15.2.11
Moção de censura do Carnaval
Les jeux sont faits. A moção de censura fez caír... o Bloco no ridículo.
14.2.11
Temos algo a aprender com a indústria turística turca: em 2010, perto de 10 mil pessoas por dia foram visitar o Topkapi
Segundo o Taraf, um jornal em turco citado pelo Hürryiet Daily News, o ano passado mais de três milhões e meio de turistas visitaram o Palácio Topkapi, pagando trinta milhões de liras turcas (perto de 15 milhões de euros). A Hagia Sophia foi visitada por 2,9 milhões de turistas gerou perto de 27 milhões de liras de receita. É certo que o ano passado Istambul foi capital europeia da cultura. Mas a experiência também diz que, tendencialmente, no ano a seguir a um grande acontecimento, as receitas ainda sobem.
Antes de fazer qualquer comparação com Portugal temos também que ter em conta, pelo menos na Hagia Sophia, que estamos perante tesouros únicos do património da humanidade. Mas num país que se quer turístico e em que os principais estádios de futebol atraem mais visitantes por ano que qualquer museu nacional, há algo a aprender com a indústria turística turca, se eu não estou a ver mal.
Antes de fazer qualquer comparação com Portugal temos também que ter em conta, pelo menos na Hagia Sophia, que estamos perante tesouros únicos do património da humanidade. Mas num país que se quer turístico e em que os principais estádios de futebol atraem mais visitantes por ano que qualquer museu nacional, há algo a aprender com a indústria turística turca, se eu não estou a ver mal.
A "doença infantil censória" da esquerda: O BE devia ouvir a Renovação Comunista
Agora João Semedo devia responder com clareza se está com a Renovação Comunista ou com o directório Louçã-Fazenda. A dita Renovação Comunista não podia ser mais clara na denúncia da "doença infantil censória" do BE. Escrevem eles:
Para os porta-estandarte da censura o que parece contar é a utopia de um pólo de contestação à esquerda que trabalhe para uma reversão do governo na quimera de uma forte aceleração do processo social em Portugal. Linha que os dispense de, no imediato, meter a mão nas dificílimas tarefas de tirar urgentemente o nosso País do declínio económico. Das duas uma, ou o poder vem parar às mãos de uma esquerda que não se compromete, ou então a esquerda faz uma espécie de greve às responsabilidades incontornáveis de reconstruir o espaço da esquerda para montar renovadas condições para a governação alternativa. Há certamente muito bluff nesta linha demonstrativa das moções de censura, mas o que há acima de tudo é uma perigosa recaída na doença infantil de censurar para tentar defender-se eleitoralmente. Sem compreender que, em última análise, a esquerda se fortalece ou enfraquece consoante seja capaz de mostrar de forma credível como tem uma política para governar Portugal, mesmo nas mais difíceis e impopulares condições. E a doença infantil vai ao ponto de permitir a imagem de inaceitável competição entre o BE e o PCP na disputa dos respectivos territórios de influência. A doença infantil censória da esquerda é muito perigosa porque pode fornecer todos os pretextos para separar o que começava a ser juntado e para dotar a direita socialista de mais fortes argumentos para hegemonizar o PS e as suas inclinações atávicas para entendimentos à direita.
Leia todo o texto da Renovação Comunista, aqui.
Para os porta-estandarte da censura o que parece contar é a utopia de um pólo de contestação à esquerda que trabalhe para uma reversão do governo na quimera de uma forte aceleração do processo social em Portugal. Linha que os dispense de, no imediato, meter a mão nas dificílimas tarefas de tirar urgentemente o nosso País do declínio económico. Das duas uma, ou o poder vem parar às mãos de uma esquerda que não se compromete, ou então a esquerda faz uma espécie de greve às responsabilidades incontornáveis de reconstruir o espaço da esquerda para montar renovadas condições para a governação alternativa. Há certamente muito bluff nesta linha demonstrativa das moções de censura, mas o que há acima de tudo é uma perigosa recaída na doença infantil de censurar para tentar defender-se eleitoralmente. Sem compreender que, em última análise, a esquerda se fortalece ou enfraquece consoante seja capaz de mostrar de forma credível como tem uma política para governar Portugal, mesmo nas mais difíceis e impopulares condições. E a doença infantil vai ao ponto de permitir a imagem de inaceitável competição entre o BE e o PCP na disputa dos respectivos territórios de influência. A doença infantil censória da esquerda é muito perigosa porque pode fornecer todos os pretextos para separar o que começava a ser juntado e para dotar a direita socialista de mais fortes argumentos para hegemonizar o PS e as suas inclinações atávicas para entendimentos à direita.
