30.11.11

Pode a política europeia para o Médio Oriente ser refém da questão cipriota?

É notícia na Turquia a possibilidade de Chipre ter vetado um convite ao Ministro dos Negócios Estrangeiros para participar na reunião de amanhã sobre a Síria. São conhecidas as razões diplomáticos para este veto, mas ele demonstra à saciedade os impasses da União Europeia em relação ao que se passa na região.
A Turquia é o país que mais influência ganhou com a Primavera àrabe em importância diplomática. Nas eleições livres da Tunísia e de Marrocos, os partidos-irmãos do partido no poder na Turquia ganharam as eleições. Provavelmente no Egipto vai acontecer o mesmo. A oposição síria reune-se em segredo e coordena operações em cidades turcas. Ainda hoje é notícia que houve um encontro secreto entre várias facções sedeadas no estrangeiro e a ala dissidente das forças armadas na cidade fronteiriça de Hattay.
Tudo aponta no sentido de que, provavelmente, a recente experiência de governo de um partido democrata-islâmico passe de uma excepção permitida pela institucionalização da democracia na Turquia a um modelo de governo hegemónico na região. Não é difícil imaginar que os partidos-irmãos que podem vir a estar no poder simultaneamente em vários países terão coordenação entre si e que a Turquia terá, por diversas razões, ascendente sobre estes novos regimes.
Pode parecer sobranceiro da parte da diplomacia turca, mas quando diz que é a União Europeia que perde em influência se não os convidar e não aproveitar a sua influência está carregada de razão. A verdade é que a política europeia para o Médio-Oriente não pode ser refém da questão cipriota, sob pena de ser irrelevante.

neither "nigger" nor "ingun", o politicamente correcto censura Mark Twain

Não sabia que Huckleberry Finn é o quarto livro mais banido nas listas recomendadas nas escolas americanas nem que isso se devia a que Mark Twain pôs na boca de brancos palavras racistas para definir os negros e os índios. Ou seja, usou as palavras deles para definir o que na época eles diziam. Assim "nigger" aparece mais de 200 vezes no livro e isso é considerado ofensivo por muitos leitores.
Um especialista no autor decidiu propor uma nova edição do livro que obedece às regras do mercado. Se o livro não é aceite porque a palavra choca, isso é injusto para o livro e o seu conceito e lhe estraga o mercado, então substitua-se a palavra ofensiva por uma palavra aceite e preto ("nigger") torna-se escravo ("slave"). Adicionalmente, em  Tom Sawyer, o vilão deixa de ser "ingun Joe" para passar a ser "indian Joe". Assim os professores não têm que explicar aos alunos o contexto em que a palavra aparece, os pais não se mobilizam para banir o livro e este vende mais.
Este tipo de gesto vem numa linha de defesa do anacronismo e de reecrita da história que tem várias manifestações, por exemplo, nas leis de memória que oficializam o passado ou nos pedidos de perdão por pecados multisseculares como se os povos de hoje fossem colectivamente responsáveis pelos gestos dos antepassados de alguns - muitos ou poucos - dos seus membros.
Tanta vontade de ser correcto acabar por ser um acto de empobrecimento e destruição da cultura. Como Kenneth C. Davis disse sobre este polémica, de modo, para mim, definitivo:

As someone who cares deeply about American History and Literature, I would like to add my voice to those who find this expurgated version of Huckleberry Finn a shameful act of cultural destruction in the guise of political correctness. While it falls far short of the Taliban blowing up ancient Buddhas, it is a lot worse than draping the bare breasts of two female "Liberty" statues at the Justice Dept. during John Ashcroft's days as Attorney General. 

O blogue The Opinion Zone abriu uma sondagem sobre o assunto. Eu já fui lá votar.

(Este texto foi escrito aqui originalmente a 8 de Janeiro de 2011. Mas achei que fazia sentido republicá-lo hoje, aniversário do nascimento de Mark Twain, já que aborda o tema do respeito pela memória e a integridade da sua obra)

29.11.11

"Make aid transparent"

Hoje começa na Coreia do Sul, o IV Fórum de Alto Nível da OCDE sobre a Eficácia da Ajuda. É um bom pretexto para nos juntarmos a quem pede mais transparência e melhor coordenação internacional na ajuda ao desenvolvimento.


Make Aid Transparent from Make Aid Transparent on Vimeo.

Vamos ao contributo do OE para o crescimento da Economia? Junto-me ao repto de Pedro Pita Barros.

Pedro Pita Barros, que acha que se tem sobrevalorizado o aspecto "distributivo" na discussão do Orçamento de Estado dá uma mão amiga ao Governo. Sugere ele: "seria interessante ter de cada Ministério uma folha A4, não mais, sobre que impacto terá sobre taxa de crescimento da economia as medidas que vão adoptar no ano de 2012. Essa reflexão teria três papéis a meu ver úteis: 1) dar a conhecer ao cidadão a actuação de cada Ministério e sua relevância para o principal problema nacional, a estagnação económica, 2) levar cada Ministério a pensar no que é a sua contribuição para o crescimento da economia, e 3) criar um compromisso de cada Ministério para com a Sociedade, um compromisso de servir melhor a Sociedade que possa ser verificado daqui a um ano (ou mesmo mais tarde)".

