10.5.09
Os recursos comuns devem ter formas partilhadas de gestão: elementar, mas pouco frequente
"O estuário do Tejo não pode ser visto a retalho. Precisa de um plano de gestão coordenada entre todos os municípios", diz o biólogo Henrique Cabral, do Centro de OCeanografia da Universidade de Lisboa. Concordo. As autarquias têm que encontrar as melhores formas de gerir os sues interesses comuns e saír do espírito de capelinha em que o mundo acaba ou começa às portas de cada concelho.
9.5.09
Os amigos europeus do PSD não são os mais óbvios
No dia da Europa, Carlos Santos foi ao EU Profiler ver que partidos se parecem mais com o PSD e com o PS. O que concluiu é elucidativo:
É por demais significativo que todos os partidos mais próximos do PSD (com excepção do CDS) sejam partidos oriundos de democracias jovens e imaturas, de leste europeu, com no máximo 15 anos de plena vivência pacífica e democrática. De acordo com a sua cartilha ideológica o PSD, que se diz reformista e humanista, e que Sá Carneiro queria que fosse social democrata, republicano e laico, surge colado a forças conservadoras, ou de pendor democrata cristão (como é comum no PPE) ou de pendor nacionalista! Entre os camponeses da lituânia e os nacionalistas croatas com slogans fascistas, a companhia em que o partido anda diz muito do seu estado corrente.
Para concluir, importa dizer que este problema não se verifica no Partido Socialista. Repetindo o mesmo exercício, os partidos mais próximos são os socialistas gregos do PASOK, os sociais democratas polacos, Partido Socialista e Trabalhista do Luxemburgo, o Partido Socialista Suiço, e o Partido Socialista Operátio Espanhol (PSOE).
As diferenças entre 1929 e 2009
8.5.09
Vox: para saber mais sobre a crise, segundo os economistas.
No meio de uma pesquisa sobre a crise global, deparei-me com este excelente blogue, com contributos de economistas de nível mundial. A acompanhar, seguramente.
6.5.09
O que ninguém fez em Santa Comba Dão
O Almadalmada publicou esta fotografia, um documento que retrata o gesto popular de substituição da Rua Salazar pela Rua da Liberdade, a 27 de Abril de 1974. Um gesto que, ao que parece, não teve eco até hoje em Santa Comba Dão.
4.5.09
O pior cenário à excepção de todos os outros menos um
Jorge Sampaio juntou hoje a sua voz ao grupo dos que não diabolizam uma coligação PS-PSD se a situação do país o tornar necessário.
O coro de reacções que gerou é normal,dado que já estamos quase em campanha eleitoral e é o momento de cada força mostrar o que a separa de todas as outras.Mas há um problema de fundo na governabilidade de Portugal, que persiste.
A conjugação do nosso sistema partidário com o nosso sistema eleitoral e a nossa história política diz que há, em princípio, dois partidos que podem aspirar a maiorias absolutas (PS e PSD), apesar de o sistema ser proporcional; que o bloco eleitoral da direita consegue formar coligações estáveis e que o bloco da esquerda tem uma fractura insuperável entre o PS e os restantes partidos. Pelo que, quem apostar em governos estáveis pela esquerda, sem tentações limianas, das três uma: ou dá maioria absoluta ao PS, ou espera que PS e PCP ou BE superem a fractura que os divide, ou aceita uma coligação PS-PSD. Ou, então,prefere entregar o governo ao PSD e ao CDS.
Francisco Louçã veio agora dizer que a coligação PS-PSD seria a pior de todas as soluções. O PS decidiu já há algum tempo dizer aos portugueses que não comentará nenhuma alternativa à maioria absoluta até às eleições. A mim, a coligação PS-PSD parece-me o pior cenário à excepção de todos os outros menos um: maioria absoluta do PS, que tantos receiam mas para a qual ninguém à esquerda tem alternativas viáveis.
A Soeiro não deixa a Victor Cordon pedir desculpa?
