autarcas comunistas é risível, pois eles o que fizeram para isso, foi o equivalente de fechar ao trânsito a Rotunda do Marquês de Pombal e parte da Avenida da Liberdade. Quem conhecer Lisboa que imagine que vida teria o Rossio se para lá chegar, ido das Amoreiras, fosse necessário conduzir até ao Terreiro do Paço, passando pelo Bairro Alto e, finalmente, apanhar uma das ruas da Baixa Pombalina. É assim que a CDU pôs as coisas em Almada, pelo que só por inconsciência do que é gerir o centro de uma cidade ou por manipulação grosseira se pode imaginar semelhante afirmação na boca dos vereadores. A política para o centro tem que ser refeita a partir do zero. A CDU, já se viu, ficou presa aos seus erros e está em estado de negação quanto a eles. Não há nada a fazer-çhs, a não ser substituí-los. Mas há caminhos que permitem devolver a vida ao centro da cidade de Almada. As minhas propostas alternativas à teimosia da CDU sistematizam-se em cinco pontos, que aqui deixo para que possam ser discutidos: 1. Desbloquear as artérias centrais da cidade: revogando imediatamente o Plano mobilidade XXI e abrindo ao trânsito os troços hoje parcialmente fechados na falsa zona pedonal; olhando com coerência para a rede viária e fazendo as avenidas distribuir o tráfego, enquanto as ruas estreitas servem o trânsito de proximidade, em vez da situação inversa e irracional que hoje se vive; expandindo os lugares de estacionamento à superfície, nomeadamente criando os lugares de estacionamento em espinha onde a largura das avenidas e dos passeios o permita. 2. Dar prioridade à construção da circular urbana interna de Almada, completando a obra inacabada do Túnel do Grilo, que hoje termina irracionalmente numa rotunda que dá para um parque de estacionamento e que deve estender-se à ligação à avenida que vem da Lisnave. Assim teremos uma ligação muito mais fluída entre o centro-sul e Cacilhas, através das actuais avenidas e da ligação do túnel à Piedade, para quem não pretende entrar no centro urbano e distribuindoa través das ruas que ligam a estas avenidas o tráfego. 3. Realizar imediatamente investimentos que reforcem a atracção do centro urbano, de que a criação da Loja do Cidadão é um símbolo, dado que está adiada há 6 anos por incompetência negocial da CDU, mas também trazendo para o centro novos equipamentos de nível metropolitano e nacional e cancelando o projecto faraónico que a CDU prevê para o centro-sul, o qual o congestionaria ainda mais, ao mesmo tempo que afastava mais actividade económica e serviços do centro urbano de Almada. 4. Animar a vida da cidade, com múltiplas iniciativas, de que se destaca um contrato com os comerciantes locais para a abertura tardia um dia por semana. Nesse dia, as lojas estarão abertas até às 22 ou às 23 horas e a Câmara promove diversas inciativas de acesso livre nas praças e nas ruas, por forma a atraír as pessoas ao centro, estando este mais vivo. A proximidade do Natal permite-nos começar este programa já a partir de Novembro. 5. Criar um fundo municipal de investimento na modernização do comércio tradicional, dotado com 2 milhões de euros destinados a co-financiar projectos de investimento no comércio tradicional que obedeçam ao princípio de modernizar e diversificar a oferta comercial, aumentar a qualidade do serviço e diversificar os horários de abertura. Todas estas medidas podiam estar feitas, mas não estão. Porque é Almada que está em jogo, é importante que quem nunca as quis implementar e, pelo contrário, as obstaculiza seja substituido por quem queira pôr Almada no futuro. Ao contrário do que a CDU quer fazer crer, os comerciantes e aquilo que até ela reconhece serem "alguns grupos" e "algumas personalidades" não estão sózinhos. Tenho a certeza, aliás, que a manifestação de amanhã de manhã, às 10 horas, o vai demonstrar de modo inequívoco.

15.9.09

A pergunta anacrónica no debate da TVI24

Um amigo no Facebook mostrou-me a sua surpresa por estar ao mesmo tempo a responder a um comentário e a falar no debate sobre Almada da TVI24.Outra amiga que trocava comigo mensagens por sms se apercebeu-se de repente que eu não poderia responder-lhe e debater em simultâneo.
Talvez haja quem tenha ficado surpreendido com a pergunta que me foi feita sobre a ausência de cartazes com o meu rosto, quando eles lá estão, pendurados e bem visíveis, substituindo o anterior que sublinhava o facto de que está em causa O Futuro 35 anos depois pelo que deixa claro que É Almada que está em jogo. Acontece que este debate foi gravado há uma semana e a sua emissão até já esteve programada para sábado passado, pelo que o anacronismo da pergunta tem a ver com a diferença entre a gravação e a emissão e não com o facto de o jornalista e eu termos ensandecido.
A televisão é assim, uma produtora de imediatismo de tal maneira forte que são necessárias todas as defesas racionais para a desmontarmos até nestes pequenos pormenores.

