2.8.11

Krugman e o dominó europeu

Os EUA e a Europa estão juntos na incapacidade de enfrentar a crise. Como diz Krugmann, estamos a olhar para o "debt ceiling", mas... Italy and Spain are too big for extend and pretend, and they’re also too big to save.

Demagogia minha a propósito da demagogia de Passos Coelho

Quantas viagens do Primeiro-Ministro em económica são necessárias para poupar o suficiente para pagar o ordenado extra da chefe de gabinete do Ministro da Economia?

Nota: A política não é isto. Aos leitores que acreditaram que eu acredito neste tipo de argumentos digo abertamente que, ao contrário de algum aproveitamento populista que aí venha,  não critico que a chefe de gabinete de Álvaro Santos Pereira usufrua dos seus direitos salariais. Critico antes a retórica franciscana de  um Primeiro-Ministro que tinha o dever de ter postura de Estado num assunto de que tentou tirar um miseráveis dividendos de curto prazo. Cada político cunha o seu "no jobs for the boys"  nos entusiasmos dos primeiros dias de cargo. Tarde ou cedo, essas frases voltam sempre sobre as cabeças dos autores.

Pressão sobre o mercado de trabalho vai aumentar nas próximas décadas

Está online um interessante estudo sobre a relação entre a participação no mercado de trabalho e a pressão fiscal que resultará das transformações demográficas, que abrange 21 economias desenvolvidas e 29 em desenvolvimento.

O indicador de pressão sobre o emprego que os autores  construiram - Loek Groot e Marga Peters - reforça a necessidade de repensar as nossas políticas de empregoe  a sua sustentatibilidade de médio e longo prazo. Se em 2010 aparecemos num relativamente confortável 26º lugar, que sugere que não é a pressão fiscal associada à variação demográfica que pressiona a nossa situação no emprego, temos que juntar nas décadas que vêm esta preocupação às que já conhecemos. Segundo os cálculos dos autores saltaremos para um desconfortável 8º lugar em 2020, 5º em 2030, 4º em 2040 e 5º de novo em 2050. O estudo, que merece ser lido, está disponível aqui e serve de base a este post do Vox.

Ou há solidariedade ou...

Ahora España. Em Abril de 2010, defendi que deveríamos ter uma estratégia ibérica ofensiva e concertada, na falta de uma estratégia europeia. Mas nem nós nem os espanhóis fomos por aí, ao contrário do que Stiglitz tinha sugerido em entrevista ao El País, recordando a ofensiva conjunta anti-especulativa de Hong Kong e da Malásia na crise asiática dos anos oitenta.  O sucesso da estratégia cada um por si à espera que Merkel e Sarkozy actuem por todos deu no que deu. Aguardam-se os próximos capítulos do dominó europeu. Ou há solidariedade ou...

27.7.11

Danças tradicionais timorenses








(Hoje, no Hotel Timor, na recepção aos convidados para a abertura do Ano Académico da Universidade Nacional de Timor Lorosa'e)

21.7.11

Houve um colossal quê?

O Povo Livre desmentiu o Ministro das Finanças e repetiu a teoria do desvio colossal. Se, como nota o João Galamba, se soube hoje que não há desvio colossal nas contas públicas, então terá havido algo de colossal, mas dito pela boca do nosso Primeiro-Ministro. Terá sido um colossal quê?

20.7.11

Declaração de voto: o PS precisa de um novo modelo e não de um facelift

O que está em causa no PS, neste momento, não é discutir o partido que éramos antes da grande crise mundial, mas o que seremos depois dela. Como vamos fazer a nossa nova agenda, o que temos a dizer aos portugueses sobre como queremos tirar o país da crise e para onde queremos que ele vá a seguir.
Porque apoio Assis? Porque concordo com a sua visão de que o PS tem que trabalhar para apresentar um novo modelo de acção política e não creio que a profundidade da mudança necessária se atinja com um mero facelift, um refrescamento de linhas no modelo actual. E porque penso que o que levou à derrota do PS não foram os defeitos do condutor mas a falta de combustível das ideias neste espaço político.
Faço parte dos que acham que a crise existia com o anterior governo e, se não começou, também não acabou no dia da chegada do PSD e do CDS ao poder. O maior erro possível da próxima direcção do PS seria cair na tentação do populismo de esquerda, fazendo coro com maximalistas e oportunistas, à espera que a mesma crise lhe volte a caír nas mãos e tenha para lhe fazer face as mesmas medidas que tem hoje no cardápio.
Hoje, tal como em 1986,o PS precisa de preparar um novo caminho. Assis percebeu-o. Seguro ainda não.

19.7.11

Manuel Villaverde Cabral apresentou-me Robert Fishman com uma frase que diz tudo: É o único investigador sobre as transições para a democracia em Portugal e Espanha que percebeu a superioridade da transição revolucionária sobre a transição sem revolução.  Desde então tenho seguido os trabalhos deste sociólogo e recomendo vivamente a quem possa que o vá ouvir, amanhã, 20 de Julho, às 18 horas, falar sobre Contrastes entre Portugal e Espanha: Prática Democrática e Crise Económica, nas instalações do CES-Lisboa (Picoas Plaza, Rua do Viriato 13, Lj. 117/118).