Junto-me ao repto e sugiro que se comece pelo Ministério das Finanças. Gostava mesmo de ver em que dava o exercício.

28.11.11

A desigualdade é intrinsecamente má

Esta verdadeira lição de Richard Wilkinson, legendada em português pela Iniciativa para uma auditoria cidadã à dívida, explica quase tudo o que há que explicar.


(furtado no newsletter da Renovação Comunista)

The lack of democratic legitimacy in EU is now plain as day.

In my previous entry, a little over 3 weeks ago, I mentioned that Papandreou and Samaras agreed for a new guy to come in and do the same thing that Papandreou’s been doing until now, to hold elections in February and allow Samaras to be voted in to continue doing the same thing. I also noted that since mentioning the referendum, no indignatos have been on the streets and no major strikes backed by the left or the right have been held in Athens; something that continues to this day.  This has particularly perplexed me, since I am of the opinion that an appointed government does not have democratic legitimacy and perhaps now is the time that the people should hit the streets, if we actually believe in some of our basic rights and freedoms.  Moreover, there are several questions that I have as a result of all of this, some internal regarding the Greek political scene, and some of course, systemic and on a European level.
I will not bore you about our internal political workings for long, since this is indeed a Portugal based blog, but there are a couple of things that I should point out here. First of all, it indeed seemed like the entire political spectrum, all major actors including all major journalists and most of his own political party turned against Mr. Papandreou.  OK, so he’s out. But now what? The same policy implemented by the mostly the same officials with a different head, it seems.  What makes anybody think that the austerity measures will now work? And if our new banker PM, his name eludes me at this time of night, hands away power on the 19th of February as scheduled and calls elections, the next PM, will do the same, regardless of political “ideology” or colour. So why did we go through all of this in the first place?
As I’m sure most of the world now agrees and as several have been contending for the last two years, the problem is obviously systemic in nature. In my discipline, international relations, we typically study problems at the system, state and personal levels and as with any international question, the European dept crisis, how it arose and how it has been dealt with, in order to be explained and possibly solved (as I mentioned in my previous entry, it is my strong belief that a “solution” can ONLY be political rather than economic in nature), must be looked at wholistically from each perspective.  As a student, I usually leaned towards the systemic level of analysis as I believed that these types of analyses had the strongest arguments.  For our current predicament, such an analysis is definitely beyond the scope of my simple scribblings, but although we have strong arguments for state and personal levels of analyses, the systemic approach would win again. I’ll go over what I mean very briefly.
On the state level, we have the internal workings of the countries that are involved in any given crisis, and how these workings contributed to the climax (which I do not think we have yet reached regarding our Eurozone woes just yet). In Greece since achieving Eurozone status, we have had easy access to cheap money, did not invest it properly, were not able to transform our quasi-communist market into a competitive machine.  Nevertheless, several Greek companies made it outside of Greece, we were excellent consumers for German and French products services and especially military equipment (.. hint, hint..). Hence, bust. I cannot say what the problems were in Portugal. I can say that Spain does not seem to have such large structural problems (dept is only 61% of GDP, but they are on their way to IMF) and I could go into Irelands’ banking problems, but only as an outsider.  Once it became clear that the EU was in a crisis situation, the German internal state checks and ballances did not allow a single euro for the Greeks”, their press, and even bureacracy and executive painted us as lazy womanizing waiters.
At the Individual level of analysis, there is not much to be said. In Greece the incopetency of Kostas Karamanlis and George Papandreou are well documented. The first was elected twice by implementing a crony regime through which primary dept increased by 80 billion between 2004-2009. The second was elected by telling people in 2009 that “there is plenty of money to implement my programme” when the spreads were constantly increasing from 2008.  The incompetency of Merkel to deal with such an issue is clearly evident and should not surprise anybody that knows she was born and raised in a command economy and cannot seem to grasp the notion of monetary policy. But again, I am an outsider.  Nevertheless, I have to ask myself what would the situation be like if we had much more adept states-people in power the likes of Simitis, Baroso, Chirac and Schroder? As for Sarkozi, Socrates, Berlusconi and the rest of our great leaders, unfortunately my word limit does not allow me to comment.
What I can say, and what most of the world now realizes, is that the system seems to be flawed. It was the argument of all us PIIGS from the beginning, and we still cannot understand why the ECB cannot be a “FED-like” body, issuing Baroso-sanctioned Eurobonds, printing Euro to buy time; why the EIB cannot fund major “Marshal-like” plans across Europe to stimulate growth, especially when the problems of Portugal, Greece, Ireland and Spain all combined, in real numbers, are about equivalent to the problem of Italy.  (For a further detailed analysis of the systemic “solution” a great source is the blog of Mr. Yianis Varoufakis http://yanisvaroufakis.eu/ It seems to me that some of his alternative” ideas just may be implemented, with a 2 year delay of course).  As far as I’m concerned, austerity has not and will not work, as it has not anywhere it has been implemented all over the world, ever.
The above solutions, pointing to a deeper Union, bring to light the key issue that has to be dealt with in my opinion on the EU level, that of legitimacy.  I remember that since i was a student studying the quagmire of European institutions and their workings the question of lack of democracy for such power was called into question and a heated subject of academic literature.  The lack of democratic legitimacy in EU is now plain as day. Who are all these people that define how much we make, how much we spend, where we spend it, our economic outlook and our future?  These issues should have already been dealt with in a clear fashion and not with a general European Constitution as it was drafted in the past because it is now evident that economic union seems to mean de facto political union.  It seems clear that Europe either moves to a more federal model now, or ceases to exist as we know it. This crisis, as with other crises before it(including for example Yugoslavia), has brought to the fore the classic conflicts regarding the Union itself. 