Leia todo o texto da Renovação Comunista, aqui.
Muitos de nós consumimos medicamentos para os quais há genéricos. Mesmo depois de decidirmos pelo genérico e ´nos munirmos de receita médica com o princípio activo - e se estamos paenas interessados no produto e não em qualquer marca - podemos fazer mau negócio na farmácia.
Num mundo em que nada é fácil de perceber nos preços, da tarifa de telemóvel ao bilhete de avião, a Deco presta um serviço público com o sei comparativo de medicamentos. Pode bem descobrir que podia popuar uns bons euros e continuar a mesma medicação. Faça uma pesquisa e verá que vale a pena dizer ao farmacêutico a marca de genérico que quer, por contraditóriq que a expressão possa parecer.
Num mundo em que nada é fácil de perceber nos preços, da tarifa de telemóvel ao bilhete de avião, a Deco presta um serviço público com o sei comparativo de medicamentos. Pode bem descobrir que podia popuar uns bons euros e continuar a mesma medicação. Faça uma pesquisa e verá que vale a pena dizer ao farmacêutico a marca de genérico que quer, por contraditóriq que a expressão possa parecer.
13.2.11
Maya Plisetskaya: the dying swan
Robert Gottlieb, na sua recensão a uma História do Ballet de Jennifer Homans, discute se seria Maya Plisetskaya (da escola do Bolshoi) ou Galina Ulanova (trazida por ordem de Estaline do Kirov de São Petersburgo) a grande bailarina soviética. Nada tenho a dizer sobre o debate, mas impressionou-me que diga ter visto Plisetskaya dançar a morte do cisne três vezes consecutivas, levantando-se e recomeçando após cada ovação. Nem consigo imaginar a emoção de ver isto a acontecer vezes sucessivas.
12.2.11
De links bem abertos: ainda é cedo para saber quem vai mandar no Egipto?
Foto: AP/Ben Curtis
1. O que fará o exército com o poder nas mãos? (Le Monde).
2. O golpe militar que pôs fim à revolta popular de modo diferente do habitual (Hamza Emdawy, Associated Press)
3. O privilégio de ver a história acontecer (vídeo de Barack Obama na Euronews)
4. Os militares egípcios abandonaram Mubarak ou seguraram o apoio americano? (HeraldNet.com)
1. O que fará o exército com o poder nas mãos? (Le Monde).
2. O golpe militar que pôs fim à revolta popular de modo diferente do habitual (Hamza Emdawy, Associated Press)
3. O privilégio de ver a história acontecer (vídeo de Barack Obama na Euronews)
4. Os militares egípcios abandonaram Mubarak ou seguraram o apoio americano? (HeraldNet.com)
10.2.11
A moção de censura da Primavera pode vir, afinal, já no Carnaval
1. O BE vai apresentar a sua moção de censura dentro de um mês, disse hoje Francisco Louçã na Assembleia da República. O mesmo Francisco Louçã tinha dito no fim-de-semana passado que tal gesto agora não teria utilidade prática. Portanto, ou anunciou um gesto sem utilidade prática ou mudou de opinião sobre a dita utilidade entre sábado e quarta-feira.
2. A rapidez da mudança de discurso do líder do BE sobre o assunto levanta uma curiosa questão sobre a democracia interna do seu partido ou a verdade da sua relação com os media. Ou a Mesa Nacional do passado fim-de-semana discutiu o assunto e tomou a decisão e Louçã ludibriou os jornalistas com o que disse sobre o assunto. Ou nãoo discutiu e o poder do directório Louçã-Fazenda é tal que os dirigentes do seu partido podem saber de decisão tão importante pelos jornais, sem consulta prévia quais primeiros-ministros europeus perante a dupla Merkel-Sarkozy.
