20.4.09
Lançamento da primeira pedra de um parque de estacionamento: o inauguracionismo à beira do ridículo
Há um estilo de campanha eleitoral que, por ser sobejamente conhecido não é menos utilizado. Consiste em usar o cargo público nos últimos meses antes das eleições para fazer inaugurações em série, como se fosse o normal desempenho de funções e dar a ideia de que os outros estão em campanha mas quem está em exercício não.
Alberto João Jardim tornou-se conhecido por inaugurar tudo e mais um par de botas e, na Madeira, o esquema resulta.
Quando, como aconteceu sexta-feira passada com a Presidente da Câmara de Almada, o inauguracionismo ds transforma em lançamento de primeira pedra de um parque de estacionamento, que só estará pronto bem depois das eleições, o modelo está a ser puxado para limites próximos do ridículo.
Acresce que este parque devia ter estado pronto ao mesmo tempo que começou a circular o Metro, se a obra tivesse sido bem planeada e executada. Como um comerciante da zona disse à reporter do Jornal de Notícias que cobriu a cerimónia "estamos há dois anos e meio a sofrer com as obras do metro e agora vamos sofrer com as do parque".
De facto, na sexta-feira passada o desespero inauguracionista levou a que a Câmara tivesse chamado os jornalistas para o lançamento formal da primeira pedra de um parque de estacionamento cujas obras começam agora, estará pronto no fim do ano e já devia estar a funcionar há três anos. Não acredito que os almadenses, gente de grandes pergaminhos democráticos e eleitores esclarecidos, se deixem embarcar em jardinismo tão incipiente.
A ler: perestroika norte-americana
A ler: Perestroika norte-americana. Obama foi recebido com sorrisos e não com pedras (nem com sapatos).
17.4.09
A vitalidade da democracia americana
Os mecanismos internos da democracia americana continuam a ser a mais eficaz garantia que temos de que um dia saberemos até onde chegaram os atropelos da administração Bush, violando regras básicas de direito internacional e direitos fundamentais em nome do combate ao terrorismo. Lá, a raison d'État não se sobrepõe duradouramente ao apuramento da verdade, o que só reforça a futilidade de tentar, como diz a Casa Branca, "negar factos que estão há algum tempo no domínio público".
No Público pode ler-se a notícia de uma vitória da American Civil Liberties Union, que conduziu à publicação - para já parcial - dos memorandos secretos que tentaram justificar o uso da tortura por parte da CIA e os extractos desses domumentos que foram tornados públicos. Que a democracia americana não deixe que esse tipo de comportamentos fique no limbo, é um sinal da sua vitalidade.
15.4.09
Villa Arpel, uma metáfora cinematográfica reconstituida em Paris. Chegará cá?
A villa Arpel é uma metáfora cinematográfica do optimismo tecnológico da segunda metade do século XX. Apenas existiu em estúdio, em 1956, para ser filmada por Jacques Tati, que a imaginou com Jacques Lagrange. Ironizava a vida moderna, a mistura de utopia tecnológica e ditadura do design e foi, naturalmente, destruída com o fim das filmagens.
Agora, em simultâneo com uma retrospectiva de Jacques Tati na Cinemateca Francesa, a sua reconstituição está aberta ao público no 104, equipamento cultural da cidade de Paris. Virtualmente, aqui. Ao vivo, só lá. Alguma autarquia se candidatará a trazer a reconstituição a Portugal? Estou convencido que faria furor entre a legião de admiradores do cinema de Tati. Se eu fosse Presidente da Câmara de Almada... tudo faria para que estivesse a caminho do município.
14.4.09
Moderação de comentários: uma questão de transparência num blogue em campanha
Este blogue tem uma política geral de moderação de comentários. As ideias são livremente publicadas e apenas os insultos, ao autor ou a terceiros, são rejeitados.
Desde a apresentação da minha candidatura à Câmara Municipal de Almada, introduzi um critério adicional. A respeito de candidaturas autárquicas, este blogue está em campanha, o que se reflectirá nos critérios de publicação de comentários. Julgo que é compreensível que a caixa de comentários de um candidato não seja usada para outras campanhas. Mas mesmo que não o seja, assim será neste blogue daqui até às eleições.
9.4.09
Metro: dificuldades evitáveis
«E é difícil, em algumas áreas do traçado, perceber o que é zona pedonal e o que é linha do metro.», José Calado, comandante da esquadra de trânsito da PSP de Almada.
8.4.09
Almada, o braço esquerdo e a nova centralidade
O Luis Tito, no Blogue de eleições do Público, colocou-me três questões. Aqui ficam extractos das respostas (perguntas e respostas, na íntegra, aqui):
Na minha visão, Almada integra-se numa grande cidade do Sul do Tejo, com o Seixal, o Barreiro e Sesimbra, que é simultaneamente braço esquerdo de Lisboa e nova centralidade em competição com a cidade Cascais-Sintra. Vendo estas três grandes cidades em competição, pode-se fazer com que dependam umas das outras mas cada uma delas gere a sua própria centralidade.
(...)
Há, naturalmente, uma capacidade de carga nas praias da Costa da Caparica que não pode e não deve ser ultrapassada. O que não percebo é porque é que o acesso, dentro desse limite, tenha que ser tão desconfortável. Estou convencido que só conseguiremos compatibilizar preservação do ambiente e fruição com qualidade da praia através de uma acção que combine disciplina do trânsito e do estacionamento e bons transportes públicos.
(...)
Estou completamente contra candidatos autárquicos descartáveis, que saem poucos meses depois de eleitos às ordens do partido. Se um partido tem confiança em alguém para desempenhar um cargo autárquico a regra tem que ser a de que só muito excepcionalmente e com fundamentação muitíssimo clara em incumprimento de deveres para com os cidadãos é que essa pessoa é removida. Discordo frontalmente da doutrina que vem sendo aplicada pelo PCP e que remove autarcas em início de mandato por mera gestão partidária.
Se os socialistas vencerem para o PE, não há razão para manter Barroso
A presidência da Comissão Europeia deve reflectir os equilíbrios políticos na Europa. Se os socialistas vencerem as eleições de Junho, não vejo porque hão-de conformar-se com um candidato a Presidente da Comissão vindo da direita. Por isso, parece-me lógico que apoiem um candidato próprio .
Se a nacionalidade e não as ideias fosse o primeiro critério de escolha de um candidato a Presidente da Comissão, então estaria plenamente demonstrado quanto a Europa não existe.
Li até aqui o apoio do Governo português a Durão Barroso apenas como a garantia de que, caso caiba ao Partido Popular Europeu escolher um candidato, o Governo português não inviabiliza essa candidatura, apesar de ser de esquerda. Não me entusiasma, mas é aceitável. Daí até fazer dele o candidato dos socialistas portugueses vai uma distância que nem precisariamos de recordar a Cimeira dos Açores para saber quanto é grande.
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