19.3.12
Deve haver racionalidade em mudar um embaixador menos de 2 anos depois de estar em posto
Hoje, como cidadão português registado no Consulado em Ankara, recebi a carta de despedida da Senhora Embaixadora, a qual tinha sido nomeada há menos de dois anos. Deve haver racionalidade política e económica nestes movimentos diplomáticos. Eu é que não vejo qual. Como pode um Embaixador chegar a fazer diplomacia num país de relevância pelo menos regional do qual sai mal acaba de chegar?
Porque não há uma intervenção militar na Síria?
Por enquanto não há mandato internacional para atacar a Síria e, claro, o precedente da interpretação extensiva do mandato concedido pela ONU na Líbia tornará mais difícil que o conselho de Segurança atinja um consenso. Como diz Vivienne Walt ,neste artigo da Time, Assad não está a repetir os mesmos erros de Kadaffi e procura segurar a amizade russa. Mas, tem também outra capacidade de dissuasão made in Russia, Armamento militar sofisticado, nomeadamente de defesa antiaérea que a Líbia não chegou a ter.
Um ataque à Síria não seria o passeio sobre o deserto líbio de há uns meses, mesmo sem contar com outras repercussões e ondas de choque regionais.
Acessibilidade a deficientes tem novo padrão nos EUA
Em nome da igualdade de direitos, entraram em vigor nos EUA novos padrões de acessibilidade a edifícios de uso público. A informação do Departamento de Justiça anexa a sistematização dos standards for accessibility design.
16.3.12
Os jovens vão deixar de ser o target publicitário por excelência?
As empresas americanas estão a mudar os seus targets publicitários, em desfavor da geração de jovem que era o consumidor perfeito desde o baby boom. Os dados são impressionantes: a percentagem de jovens (18-24 anos) com emprego é a mais baixa desde que há registos, situando-se nos 54%; os jovens estão a saír mais tarde de casa e devem 1 trilião de dólares de empréstimos bancários para a frequência universitária. Se os dados americanos impressionam por si mesmos, também fazem pensar que este filme também está em exibição num cinema perto de si.
15.3.12
É urgente tornar os chineses 'gente como nós', diz um amigo sinólogo
How would a Chinese superpower treat the rest of the world? Anyone wanting to peer into the future could start by looking back at the past — or, at least, at the official version of China’s past. The message is not reassuring. China’s schoolchildren are being taught a version of history that is strongly nationalist. The official narrative is that their country was once ruthlessly exploited by rapacious foreigners. Only a strong China can correct these historic wrongs.
Há semanas, conversando do outro lado do mundo sobre o papel da China como potência global, o meu interlocutor e amigo zurzia fortemente a teoria da "diferença chinesa" com que muitos de nós revestem de discurso politicamente correto a tolerância para com a ditadura de mercado que vai crescendo sobre as potências do capitalismo democrático. Agora, a pretexto do artigo de Gideon Rachman, no Financial Times, cujo início acima reproduzo, volta à carga. Escreve ele e eu ofereço:
Depois da nossa conversa sobre a China, encontrei este artigo que vai ao encontro das nossas especulações. Concordo integralmente com a tese do artigo porque é urgente tornar os chineses 'gente como nós', no Ocidente, para aumentarmos as probabilidades de desenvolvimento pacífico das relações Ocidente-Ásia e de solução pacífica negociada dos diferendos crescentes que se esperam quando os recursos do planeta nos parecem (e parecerão) encolher espantosa e rapidamente nas próximas décadas. A fuga a-maoísta da China à autocrítica é lamentável e preocupante. A meu ver, é apenas comparável à fuga do Ocidente comercial à auto-crítica política e diplomática (não basta académica) pelo uso da ópio-dependência como instrumento comercial de subordinação, impondo-a à China, a partir de 1839, à força de bombardeamentos navais e realizando a destruição metódica de um sistema social e político seculares numa escala continental no período vertiginoso de uma vida (70 anos). Sendo a humanidade narcísica e territorial, é difícil fazer a China 'perdoar e esquecer'. Mas enquanto a humilhação durar é mais fácil para o establishment chinês (presente ou um nacionalista extremista que se siga ao colapso desordenado do actual) manipular esse sentimento e gerar mobilizações xenófobas e bélicas, que atrasariam mais a aderência da população chinesa a modelos de sociedade aberta.