Yannis Parcharidis. 
He also contributed to this blog about the rationale of Papandreou's moves and what happened to Greece?

Atenção Diáspora: Mayra Andrade, hoje, em Istambul.


O espectáculo é às 20h, no CRR Concert Hall. Espero que tenham dito a Mayra, caso cante esta "Palavra", que à polissemia que lhe atribui na canção, o significado de "palavra" em turco é o oposto do português. Em turco, "palavra" é charlatanice, algo em que não se pode confiar. Ignoro se tem a ver com alguma "palavra" que algum português ou espanhol tenha empenhado perante alguém algures na história das relações entre os dois países.

23.11.11

Desigualdade: ainda bem que há os países bálticos

Se não fossem a Lituânia e a Letónia, Portugal seria o país com maior desigualdade da União Europeia desde 2009, depois de a Roménia ter deixado de estar também atrás de nós a partir de 2008 .

22.11.11

Stuart Holland explica sucintamente como a zona Euro pode sair da crise por outra via.

Pode resolver-se a crise da Zona Euro sem aquisição de dívida, garantias de Estado, garantias mútuas ou transferências fiscais? Stuart Holland julga que sim e explica como, ao mesmo tempo que recorda as eurobonds já tinham sido sugeridas a -  e aceites por - Jacques Delors, em 1993. Só que, já então, a França e a Alemanha se opuseram...

21.11.11

Uma pergunta que vale por mil

O erro judicial nunca existiu.

Faz de conta que Cavaco discorda do Governo

Votar nele, não votei. No resto concordo integralmente com Pedro Marques Lopes na análise que eu chamaria de "faço de conta que tenho uma opinião muito forte" de Cavaco Silva.

Duas ou três comparações entre socialistas de Portugal e Espanha após as eleições de hoje.

Os resultados eleitorais de hoje em Espanha permitem ver ao espelho algo do que se passou e do que se vai passar em Portugal.
Fazendo os socialistas portugueses olhar para trás, a derrota do PSOE com Rubalcaba, apesar da popularidade deste, deve fazer pensar melhor aqueles que têm vindo a defender que o PS poderia não ter perdido as eleições se tivesse concorrido com outro candidato que não o Primeiro-Ministro cessante.
Fazendo os socialistas portugueses e espanhóis olhar para a Grécia e a Itália, o povo espanhol hoje, como o português há  uns meses e o irlandês antes (e o islandês antes ainda) decidiu mudar de Governo e dar condições de governabilidade a novos governantes com legitimidade democrática, evitando o atoleiro tecnoeurocrata em que gregos e italianos se arriscam a cair. Mas também vai ser curioso ver se, olhando para a frente, os socialistas espanhóis vão adoptar perante o novo governo respaldado por maioria absoluta de direita o tom sottovoce, a reverência e complacência da abstenção violenta dos portugueses ou vão adoptar estilo diferente de oposição e qual.

19.11.11

Beijos: o improvável e o óbvio

O improvável (furtado no Mainstreet que o tinha obtido no Henricartoon)...

... e o óbvio (furtado à Câmara Corporativa, que o obteve no inefável i).

Até a Inquisição conseguia perseguir bruxas que o eram mesmo.

O  "caso Duarte Lima" segue um guião tão decalcado a papel químico de outros que nem devia constituir surpresa e consegue tornar secundária a questão que devia ser principal de saber se é ou não seriamente suspeito dos crimes que lhe atribuem. De humor particularmente fino é, no seu caso, a alegação da existência de risco de fuga para o estrangeiro de alguém que tem mandato de detenção internacional.
Próximo episódio? Durante uns dias haverá provas a conta-gotas nos media, umas que se revelarão mais tarde verdadeiras e outras de inventar, como nas histórias. Seguinte? Descobriremos que muito menos figuras públicas conheciam bem Duarte Lima do que aquelas que julgávamos. Final? Infelizmente já só vai acabar por interessar ao próprio, à família e aos amigos, sendo que esse é que devia ser o momento mediático da verdade, o que nos havia de mobilizar a todos para reflectir sobre a conduta de Duarte Lima ou da justiça, conforme o desfecho.
Um dia mais tarde, é certo, vai-se apurar que ou Duarte Lima é culpado ou talvez seja, porque se não fosse esse o caminho predefinido nada daquilo a que estamos a assistir aconteceria assim. Uma justiça que admita a presunção de inocência condenará sempre veementemente a alimentação precoce da besta mediática.
Agora é o momento de sacudir a água do capote dizendo "à justiça o que é da justiça" enquanto se convive com a prática por ela da regra  "aos media o que é da justiça". O julgamento que talvez venha a haver, antes de o ser já o é na forma de guião de telenovela com desenvolvimentos diários e reviravoltas, depoimentos e contra-depoimentos. Enquanto fogem os ratos que viveram  no barco de Duarte Lima o julgamento fica feito definitivamente no tribunal da opinião pública.
Nada sei sobre o caso concreto de Duarte Lima e do BPN. Mas sei que a esta novela judiciária outra se seguirá, com a mesma estrutura de guião. Nem é a primeira nem será a última. É aquela em que os guionistas acreditam e a que os media compram porque sabem que vende. É a que reflecte a sociedade que somos. Só não sei ainda quem será o próximo figurante. E algumas vezes as suspeitas hão-de ter fundamento. Até a Inquisição conseguia perseguir bruxas que o eram mesmo.
E que diferença tem o procedimento da justiça nos casos mediáticos em relação aos outros? Apenas uma. Os outros casos não dão prestígio nem vendem papel por isso podem ser tratados com recato por quem na justiça acredita na justiça ou com impunidade por quem estando nela a não honrar. E enquanto vemos com disfarçada alegria, contida tristeza ou verdadeira raiva estas telenovelas não olhamos para o monstro que cresce a nossos olhos ou até, alguns de nós pelo menos, o alimentamos.
Eu já acreditei mais na justiça do Portugal democrático.

