20.4.11
19.4.11
Vá à Almedina: as esquerdas debatem-se.
Num país em que o debate de ideias escasseia, melhor do que queixarmo-nos, é seguir o que há. Estivera em em Lisboa e não faltaria.
18.4.11
Anna Abreu - Do Avesso (com os compatriotas finlandeses, espero)
Muitos finlandeses podem não querer emprestar dinheiro a Portugal, como mostra o resultado do Patido dos "Verdadeiros Finlandeses" nas eleições de ontem. Mas compram português. Anna Abreu, a cantora que se tornou no maior fenómeno de vendas da história da pop finlandesa depois de vencer uma edição local dos Ídolos até canta em português (como se pode ver abaixo). Não é o meu género de música (também canta o "solta-se o beijo" de Catarina Furtado e João Gil), mas os fans da pop ligeira podem encontrá-la no youtube. Na esperança de que Anna Abreu tenha ficado virada do avesso com o voto dos seus compatriotas e, quem sabe, possa ser embaixadora de boa-vontade numa reaproximação necessária entre os países, aqui fica a "meia nossa" cantora que teria merecido pelo menos uma entrevistazinha na cobertura relativamente ampla que se fez das eleições finlandeses. Se foi feita, peço desculpa aos seus autores da minha ignorância.
15.4.11
Um partido de classe...docente
O PCP divulgou os seus cabeças de lista às legislativas. Na sua maioria são operários, certo? Não, camarada, são professores. O PCP é o partido da classe docente. Ou melhor, em busca de um nicho eleitoral bem definido. Quem tem sentido de oportunidade, quem é?
3.4.11
Quem é Zapatero? Vai saír de cena o líder de "una formación en la que nos reconocemos porque nos llamamos compañeros"
José Luis Zapatero entrou e vai saír de protagonista de primeira linha da política como um homem misterioso. Não tinha praticamente currículo quando venceu as primárias do seu partido contra o candidato "oficial". Mas também não era um ingénuo jovem que saltara do nada. Tinha firmes apoios na parte da máquina do partido que obedecia a Alfonso Guerra. Na direcção do PS a que pertenci havia quem comentasse que era mais uma cópia de Blair, bem-falante, telegénico e sem ideais socialistas e quem visse nesses defeitos os augúrios do sucesso que as viragens à esquerda, na ortodoxia do Rato, sempre impedirão.
Escolheu anunciar a saída de cena com um discurso que termina descrevendo o PSOE. Assim:
Somos un proyecto profundamente enraizado en la sociedad española, en los trabajadores, en los que no tienen de todo, en las mujeres y los hombres que aspiran a la igualdad.
Somos una formación política histórica y cargada de futuro. Una formación democrática que ama la libertad interna y el coraje. Una formación en la que nos reconocemos porque nos llamamos compañeros.
Quem é Zapatero? Percebe-se melhor lendo o artigo de Juan José Millaz, que descreve bem o enigma, no El País.
Adenda. A versão original do texto continha o erro de dar Zapatero como andaluz, corrigido após leitura dos comentários que o assinalaram.
Escolheu anunciar a saída de cena com um discurso que termina descrevendo o PSOE. Assim:
Somos un proyecto profundamente enraizado en la sociedad española, en los trabajadores, en los que no tienen de todo, en las mujeres y los hombres que aspiran a la igualdad.
Somos una formación política histórica y cargada de futuro. Una formación democrática que ama la libertad interna y el coraje. Una formación en la que nos reconocemos porque nos llamamos compañeros.
Quem é Zapatero? Percebe-se melhor lendo o artigo de Juan José Millaz, que descreve bem o enigma, no El País.
Adenda. A versão original do texto continha o erro de dar Zapatero como andaluz, corrigido após leitura dos comentários que o assinalaram.
24.3.11
O pecado capital dos intelectuais
António Barreto tem uma dimensão intelectual e um passado político que o devia preservar da febre momentânea e da cegueira. Dizer que os socialistas gostam de bater nos fracos, nos frágeis não é apenas uma mentira histórica, que a análise das grandes etapas da formação do Estado social desmentem, é uma cedência à tentação de dizer o que os amigos querem ouvir, que é o pecado capital dos intelectuais. Tenho pena de ver um homem com a sua dimensão redzido a algo entre intelectual orgânico do PSD e empregado de um grande grupo económico que não gosta de Sócrates. Não havia necessidade e ele merece melhor estatuto do que estas frases banais, infelizes e falsas.
15.3.11
Um pilar do sindicalismo vai a votos com dois candidatos socialistas
Acabo de saber que os bancários se preparam para ir a votos com dois candidatos à liderança saídos das fileiras dos sindicalistas socialistas.
O sindicalismo no sector bancário não é apenas um pilar da UGT, é também seguramente o que tem
maior representatividade na economia privada. Até porque hoje a CGTP é cada vez mais uma central de funcionários públicos (o STAL é o seu maior contribuinte).
