4.11.11

What happened to Greece? Most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe

On 2 November, 2011 I was sitting in my office in Bucharest unable to work and following on various twitter accounts and some live news streams the latest news in Greece.  My phone rang and my good friend Paulo asked me to write a small piece about what’s happening in Greece, so here we go.

The story of the day comes from the cabinet meetings and the negotiations within PASOK and with New Democracy Parties in order to move towards the next day, which is none other than the adoption of the  “bailout package” offered to Greece – ie the trimming of the primary dept by 50%. This after the surprising announcement of a referendum where the people will actually be able to decide (?) their own fate. But I would like my first entry on the blog of my good friend to touch not on the news of the day, but the news of the decade. Forgive me for the bout of nostalgia, but here we go.

November 2004, Athens Greece. It’s the place to be. I don’t think I’ve ever been prouder to live here.  The recent “dream Olympic games” gave birth to a complete transformation of the city. New highways, beautiful pedestrian walkways that unite the archeological centre for the first time, airports, bridges infrastructure that one could only dream of 10 or 15 years earlier became reality. Booming economic growth, something like 4% if I’m not mistaken, while the Eurozone average was less than 2. T-shirts with the Greek flag instead of the Union Jack were in style, from my flat with a great view of the Parthenon I noticed “winter tourists” who came for “weekend breaks” for the first time as far as I can remember, art houses and galleries were popping up everywhere, an air of creation and rebirth had overcome smog of the megalopolis. Heck, Greece had even won the Euro, beating Portugal twice at home :).

Five years later they told us that we’re about to go bankrupt, that we no longer have national integrity or even sovereignty for that matter regarding our internal policies. I’m trying to get my head around what’s been going on over the last two years. As long as I can remember myself, since the mid eighties, there have been voices in my country saying that we are on the verge of bankruptcy. Voices speaking about needed cuts in public services, wages and pensions. But what has happened over the last two years was a real surprise for most people in Greece. It was a shock that most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe. The social fabric of the country is being torn apart, people are turning against one another, rioting and indiscriminately bagging all politicians and public servants in the same pile. This is not such a nice predicament, and in the next days I’ll provide my opinion on how we got here, who’s responsible and what we need to do to get back to the “golden age of modern Athens.”


Yannis Parcharidis

(I am proud that Yannis, a good friend and attentive observer of his own society, accepted the challenge of expressing here his views on the Greek crisis. Keep an eye on his writings.)

Almada: todos juntos contra os cortes insensíveis nos transportes públicos?

O PS de Almada tornou hoje público que vai propôr na Assembleia Municipal que todos os partidos aí representados se unam num protesto conjunto contra as propostas do Grupo de Trabalho designado pelo Governo para a questão da mobilidade, que agravam a discriminação dos residentes da margem sul no contexto da cidade-metrópole de Lisboa.
A visão liberal do Governo mostra-se em todo o seu esplendor nessas propostas. No que se refere a Almada, junta-se ao aumento duro do preço dos transportes a supressão de carreiras, nomeadamente da carreira da Carris que liga o Centro-Sul à Praça José Fontana, em Lisboa e das ligações fluviais à Trafaria e ao Porto Brandão.

Me queda la palabra (Aguaviva cantam Blas de Otero)