18.11.11

João Martins Pereira, o mais desconhecido dos mais influentes pensadores da esquerda portuguesa.

Esta semana fez três anos que faleceu João Martins Pereira, talvez o mais desconhecido dos mais influentes pensadores da esquerda portuguesa. Alguém que conseguiu ser realista quando todos queriam ser utópicos e utópico quando todos viraram ultrapragmáticos. Pedi a Acácio Lima, seu amigo pessoal e companheiro de lutas políticas, também amigo e passageiro frequente deste blogue que escrevesse um depoimento sobre ele. Ele, gentilmente, acedeu.



 1. Era um “colador de cacos”

João Martins Pereira, no seu dia a dia, era um observador muito atento do fluir das coisas, nos detalhes e vicissitudes, e tudo enquadrava na dinâmica dos processos, num novo patamar de crescente abstracção.
Tudo matrizava num pensamento integrador, onde sobressaia, a Teoria da política, a Teoria marxista da economia política e do materialismo histórico. Tudo surgia, não fragmentado, mas integrado num todo, havendo uma “continuidade”.
Era assim, se discernia sobre cinema, sobre teatro, sobre a teoria do romance, sobre a emancipação da mulher, sobre as teorias da pedagogia, sobre a banda desenhada, sobre os rumos e características da ciência e da tecnologia, nos seus imparáveis avanços, determinantes das mutações das relações sociais, nas suas vertentes do Modo de produção e da Divisão do trabalho.  E, claro, sobre as medidas de política económica e financeira.Qual o seu enquadramento ideológico e que interesses especificos servem.
Insisto na “integração”, na visão pluridisciplinar. Tudo na via da associação de ideias, inovadora e criativa, na rejeição da fragmentação, e sempre na atenção do histórico, do histórico da mutação, da mudança.
João Martins Pereira era um “colador de cacos”, paciente, refazendo “jarras”, retocando-as, escamoteando as rachadelas, mas sem perder o Norte, sabendo sempre onde estavam as “fissuras”. 


2. Sabia que tínhamos que “apanhar um comboio em movimento”

João Martins Pereira, não tinha o frenesim dos activistas políticos, mas conhecia muito bem a agit-prop. Preferia tudo decantar, detectar tendências, hierarquizar acontecimentos  e anotações.
Para João Martins Pereira esta questão de Transformar o Mundo, passava por esse organizar, hierarquizar e integrar, no histórico,  mantendo à distância todo e qualquer voluntarismo.
Daí o hierarquizar prioridades na condução da Política Económica, enquanto Secretário de Estado da Indústria, sendo Ministro João Cravinho, nos Governos Provisórios de Vasco Gonçalves. E, foi assim, que diagnosticou, que as mudanças estruturantes da máquina de produção e na máquina da distribuição, se teriam de centrar nas já significativas infra-estruturas existentes da Indústria Metalomecânica Pesada e Semi-pesada, bem como na Indústria Química, dita Pesada.  
Atento ao detalhe mas sempre na perspectiva do global, considerava essencial programar os ingentes investimentos de modernização e de satisfação de necessidades de um país out do desenvolvimento, por forma a regular as cargas oficinais nesse sector Metalomecânico Pesado e Semi-Pesado. Regular a atividade das diversas empresas-chave: Mague, Sorefame, Construtora Moderna, Cometna, Sepsa, Efacec, ... .
Para garantir emprego estável, e uma gestão consequente essa regulação de cargas passava por um Planeamento -Programação dos grandes investimentos.
João Martins Pereira articula assim a gestão empresarial, que ele bem conhecia, com uma Estratégia Política de Desenvolvimento. Articula dois níveis de programação.  Queira-se ou não, a ideia base de Planeamento existente em João Martins Pereira estava na mesma onda da do Plano de Melo Antunes – Rui Vilar.
João Martins Pereira, discretamente, criou esse Departamento “regulador” para a Indústria Metalomecânica Pesada e Semi Pesada. A preocupação de João martins Pereira com as cargas oficinais das empresas metalomecânicas pesadas e semipesadas deve ser lida como uma articulação do curto prazo com o médio e o longo prazo e terá de ser lida como uma preocupação em manter um emprego estável, no mínimo. Mas era sobretudo um apontar para a regulação, agindo, redireccionando, constrangendo e corrigindo o mercado.
Vem a talho de foice referir que a questão da planificação-programação, calendarização dos grandes investimentos que iriam surgir se tornou imperiosa e o Patronato acabou por criar anos depois o CIEP – Centro dos Industriais do Equipamento Pesado. O CIEP do Patronato, no seu jeito e à sua maneira, não era mais do que um “organismo de pressão” sobre os Governos. Mas, curiosamente, optou por uma partilha monopolista do mercado, ferindo todas as regras da concorrência.
Fica a nota da divergência-diferenciação entre as concepções-visão de João martins Pereira e as concepções-visão do Patronato.
No pensamento de João Martins Pereira encontrava-se a virtualidade de “apanhar o comboio em movimento” e de o “carrilar”, coisa que não parece ser desejada pelos maximalistas, que optam pelo voluntarismo e pelo virar costas à História. Ou, se quiserem, João Martins Pereira sabia muito bem medir a correlação de forças.  Ou ainda, se quiserem, João Martins Pereira jamais abandonava o radicalismo de pensamento, do seu pensamento nas suas abordagens, mas sempre firmava os pés na análise factual das situações.
Entretanto, João Martins Pereira “corta” com os Governos Vasco Gonçalves, e a ideia da Regulação, ficou na “gaveta”. Mas entende-se bem a saída de João Martins Pereira dos Governos de Vasco Gonçalves. É que também ele aderia a “ O Socialismo exige Democracia” e a Democracia, para se aprofundar de pleno, exige o Socialismo”.