3. O anúncio súbito e sem preparação de tal gesto é um sinal do esquerdismo que tanto irrita os comunistas com sólida formação táctica. O BE sabia que ia ficar amarrado pela sua fragilidade sindical à dinâmica de protesto que o PCP queria protagonizar (como eu disse aqui). Estava consciente que aparecia num papel secundário na operação, que exigiria logística e tempo, que o PCP tinha em marcha. E, como sempre na velha extrema-esquerda, perante a fragilidade, deu um salto em frente, como um jogador de xadrez que não pensa no fim da partida, mas apenas na construção de uma vantagem para a jogada seguinte.
4. Na jogada do BE, o principal visado não é o Governo, mesmo que possa parecer que é a sua grande vítima potencial. O BE quer apenas proeminência sobre os protagonistas comunistas e só o consegue com gestos mediáticos e solos virtuosos. Ao contrário do PCP, o BE não tem o PS como inimigo principal, mas como inimigo secundário. Antes de se dedicar a essa tarefa tem que ganhar vantagem sobre o PCP como protagonista da esquerda à esquerda do PS. O primeiro inimigo do BE, no Parlamento, nos sindicatos, nos ditos movimentos sociais, continua a ser a organização sólida e disciplinada do PCP. Os bloquistas acham-se mais brilhantes, mais inteligentes e mais educados, mais orientados para o futuro, mas subalternizados por uma máquina cinzenta mas podrerosa e triturante em diferentes campos de acção. Hoje, no Grupo Parlamentar do BE há pessoas que dedicaram a sua vida à militância política antigamente dita unitária mas que o PCP sempre vetou para qualquer função importante, que nem esqueceram nem desistiram.
5. É muito provável que o BE tenha feito abortar o sucesso de uma moção de censura, o que não lamento, antes pelo contrário. Mas o oportunismo de a fazer discutir nos primeiros dias de mandato de Cavaco Silva; a coincidência temporal da discussão com o rescaldo das brejeirices do Carnaval da Mealhada e aparentados e a greve de braços caídos que o PCP fará nos exercícios preparatórios, ajudarão a esquerda a isolar-se e diminuem as hipóteses de condicionar o PSD e o CDS. Durante um mês teremos uma espécie de campanha eleitoral entre PCP e BE a ver quem faz discurso mais radical, quem ataca mais a União Europeia real, quem diz mais coisas irreais sobre as possibilidades de sustentar o Estado social. O PCP pagará com gosto esse tributo verbal, desembaraçado da responsabilidade da operação e sabendo que o seu sucesso está comprometido. Ajudará, aliás, a comprometê-lo no que puder. Acredito que as manifestações e greves a convocar até Março estão agora adiadas para Abril. O PCP tudo fará para alimentar então a ideia de que a esquerda é minoritária no parlamento mas maioritária na rua, uma vez que não acredita que processos apressados não abortem.
6. O PSD e o CDS também podem ter algum alívio porque sem tanta pressão da rua, sem tanto descontentamento "espontâneo", sentir-se-ão mais livres para fazer o papel de parceiro responsável. Aliás, é dificil imaginar Passos Coelho a querer mandar José Sócrates já em campanha para a reeleição para a Cimeira Extraordinária em que tantas medidas do seu póprio programa parecem estar perto de ser tomadas. Se Sócrates estiver demissionário por força da derrota, pode ir à Cimeira de Março dizer o que lhe vai na alma, até porque coincidirá com facilidade com a única via para tentar ganhar eleições. Se for para a mesma Cimeira reforçado pela viabilização da direita ao seu Governo, se fica mais livre para dizer que o Parlamento recusou aventuras irresponsáveis, continuará impedido de expressar em público discordâncias sobre o sapo liberal que tem que engolir para evitar o recurso ao FMI.
7. A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou".
2. A rapidez da mudança de discurso do líder do BE sobre o assunto levanta uma curiosa questão sobre a democracia interna do seu partido ou a verdade da sua relação com os media. Ou a Mesa Nacional do passado fim-de-semana discutiu o assunto e tomou a decisão e Louçã ludibriou os jornalistas com o que disse sobre o assunto. Ou nãoo discutiu e o poder do directório Louçã-Fazenda é tal que os dirigentes do seu partido podem saber de decisão tão importante pelos jornais, sem consulta prévia quais primeiros-ministros europeus perante a dupla Merkel-Sarkozy.
