6.5.10

Não temos o sistema, mas temos ecos (2).

Os ecos do sistema são mais do que se pensava. O Homem ao mar noticia o caso do Agrupamento de Escolas de Vialonga, uma experiência já com dez anos.

Quantos Blocos de esquerda há em Almada?

A versão Assembleia Municipal do Bloco de Esquerda interroga-se sobre a dimensão e fundamentação dos subsídios à Companhia de Teatro de Almada em 2009, a versão Câmara Municipal votou a favor dos subsídios atribuídos à mesma companhia em 2010 para fins que deveriam ser submetidos a concurso público. Só o PS votou contra. A versão Assembleia Municipal do Bloco de Esquerda assume-se como oposição frontal à gestão municipal, a versão Câmara Municipal fez maioria com a CDU para aprovar o orçamento 2010. Quantos Blocos de Esquerda há em Almada? Algo nesta história me faz lembrar a velha piada sobre trotskistas: três já dá uma dissidência. É pena que a ala colaboracionista do BE esteja sentada no único sítio onde podia fazer a diferença e a ala oposicionista esteja sentada na Assembleia Municipal onde a CDU pode fazer passar sózinha as suas propostas.
Ou será tudo isto truque táctico e o BE se inflama onde não dói para apagar o facto de dar o seu voto onde ele decide? Assim sendo, a piada apropriada não seria a dos trotskistas, mas a do PIDE bom e do PIDE mau.
A menos que este tenha sido um momento de viragem e o Bloco deixe a partir de agora a solidariedade de todas as horas com que tem brindado a CDU na Câmara desde o início do mandato. Só assim poderiamos falar de um só Bloco em Almada e talvez assim pudessemos começar a falar de oposição consequente e respeitadora do mandato dos eleitores que decidiram tirar à CDU a maioria absoluta que o Bloco, pelo menos até agora, lhe devolveu.

O custo com desemprego vai reduzir muito, pouco ou nada?

O Governo diz que as mexidas no subsídio de desemprego não visam poupar dinheiro, João Proença, que não é propriamente um radical inflamado, que "quem ganha 650 euros brutos (antes dos descontos para a Segurança Social e retenção na fonte de IRS e a que corresponde um salário líquido de cerca de 575 euros) terá uma penalização de três euros, face ao que receberia sem a mudança. A descida pode ultrapassar os 200 euros, no caso dos salários mais altos".
A transparência do debate democrático e o direito a sabermos se estão a ser feitos apenas ajustes técnicos, cortes marginais ou cortes relevantes nos subsídios de desemprego implicaria que fossem publicados os estudos dos impactos financeiros da medida em cima da mesa nos trabalhadores de diferentes escalões de rendimento bem como o impacto global estimado da sua adopção. Em quanto vai reduzir o custo com subsídios de desemprego? Muito, pouco ou nada? Sem estes dados é impossível saber se é um mero ajuste técnico ou uma redução da protecção social dos desempregados feita em tempo de crise conjugada com restrições orçamentais.

5.5.10

Cá não temos sistema, mas temos ecos.

O Rui Herbon sublinha a importância do sistema na Venezuela. Cá não temos, mas temos ecos na Amadora, sob a forma de Geração dolce vita, um projecto da Associação Unidos de Cabo Verde com a Chamartin, o Conservatório de Música de Lisboa e a Câmara Municipal da Amadora, que pode conhecer melhor através desta reportagem da SIC.

State of the World´s mothers: somos o 19º país no ranking mundial

O relatório da Save the Children sobre a maternidade coloca portugal em 19º lugar no grupo de 43 países desenvolvidos, à frente, por exemplo, dos EUA e do Canadá.
O índice divide-se em dois sub-índices. Um sobre as mulheres (saúde, educação, licença parental, igualdade de género no salário e participação política), em que surgimos em 22º lugar e outro sobre o estatuto das crianças (mortalidade infantil, frequência de pré-escolar e de ensino secundário em que subimos ao 8º lugar. apenas atrás da Suécia (1º) Itália (2º), Alemanha (3º), França (4º), Áustria (5º), Islândia e Japão (6ºs).
É apenas um índice, mas que diz algo sobre o sucesso da nossa saúde pública e a melhoria da cobertura da nossa escola pública, diz. Um elemento a ter em conta na avaliação do desempenho destas políticas públicas.

5-3, um balanço sintético do lançamento da candidatura de Manuel Alegre.

Manuel Alegre apresentou a candidatura  nos Açores com um discurso que está disponível aqui. Ao lê-lo, houve partes em que teria aplaudido se lá tivesse estado e outras em que teria torcido o nariz.

