25.2.09

O debate desta tarde no Parlamento Global

O debate parlamentar desta tarde vai acontecer também na blogosfera. Eu estarei no Minuto a Minuto do Parlamento Global, que pode seguir aqui ou na ligação que encontra na coluna da direita .

De novo a silly season, agora a PSP de Braga

Portugal transformou-se num país em que basta uma denúncia para haver crime. Depois da senhora magistrada do MP de Torres Vedras não ter percorrido 200 metros para investigar se a fotografia desfocada do Magalhães carnavalesco tinha conteúdo ofensivo, a PSP de Braga não hesitou em apreender livros que "diz que" têm uma capa pornográfica, que por acaso é de uma obra de arte. Em Portugal, quem devia investigar recuperou o velho hábito de ter certezas antes de ter dúvidas e em democracia devia ser ao contrário. Agora que acabou o Carnaval, vale a pena reflectir sobre as causas destes tiques.

22.2.09

Noite estrelada

Van Gogh escreveu numa das suas cartas que agora há uma pintura da noite sem negro. Pelo mundo fora muita gente vai passar esta em branco por ser a noite de estrelas. Nada que impeça os que o possam fazer, de ir a Amesterdão antes de 7 de Junho ver esta noite estrelada pintada em 1889 e as outras pinturas da exposição Van Gogh e as cores da noite.

20.2.09

A silly season do MP de Torres Vedras

O Carnaval são três dias. Quarta-feira o Ministério Público de Torres vai informar-nos que os seus despachos e contra-despachos sobre o Magalhães foram um esforço filantrópico de promoção ao corso. Como há desfile terça-feira, haverá novo despacho na segunda?

19.2.09

Moderar o recurso dos cidadãos a cirurgias e internamentos?

As taxas moderadoras em ambulatório e internamentos de curta duração foram introduzidas nesta legislatura, muitos e muitos anos depois de todas as outras. Na altura, escrevendo no Canhoto, deixei clara a minha oposição a este passo. O tema volta, agora, à discussão na Assembleia da República, através de propostas que visam eliminá-las mas só poderiam entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2010, já depois das próximas eleições. Antes disso, só o Governo pode mudar a situação. Já deu um passo nesse sentido quando reduziu em 50% as novas taxas na mesma portaria em que subiu todas as outras. Poderia dar outros, conjunturalmente face à crise, ou estruturalmente, lançando a propósito dos 30 anos do Serviço Nacional de Saúde um conjunto de iniciativas que repensem o seu financiamento e não passem pela introdução subtil do co-pagamento destes cuidados de saúde nem por taxas moderadoras que se aplicam a serviços dos quais não é crível que haja propensão para uso excessivo, como cirurgias e internamentos hospitalares.

17.2.09

Complexopolítico-energético e risco de crise social na Rússia

Carlos Santos prevê vida curta ao Presidente Putin, depois de passar em revista os riscos de confronto social na Rússia. Terá razão? Certo é que o complexo politico-energético russo tem pés económicos de barro e, vendo a questão de outro ângulo, uma fragilidade interna que pode ser ameaçadora do exterior. De facto, com pouca riqueza para distribuir pode o sistema querer vender orgulho aos russos à custa dos vizinhos e da estabilidade mundial. A questão do empréstimo ao Kirquizistão em troco do fecho de uma base americana importante para as operações no Afeganistão, a afirmação militar na Geórgia e o impasse de Janeiro no fornecimento de gaz à Europa Ocidental não são factos desligados entre si. Joe Biden, na Europa e Hillary Clinton, no Senado, já nos avisaram de que podemos estar a descurar a segurança europeia mas os europeus - e em particular os alemães e os italianos - estão a ver antes o lado da parceria económica. Quem estará a definir a melhor estratégia?

Uma pergunta a quem não acha que quanto pior melhor.

O Elísio Estanque está céptico em relação à evolução previsível do PS. Compreendo-o, embora esteja, por agora, mais optimista. Há, contudo, um ponto em que, tal como eu, se afasta claramente da teoria do quanto pior melhor a que vários sectores da esquerda são particularmente vulneráveis. Escreve ele, abordando um dos pontos importantes do debate: O país vai ter que ser governado, e prefiro que o seja com base em opções e políticas sociais de esquerda (ou de centro esquerda) do que entregar o poder ao total controlo de quem mais estimulou os factores da actual crise. Haverá por aí algum partido de centro-esquerda ou de esquerda que se aproxime mais desta visão do que o PS?

14.2.09

A dificuldade táctica

As divergências de modelo de sociedade futuro entre um PCP nostálgico do regime soviético, um BE que aposta num regime socialista que reconhece nunca ter existido e um PS que procura o aprofundamento radical da democracia parecem razoavelmente exotéricas a um número significativo de eleitores preocupados com a crise económica, o risco de desemprego e as debilidades actuais do país. Apesar das grandes diferenças ideológicas entre os partidos, os eleitores circulam entre eles. Muitos já votaram umas vezes no PS, outras no PCP e outras ainda no BE ou nos partidos de que nasceu. Todos o sabem. Mas o PS está a introduzir uma novidade na questão. Dá sinais de tentar renovar a maioria reposicionando-se à esquerda, dando prioridade às classes médias, combatendo as desigualdades, erradicando discriminações persistentes. Essa orientação gerará, evidentemente, dificuldades tácticas ao PCP e ao BE. Não será surpreendente, pois, que radicalizem o seu discurso sobre o PS enquanto não encontrarem novo rumo. (publicado no Diário Económico de 13 de Fevereiro)

13.2.09

Sexta, 13, dia de euromilhões

Darwin, autoridade científica e religião

Hoje não faltaram referências às mais diversas vertentes do legado de Darwin para a construção da percepção moderna do mundo. Não as iria repetir aqui. Mas quando a sua teoria da evolução das espécies está sob ataque, não pela evolução da ciência, mas pela tentativa de cientifizar uma visão da Bíblia, recomendaria a quem se interesse pelo tema a leitura deste ensaio online sobre a fé de Darwin, publicado no âmbito de um projecto universitário de disponibilização da sua correspondência. Darwin, sobretudo, não gostava de se pronunciar sobre religião, dado que estava convencido de que a sua sabedoria cientifica não lhe conferia nenhuma autoridade em matéria religiosa. Duzentos anos depois, na ciência como na religião, há quem ainda se confunda sobre essa ideia fundadora da modernidade. Como diz quem escreveu este ensaio: Darwin's correspondence shows that his religious beliefs changed substantially over the course of this life, and that they never reached a fixed position. His agnosticism should be understood as a state of genuine uncertainty regarding the existence and nature of God. Darwin's unwillingness to pronounce on religious matters stemmed from his strongly held view that science and religion rest on different foundations and forms of evidence, and that his scientific expertise, no matter how extensive, did not make him a religious authority.