Já sabia que a Câmara Municipal de Almada não tinha política social de habitação, apenas se limitava a realojar pessoas e que isso não diminuia factores graves de tensão social.
Agora, por
esta notícia, fico a saber que tem uma política de realojamento irresponsáel e que corre o risco de agravar tais factores.
Obriga pessoas que não se conhecem a serem realojadas no mesmo apartamento e força-as a partilharem cozinhas e casas de banho. Nestas circunstâncias, como poderiam não surgir conflitos graves entre as pessoas? Como é possível que num país democrático e europeu uma câmara municipal realoje na mesma habitação pessoas que não se conhecem umas às outras e as force a partilhar um apartamento? Como é possível que a política de realojamento gere situações em que 3 famílias sejam forçadas a partilhar a mesma cozinha?
A resposta da fonte do município, citada na notícia, é irresponsavelmente falaciosa. Diz a fonte que "na sequência da demolição da matas de Santo António, em que foram realojados os indivíduos inscritos no Plano Especial de Realojamento (PER), a autarquia, não querendo deixar ninguém na rua, alojou também alguns indivíduos que não estavam inscritos no Plano". Importa-se de repetir? Então, para a CMA realojar é forçar famílias a partilharem casas? E ainda tem o desplante de embrulhar acto tão indigno em retórica de preocupação social? Compreende-se que a fonte tenha permanecido não identificada. Deve ter tido vergonha do disparate que dizia.
Não sei quantas mais famílias no município terão sido forçadas a esta violação do direito fundamental à habitação, ainda por cima disfarçada de concessão desse mesmo direito. Compreendo que não queiram que se conheça a situação, de tal modo ela é humilhante. Mas garanto-lhes que
todos estes casos serão revistos e eliminados, se os almadenses me confiarem a responsabilidade pela Câmara Municipal. E espero que os almadenses percebam quanto a política que irresponsavelmente gera estas situações,em vez de resolver problemas sociais, está a espalhar barris de pólvora em factores de risco.
O caso retratado na notícia da Lusa que ontem vinha no JN simboliza, só por si, a falência total da política social municipal e desqualifica completamente a gestão da CDU do mínimo de sensibilidade social para poder autoclassificar-se de esquerda. Como se não bastasse a guetização, a CDU de Almada, junta-lhe a convivência forçada. Há alguém de esquerda que não se indigne com esta concepção de política municipal de habitação?