Enquanto muitos se perdem na espuma do curtissimo prazo, já nem vendo as àrvores, mas apenas alguns dos seus ramos, há quem se dedique a pensar os nossos problemas estruturais e os nossos verdadeiros problemas de fundo.
Mário Murteira, na Areia dos Dias (obrigado Acácio por me ter chamado a atenção para o link), reflecte sobre as dificuldades estruturais que nos criou a integração no capitalismo da hoje Europa alargada e que muitos, mesmo entre os que se movem profissionalmente de modo exclusivo no triângulo educação-formação-relações de trabalho ainda não viram.
Há um conflito, dificilmente superável, do curto e do longo prazo, como horizontes da Política Económica Nacional. Ou, dito doutra forma, entre a gestão precipitada da economia nacional, à beira do colapso financeiro, em ambiente de crise económica mundial, e a gestão prudente do desenvolvimento dos recursos humanos nacionais, com correspondentes reformas no sistema educativo e nas condições actuais do «diálogo social», implicando além do mais uma verdadeira metamorfose sindical.
Conseguir alguma forma de conjugação eficaz destas duas visões da Política Económica, parece ser o principal desafio da Política «tout court», no Portugal de hoje.
O problema, caro Professor, é que a metamorfose necessária para resolver esse conflito é bem mais ampla do que a sindical, é patronal, é político-ideológica, é a reinvenção dos caminhos nacionais e nem a simples gestão dos constrangimentos nem a apetência de poder de um sector liberal sem tradição e, julgo, sem futuro a médio prazo em Portugal vão por aqui.
19.10.10
15.10.10
Crise: uma oportunidade para redistribuir o rendimento?
Em altura de discutir alternativas para que a economia volte a crescer e com discussões orçamentais à porta, volto a citar o último livro de Joseph Stiglitz (cuja leitura já tinha recomendado aqui). Há por aí alguém à esquerda, ao centro ou à direita que se reconheça nas seguintes frases sobre os EUA e queira tirar conclusões sobre a sua transferibilidade para as opções que Portugal terá que tomar, agora, em 2011 e nos anos seguintes?
"In the end, deficit-financed stimulus spending alone remains a temporary palliative, especially as pressures mount in many countries, including the United States, over the growing debt. Critics argue that the country has simply gone from debt-financed private consumption to debt-financed public consumption. While such spending can hel spur the restructuring of the economy that is necessary to ensure longterm growth, too little of money is directed at that goal - and too much has been spent in ways that preserve the status quo.
There are other policies that could help sustain the economy - and replace the debt-financed consumption bubble. For total American consumption to be restored on a sustainable basis, there would have o be a large redistribution of income, from those at top who can afford to save, to those below who spend every penny they get. More progressive taxation (taxing those at top more heavily, reducing taxes at the bottom) would not only do that but also help stabilize the economy . (Stigilitz, Joseph, Frefall, Londres, Allen Lane, 2010, p. 75)
Afinal, pode a crise ser uma oportunidade para redistribuir o rendimento num país que anda entre os campeões europeus da desigualdade?
"In the end, deficit-financed stimulus spending alone remains a temporary palliative, especially as pressures mount in many countries, including the United States, over the growing debt. Critics argue that the country has simply gone from debt-financed private consumption to debt-financed public consumption. While such spending can hel spur the restructuring of the economy that is necessary to ensure longterm growth, too little of money is directed at that goal - and too much has been spent in ways that preserve the status quo.
There are other policies that could help sustain the economy - and replace the debt-financed consumption bubble. For total American consumption to be restored on a sustainable basis, there would have o be a large redistribution of income, from those at top who can afford to save, to those below who spend every penny they get. More progressive taxation (taxing those at top more heavily, reducing taxes at the bottom) would not only do that but also help stabilize the economy . (Stigilitz, Joseph, Frefall, Londres, Allen Lane, 2010, p. 75)
Afinal, pode a crise ser uma oportunidade para redistribuir o rendimento num país que anda entre os campeões europeus da desigualdade?
14.10.10
Dia 17 de Outubro, vamos correr com eles?
Vá correr com eles em Lisboa, na Mealhada, em Évora e em Alcoutim. É por uma boa causa.