Há semanas, conversando do outro lado do mundo sobre o papel da China como potência global, o meu interlocutor e amigo zurzia fortemente a teoria da "diferença chinesa" com que muitos de nós revestem de discurso politicamente correto a tolerância para com a ditadura de mercado que vai crescendo sobre as potências do capitalismo democrático. Agora, a pretexto do artigo de Gideon Rachman, no Financial Times, cujo início acima reproduzo, volta à carga. Escreve ele e eu ofereço:
Depois da nossa conversa sobre a China, encontrei este artigo que vai ao encontro das nossas especulações. Concordo integralmente com a tese do artigo porque é urgente tornar os chineses 'gente como nós', no Ocidente, para aumentarmos as probabilidades de desenvolvimento pacífico das relações Ocidente-Ásia e de solução pacífica negociada dos diferendos crescentes que se esperam quando os recursos do planeta nos parecem (e parecerão) encolher espantosa e rapidamente nas próximas décadas. A fuga a-maoísta da China à autocrítica é lamentável e preocupante. A meu ver, é apenas comparável à fuga do Ocidente comercial à auto-crítica política e diplomática (não basta académica) pelo uso da ópio-dependência como instrumento comercial de subordinação, impondo-a à China, a partir de 1839, à força de bombardeamentos navais e realizando a destruição metódica de um sistema social e político seculares numa escala continental no período vertiginoso de uma vida (70 anos). Sendo a humanidade narcísica e territorial, é difícil fazer a China 'perdoar e esquecer'. Mas enquanto a humilhação durar é mais fácil para o establishment chinês (presente ou um nacionalista extremista que se siga ao colapso desordenado do actual) manipular esse sentimento e gerar mobilizações xenófobas e bélicas, que atrasariam mais a aderência da população chinesa a modelos de sociedade aberta.
O vinho Salazar, uma má maneira de lidar com uma boa questão de política local.
A Câmara de Santa Comba Dão tem um problema delicado em mãos, que deriva da sua ligação a Salazar ser simultaneamente um fator de notoriedade, talvez "o" seu fator de notoriedade e esta ser ideologicamente carregada. Após décadas a fazer de conta, tem agora um autarca que decidiu virar o rótulo a seu favor. Mas fê-lo com a seguinte perspetiva:
"A nossa é sempre uma perspetiva objetiva e histórica, porque os juízos de valor não têm de ser feitos pela autarquia, têm de ser as pessoas, os historiadores, os investigadores [a fazê-los]. Nós temos apenas de demonstrar a nossa convicção de que o que estamos a fazer é útil para o concelho e para a região. E se temos um vinho `Memórias de Salazar" é porque sentimos que as pessoas procuram essa ligação quando nos visitam"
O senhor Presidente da Câmara desenvolve um raciocínio absurdo e politicamente cai num erro profundo, para quem se coloca numa perspetiva democrática.
Primeiro, porque uma autarquia não é uma associação comercial nem um corpo de funcionários, é um orgão de poder local, não é legítimo que diga que não tem que fazer juízos de valor sobre história política. Pelo contrário, uma autarquia, em matéria de história política tem que fazer juízos de valor desse género nas mais diversas atividades, da simples toponímia à sua política de memória histórica. E uma autarquia como Santa Comba Dão está na primeira linha das que os têm que fazer.
Segundo, porque o exercício de transformar a marca do ditador no símbolo do concelho, acriticamente ou melhor panegiricamente embora com o panegírico disfarçado de acriticismo é uma escolha do campo antidemocrático. Pode o senhor Presidente até objetar que se o seu município fosse a Marinha Grande, Baleizão ou Almada manipularia o sentimento antifascista da mesma forma que tenta fazê-lo com o filofascista na sua terra. Mas é pura falácia. Ele bem sabe que quem comprar as garrafas de vinho "Memórias de Salazar" não está interessado na qualidade da pinga mas em levar consigo o ícone do ditador.
Volto ao princípio. Santa Comba Dão tem que lidar com a memória de Salazar. Nesse ponto o Presidente da Câmara tem razão. Mas tem que escolher lados. Pela sua lógica "neutra" se fosse autarca na terra natal de Hitler venderia cerveja com o rótulo do facínora. Em suma, o Presidente da Câmara de Santa Comba Dão escolheu uma má maneira de lidar com uma boa questão de política local. Apenas se pode desejar que os democratas locais que não sofram de sentimentos ambíguos em relação a Salazar sejam capazes de perceber que a gestão deste problema marca mais decisivamente o futuro local do que as diferenças ideológicas de carácter nacional ou internacional. A democracia local também vive da capacidade de unir e dividir em função de causas estritamente locais.