Aplaudiria:

1. A demarcação em relação à “cooperação estratégica”, que se revelou um eufemismo de Cavaco Silva para tentar legitimar tentativas de interferência presidencial na àrea de actuação do Governo.
2. O europeísmo presente na defesa de políticas europeias de coordenação económica e de estabilização financeira para responder à crise.
3. A leitura da crise, denunciando o presente ataque especulativo de que somos vítimas e afirmando a necessidade de defender o Euro.
4. A afirmação de que a saída para a crise deve ser pela via de mais resposta pública e de mais solidariedade europeia e mencionando claramente o investimento público gerador de emprego, o combate às desigualdades e a distribuição mais justa de rendimentos.
5. O empenho na preservação da ordem constitucional, equilíbrio de filigrana permanentemente sob pressão.


Teria torcido o nariz a:


1. Ter sido omisso em relação aos novos desafios à cidadania que implicam revisitar os direitos cívicos e afirmar uma nação portuguesa cosmopolita para o século XXI, batalha em que bem precisamos de um Presidente da República
que se demarque do conservadorismo do actual.
2. Ter-se declarado apenas republicano e socialista. Para não repetir a trilogia de Mário Soares não necessitava de omitir o valor da laicidade. Um escritor sempre conseguiria encontrar outro equilíbrio para os mesmos valores, sem incorrer na omissão de um aspecto matricial do espírito republicano, ainda para mais tendo em conta a propensão actual de tanta gente para, no mínimo, o contornar.
3. Dizer-se candidato em nome das gerações mais novas. É uma proclamação recorrente e, se visa ganhar votos nesse segmento, ineficaz. Mais, é contraproducente.

4.5.10

Quem endoideceu? Para explicar a Medina Carreira a diferença entre investir e impressionar o conjuge.

Medina Carreira, o ex-Ministro das Finanças, ataca assim a necessidade de investimento público (as famosas "grandes obras") nesta fase: "Imagine que anda de mota, é casado e tem uma dívida de 100 ao banco. Para chegar ao Porto mais depressa e mais polido diz à sua mulher que vão endividar-se em 150 e comprar uma moto mais potente. O que lhe diz a sua mulher? Endoideceste!". 

Recontemos o exemplo, não em estilo chefe-de-família marialva à conversa com a esposa, mas raciocinando como empresário previdente: Imagine que tem uma empresa de estafetas por mota, com sócios e tem uma dívida de 100 ao banco. Está a perder clientes porque a concorrência usa motas mais potentes. Para poder servir os clientes mais depressa e com melhor qualidade, como já faz a concorrência, diz aos sócios que vão endividar-se em 150 e comprar motos mais potentes. O que lhe dizem os sócios?   


Vejo com frequência a crítica liberal do Estado recorrer a piadas domésticas. O problema das analogias domésticas para os raciocínios económicos começa, contudo, com uma questão que um liberal sério deveria valorizar: na maior parte dos exemplos domésticos postos em cima da mesa, não há investimento nem concorrência, apenas luxo próprio ou inveja do vizinho. Aquilo que na piada doméstica é apenas ostentação ou inveja em economia pode ser a condição de sobrevivência face aos concorrentes. Mas quem nunca tenha tido que correr o risco de perder face à concorrência confunde uma coisa e outra com facilidade. 

Grandes cidades: a Amadora é o município mais bem gerido do país

O Anuário financeiro dos municípios tem vindo a ajudar a lançar nova luz sobre a gestão autárquica. Os seus critérios são, como todos, discutíveis e, quando chega a indíces, o grau de dúvida pode ainda aumentar. Mas isso não diminui a importância deste trabalho exaustivo sobre as finanças municipais nem desvaloriza as suas conslusões. Em 2008, segundo os autores deste anuário, o ranking dos grandes municípios portugueses em boa gestão financeira era encabeçado pela Amadora (PS), seguida de Cascais (PSD), Vila Franca de Xira (PS), Famalicão (PSD) e, em quinto, Almada (CDU). Como se atingiu essa eficiência financeira? É ler o estudo e descobrir-se-á.

Como todos sabemos, o mercado é racional.

Como todos sabemos, o mercado é racional. É por isso que o voo em que viajei ontem me teria custado mais se tivesse comprado um bilhete só de ida, para a mesma hora e companhia, porventura sentado no mesmo lugar, do que tendo comprado um de ida e volta mesmo que nunca venha a usar a dita volta. Há vestígios dessa mesma grande racionalidade do mercado no facto de uma garrafa magnum de vinho ter o dobro do vinho de uma garrafa normal e custar o triplo, o quádruplo ou mais, como  se viu na mesa marcada, que me chegou via mainstreet.