9.9.11

Neutralidade neutral ou inclinada?

Um dos dados deste Congresso Nacional do PS que não sendo totalmente novo em casos isolados é inusitado pela sua extensão e organização como não-movimento com identidade e textos é o dos dirigentes no activo, políticos profissionais no terreno e militantes destacados no presente e no passado recente que se declararam neutrais na disputa interna. Até domingo e na semana seguinte perceberemos se foi um gesto de neutralidade neutral ou inclinada (e em que direcção).

Vem aí o mundial de rugby

XV contra XV, o local ideal para acompanhar na blogosfera o mundial de "um desporto colectivo de combate organizado para a conquista de terreno". Flávio, obrigado pela dica.

Política cambial e comércio internacional: pilares do crescimento do emprego na China

O crescimento do emprego na China tm estado dependente de dois elementos que se relacionam de modo contraditório com a crise económica mundial.
A sua política cambial que torna o país competitivo no mercado externo, diminui a competitividade de economias com moedas muito valorizadas, acelerando as suas dificuldades nos mercados mundiais, num período em que não podem também fazer crescer a procura interna com grande facilidade, dado o caminho da restrição orçamental.
Em sentido contrário, a dependência do país do comércio externo implica que, caso este se retraia, a própria sustentabilidade do crescimento do emprego chinês fica em causa. 
Um relatório de quatro investigadores chineses, acabado de publicar e disponível aqui, deixa claras nas suas conclusões que: 


Ou seja, a China nem pode abdicar da sua política cambial nem resistiria bem ao abrandamento do comércio mundial. . Em certas circunstâncias, a chave do sucesso pode tornar-se num factor pouco sustentável de tensão.

Mao's bloody revolution revealed by Philip Short

9 de Setembro de 1976 - morte de Mao Tse Tung

6.9.11

Quando Bush, Blair e as fontes do Avante estão de acordo...

A CIA transportou da Tailândia até à Líbia, com a cooperação do MI6 e aprovação ministerial britânica, pelo menos uma pessoa para ser "interrogada", noticia o Telegraph. Chama-se Abdel Akim Belhadj, o tal passageiro involuntário, entregue a Kadafi para ser torturado. Acontece que agora é um dos chefes militares rebeldes. Por isso, provavelmente, vamos saber mais sobre o que realmente aconteceu.
Seja como for, a "guerra suja" é reprovável em si e esta prova adicional do envolvimento do governo de Blair nem seria surpreendente, não fora o inusitado aliado em tão lamentáveis exercícios.
Fiquei curioso de como lidaria o PCP com esta conivência entre a CIA e o seu mais recente - e algo surpreendente - herói do socialismo. Fui ver e abri a boca de espanto. Porventura ignorando ainda em que companhia aérea Belhadj havia voado para a Líbia, o Avante de 1 de Setembro informa-nos: "Em Tripoli os contra-revolucionários estão às ordens de Abdelhakim Belhadj, quadro militar da Al-Qaeda. De acordo com informações recolhidas pelo jornalista Pepe Escobar para o Asia Times, Belhadj, jihadista forjado no Afeganistão, terá sido libertado pelos EUA para, juntamente com os instrutores e soldados da CIA, MI6, SAS britânico e Legião Francesa, orquestrar, desde Fevereiro, a chamada «insurreição popular contra Kahdafi».
Irá o Avante da próxima semana noticiar que o dito homem foi "libertado" pela CIA nas masmorras de Kadafi? Provavelmente o assunto já não terá actualidade para a próxima edição. Convenhamos que é melhor não insistir numa tecla que terá sido partilhada por Bush, Blair e as fontes do Avante.

PS. Entretanto, as ligações de Kadafi ao "transporte de passageiros" da CIA nem sequer são uma notícia inteiramente nova. Ana Gomes relembra-o e recorda que as linhas aéreas da agência voaram entre Tripoli e aeroportos em Portugal, com as novvas autoridades a, como ela diz, ver navios, que é como quem diz a assobiar para o lado.

1.9.11

Porque é tão grande a tentação de subir o IVA?

O facto de sermos capazes de cobrar mesmo este imposto (ao contrário de outros) faz parte da explicação. Segundo se pode ver aqui e talvez surpreenda, somos dos mais eficazes da Europa a cobrar IVA. O imposto é socialmente injusto mas há uma velha regra que diz que os países focam as políticas fiscais nos impostos que os cidadãos os deixam cobrar...

31.8.11

Creches: o milagre da multiplicação dos lugares

São precisos mais lugares de creche e não se quer investir mais dinheiro em infraestruturas? Pedro Mota Soares encontrou o ovo de Colombo: aumenta-se o número de lugares por sala. Para isso revogou uma portaria de 1989 (sim, não é uma determinação dos despesistas do PS). Concedendo o benefício da dúvida ao milagre da multiplicação de lugares, faço aqui um pedido público de esclarecimento. Apenas dois tipos de questões:

a) Em que estudos, de que técnicos, feitos quando e onde se baseia este aumento do número de lugares por sala? O limite anterior revelou-se errado e está ultrapassado? Porquê?

b) O co-financiamento do Estado às IPSS vai ser revisto para contemplar o facto de haver mais alunos por sala, logo por educador, auxiliar, etc. ou a capitação mantém-se aumentando assim em termos reais a receita das ditas instituições?

Depois de ter respostas claras a estas duas questões direi se acredito que se podia operar este milagre, se me rendo a que é um exemplo de boa gestão ou, tese para que hoje com a informação que tenho me inclino, estamos perante uma dupla esperteza que deu ao Ministro boa imprensa e às IPSS lucro, mascarando a falta de vontade e disponilibilidade para investir no alargamento da rede de creches.

Fico à espera de que almas caridosas, nomeadamente da àrea governamental e das IPSS que aplaudiram a medida, esclareçam estas pequenas dúvidas.