3. O anúncio súbito e sem preparação de tal gesto é um sinal do esquerdismo que tanto irrita os comunistas com sólida formação táctica. O BE sabia que ia ficar amarrado pela sua fragilidade sindical à dinâmica de protesto que o PCP queria protagonizar (como eu disse aqui). Estava consciente que aparecia num papel secundário na operação, que exigiria logística e tempo, que o PCP tinha em marcha. E, como sempre na velha extrema-esquerda, perante a fragilidade, deu um salto em frente, como um jogador de xadrez que não pensa no fim da partida, mas apenas na construção de uma vantagem para a jogada seguinte.
4. Na jogada do BE, o principal visado não é o Governo, mesmo que possa parecer que é a sua grande vítima potencial. O BE quer apenas proeminência sobre os protagonistas comunistas e só o consegue com gestos mediáticos e solos virtuosos. Ao contrário do PCP, o BE não tem o PS como inimigo principal, mas como inimigo secundário. Antes de se dedicar a essa tarefa tem que ganhar vantagem sobre o PCP como protagonista da esquerda à esquerda do PS. O primeiro inimigo do BE, no Parlamento, nos sindicatos, nos ditos movimentos sociais, continua a ser a organização sólida e disciplinada do PCP. Os bloquistas acham-se mais brilhantes, mais inteligentes e mais educados, mais orientados para o futuro, mas subalternizados por uma máquina cinzenta mas podrerosa e triturante em diferentes campos de acção. Hoje, no Grupo Parlamentar do BE há pessoas que dedicaram a sua vida à militância política antigamente dita unitária mas que o PCP sempre vetou para qualquer função importante, que nem esqueceram nem desistiram.
5. É muito provável que o BE tenha feito abortar o sucesso de uma moção de censura, o que não lamento, antes pelo contrário. Mas o oportunismo de a fazer discutir nos primeiros dias de mandato de Cavaco Silva; a coincidência temporal da discussão com o rescaldo das brejeirices do Carnaval da Mealhada e aparentados e a greve de braços caídos que o PCP fará nos exercícios preparatórios, ajudarão a esquerda a isolar-se e diminuem as hipóteses de condicionar o PSD e o CDS. Durante um mês teremos uma espécie de campanha eleitoral entre PCP e BE a ver quem faz discurso mais radical, quem ataca mais a União Europeia real, quem diz mais coisas irreais sobre as possibilidades de sustentar o Estado social. O PCP pagará com gosto esse tributo verbal, desembaraçado da responsabilidade da operação e sabendo que o seu sucesso está comprometido. Ajudará, aliás, a comprometê-lo no que puder. Acredito que as manifestações e greves a convocar até Março estão agora adiadas para Abril. O PCP tudo fará para alimentar então a ideia de que a esquerda é minoritária no parlamento mas maioritária na rua, uma vez que não acredita que processos apressados não abortem.
6. O PSD e o CDS também podem ter algum alívio porque sem tanta pressão da rua, sem tanto descontentamento "espontâneo", sentir-se-ão mais livres para fazer o papel de parceiro responsável. Aliás, é dificil imaginar Passos Coelho a querer mandar José Sócrates já em campanha para a reeleição para a Cimeira Extraordinária em que tantas medidas do seu póprio programa parecem estar perto de ser tomadas. Se Sócrates estiver demissionário por força da derrota, pode ir à Cimeira de Março dizer o que lhe vai na alma, até porque coincidirá com facilidade com a única via para tentar ganhar eleições. Se for para a mesma Cimeira reforçado pela viabilização da direita ao seu Governo, se fica mais livre para dizer que o Parlamento recusou aventuras irresponsáveis, continuará impedido de expressar em público discordâncias sobre o sapo liberal que tem que engolir para evitar o recurso ao FMI.
7. A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou".
9.2.11
Obrigado aos bloggers que acompanharam o post sobre a eventual moção de censura da Primavera.
Obrigado Rui Almas, José Albergaria, JS/Lousada, Tiago Tíburcio, Maria Henriques, Osvaldo Castro, bem como aos que participaram no pequeno debate que se gerou na minha página do Facebook pelas palavras simpáticas e por acompanharem a minha análise sobre a relação entre a táctica do PCP e a eventual moção de censura da Primavera.
8.2.11
Vem aí mais uma moção de censura?
1. O PCP, com as cautelas tácticas que o caracterizam, está a apalpar o terreno para a apresentação de uma moção de censura.