3.11.11

Os socialistas, o Orçamento de Estado e a liderança da oposição

A esta hora o PS está a definir que tipo de oposição vai ser nos próximos anos. Do que se viu no debate público até agora, os eixos do debate vão reflectir melhor as diferentes formas de ver o papel do PS no país do que as linhas de divisão do último Congresso.
Para mim tudo se resume a uma pergunta: este é um orçamento necessário ao país ou um ataque liberal a pretexto das dificuldades que atravessamos? Parece evidente que é o segundo caso e isso impede o PS de equacionar apoiá-lo. Assim sendo, o que está em causa é onde deve estar o PS, não é o IVA dos restaurantes.
Deve o PS estar nos debates que aí vêm nos próximos anos à frente da oposição, como seu maior partido e maior partido da esquerda portuguesa? Ou, pelo contrário, caucionar pelo silêncio ou a discrição o dito ataque liberal? O instinto centrista do PS leva-o pelo segundo caminho e a abstenção no OE 2012. A intuição de liderança da esquerda leva-o pelo primeiro e impõe já o voto contra. Este é que e o verdadeiro momento de definição do que será o novo ciclo político do PS.
Nesta discussão, já sabemos o que pensam Seguro e Assis: são, sem surpresa, os irmãos gémeos que são há décadas na escola do instinto centrista do PS. Enganou-se quem tenha pensado diferente, sobre um ou outro. Resta saber que espírito prevalece entre os dirigentes do partido e se eles têm plena consciência de que estão a definir hoje o que será o PS por todo o ciclo da sua actual liderança, dure ela um ano ou uma década.

"A Syrian cup of tea" - Mana Neyestani

"A Syrian Cup of Tea" - Iranian artist Mana Neyesta... on Twitpic

2.11.11

Sabia que no Reino Unido todas as pessoas, independentemente dos seus rendimentos, de mais de 60 anos têm direito durante o Inverno a um apoio financeiro (winter fuel payment) para compensar as despesas acrescidas com o aquecimento? E liberais são eles, dizem-nos.

31.10.11

Parece que José Sócrates não pediu aos deputados do PS para votarem contra o Orçamento de Estado para 2012.

Parece que José Sócrates não pediu aos deputados do PS para votarem contra o Orçamento de Estado para 2012. Fez mal. As vozes que se levantarem contra os excessos ideologicamente enviesados deste OE não serão demais. Aliás, tinham-me dito que o PS de agora estava à esquerda do que esteve no Governo.
Parece também que uma das propostas decisivas para o sentido de voto final do PS é a taxa de IVa dos restaurantes. Nestes tempos de moralistas na política, pecador me confesso. gosto imenso de almoçar e jantar fora. Mas não acreditam que esse seja o maior problema dos portugueses com este orçamento, pois não?

Livro de reclamações: TAP Victoria, não acredite que pode prolongar as milhas. Disfarçadamente, vendem-lhas.

Por razões profissionais viajo muito de avião e tenho vários cartões de passageiro frequente. Reparei que tinha milhas a caducar no cartão TAP Victoria. Defeito de planeamento meu. claro. Mas andei embalado pela ideia de que podia prolongá-las, porque tinha visto isso no extracto online e nunca tinha usado a funcionalidade em causa.
Hoje tirei uns minutos para ir fazer a operação no último dia de validade das ditas e descobri que a TAP me "deixa" comprar as 20000 milhas que vão caducar por 200 euros. Obrigado, mas por esse preço compro o bilhete que essas milhas me "oferecem", já que teria sempre que apgar as taxas aeroportuárias.
A TAP não me roubou nem me enganou. Deu e tirou, segundo as suas regras, nem sequer vai para o Inferno. Fui eu que me enganei ao pensar que a companhia deixava mesmo prolongar as milhas. Moral da história: todas as "prendas" têm letras pequenas. Como a TAP bem sabe - e eu também - há companhias em que as milhas não caducam. Será que essas gostam mais dos passageiros frequentes ou são geridas por cérebros menos brilhantes que a nossa querida companhia de bandeira?

30.10.11

"Apesar de você". Chico Buarque e a mulher autoritária.

Brasil, 30 de Outubro de 1969.
O General Médici passa a ser Presidente da República da ditadura militar. É criada a ideia de uma abertura que leva o editor de Chico Buarque a convencê-lo a regressar ao Brasil. Mas a ditadura era a mesma, em todas as suas frentes. Chico recorreu a um estratagema recorrente dos cantores de intervenção em tempo de ditadura -  jogar com a ambiguidade das palavras. Compôs um samba supostamente sobre uma briga de namorados e a censura deixou passar:



O sucesso de "apesar de você" entre a juventude rebelde tornou o verdadeiro sentido da canção evidente e, obviamente, foi proibida. "Quem é o você da canção?", terão perguntado a Chico na polícia, que terá respondido "uma mulher muito mandona, muito autoritária".