16.5.08
15.5.08
Pop, swing e Garbarek
Esta noite fui ver o Jan Garbarek Group featuring Manu Katche, no Palácio Nacional da Cultura de Sofia.
O concerto teve momentos de jazz, mas abriu bastante eléctrico e fechou a swingar, para voltar ao cânone Garbarek no encore.
Nunca tinha ouvido esta formação, cuja dinâmica se aproxima mais da pop que do jazz.
O primeiro protagonismo foi da bateria. Mas Manu Kache não faz o meu estilo. É (ou foi aqui) demasiado seco, muito enérgico mas pouco subtil.
O melhor desta fase acabou por ser o "solo a trio" do baixo, que gravou ali mesmo o refrão e uma segunda frase e sobrepôs o solo propriamente dito à repetição do ritmo.
O concerto já levava quase uma hora quando passou a uma fase zen: a tela que fazia de cenário passou de tons azuis a laranja e brilhou o dueto saxofone-piano. O piano pensativo e a harmonia das escalas do saxofone deram-me os melhores momentos da noite.
À medida que a segunda hora de música avançava, os sons abriram-se a um pop festivo em que a bateria voltou, francamente mais a meu gosto, e os músicos swingaram, enquanto a tela ruborescia.
Foi pena que não tenha resultado a passagem pelos sons folk, porque ao momento da flauta campestre faltaram outras percussões.
No fecho, ouviu-se o cânone Garbarek e o encore foi, naturalmente, do líder.
Sem ser um concerto fabuloso, a noite passou-se bem.
Reparo no ócio, que a banda passou, no ano passado, pelo Guimarães Jazz.
14.5.08
Para já, não
Para já, não está em causa a alienação do Millenium na Roménia nem na Grécia, depreende-se da entrevista de Carlos Santos Ferreira, CEO do grupo, à Reuters, reproduzida hoje no jornal económico gratuito OJE.
Contudo, a alienação de activos não é completamente excluida da estrate´gia que levou ao aumento de capital. Diz Santos Ferreira: “Quando optámos por fazer o aumento de capital, uma das razões porque o fizemos foi para podermos pensar sem ser debaixo de pressão relativamente aos activos que incluem, naturalmente, as operações internacionais. As alternativas clássicas, quando é necessário reforçar o core-Tier1, passam sempre pela alienação de activos ou por aumentar o capital, e uma das razões porque apontámos para o aumento de capital foi não ter de alienar activos sobre pressão.
Que lugar terão as redes do sudeste europeu na estratégia do grupo quando a pressão diminuir? Saberemos mais tarde.
8.5.08
7.5.08
Notícias cruzadas
6.5.08
O clima económico da Roménia
Talvez o primeiro sinal de alarme tenha tocado com os conflitos laborais na Dacia e na Mittal, como a Reuters (via Romania News Watch) agora recorda. Tratou-se de conflitos pesados, que se saldaram por acordos salariais dificilmente imagináveis se não estivéssemos numa economia sobreaquecida e em risco de espiral inflacionista.
Esta semana, os jornais locais deram destaque à análise do FMI da situação da economia romena. O sentido é claro: a dependência da economia romena dos fluxos de capital estrangeiro tornou-se uma vulnerabilidade na conjuntura, a política fiscal é pró-cíclica, há dois estrangulamentos que exigem respostas de médio prazo, na construção de infraestruturas e na qualificação da força de trabalho e o crescimento económico começará a ressentir-se da pressão conjuntural começando a desacelerar já em 2008 e desacelerando ainda mais em 2009.
A análise do FMI reflecte a crueza dos indicadores, que já em Março as estimativas não oficiais do banco Unicredit Tiriac antecipavam.
O cocktail de políticas do FMI é bem menos imaginativo – centra-se nos riscos da política fiscal apesar de ter identificado como constrangimentos estruturais os das infraestruturas e das qualificações. O sentido das recomendações é racional, dado que a contenção do défice é necessária e a Roménia vai entrar num ciclo eleitoral prolongado, a partir das eleições locais cuja campanha eleitoral já começou.
Errado, mesmo, é o emblema que o FMI escolheu para a sua causa. A medida a que se opõe mais energicamente é a redução do IVA sobre bens alimentares de primeira necessidade, cuja incidência o Senado votou baixar de 19 para 5% (a Roménia não tem, actualmente, taxa reduzida de IVA), com um custo fiscal que o FMI estimou, seguramente não por defeito, em 0,5% do PIB Mas não se podia esperar nada de muito diferente, embora choque a sensibilidade de quem pensa que seria melhor propor medidas que contrabalançassem essa perda de receita.