3. A alegria de viver

 Concluo na heterodoxia.  A última carta que recebi de João Martins Pereira, dista de cerca de dois meses do seu falecimento.
A nossa correspondência era manuscrita  pois as emoções e afectividades não casam bem com o bater de teclas numa caixa de plástico.
Num parágrafo dessa carta João Martins Pereira, referia-se ao apport reequilibrador e de alegria no viver  que lhe vinha da sua relação afectiva com a Manuela.  Ela, entenderá bem esta minha heterodoxia de quase invasão do “privado”.  
Mas, também insistindo no “privado”, deixo uma palavra para a sua filha Marta que sempre valorizou bem as capacidades didácticas-pedagógicas de seu pai.

Acácio Barata Lima
Porto, Ramada Alta, 14 de Novembro de 2011

Se a investigação criminal não aprendeu é porque não quis

Estar fora do país tem a vantagem de ver menos certas coisas. Hoje foi um dia assim. Chego, pois, tarde à informação de que voltou a haver actos de investigação criminal pré-anunciados à comunicação social e desenvolvidos "live". Em Portugal, esses anúncios podem ser selectivos, mas são recorrentes.
Não quero saber de antipatias pessoais, políticas ou clubisticas, de discordâncias teóricas ou diferenças de carácter ou de quaisquer outras questões para este efeito laterais. Um Estado que humilha não é um Estado decente (como bem escreveu Avishai Margalit) e um Estado que não é decente na justiça tem a sua democracia doente.
O pior de tudo é não haver surpresa em nada disto. Se a investigação criminal não aprendeu ainda a ser diferente é porque não quis.

16.11.11

Que sentido da política europeia tem o Ministro Paulo Portas.

Portugal vai deixar de ter Embaixada nos três países bálticos e em Malta, dando o sinal de que considera que os nossos parceiros mais periféricos não carecem de ter aí embaixadas e de que a nossa velha nação não investe na relação bilateral com eles. Fá-lo em nome da desculpa - universal nestes tempos - da escassez de recursos.
Há considerações políticas imediatas, óbvias, contra este gesto. Num momento de tensão na UE também nós desvalorizamos os mais pequenos e longínquos de Paris e Berlim. Há também motivos históricos que poderiam ser invocados.
Acima de tudo, no entanto, o problema com esta poupança é que tem tudo para sair-nos cara porque acentua a nossa própria vulnerabilidade à periferização. Até hoje, Malta é o único país da UE sem embaixador em Portugal. Que autoridade teremos depois deste gesto para lutar contra a partida de Embaixadas de parceiros europeus para Madrid?
O sentido de poupança do Ministro Paulo Portas  não o leva, contudo, a fechar a Embaixada no Vaticano e a deixar a Embaixada de Roma (que longe que é da Santa Sé) representar o país nessa poderosa nação soberana.
Que sentido de política europeia tem o Ministro Paulo Portas. Tanto, que dou por mim a apelar mentalmente, por falta de alternativa, a Cavaco Silva, que tem a mais alta condecoração da Estónia, que se imponha contra este erro de percepção dos interesses nacionais.

PS. Esta é mais uma das medidas implícitas no Orçamento de Estado que merece a abstenção violenta do PS.

A fortaleza europeia ameaçada

The "eurogeddon". The real first Eurocrisis day?

The bonds mass sell-off. is this the first real Eurocrisis day? In Krugmann's word, the Eurogeddon.

