24.11.08
21.11.08
BPN: onde está o trigo e onde está o joio? (actualizado)
No Canhoto, tentei explicar porque achava que, no "caso BPN" as coisas estavam a acontecer, a avaliar pelo comportamento dos diversos protagonistas, como se estivessemos no preâmbulo de mais um "escândalo à portuguesa", daqueles que são extremamente prejudiciais para a democracia e para os visados que estejam inocentes, tanto quanto devem ser eficazes para os seus culpados. Depois do Grupo Parlamentar do PS ter arrepiado caminho, o desafio passou a ser o de que a Comissão Parlamentar que aí vem seja para levar a sério e não para renovar o descrédito deste instrumento, que devia ser um dos mais nobres da acção parlamentar.
19.11.08
As gaffes de Ferreira Leite quando a dúvida nos atravessa o espírito
E se não fossem só gaffes? Leia aqui sobre uma dúvida algo inquietante e um silêncio algo estranho...
17.11.08
Avaliação: a reflexão do António Souto
O António voltou a deixar um comentário na caixa que me pareceu melhor "puxar" para o corpo . Aqui vai:
"Concordo, no geral, com os cuidados do Paulo e com as teses do Porfírio.A avaliação não é apenas necessária, mas urgente.Contudo, custa ouvir a quem teve resposabilidades na criação e manutenção do anterior modelo de avaliação - porque a havia e estava regulamentada em diplomas legais - afirmações repetidas de que não havia avaliação alguma.De facto, tal como estava, dava lugar a todo o tipo de aproveitamentos, e, por isso mesmo, em alguns caos, de eficácia pouco recomendável, mas foi durante anos suportada por diversos Ministérios, incluindo pelos do Partido Socialista. E por isso dói mais!A questão do "castigo" não reside tanto na inexistência de vontade de serem os professores avaliados (excluindo aqueles que, como em qualquer outra profissão e/ou actividade, corporativa ou não, se manifestam sempre contra, ou tudo fazem para a abortar, à avaliação), a questão é todo o processo que, administrativamente, e em pouquíssimo tempo, alterou as regras de funcionamento interno das escolas e dos seus docentes, a começar pela estruturação dos professores em duas categorias, sem cuidar de os avaliar primeiro (como se de um dia para o outro chegassem a marechais e a catedráticos muitos sargentos e muitos assistentes).Convém, antes de tudo, verificar todos os documentos, itens e descritores propostos para a avaliação, e averiguar das pessoas e órgãos envolvidos em todo o processo- sabendo quea) os "objectivos pessoais" devem ser desenvolvidos, também, a partir de "objectivos institucionais";b) que os "objectivos institucionais" devem estar claramente insertos nos Projectos Educativos de Escola (PEE);c) que muitos PEE não se encontram ainda aprovados pelos Conselhos Gerais;d) que muitos Conselhos Gerais não passaram ainda pelos Conselhos Gerais Transitórios, por estes se não encontrarem ainda plenamente constituídos;e) que muitos Regulamentos Internos não foram ainda, por isso, aprovados;f) que há Conselhos Executivos (a quem compete presidir a parte relevante da avaliação) cujos membros não são por vezes titulares;g) que há eleições/nomeações para Directores (que sucedem aos CE) em Março;h) que as avaliações podem começar a ser feitas por CE e ser concluídas entretanto pelo novo Director;i) que os professores que acabam a sua colocação trienal na escola terão que voltar a ela (sejam colocados onde forem) depois de Setembro para concluir a sua avaliação;j) que um docente no secundário, com quatro ou cinco turmas (a uma média de 26/27 alunos por turma - de cursos diferentes e alunos muito diversos) terá dificuldade em estabelecer metas de êxito ao nível da aprendizagem;k) que um docente, tal como está a regulamentação, dificilmente poderá corresponder a uma necessária formação contínua (com manchas horárias incompatíveis e com Centros de Formação estagnados e com uma oferta que continua, amiúde, pouco consentânea com o respectivo domínio profissional).Bom, sejamos práticos, tudo se teria resolvido com mais serenidade se o novo sistema de avaliação, previamente testado, surgisse no seguimento das demais reformas avançadas e já estabilizadas.Tudo isto e muito mais, caro amigo Paulo, é quanto me preocupa, como Professor e membro do Partido Socialista, por tua mão, que muito me honrou e honra.Quanto às teses do meu/nosso comum amigo Porfírio, concordo, reafirmo, no geral, mas, como fez Pe. António Vieira no "Sermão de Santo António aos Peixes", convém descer ao particular!" (António Souto)
Avaliação: as teses do Porfírio Silva
O Porfírio Silva mandou para a caixa de mensagens, a par do abraço ao António Souto, o link para as suas teses sobre a avaliação de desempenho dos docentes. Em tempos idos, o Porfírio, o António e eu fizemos juntos das coisas mais interessantes das nossas ou pelo menos da minha vida, enquanto estudantes da Escola Secundária Homem Cristo, em Aveiro e enquanto militantes do associativismo estudantil e da participação cívica. Com um abraço ao Porfírio, fica o convite para que lendo já aqui a sua décima e ùltima tese vão à Maquina Especulativa lê-las todas:
"Uma negociação efectiva só pode ocorrer entre propostas alternativas que representem as diferentes visões de forma suficientemente global para tirarem da sombra todos os pressupostos negociais. Uma negociação assimétrica, em que uma das partes assume todo o risco da proposição e as outras partes só têm de contrariar as propostas apresentadas, está condenada a ser uma negociação meramente táctica: uma guerra de trincheiras, concentrada apenas em minorar perdas, incapaz de colocar em cima da mesa o essencial – e, portanto, insusceptível de gerar um acordo genuíno, sólido, sustentável e duradouro. Uma negociação efectiva entre o ME e os professores tem de centrar-se em alternativas coerentes, articuladas, que representem diferentes visões globais, e que apareçam à luz do dia para serem escrutinadas – e só essa negociação poderá ser leal e produzir resultados."