Quanto aos produtos "Salazar", só tenho uma reivindicação. Publiquem os nomes dos produtores que querem ter vantagem comercial com a associação a essa marca. Eu, como consumidor, sei o que fazer com todos os seus produtos que me apareçam à frente, tenham a marca que tiverem.
"A nossa é sempre uma perspetiva objetiva e histórica, porque os juízos de valor não têm de ser feitos pela autarquia, têm de ser as pessoas, os historiadores, os investigadores [a fazê-los]. Nós temos apenas de demonstrar a nossa convicção de que o que estamos a fazer é útil para o concelho e para a região. E se temos um vinho `Memórias de Salazar" é porque sentimos que as pessoas procuram essa ligação quando nos visitam"
O senhor Presidente da Câmara desenvolve um raciocínio absurdo e politicamente cai num erro profundo, para quem se coloca numa perspetiva democrática.
Primeiro, porque uma autarquia não é uma associação comercial nem um corpo de funcionários, é um orgão de poder local, não é legítimo que diga que não tem que fazer juízos de valor sobre história política. Pelo contrário, uma autarquia, em matéria de história política tem que fazer juízos de valor desse género nas mais diversas atividades, da simples toponímia à sua política de memória histórica. E uma autarquia como Santa Comba Dão está na primeira linha das que os têm que fazer.
Segundo, porque o exercício de transformar a marca do ditador no símbolo do concelho, acriticamente ou melhor panegiricamente embora com o panegírico disfarçado de acriticismo é uma escolha do campo antidemocrático. Pode o senhor Presidente até objetar que se o seu município fosse a Marinha Grande, Baleizão ou Almada manipularia o sentimento antifascista da mesma forma que tenta fazê-lo com o filofascista na sua terra. Mas é pura falácia. Ele bem sabe que quem comprar as garrafas de vinho "Memórias de Salazar" não está interessado na qualidade da pinga mas em levar consigo o ícone do ditador.
Volto ao princípio. Santa Comba Dão tem que lidar com a memória de Salazar. Nesse ponto o Presidente da Câmara tem razão. Mas tem que escolher lados. Pela sua lógica "neutra" se fosse autarca na terra natal de Hitler venderia cerveja com o rótulo do facínora. Em suma, o Presidente da Câmara de Santa Comba Dão escolheu uma má maneira de lidar com uma boa questão de política local. Apenas se pode desejar que os democratas locais que não sofram de sentimentos ambíguos em relação a Salazar sejam capazes de perceber que a gestão deste problema marca mais decisivamente o futuro local do que as diferenças ideológicas de carácter nacional ou internacional. A democracia local também vive da capacidade de unir e dividir em função de causas estritamente locais.
Quanto aos produtos "Salazar", só tenho uma reivindicação. Publiquem os nomes dos produtores que querem ter vantagem comercial com a associação a essa marca. Eu, como consumidor, sei o que fazer com todos os seus produtos que me apareçam à frente, tenham a marca que tiverem.
14.3.12
falta b-a-bá democrático ao sindicalismo judicial
No dia em que num país um Sindicato de juízes se dedicasse a tentar combater um conjunto de adversários políticos da sua escolha processando-os nos tribunais em que os seus associados os julgariam, alguém teria que relembrar ao sindicato dos titulares de um órgão de soberania que o ridículo mata. E se um dia um sindicato de deputados tivesse a intenção de julgar os juízes no Parlamento?
Falta b-a-bá democrático ao dito sindicato. Se ficar a pregar no deserto, tudo não passa de uma ópera bufa, um fait-divers da crise que apouca os que idearam a coisa. Mas, se os pares os levassem a sério? Lá iríamos da farsa à tragédia.
13.3.12
Quem se mete com a EDP... sai?
A demissão do Secretário de Estado da Energia vem embrulhada na ideia de que tentou sem sucesso reduzir as rendas e subsídios às empresas produtoras de energia o que faz dele potencial vítima dos verdadeiros interesses instalados. Seriam 600 milhões de Euros de combate às gorduras do Estado, contestados especialmente por esse campeão da economia de mercado que dá pelo nome de EDP, que teríamos acabado de perder com a derrota do Secretário de Estado, se assim fosse.