E depois dos tecnoeurocratas? Ou estão todos convencidos que a crise acaba em 2012?

Não foram os mercados que substituiram Berlusconi e Papandreou por tecnoeurocratas, foram os parlamentos e os partidos capazes de fazer ou não maiorias. Não vejo na incapacidade de formar em tempo, com legitimidade democrática, os governos necessários para enfrentar a crise, a vitória dos ditames externos mas a derrota dos líderes dos grandes partidos democráticos em que os eleitores têm confiado.
Na Grécia, Papandreou ficou sózinho, como Sócrates em Portugal e Zapatero em Espanha. Em Itália, Berlusconi preferiu prosseguir até ser insustentável com Bossi (como em Portugal Passos Coelho o está a fazer agora com Portas).
Nem Merkel nem Sarkozy estão à altura do sonho europeu. Mas em vários outros países, os líderes políticos têm sido incapazes de honrar o espírito de compromisso de que se fez a Europa desde a 2a guerra mundial. Contudo, o pior está para vir. Depois de os políticos "tradicionais" atirarem a toalha ao chão, o que acontecerá se a situação ainda se agravar mais e o povo tornar inorganicamente ingovernáveis os países que os políticos agora entregaram aos tecnoeurocratas? Parece que há mesmo muita gente convencida de que a crise acaba em 2012 ou sem estatura política para construir os cenários B que os grandes momentos da história tornam necessários.

15.11.11

João Duque, "a bem da nação": num país em que há um autoritário em cada esquina, consciências liberais precisam-se.

Julgava eu que estávamos perante um governo de ofensiva neoliberal quando me deparo com as conclusões da Comissão Relvas para a RTP. Eduardo Pitta leu o relatório em causa e deu-lhe o nome merecido: albanês. Mas, se dúvidas houvera de que de tal se tratava, João Duque desfê-las "a bem da nação", confundindo informação e propaganda, com o tique totalitário que o Porfírio Silva bem notou.
Espero agora assistir a um barulho ensurdecedor da blogosfera liberal contra o desmando autoritário da Comissão Relvas e do seu chefe. Ou será que a dita ao seguir para o governo se reduziu à servidão?
Num país em que há um autoritário em cada esquina, consciências liberais precisam-se, urgentemente.

EUA: os novos pobres aparecem quando se adoptam novas medidas da pobreza

Tal como acontece com muitos fenómenos sociais, a noção que temos da pobreza varia com o indicador que escolhemos. Numa lição cuja citação não tenho aqui à mão, Anthony Atkinson chegou mesmo a fazer um exercício comparativo demonstrando que os resultados entre países - e a nossa percepção da pobreza nesses países - variariam com a medida escolhida.
Isso não impede que se vão adoptando linhas estatísticas de pobreza adaptadas à situação das economias avançadas: a UE tem a sua, o Reino Unido e os EUA também. E Portugal devia ter uma e reportar regularmente sobre ela.
Nos EUA, há muito tempo que tem vindo a dsicutir-se a questão da definição de pobreza. Agora o Census Bureau lançou a Suplemental Poverty Measure. Com a nova medida, o fenómeno do pobre, branco e proprietário da sua própria casa sai da armadilha estatística que o escondia, vê-se que a pobreza não é um assunto dos outros e que a insegurança económica é bem mais transversal do que os estereotipos americanos sobre a sua própria pobreza sugeriam. Ed Nolan dedicou no Ecomonitor, dois posts que mercem leitura sobre o assunto. Primeiro este e depois este.

13.11.11

Greece: the rationale of Papandreou's moves since referendum's announcement (corrected and completed)

This post is reprinted because it was, by mistake, not printed completed. I regret the error and invite you to read the full version)

I belong to a small country. A rocky promontory in the Mediterranean, it has nothing to distinguish it but the efforts of its people, the sea, and the light of the sun.
Giorgos Seferis – Nobel Literature award Speech, 1963