Diz a experiência que entre estes primeiros passos e a efectiva apresentação deve haver uns testes de rua, com a marcação de umas manfestações e de umas greves pelos sindicatos mais obedientes da CGTP, pelo que é de esperar mais umas greves nos transportes, na administração local, na função pública em geral, porventura nos professores.
Se a organização do descontentamento produzir os resultados esperados surgirá, no topo da estratégia, a dita moção. Então, o BE já estará amarrado pelos seus braços e fragilidades sindicais e a direita estará constrangida a fazer o flic-flac de apoiar o Governo, destruindo a retórica anti-Sócrates violenta de Passos Coelho ou de aparecer ao povo a reboque do PCP.
Para que assim seja, o PCP tem que andar depressa e Março tem que ser um mês de grande contestação. Até porque o PCP não pode correr o risco de bons resultados na execução orçamental lhe estragarem a jogada e darem ao PSD um bom pretexto para se abster sem prejudicar o seu alinhamento. Portanto, se eu fosse adivinho, esperava por uma moção de censura do PCP a ser apresentada na AR algures entre a posse do Presidente da República e o 25 de Abril, quiçá no rescaldo do Congresso do PS.
2. Há quem se surpreenda por o discurso do PCP sobre moções de censura ser agora diferente do que foi no contexto pré-Presidenciais. Temos que reconhecer que a novidade era esse discurso ser a sério e não conjunturalmente definido pela vontade de atraír votos para o pré-candidato a sucessor de Jerónimo de Sousa. Mesmo assim, convém recordar que o PCP não dizia que não apresentava moções de censura, dizia uma coisa bem diferente, ou seja, que não garantia a aprovação de moções de censura da direita. Ao antecipar-se, pode evitar esse risco minimizando os custos, que sempre existem, de dois discursos contraditórios.
3. O que pode querer o PCP com tal moção? A mim parece-me claro. Se a moção for derrotada, ganha poque "desmascara" os verdadeiros aliados do governo e pode fazer o discurso do "capitulacionismo" do PS à direita. Se a moção for vencedora, ganha porque foi a direita que se colou a ele e caberá, em particular a Passos Coelho, o ónus de explicar aos seus eleitores porque diz que o país precisa de estabilidade, bom governo, menos Estado e viabiliza uma moção de censura que há-de estar bem recheada de retórica anti-capitalista, linguagem dos direitos sociais e necessidade de "outra política".
4. Ao agir assim, o PCP aceita correr o risco de aumentar a probabilidade do regresso de um governo de direita? Claro. Mas esse não é e nunca foi o problema do PCP. O que eles mais temem é o tempo em que o país tem governos de centro-esquerda bem sucedidos e com políticas sociais consequentes. Atacaram impiedosamente os seus próprios dirigentes de topo que dialogaram com governos do PS no passado, levando alguns até à expulsão, tentaram activamente boicotar todos os acordos de concertação social que a CGTP assinou e conseguiram que não assinasse alguns em que estavam as próprias propostas da central sindical. Assustou-os que um Secretário-geral do PS desfilasse na primeira fila de uma manifestação do 25 de Abril e pudesse ir ao 1º de Maio de ambas as centrais sindicais e ser bem recebido também na da CGTP. Armadilharam o Forum Social quando o PS se juntou, desmantelaram o Comité Português para a Paz e a Cooperação por ter veleidades de independência, etc. etc.
5. Na doutrina estratégica do PCP, o objectivo final é a revolução comunista e o inimigo dessa revolução que mais temem é o sucesso do socialismo democrático. Parecem chavões? Olhem para os textos do PCP e não para as minhas palavras. Vejam o quanto temem a "socialdemocratização" do comunismo, o que vai de chamarem traidor a Gorbachov até ao desprezo pelos partidos comunistas que estabeleceram plataformas de governo na Europa Ocidental. Para o PCP, um governo PSD-CDS é um seguro de vida e um governo do PS é uma ameaça latente.
6. Em suma, a táctica do PCP é coerente. Quer retomar a iniciativa política, esquecer o relativo desaire das Presidenciais em que não capitalizou o desastre de Alegre e maximizar as hipóteses de ter um inimigo realmente de direita para combater. Para o PCP, o PS é o inimigo, o PSD é apenas um adversário.