13.10.10
11.10.10
Um golpe na credibilidade de quem?
O PCP considera que a atribuição do Nobel da Paz deste ano a Liu Xiaobo é um golpe na credibilidade do galardão. A ser um golpe na credibilidade de alguém, este comentário do PCP sê-lo-ia na do Partido que o escreve, se alguma tivesse em matéria de defesa dos Direitos Humanos.
Que partido, quando e a propósito de que greve escreveu esta frase?
"Face à greve______, o Partido _________ tem o dever de alertar os trabalhadores e o povo português para as implicações políticas e sociais dela decorrentes, no contexto da complexa situação que o país atravessa". Leia a resposta, querendo, aqui.
4.10.10
Efeméride do dia 4 de Outubro
Foi só no último minuto que li aqui que o Snoopy fez hoje sessenta anos.
2.10.10
De links bem abertos: restrições necessárias
Um governo masoquista? (Francisco Clamote recorda que um forte ataque à dívida soberana pode ser explcação suficiente para estas medidas).
Estado de Necessidade (Não deve surpreender ninguém a extensão do meu nível de concordância com a análise de Ana Gomes sobre o que há a fazer em relação às medidas durissimas anunciadas).
A despesa, o desperdício e os funcionários (João Ricardo Vasconcelos propõe que se pergunte aos funcionários públicos que despesa cortariam no seu serviço. Não é necessário partilhar das suas premissas bloquistas para compreender que há mecanismos participativos que dão origem a grandes ideias e andamos a precisar de algumas).
Samba de uma nota só (Rui Namorado fala sobre o pluralismo do Plano Inclinado da SIC/N).
Estado de Necessidade (Não deve surpreender ninguém a extensão do meu nível de concordância com a análise de Ana Gomes sobre o que há a fazer em relação às medidas durissimas anunciadas).
A despesa, o desperdício e os funcionários (João Ricardo Vasconcelos propõe que se pergunte aos funcionários públicos que despesa cortariam no seu serviço. Não é necessário partilhar das suas premissas bloquistas para compreender que há mecanismos participativos que dão origem a grandes ideias e andamos a precisar de algumas).
Samba de uma nota só (Rui Namorado fala sobre o pluralismo do Plano Inclinado da SIC/N).
1.10.10
Anti-sindical, eu? Deixe-me rir, Tiago.
Há uma malta na blogosfera que confunde o seu alinhamento acrítico com os locais de onde vem com o comportamento dos outros. Por vezes surpreende, às vezes irrita, outras vezes diverte. A frase que Tiago Mota Saraiva me dirige é do terceiro tipo e por isso até a repito aqui para que os leitores do Banco possam sorrir comigo:
Daqui até 24 de Novembro, seguirá a dança de cinzentos engravatados catastrofistas a proferir ameaças e a repetir chavões anti-sindicais, nos termos e moldes utilizados pelo disciplinado Paulo Pedroso, eterno actor de um certo discurso de esquerda sebastiânica que varre os socialistas em tempos pré-eleitorais.
Acontece que tenho o péssimo hábito de dizer o que penso. Às vezes irrito uns, às vezes irrrito outros. Mas não tenciono mudar e, caro Tiago Mota Saraiva, postura anti-sindical a longo prazo, como já se sente no Portugal de hoje, acaba por ser a de quem pensa que os sindicatos podem ser por muito tempo pavlovianos cães de qualquer partido, seja ele qual for, fosse ele o seu ou o meu.
Daqui até 24 de Novembro, seguirá a dança de cinzentos engravatados catastrofistas a proferir ameaças e a repetir chavões anti-sindicais, nos termos e moldes utilizados pelo disciplinado Paulo Pedroso, eterno actor de um certo discurso de esquerda sebastiânica que varre os socialistas em tempos pré-eleitorais.
Acontece que tenho o péssimo hábito de dizer o que penso. Às vezes irrito uns, às vezes irrrito outros. Mas não tenciono mudar e, caro Tiago Mota Saraiva, postura anti-sindical a longo prazo, como já se sente no Portugal de hoje, acaba por ser a de quem pensa que os sindicatos podem ser por muito tempo pavlovianos cães de qualquer partido, seja ele qual for, fosse ele o seu ou o meu.
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