Today it is expected that Greece will announce who will be the new prime minister that will “save us” from the dept crisis, successfully getting the green light from our European “partners” for the sixth instalment of the “bailout” package.  Effectively what happened was that Papandreou and Samaras agreed for a new guy to come in and do the same thing that Papandreou’s been doing until now, to hold elections in February and allow Samaras to be voted in to continue doing the same thing.  What is to be done is one question, but today I’d like to discuss a bit about this marriage.
On the last day of October, Papandreou surprised the world by announcing his plans to take the sixth loan treaty of the bailout package, including an agreed haircut of 50% Greece’s primary debt, to referendum. The world shook from Tokyo to Los Angeles. Every major stock market in the closed with losses up to 7%.  Politically speaking, Merkel and Sarkozy were shocked and numbed by the news, Oly Ren and others were disgruntled with Greece’s ”unilateral”(!!??!!) decision to hold a referendum, Americans were vague in their reactions and other EU states had a generally negative response.  Who would have ever suspected that the will of the people of such a small country could ever cause such global turmoil?
In Greece, there was a peculiar consensus amongst opposition parties, several MPs within PASOK ruling party and 100% of the press that were against the idea of the referendum. And I say peculiar because both right and left wing politicians were all demanding elections. Over 15 political dailies and countless web sites covering the entire political/ideological phasm known to man disagreed with Papandreou’s decision.  The left had argued, correctly, that the PASOK government was elected on a different mandate than what they are implementing. The right had argued, correctly, that PASOK has proven incompetent to deal with such a huge crisis, without however noting that they have been against every measure, treaty and loan that has been agreed to, to date. The Indignatos on the streets of Athens and other Greek cities were dead against the austerity measures that hit their pockets, dreams and future directly. All, however, were against putting the decision in the hands of the people. And I ask the following: what were they afraid of?
In my view, the announcement for the referendum, whether a bluff or not, was a maverick political gamble that paid off 100% in the favour of the policy that has been adopted in order to confront the dept crisis and given the situation that PASOK has found itself in, and I explain:
1.      It displayed just how important Greece and other members of the common currency are to its survival. Although it has been speculated over the last months that Greece is about the leave the Euro, and indeed Greece has been called upon to leave by several commentators, the actual „threat” of the referendum displayed just how catastrophic such an exit would be globally;
2.      It forced New Democracy to the table, to finally take some of the political costs for a policy that, in reality, it agrees with;
3.      It stripped the left of their legitimacy, placing the power in the hands of the people.
It is strange that since the announcement of the referendum, there have been no rallies in Athens backed by the left, no strikes by taxi drivers for example backed by the right, no indignatos at Syntagma square.  In order to avoid any misconceptions, I should state that I do not agree fully with the austerity measures that have been taken, but since this path has been chosen, it is obvious that a consensus of at least the major political parties needed to be achieved. Both Spain and Portugal have achieved this. On several occasions Papandreou has attempted this in vain. Don’t get me wrong, I still think that Papandreou is generally not up to dealing with the dept crisis. However, my main quiff with Papandreou has to do with two issues. Firstly that indeed he was elected on a different mandate than what he is implementing, and I voted for him, something that will not occur again in the near future. He should have called elections long before accepting any bailout package. Second, and perhaps more importantly, he should have negotiated tougher with our „partners” for a complete solution to the systemic problem that faces the Eurozone from the beginning. Perhaps the latter would have pushed Ms. Merkel to adopting political decisions quickly instead of wasting two years. Perhaps it would have pushed Europe into deeper economic integration, something that seems now inevitable in order to stabilise the currency and assure some light at the end of the tunnel.
The only thing that keeps me at ease during these times of economic turmoil is that real power remains in the hands of politicians. Silly as this may sound given the incompetence and perhaps confused leadership that surrounds us, the essence remains that people still run countries, governments still have the ultimate legitimate authority within their borders and the duty to “protect” citizens and hence to manipulate the beast known as the markets, also known as capitalism when I was young. As Nobel peace winning Greek Poet Giorgos Seferis put it “In our gradually shrinking world, everyone is in need of all the others. We must look for man wherever we can find him. When on his way to Thebes Oedipus encountered the Sphinx, his answer to its riddle was: ‘Man’. That simple word destroyed the monster. We have many monsters to destroy. Let us think of the answer of Oedipus.”




Yannis Parcharidis
(he is kindly sharing his views on Greece with Banco Corrido's readers. See his previous text - What happened to Greece? -  here)

Circuito turístico Ceausescu? Há quem pense que sim.

Tenho um amigo que já tinha tido esta ideia aparentemente estranha e até já levou boa gente do centro-direita português a fazer-se fotografar num memorial à antiga comunista na aldeia do conducatore.

12.11.11

8.11.11

Insensatez, reconhece o Ministro, que também o é dos Transportes.

Fechar o metro às 11 da noite não faz sentido, diz Alvaro Santos Pereira. Tem razão. É certo que, ao fazê-ló, chamou insensatos aos especialistas nomeados para estudar a questão. Oxalá seja capaz de dizer o mesmo sobe outras ideias insensatas do grupo... E de escolher melhor as próximas sumidades que o hão-de aconselhar, se quiser continuar a ter que receber conselhos enquanto Ministro.

E se a Itália entra na espiral da crise das dívidas soberanas?

A todos os que pensam que a Europa pode brincar com o fogo da crise para sempre recomendo esta análise que conclui que a recessão prolongada é o melhor cenário que a Europa pode esperar depois de perder-se o controlo do risco da dívida soberana italiana.

6.11.11

Economia dos conflitos: Israel agravou a Intifada

Um estudo israelita acabado de sair demonstra que as restrições ao emprego de palestinianos agravaram a intensidade da segunda intifada na Faixa Ocidental. Cada ponto percentual de descida da taxa de emprego implicou um acréscimo de 0.12 no número de mortos. Moral política do estudo dos economistas: aumentar a taxa de emprego de Palestinianos em Israel não apenas melhora o bem-estar dos Palestinianos, mas também diminui a sua disponibilidade para se envolverem no conflito. Um jogo win-win para quem queira a paz e a coexistência dos dois povos.

A comprar, já. Um romance sobre "o retorno".

Lembro-me bem dos colegas que foram chegando à escola durante o ano de 1975, vindos de Angola, de como vinham, do que estavam a passar, das histórias, para nós aventuras, do que tinham vivido. Depois de ler o comentário de Rui Bebiano, O Retorno, de Dulce Maria Cardoso entrou na lista "a comprar, já".

