3.12.08

Vale a pena ler este discurso

Naturalmente, a atenção mediática ao Congresso do PCP concentrou-se nas intervenções de Jerónimo Sousa. Mas o PCP é um partido de profissionais e o Secretário-Geral faz discursos formatados para a opinião pública. Aprende-se mais sobre o que o PCP efectivamente é lendo o que disseram os seus dirigentes muito influentes e discretos. Francisco Lopes, por exemplo, que se repararem bem está em destaque em quase todas as fotografias há décadas. Foi no seu discurso que claramente se disse que o PCP a) continua estalinista: "Partido que assume o objectivo da construção de uma sociedade nova - o socialismo e o comunismo, que tem como base teórica o marxismo-leninismo, assenta em princípios de funcionamento decorrentes do desenvolvimento criativo do centralismo democrático e afirma o seu carácter patriótico e internacionalista." ; b) continua a não perceber o sistema político português e a não respeitar os eleitores e os protagonistas dos outros partidos políticos: "O grande capital e os seus representantes políticos não olham com indiferença para o nosso Partido e a nossa luta. Têm os partidos que representam os seus interesses, o PS, o PSD e o CDS-PP e promovem aqueles que numa oposição de palavras não põem em causa o seu sistema de injustiça e exploração." Vale a pena ler este discurso.

1.12.08

As eleições não melhoraram a governabilidade na Roménia

A governabilidade da Roménia não aumentou com os resultados das eleições legislativas. O PSD teve tangencialmente mais votos do que o PD-L, mas terá menos representantes que este nas duas câmaras (de deputados e senado). Os resultados, segundo o jornal Evenimentul Zilei , são os seguintes: Câmara dos Deputados: PDL: 33,84% (114 deputados) PSD+PC: 34,28% (114 deputados) PNL:18,76% (65 deputados) UDMR: 6,34% (22 deputados) Senado: PDL:32,89% (51 senadores) PSD+PC: 33,14% (49 senadores) PNL: 18,9% (28 senadores) UDMR: 6,19% (9 senadores) Nestas circunstâncias, o PNL, do Primeiro-Ministro cessante será o fiel da balança de qualquer maioria parlamentar, excepto se houver uma improvável "grande coligação". Está, no entanto, por demonstrar que o Presidente nomeie um Primeiro-Ministro que não seja do PD-L, caso o partido (por muito pouco) mais votado, o PSD reivindique governar. O Inverno romeno vai ser politicamente quente, com as eleições presidenciais a constituir-se, provavelmente, em segunda volta das legislativas.

30.11.08

A Roménia teve hoje eleições parlamentares. O nível de participação eleitoral (39,26%) foi muito inferior ao das anteriores, em 2004 (56,52%).

O nível baixo de participação eleitoral reflecte as dificuldades de afirmação do sistema democrático no país, apesar da sua entrada no campo do Ocidente, adesão à NATO e participação na União Europeia.

Do ponto de vista dos resultados, as sondagens à boca de urna dão vantagem à coligação entre PSD e PC (liderada pelo partido filiado no PSE, que chefiava a oposição), sobre o PD-L (partido do Presidente da República, filiado no PPE) e o PNL (partido do primeiro-ministro cessante, que tinha chegado ao poder numa coligação que se rompeu há dois anos).

Se as previsões se confirmarem, é provável que o PSD+PC e o PNL formem uma coligação para governar, isolando o partido do Presidente a meses das eleições presidenciais. Mas o sistema semipresidencial romeno dá poderes ao Presidente que este tem interpretado com alguma latitude, pelo que não se pode excluir completamente que o mesmo resultado possa prodzir outros cenários, sobretudo se quaisquer duas das três forças mais representadas conseguir maioria parlamentar.

Outra das incertezas do resultado prende-se com os partidos que têm funcionado como fiel da balança: a extrema-direita ex-comunista (o PRM), que deverá perder muitos votos e o partido da minoria hungara (UMDR), previsivelmente enfraquecido pelos efeitos da reforma do sistema eleitoral, que juntou aos círculos uninominais uma cláusula barreira de 5% de que era o principal visado.

Ainda não é, pois, seguro que o país tenha governabilidade acrescida depois destas eleições.

Os voos da CIA. quem é que os EUA avisaram?

O El País escreve que "la Administración estadounidense quería que España supiera que esos aviones transportaban a "prisioneros talibanes y de Al Qaeda". Y no sólo España. Según le hizo constar su interlocutor a Aguirre de Cárcer, "esta misma gestión las están realizando [los estadounidenses] con varios países que se encuentran a lo largo de la ruta que deben seguir los aviones en cuestión". Por lo menos, Túrquia, Italia y Portugal." . Terá a inferência do El País razão de ser?

O BE faz falta (diz o Arrastão)

(Cartoon de Pedro Vieira, no Arrastão).

28.11.08

Imaginação política

Hoje, no PS, talvez sejam precisos políticos imaginativos, mas, mais que tudo, é precisa uma lógica de poder partidário que acolha os resultados de tal imaginação, sem o que debater ideias se arrisca a ser uma participação em interessantes jogos florais. No Outubro tento explicar porquê.

26.11.08

O banco e as ansiedades dos clientes

Gosto de ver publicidade bem feita. Nos últimos tempos dei por mim a ficar com a atenção presa à do Grupo Santander. Como se sabe, há muito quem pense que o segredo do marketing está na segmentação, ou seja na capacidade de dar tantas mensagens quantos os tipos de público a que se dirige. Essa estratégia, que quase todos os partidos usam, tem os seus limites. Nos seus antípodas tácticos está a estratégia que se centra numa mensagem unificadora. O Santander tem-na. Antes, quando achavamos que estava a ser cada vez mais dificil ser bem atendidos no banco, reenviados de call center para call center, forçados a fazer solitariamente as operações bancárias sem ter ninguém com quem falar, o Santander dizia-nos que crescia para perto de nós e, pelo menos eu, dei por mim a pensar quantas agências havia nos circuitos por onde me movo. Agora, que todos temos uma dúvida principal, a de que o nosso banco (quero dizer, em casos como o meu, só aquele de que somos clientes) se aguente, o Santander dá-nos, pelo menos em Portugal, música alegre, natureza e canta-nos ao ouvido que é "solid as a rock" e, pelo menos eu dou por mim a lembrar-me que li algures que pelo seu tipo de investimentos o Grupo Santander deve resistir bem à crise. Os directores de marketing deles merecem o ordenado, se o tiverem do modo adequado e proporcional que certos segmentos da banca parecem ter perdido. PS. Afinal, dizem-me os leitores, o director de marketing acaba de sair do Grupo "para abraçar novos projectos". Só mostra como não estou por dentro do meio.