8.11.11

Insensatez, reconhece o Ministro, que também o é dos Transportes.

Fechar o metro às 11 da noite não faz sentido, diz Alvaro Santos Pereira. Tem razão. É certo que, ao fazê-ló, chamou insensatos aos especialistas nomeados para estudar a questão. Oxalá seja capaz de dizer o mesmo sobe outras ideias insensatas do grupo... E de escolher melhor as próximas sumidades que o hão-de aconselhar, se quiser continuar a ter que receber conselhos enquanto Ministro.

E se a Itália entra na espiral da crise das dívidas soberanas?

A todos os que pensam que a Europa pode brincar com o fogo da crise para sempre recomendo esta análise que conclui que a recessão prolongada é o melhor cenário que a Europa pode esperar depois de perder-se o controlo do risco da dívida soberana italiana.

6.11.11

Economia dos conflitos: Israel agravou a Intifada

Um estudo israelita acabado de sair demonstra que as restrições ao emprego de palestinianos agravaram a intensidade da segunda intifada na Faixa Ocidental. Cada ponto percentual de descida da taxa de emprego implicou um acréscimo de 0.12 no número de mortos. Moral política do estudo dos economistas: aumentar a taxa de emprego de Palestinianos em Israel não apenas melhora o bem-estar dos Palestinianos, mas também diminui a sua disponibilidade para se envolverem no conflito. Um jogo win-win para quem queira a paz e a coexistência dos dois povos.

A comprar, já. Um romance sobre "o retorno".

Lembro-me bem dos colegas que foram chegando à escola durante o ano de 1975, vindos de Angola, de como vinham, do que estavam a passar, das histórias, para nós aventuras, do que tinham vivido. Depois de ler o comentário de Rui Bebiano, O Retorno, de Dulce Maria Cardoso entrou na lista "a comprar, já".

4.11.11

What happened to Greece? Most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe

On 2 November, 2011 I was sitting in my office in Bucharest unable to work and following on various twitter accounts and some live news streams the latest news in Greece.  My phone rang and my good friend Paulo asked me to write a small piece about what’s happening in Greece, so here we go.

The story of the day comes from the cabinet meetings and the negotiations within PASOK and with New Democracy Parties in order to move towards the next day, which is none other than the adoption of the  “bailout package” offered to Greece – ie the trimming of the primary dept by 50%. This after the surprising announcement of a referendum where the people will actually be able to decide (?) their own fate. But I would like my first entry on the blog of my good friend to touch not on the news of the day, but the news of the decade. Forgive me for the bout of nostalgia, but here we go.

November 2004, Athens Greece. It’s the place to be. I don’t think I’ve ever been prouder to live here.  The recent “dream Olympic games” gave birth to a complete transformation of the city. New highways, beautiful pedestrian walkways that unite the archeological centre for the first time, airports, bridges infrastructure that one could only dream of 10 or 15 years earlier became reality. Booming economic growth, something like 4% if I’m not mistaken, while the Eurozone average was less than 2. T-shirts with the Greek flag instead of the Union Jack were in style, from my flat with a great view of the Parthenon I noticed “winter tourists” who came for “weekend breaks” for the first time as far as I can remember, art houses and galleries were popping up everywhere, an air of creation and rebirth had overcome smog of the megalopolis. Heck, Greece had even won the Euro, beating Portugal twice at home :).

Five years later they told us that we’re about to go bankrupt, that we no longer have national integrity or even sovereignty for that matter regarding our internal policies. I’m trying to get my head around what’s been going on over the last two years. As long as I can remember myself, since the mid eighties, there have been voices in my country saying that we are on the verge of bankruptcy. Voices speaking about needed cuts in public services, wages and pensions. But what has happened over the last two years was a real surprise for most people in Greece. It was a shock that most people still cannot understand, find unjust and simply do not believe. The social fabric of the country is being torn apart, people are turning against one another, rioting and indiscriminately bagging all politicians and public servants in the same pile. This is not such a nice predicament, and in the next days I’ll provide my opinion on how we got here, who’s responsible and what we need to do to get back to the “golden age of modern Athens.”


Yannis Parcharidis

(I am proud that Yannis, a good friend and attentive observer of his own society, accepted the challenge of expressing here his views on the Greek crisis. Keep an eye on his writings.)

Almada: todos juntos contra os cortes insensíveis nos transportes públicos?

O PS de Almada tornou hoje público que vai propôr na Assembleia Municipal que todos os partidos aí representados se unam num protesto conjunto contra as propostas do Grupo de Trabalho designado pelo Governo para a questão da mobilidade, que agravam a discriminação dos residentes da margem sul no contexto da cidade-metrópole de Lisboa.
A visão liberal do Governo mostra-se em todo o seu esplendor nessas propostas. No que se refere a Almada, junta-se ao aumento duro do preço dos transportes a supressão de carreiras, nomeadamente da carreira da Carris que liga o Centro-Sul à Praça José Fontana, em Lisboa e das ligações fluviais à Trafaria e ao Porto Brandão.

Me queda la palabra (Aguaviva cantam Blas de Otero)

3.11.11

Os socialistas, o Orçamento de Estado e a liderança da oposição

A esta hora o PS está a definir que tipo de oposição vai ser nos próximos anos. Do que se viu no debate público até agora, os eixos do debate vão reflectir melhor as diferentes formas de ver o papel do PS no país do que as linhas de divisão do último Congresso.
Para mim tudo se resume a uma pergunta: este é um orçamento necessário ao país ou um ataque liberal a pretexto das dificuldades que atravessamos? Parece evidente que é o segundo caso e isso impede o PS de equacionar apoiá-lo. Assim sendo, o que está em causa é onde deve estar o PS, não é o IVA dos restaurantes.
Deve o PS estar nos debates que aí vêm nos próximos anos à frente da oposição, como seu maior partido e maior partido da esquerda portuguesa? Ou, pelo contrário, caucionar pelo silêncio ou a discrição o dito ataque liberal? O instinto centrista do PS leva-o pelo segundo caminho e a abstenção no OE 2012. A intuição de liderança da esquerda leva-o pelo primeiro e impõe já o voto contra. Este é que e o verdadeiro momento de definição do que será o novo ciclo político do PS.
Nesta discussão, já sabemos o que pensam Seguro e Assis: são, sem surpresa, os irmãos gémeos que são há décadas na escola do instinto centrista do PS. Enganou-se quem tenha pensado diferente, sobre um ou outro. Resta saber que espírito prevalece entre os dirigentes do partido e se eles têm plena consciência de que estão a definir hoje o que será o PS por todo o ciclo da sua actual liderança, dure ela um ano ou uma década.