Avaliação: o desabafo do meu amigo António Souto
Este post não é meu. Só o título e este texto introdutório o são.
O seu autor é meu amigo há perto de trinta anos, ou seja desde os bancos da escola e deixou o texto como comentário ao post anterior.
Estivemos juntos no movimento associativo estudantil e voltámos a estar juntos no trabalho nas políticas sociais no anterior governo do PS. Não temos falado nos últimos tempos. Mas garanto que ele sente o que escreve. Não o digo por ser meu amigo, mas porque é um professor que sei que gosta de o ser e porque se coloca do lado da questão que também me importa.
Podemos melhorar tudo isto? Claro! Temos que mudar o clima que se instalou nas escolas? Sem dúvida! Suspender ou abandonar o processo de avaliação resolvia o problema? Não sei o que o António pensa, eu acho que não e continuo sem perceber porque os professores sentem esta avaliação como um "castigo". O que tiver que ser feito para que assim deixem de o entender sem que com esse esforço se desvirtue o próprio exercício merece atenção e ponderação. Mas, leia cada um o seu testemunho e pense por si no que ele significa:
"1) Sou professor, por vontade própria (com licenciatura no ramo científico e licenciatura no ramo de ensino - seis anos!);2) Tive, até agora, prazer no mister de ensinar;3) Bem ou mal, por decisão de muita gente que hoje denuncia nunca ter havido avaliação, fui, de facto, avaliado;4) Apresentei, nos momentos devidos (de quatro em quatro anos, porque alguém assim estipulara), relatórios e certificados de formação, formação que sempre teimei em fazer, em área da minha especialização (por vezes paga), sem faltar a aulas;5) Fiz, também sem faltar a aulas, uma pós-graduação em domínio da minha especialização;6) Tenho mais de 20 anos de ensino (com interregno de três anos num Ministério);7) Fui (e sou) Director de Turma (num ano fui Director de duas Turmas);8) Fui Coordenador do meu Departamento (na ocasião com cerca de 30 professores);9) Fui membro do Conselo Pedagógico;10) Fui Presidente do Conselho Pedagógico;11) Fui promotor da Área de Projecto na EScola e docente desta área curricular em Questões de Cidadania;12) Porque houve suspensão do tempo de serviço para efeitos de progressão, não transitei para o 8º escalão;13) Porque não transitei, não pude concorrer a titular;14) Sou, pois, um Professor não senior que só poderá progredir (dada a reconversão dos escalões) em Setembro de 2009;15) Uma vez mais, será tarde para concorrer a titular (cujo processo estará já encerrado;16) Talvez ao fim de mais quatro anos consiga concorrer;17) Até lá, correrei o risco de poder ser avaliado por colegas que coordenei e avaliei enquanto Presidente do Conselho Pedagógico, mas que são titulares por acto administrativo cego;18) Dito isto, e apesar de tudo isto, continuo a pensar que a avaliação deve existir, como sempre existiu (e continuam vivos quantos a criaram e mantiveram!), mas melhorada e atenta à dedicação e à qualidade;19) Mas assim às escuras, como quem teimosamente quer castigar em ignorâcia ou má-fé, NÃO!20) Do trabalho que o professor (honesto) tem, na escola e fora dela, abstenho-me, por ora, mas que ultrapassa em muito as 35 horas, lá isso ultrapassa, para mal nosso e da nossa família, que a temos, como todos..." (António Souto)
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