Talvez os subsídios a este sector sejam excessivos, talvez não. Os sectores totalmente dependentes do Estado, seja o energético ou o dos serviços sociais, serão sempre alvo de disputas deste género. O que é certo é que o homem que tentou reduzir os custos para o Estado com os gigantes de sector energético não teve sucesso e acabou por sair do Governo enquanto os que os reduzem com os pigmneus dos pobres e assalariados - do RSI aos salários da função pública - são incensados. E não consigo deixar de pensar que se 600 milhões de corte nos subsídios às produtoras energéticas era um corte de 1/3, então estes subsídios são realmente imensos. Para quem queira ter a noção do que estão em causa, 1800 milhões de Euros é mais do triplo do valor anual do rendimento social de inserção. Embora perceba a necessidade de conter os custos energéticos finais, incomoda-me a ideia de o Estado contribuir com tanto para os prémios de objectivos dos gestores das empresas do sector. Pelo que me pergunto se a gestão do sector obedecerá a mínimos de eficiência, quando comparado com outros países, ou estará entregue a mentalidades rentistas confortavelmente instaladas e compradoras da inércia política e do silêncio mediático.
PS. Uma vez que a disputa parece ser em torno de um estudo. Sou eu que estou desatento ou o dito estudo não é público? Quem o fez? O que diz, exactamente? Agradeço toda a informação que se dignarem prestar-me.
Talvez os subsídios a este sector sejam excessivos, talvez não. Os sectores totalmente dependentes do Estado, seja o energético ou o dos serviços sociais, serão sempre alvo de disputas deste género. O que é certo é que o homem que tentou reduzir os custos para o Estado com os gigantes de sector energético não teve sucesso e acabou por sair do Governo enquanto os que os reduzem com os pigmneus dos pobres e assalariados - do RSI aos salários da função pública - são incensados. E não consigo deixar de pensar que se 600 milhões de corte nos subsídios às produtoras energéticas era um corte de 1/3, então estes subsídios são realmente imensos. Para quem queira ter a noção do que estão em causa, 1800 milhões de Euros é mais do triplo do valor anual do rendimento social de inserção. Embora perceba a necessidade de conter os custos energéticos finais, incomoda-me a ideia de o Estado contribuir com tanto para os prémios de objectivos dos gestores das empresas do sector. Pelo que me pergunto se a gestão do sector obedecerá a mínimos de eficiência, quando comparado com outros países, ou estará entregue a mentalidades rentistas confortavelmente instaladas e compradoras da inércia política e do silêncio mediático.
PS. Uma vez que a disputa parece ser em torno de um estudo. Sou eu que estou desatento ou o dito estudo não é público? Quem o fez? O que diz, exactamente? Agradeço toda a informação que se dignarem prestar-me.
Safak Pavey, uma mulher de coragem, um exemplo de vida independente
Actualmente é deputada no Parlamento turco. Antes trabalhou nas Nações Unidas. Há mais de uma década perdeu uma perna e um braço num acidente de comboio em Zurique e continuou o seu trabalho. Há algum tempo, Kamil Pasha dedicou-lhe o seguinte texto.
Como em todas as situações estigmatizantes, a normalidade futura faz-se da heroicidade presente. Poderá sociologizar-se e dizer-se que há condições sociais que favorecem certas heroicidades, mas isso não diminui a importância dos exemplos.
Foi a força desse exemplo que fez de Safak Pavey uma das dez galardoadas do Prémio Internacional Mulheres de Coragem de 2012, sob os auspícios de Hillary Clinton. Diz a nota biográfica da laureada que "demonstrou grnade dignidade pessoal na superação de obstáculos físicos todos os dias, enquanto defendia local e globalmente os direitos das pessoas vulneráveis, incluindo os refugiados e os deficientes". A pose, na fotografia com Michelle Obama, captada pela fotografia de Charles Darapak abaixo reproduzida de que a Time fez uma das fotografias políticas da semana, silencia qualquer texto sobre o tema da deficiência e fala por todos os que defendem a causa da igual participação dos deficientes na vida pública.
Como em todas as situações estigmatizantes, a normalidade futura faz-se da heroicidade presente. Poderá sociologizar-se e dizer-se que há condições sociais que favorecem certas heroicidades, mas isso não diminui a importância dos exemplos.
Foi a força desse exemplo que fez de Safak Pavey uma das dez galardoadas do Prémio Internacional Mulheres de Coragem de 2012, sob os auspícios de Hillary Clinton. Diz a nota biográfica da laureada que "demonstrou grnade dignidade pessoal na superação de obstáculos físicos todos os dias, enquanto defendia local e globalmente os direitos das pessoas vulneráveis, incluindo os refugiados e os deficientes". A pose, na fotografia com Michelle Obama, captada pela fotografia de Charles Darapak abaixo reproduzida de que a Time fez uma das fotografias políticas da semana, silencia qualquer texto sobre o tema da deficiência e fala por todos os que defendem a causa da igual participação dos deficientes na vida pública.
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