O futuro do sindicalismo bancário pode bem ser um teste ao futuro do sindicalismo como organização de trabalhadores do sector privado da economia. Vale a pena ter atenção ao que se vai passar.
O sindicalismo no sector bancário não é apenas um pilar da UGT, é também seguramente o que tem
maior representatividade na economia privada. Até porque hoje a CGTP é cada vez mais uma central de funcionários públicos (o STAL é o seu maior contribuinte).
O futuro do sindicalismo bancário pode bem ser um teste ao futuro do sindicalismo como organização de trabalhadores do sector privado da economia. Vale a pena ter atenção ao que se vai passar.
10.3.11
Contra o populismo, com Pacheco Pereira, o próprio.
O Correio da Manhã vem de há uns tempos editando uma página saída da mais genuína pulsão populista, a pretexto do enriquecimento ilícito.
Tenho visto com pena pessoas que quero acreditar que estão bem intencionadas, algumas com vasto currículo na defesa dos direitos humanos juntar-se a esta pugna por uma investigação criminal atentatória de direitos fundamentais, que parte da presunção de culpa e da negação do direito à não auto-incriminação. Uma delas, para meu desgosto, é a minha amiga Ana Gomes , que não quer ver que também nesta causa os fins não justificam os meios, ela que tão genuína e corajosamente o viu e combateu noutras matérias.
Nesta questão tenho que dar razão a alguém de que discordo muitas vezes, mas que aqui pensa intransigentemente contra o populismo e a demagogia: José Pacheco Pereira. (obrigado, Câmara Corporativa, por ter dado conta do texto).
Como sempre acontece, esta iniciativa populista manipula um problema real. Também eu acredito acredito que o enriquecimento ilícito deve ser combatido eficazmente, também eu o acho inaceitável e também eu quero que Portugal se livre da corrupção. Mas o combate ao crime, no estado de direito, faz-se com os meios aceites de respeito pela dignidade humana e pelos direitos fundamentais dos cidadãos. Se não aceito que se prenda em Guantanamo um terrorista sem provas, também não posso aceitar que se prenda em Portugal alguém apenas porque não justifica a origem do seu património, ou seja, sem provas.
Há, contudo, como eu próprio e José Vera Jardim defendemos numa declaração de voto na Assembleia, instrumentos de controlo do património e fiscais que podem ser muito melhorados.
Há, também, mecanismos eficazes no direito fiscal que podem ser convocados e são menos perigosos que os do direito penal. Se alguém não pode ou não quer provar a origem de um bem, cobre-se uma elevadíssima taxa de imposto, no limite, confisque-se. Mas, por essa pessoa não justificar a origem desse bem, não pode ser preso sem provas. Acho auto-evidente que a propriedade deve ter garantias menos rígidas do que a liberdade.
Tenho visto com pena pessoas que quero acreditar que estão bem intencionadas, algumas com vasto currículo na defesa dos direitos humanos juntar-se a esta pugna por uma investigação criminal atentatória de direitos fundamentais, que parte da presunção de culpa e da negação do direito à não auto-incriminação. Uma delas, para meu desgosto, é a minha amiga Ana Gomes , que não quer ver que também nesta causa os fins não justificam os meios, ela que tão genuína e corajosamente o viu e combateu noutras matérias.
Nesta questão tenho que dar razão a alguém de que discordo muitas vezes, mas que aqui pensa intransigentemente contra o populismo e a demagogia: José Pacheco Pereira. (obrigado, Câmara Corporativa, por ter dado conta do texto).
Como sempre acontece, esta iniciativa populista manipula um problema real. Também eu acredito acredito que o enriquecimento ilícito deve ser combatido eficazmente, também eu o acho inaceitável e também eu quero que Portugal se livre da corrupção. Mas o combate ao crime, no estado de direito, faz-se com os meios aceites de respeito pela dignidade humana e pelos direitos fundamentais dos cidadãos. Se não aceito que se prenda em Guantanamo um terrorista sem provas, também não posso aceitar que se prenda em Portugal alguém apenas porque não justifica a origem do seu património, ou seja, sem provas.
Há, contudo, como eu próprio e José Vera Jardim defendemos numa declaração de voto na Assembleia, instrumentos de controlo do património e fiscais que podem ser muito melhorados.
Há, também, mecanismos eficazes no direito fiscal que podem ser convocados e são menos perigosos que os do direito penal. Se alguém não pode ou não quer provar a origem de um bem, cobre-se uma elevadíssima taxa de imposto, no limite, confisque-se. Mas, por essa pessoa não justificar a origem desse bem, não pode ser preso sem provas. Acho auto-evidente que a propriedade deve ter garantias menos rígidas do que a liberdade.
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