Mais uma "folha seca"

Para Jerónimo de Sousa, a saída de Domingos Lopes é apenas um número, a contrapôr aos que entraram no PCP. Compreendo-o. A desvalorização da sua saída é uma forma de disfarçar o incómodo pela perda de um quadro importante, embora discreto, bem como de recordar que, no essencial, o afastamento já ocorrera progressivamente.
Recorde-se que este militante do PCP, sofreu um violento ataque quando a actual direcção do Partido tomou de assalto o Comité Português para a Paz e a Cooperação, de que era Presidente. Esse processo, aliás, iniciou uma vaga intensa de lutas entre a actual direcção do PCP e os militantes comunistas que, com alguns dos seus compagnons de route, recusaram ser meras correias de transmissão acríticas do partido nos movimentos sociais que protagonizam ou influenciam. Nesses conflitos, a direcção do PCP tenta desalojar os seus militantes e os seus aliados de sempre. O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa é apenas um outro caso eloquente desse tipo de conflitos, embora com o desfecho oposto.
Conheci Domingos Lopes, salvo erro em 1986, numa viagem à Argélia, para assistir ao Conselho Nacional Palestiniano que marcou a reconciliação entre facções que tinham travado conflitos violentos. Nessa altura eu era um jovem militante do PS e ele um experiente funcionário do PCP. Recordo-me muito bem, em particular, de uma conversa que então tivemos sobre o Iraque e os curdos que me vem recorrentemente à cabeça, dado o excelente nível de informação que ele tinha e a capacidade de previsão do risco de desagregação do país, num momento em que Saddam ainda não era o grande inimigo da comunidade internacional e estava longe sequer a primeira guerra do Golfo, quanto mais a invasão de Bush.
Fui-o seguindo à distância e há vários anos que me parecia claro que ele faz parte de um conjunto de comunistas portugueses que ficaram sem partido, porque o seu seguiu o caminho neoestalinista enquanto eles acreditam na via da desestalinização do movimento comunista. Julgo que esses comunistas estão enganados e o PCP tem razão, porque o comunismo não é reformável como eles desejam. Mas essa divergência não me afasta deles, antes pelo contrário me aproxima, porque sempre que um comunista descobre a superioridade da democracia política a esquerda fica mais forte e o equívoco soviético mais fraco.
No ano para mim trágico de 2003, Domingos Lopes esteve do lado dos que nunca se deixaram intoxicar e dos que me fizeram chegar um abraço solidário, dos que tiveram o gesto humano a que nada a não ser a sua boa formação cívica e a certeza da minha inocência os obrigava. Não posso deixar de recordar a distância entre a sua correcção cívica e a postura canalha, até hoje, de editorialistas do Avante como um tal Leandro Martins.
Ao caír mais esta "folha seca", mais um dos meninos de ouro da geração que Álvaro Cunhal preparou e da qual não resta praticamente ninguém activo no PCP, uns remetidos à passividade fiel, outros auto-excluídos ou expulso e outros, infelizmente, falecidos, não tenho pena pelo PCP. Apenas desejo que o desencanto com o seu partido de sempre não os remeta a um caminho solitário. A renovação da esquerda precisa mais de Domingos Lopes, agora que é um cidadão livre do que quando estava preso ao equívoco comunista. Se ele quiser, claro.
PS. A foto, propositadamente, é de um artigo do Militante, publicação do PCP, publicado por Domingos Lopes em 2002.
Adenda. Entretanto, li a carta de demissão no Expresso online. Leia também.

9.9.09

Se os cidadãos de Almada me derem a sua confiança retribuo-lhes com a minha dedicação

O Blogue Bar Velho desafiou-me para uma entrevista que foi abrir uma nova rúbrica na sua actividade. Acedi com gosto. Entre as várias questões que me colocaram, surgiu a da minha disponibilidade para Almada. Para que fique claro: Quando me candidatei a Almada fiz uma opção que implica disponibilidade total. Não sou candidato a rigorosamente mais nada na política. Se os cidadãos de Almada me derem a sua confiança, retribuo-lhes com a minha dedicação. Leia, querendo, a entrevista na íntegra, aqui.

Porque abre a CMA concursos sucessivos para lugares-fantasma?

Maria Ermelinda Toscano e Aníbal Moreira, são sindicalistas de diferentes sensibilidades políticas e sindicais, ela da CGTP e do BE, ele da UGT e do PS, mas nenhum deles capaz de pôr quaisquer outros interesses acima da defesa dos trabalhadores. Ambos têm denunciado persistente e consistentemente os factos estranhos que se passam na Câmara Municipal de Almada. Agora, convergem na denúncia do estranho caso dos lugares-fantasmas: concursos abertos em cima das eleições para ocupação de lugares inexistentes, porque não previstos no respectivo mapa de pessoal. Uma deliberação da Assembleia Municipal poderia corrigir a situação, desde que a Câmara suscitasse a questão. Como não o fez e prefere criar falsas expectativas, ficam as perguntas de Ermelinda Toscano: Por que prefere [a CMA] continuar a desrespeitar uma deliberação validamente assumida pelo único órgão competente na matéria? O que se esconde por detrás desta atitude da CMA? Como pode o partido (ou a coligação) que suporta politicamente este executivo apoiar decisões desta natureza sabendo que as mesmas são uma afronta ao funcionamento democrático dos órgãos autárquicos?