A CGTP devia ter pedido desculpas pelos acontecimentos do 1º de Maio ao PS, a Vital Moreira e aos restantes membros da delegação que este enviou ao seu desfile em resposta ao convite da central sindical. O assunto teria morrido ali, circunscrito ao que parece ter sido, uma arruaça de fundamentalistas comunistas que não discutem ideias, invectivam quem não os segue. O facto é que, dias depois, ainda não se percebeu se o pedido de desculpas de Carlos Trindade o vinculava só a ele, se o de Carvalho da Silva foi apenas uma resposta involuntária à pressão de um entrevistador e se a central sindical tem a humildade democrática necessária para pedir desculpas por ter deixado agredir um convidado seu.
De repente, o episódio do 1º de Maio pode ter passado a simbolizar o regresso pleno da CGTP ao seio da sua força hegemónica: a Victor Cordon tem alguma réstia de autonomia ou é gerida, até nos aspectos de cortesia para com os seus convidados, pelos ditames da Soeiro Pereira Gomes?
2.5.09
A Alemanha, protagonista da segunda vaga da crise mundial
Se os EUA foram os principais atingidos pela primeira onda da crise mundial, o colapso do sistema financeiro especulativo, a Alemanha parece ser a protagonista da segunda, a da retracção dos mercados, dada a sua dependência das exportações industriais (Le Figaro, via Zinha Pinto Bull no Twitter). Portugal, nesta fase paga a factura de duas maneiras. Também é uma economia aberta e tem na Alemanha um dos seus principais parceiros comerciais, embora previsivelmente em perda de importância.
1.5.09
Sobre a agressão a Vital Moreira no 1º de Maio da CGTP (revisto)
"Não assisti aos factos, não tenho informações suficientes", assim acaba de comentar Jerónimo de Sousa a agressão e os insultos a Vital Moreira na manifestação da CGTP. Ao contrário de Carvalho da Silva que, tentando desculpar, não deixou de lamentar os factos, embora os classificasse como "excessos". Da CGTP, só Carlos Trindade deu a cara para pedir desculpa pelo sucedido. Contudo, Carvalho da Silva acaba mesmo de recomendar ao PS que a campanha "seja cuidadosa".
Trinta e cinco anos depois de Abril, gestos como o dos militantes da CGTP e palavras como as do Secretário-Geral do PCP são inaceitáveis numa democracia sã. O ódio de certos militantes comunistas ao PS não pode justificar tudo.
Para além de outras reflexões, o PS deve agora deixar inequivocamente claro que não tolera nem desculpa tal falta de respeito democrático. Nesse gesto, aliás, estou seguro que será seguido por todos os democratas.
A coisa só não é preocupante porque Vital Moreira não é homem de ter medo e vivemos numa democracia do século XXI. E a agressão só diminui quem a praticou e quem a desculpar, ao passo que engrandece as suas vítimas.
(publicado também no Canhoto)
PS. Entre os que acirravam os ânimos, esta tarde, não estavam só anónimos. Como já se interrogou o Pedro, que dizer desta atoarda do deputado Miguel Tiago?
PS2. A Minda enviou-me um comentário, que já publiquei, por referir na versão original do texto o silêncio do BE. Á hora a que escrevi, a reportagem que vi não referia Miguel Portas ou o BE. O comentário fica publicado e o texto vai ser corrigido, pelo que quem ler o comentário de Minda fica a saber que ele se reporta a uma versão do texto que foi corrigida entretanto.
PS3. Recebi ainda, por mail, este comentário: Nada me admira o comportamento dos stalinistas de serviço.Isto vem dos inícios do movimento comunista;os partidos socialistas e sociais democratas são os inimigos a abater antes de tudo o mais. Nos anos 20 na Alemanha deu os resultados conhecidos; depois na guerra de Espanha e nos vários frentismos em que partidos socialistas alinharam para serem sacrificados a seguir e um dos últimos episódios é o verão quente de 1975 em Portugal.Os fins justificam tudo a começar por abater a esquerda democrática. Este foi apenas um fait divers mas útil para se verificar que nada mudou naquelas cabeças...!
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