4.11.11

What happened to Greece? Most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe

On 2 November, 2011 I was sitting in my office in Bucharest unable to work and following on various twitter accounts and some live news streams the latest news in Greece.  My phone rang and my good friend Paulo asked me to write a small piece about what’s happening in Greece, so here we go.

The story of the day comes from the cabinet meetings and the negotiations within PASOK and with New Democracy Parties in order to move towards the next day, which is none other than the adoption of the  “bailout package” offered to Greece – ie the trimming of the primary dept by 50%. This after the surprising announcement of a referendum where the people will actually be able to decide (?) their own fate. But I would like my first entry on the blog of my good friend to touch not on the news of the day, but the news of the decade. Forgive me for the bout of nostalgia, but here we go.

November 2004, Athens Greece. It’s the place to be. I don’t think I’ve ever been prouder to live here.  The recent “dream Olympic games” gave birth to a complete transformation of the city. New highways, beautiful pedestrian walkways that unite the archeological centre for the first time, airports, bridges infrastructure that one could only dream of 10 or 15 years earlier became reality. Booming economic growth, something like 4% if I’m not mistaken, while the Eurozone average was less than 2. T-shirts with the Greek flag instead of the Union Jack were in style, from my flat with a great view of the Parthenon I noticed “winter tourists” who came for “weekend breaks” for the first time as far as I can remember, art houses and galleries were popping up everywhere, an air of creation and rebirth had overcome smog of the megalopolis. Heck, Greece had even won the Euro, beating Portugal twice at home :).

Five years later they told us that we’re about to go bankrupt, that we no longer have national integrity or even sovereignty for that matter regarding our internal policies. I’m trying to get my head around what’s been going on over the last two years. As long as I can remember myself, since the mid eighties, there have been voices in my country saying that we are on the verge of bankruptcy. Voices speaking about needed cuts in public services, wages and pensions. But what has happened over the last two years was a real surprise for most people in Greece. It was a shock that most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe. The social fabric of the country is being torn apart, people are turning against one another, rioting and indiscriminately bagging all politicians and public servants in the same pile. This is not such a nice predicament, and in the next days I’ll provide my opinion on how we got here, who’s responsible and what we need to do to get back to the “golden age of modern Athens.”


Yannis Parcharidis

(I am proud that Yannis, a good friend and attentive observer of his own society, accepted the challenge of expressing here his views on the Greek crisis. Keep an eye on his writings.)

Almada: todos juntos contra os cortes insensíveis nos transportes públicos?

O PS de Almada tornou hoje público que vai propôr na Assembleia Municipal que todos os partidos aí representados se unam num protesto conjunto contra as propostas do Grupo de Trabalho designado pelo Governo para a questão da mobilidade, que agravam a discriminação dos residentes da margem sul no contexto da cidade-metrópole de Lisboa.
A visão liberal do Governo mostra-se em todo o seu esplendor nessas propostas. No que se refere a Almada, junta-se ao aumento duro do preço dos transportes a supressão de carreiras, nomeadamente da carreira da Carris que liga o Centro-Sul à Praça José Fontana, em Lisboa e das ligações fluviais à Trafaria e ao Porto Brandão.

Me queda la palabra (Aguaviva cantam Blas de Otero)

3.11.11

Os socialistas, o Orçamento de Estado e a liderança da oposição

A esta hora o PS está a definir que tipo de oposição vai ser nos próximos anos. Do que se viu no debate público até agora, os eixos do debate vão reflectir melhor as diferentes formas de ver o papel do PS no país do que as linhas de divisão do último Congresso.
Para mim tudo se resume a uma pergunta: este é um orçamento necessário ao país ou um ataque liberal a pretexto das dificuldades que atravessamos? Parece evidente que é o segundo caso e isso impede o PS de equacionar apoiá-lo. Assim sendo, o que está em causa é onde deve estar o PS, não é o IVA dos restaurantes.
Deve o PS estar nos debates que aí vêm nos próximos anos à frente da oposição, como seu maior partido e maior partido da esquerda portuguesa? Ou, pelo contrário, caucionar pelo silêncio ou a discrição o dito ataque liberal? O instinto centrista do PS leva-o pelo segundo caminho e a abstenção no OE 2012. A intuição de liderança da esquerda leva-o pelo primeiro e impõe já o voto contra. Este é que e o verdadeiro momento de definição do que será o novo ciclo político do PS.
Nesta discussão, já sabemos o que pensam Seguro e Assis: são, sem surpresa, os irmãos gémeos que são há décadas na escola do instinto centrista do PS. Enganou-se quem tenha pensado diferente, sobre um ou outro. Resta saber que espírito prevalece entre os dirigentes do partido e se eles têm plena consciência de que estão a definir hoje o que será o PS por todo o ciclo da sua actual liderança, dure ela um ano ou uma década.

"A Syrian cup of tea" - Mana Neyestani

"A Syrian Cup of Tea" - Iranian artist Mana Neyesta... on Twitpic

2.11.11

Sabia que no Reino Unido todas as pessoas, independentemente dos seus rendimentos, de mais de 60 anos têm direito durante o Inverno a um apoio financeiro (winter fuel payment) para compensar as despesas acrescidas com o aquecimento? E liberais são eles, dizem-nos.