8.9.09

Para já, o Bloco não quer renovar a esquerda, apenas enfraquecer o PS. É pena.

A liderança do Bloco de Esquerda fala hoje das iniciativas que partilhou com Manuel Alegre como se não tivesse sido logo evidente que estava apenas a fazer um número mediático paraunitário e não a promover uma séria reflexão sobre o futuro da esquerda em Portugal. Luis Fazenda, talvez com maior franqueza e seguramente com maior clareza que Francisco Louçã deixou-o logo nitidamente escrito, como registei aqui. Mário Soares, com clarividência, escreveu já há alguns meses sobre o resultado a que conduz a estratégia actual de agressividade em relação ao PS por parte do BE e também do PCP. A progressão da campanha eleitoral e a exposição mediática que ela provoca vai tornando mais nítidos os contornos da estratégia de quem comanda o Bloco. Como bem nota o Porfírio Silva, a entrevista de Francisco Louçã ao Público é um passo importante nessa clarificação. Diz o Porfírio e eu subscrevo: É tempo de avisar aqueles que esperavam que o BE ajudasse a renovar a esquerda: este homem vai desperdiçar os votos do Bloco em nome da sua ambição. Ele pode querer ficar na história como o primeiro líder trotskista deste mundo (e de qualquer outro) a ser primeiro-ministro. Mas uma "experiência histórica" desse calibre só interessa a meia dúzia de iniciados. E a nossa vida concreta interessa a todos nós. Francisco Louçã está inebriado com o momento político do Bloco. Infelizmente, não superou ainda nenhum dos seus atavismos e está a conduzir o seu partido para fazer parte do problema político pós-eleitoral e não das novas soluções para que a esquerda possa governar Portugal. Tenho pena.

7.9.09

Pandemia de gripe

Saúdo a nova estratégia policial nos bairros sociais

O comando distrital de Setúbal da PSP anunciou uma nova estratégia de policiamento nos bairros sociais tidos como problemáticos. Vão agir "com maior proximidade, com elementos de ligação a trabalhar permanentemente em parceria com as entidades que já estão no terreno e com outras que se queiram juntar" e vão "trabalhar para que as pessoas que querem apenas governar a sua vida de uma forma normal, sem que os seus filhos estejam diariamente expostos a situações de tráfico de droga, tráfico de armas, não fiquem reféns de meia dúzia de criminosos, que utilizam aquele território para a sua actividade criminal", segundo declarou o comandante distrital da PSP à Lusa e leio no Público online. Saúdo a nova estratégia, que acredito que produzirá melhores resultados do que a anterior, como referi na altura da violência no bairro da Bela Vista e que, como tenho vindo a defender, deve ser articulada com uma nova política social de habitação. Enquanto houver os bairros gigantes de habitação social que se produziram nas últimas décadas o problema não terá solução definitiva, mas podemos começar a mitigá-lo, parando de construir, desenvolvendo políticas sociais efectivas e métodos de policiamento adequados.

1.9.09

Mais um pequeno passo numa longa luta pelo direito à honra, à dignidade e ao bom nome

Na página 5 do Correio da Manhã de ontem, o pedopsiquiatra Pedro Strecht deixou claro que não me incluia nas pessoas a que se referiu numa entrevista sobre o processo Casa Pia, que entende que se o tivesse feito me ofenderia gravemente na honmra e consideração e que lamenta os prejuízos que tal interpretação das suas palavras me causaram. É mais um pequeno passo na minha luta pelo direito à honra, à dignidade e ao bom nome que nada nem ninguém travará. Como não há link para a declaração de Pedro Strecht, transcrevo-o aqui para que possa chegar a quem o queira ler aqui. Escreve ele: "Na entrevista publicada no Correio da Manha no dia 26 de Julho de 2003, concedida quando integrava o gabinete de apoio às vítimas da pedofilia da Casa Pia, em nenhum momento o que disse se referia ao Dr. Paulo José Fernandes Pedroso, e muito menos pretendia fazê-lo, directa ou indirectamente, entendendo que, se o tivesse feito, o ofenderia gravemente na sua honra e consideração. Lamento profundamente os incómodos e prejuízos para o Dr. Paulo José Fernandes Pedroso que possam resultar ou ter resultado da interpretação de que as suas palavras naquela entrevista pudessem em algum momento dirigir-se-lhe, interpretação essa que não visava e repudia." Sei bem que há pessoas, como um tal Leandro Martins, autor de uma canalhice política recentemente publicada no Avante, a quem a verdade não interessa e às quais este texto nada dirá. É a todos os outros, mesmo aqueles que tendo-se deixado intoxicar em certo momento o tenham sido de boa fé, que estes esclarecimentos e lamentos de Pedro Strecht, mesmo que publicados só agora, dirão seguramente algo.