Diz a experiência que entre estes primeiros passos e a efectiva apresentação deve haver uns testes de rua, com a marcação de umas manfestações e de umas greves pelos sindicatos mais obedientes da CGTP, pelo que é de esperar mais umas greves nos transportes, na administração local, na função pública em geral, porventura nos professores.
Se a organização do descontentamento produzir os resultados esperados surgirá, no topo da estratégia, a dita moção. Então, o BE já estará amarrado pelos seus braços e fragilidades sindicais e a direita estará constrangida a fazer o flic-flac de apoiar o Governo, destruindo a retórica anti-Sócrates violenta de Passos Coelho ou de aparecer ao povo a reboque do PCP.
Para que assim seja, o PCP tem que andar depressa e Março tem que ser um mês de grande contestação. Até porque o PCP não pode correr o risco de bons resultados na execução orçamental lhe estragarem a jogada e darem ao PSD um bom pretexto para se abster sem prejudicar o seu alinhamento. Portanto, se eu fosse adivinho, esperava por uma moção de censura do PCP a ser apresentada na AR algures entre a posse do Presidente da República e o 25 de Abril, quiçá no rescaldo do Congresso do PS.
2. Há quem se surpreenda por o discurso do PCP sobre moções de censura ser agora diferente do que foi no contexto pré-Presidenciais. Temos que reconhecer que a novidade era esse discurso ser a sério e não conjunturalmente definido pela vontade de atraír votos para o pré-candidato a sucessor de Jerónimo de Sousa. Mesmo assim, convém recordar que o PCP não dizia que não apresentava moções de censura, dizia uma coisa bem diferente, ou seja, que não garantia a aprovação de moções de censura da direita. Ao antecipar-se, pode evitar esse risco minimizando os custos, que sempre existem, de dois discursos contraditórios.
3. O que pode querer o PCP com tal moção? A mim parece-me claro. Se a moção for derrotada, ganha poque "desmascara" os verdadeiros aliados do governo e pode fazer o discurso do "capitulacionismo" do PS à direita. Se a moção for vencedora, ganha porque foi a direita que se colou a ele e caberá, em particular a Passos Coelho, o ónus de explicar aos seus eleitores porque diz que o país precisa de estabilidade, bom governo, menos Estado e viabiliza uma moção de censura que há-de estar bem recheada de retórica anti-capitalista, linguagem dos direitos sociais e necessidade de "outra política".
4. Ao agir assim, o PCP aceita correr o risco de aumentar a probabilidade do regresso de um governo de direita? Claro. Mas esse não é e nunca foi o problema do PCP. O que eles mais temem é o tempo em que o país tem governos de centro-esquerda bem sucedidos e com políticas sociais consequentes. Atacaram impiedosamente os seus próprios dirigentes de topo que dialogaram com governos do PS no passado, levando alguns até à expulsão, tentaram activamente boicotar todos os acordos de concertação social que a CGTP assinou e conseguiram que não assinasse alguns em que estavam as próprias propostas da central sindical. Assustou-os que um Secretário-geral do PS desfilasse na primeira fila de uma manifestação do 25 de Abril e pudesse ir ao 1º de Maio de ambas as centrais sindicais e ser bem recebido também na da CGTP. Armadilharam o Forum Social quando o PS se juntou, desmantelaram o Comité Português para a Paz e a Cooperação por ter veleidades de independência, etc. etc.
5. Na doutrina estratégica do PCP, o objectivo final é a revolução comunista e o inimigo dessa revolução que mais temem é o sucesso do socialismo democrático. Parecem chavões? Olhem para os textos do PCP e não para as minhas palavras. Vejam o quanto temem a "socialdemocratização" do comunismo, o que vai de chamarem traidor a Gorbachov até ao desprezo pelos partidos comunistas que estabeleceram plataformas de governo na Europa Ocidental. Para o PCP, um governo PSD-CDS é um seguro de vida e um governo do PS é uma ameaça latente.
6. Em suma, a táctica do PCP é coerente. Quer retomar a iniciativa política, esquecer o relativo desaire das Presidenciais em que não capitalizou o desastre de Alegre e maximizar as hipóteses de ter um inimigo realmente de direita para combater. Para o PCP, o PS é o inimigo, o PSD é apenas um adversário.
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