25.3.12

presidente com pê pequeno

O Prefácio parecia apenas um pequeno exagero, mas afinal era a ponta do véu da notícia filtrada para o Expresso no tão coincidente e conveniente dia do Congresso do PSD. Este fim de semana, em Portugal, presidente escreveu-se com pê pequeno. De um homem que foi três vezes eleito Primeiro-Ministro e duas Presidente de República esperava-se ountro sentido da dignidade das instituições. Falta chá em Belém.

22.3.12

Reconfiguração do sistema partidário timorense à vista.

Está ainda por definir o efeito da primeira volta das eleições presidenciais na segunda, nomeadamente quanto a como a inclinação de voto de quem agora escolheu o terceiro e quarto candidatos (Ramos Horta e Fernando La Sama) resolverá a disputa entre Lu'olo e Taur Matan Ruak. Mas já são visíveis os seus efeitos nas eleições legislativas de Julho. A FRETILIN não definhou após cinco anos de oposição. A vitória  do seu candidato na primeira volta demonstra-o, independentemente do que lhe acontecer na segunda. 
A novidade, contudo, reside no surgimento de um novo bloco político com a aliança entre a estrela da velha geração da resistência no exterior e o protagonista da mais jovem geração da resistência clandestina, estudantil e urbana. Facilmente se vê  o Partido Democrático de Fernando La Sama depois de reforçado com a adesão estratégica de Ramos Horta  como a nova força do "meio", o centro que não tem que o ser ideologicamente, mas o é por posição. 
Os dois afastados da segunda volta das eleições presidenciais marcaram com o anúncio feito hoje as próximas legislativas. Ainda não se sabe quem será o vencedor, mas já se sabe quem  será o árbitro e que desafios poderá colocar ao início de mandato do sucessor de Ramos Horta. Recorde-se que, ao contrário da tradição portuguesa, já há em Timor Leste precedente de o partido que fica em segundo nas eleições poder liderar o Governo. Aconteceu assim com Xanana e o CNRT nas últimas legislativas. Pode voltar a acontecer, se o próximo Presidente ler a Constituição da mesma maneira que Ramos Horta o fez e os partidos o pedirem.
Com um novo partido político, como o que na prática resulta do apoio de Ramos Horta a La Sama, o sistema partdário timnorense sofrerá uma nova reconfiguração. Depois da diferenciação entre uma direita e uma esquerda com o afastamento entre os homens do actual CNRT e da FRETILIN, nas últimas legislativas, Timor vai passar a ter um centro com a aproximação entre Ramos Horta e o PD. Com o sistema eleitoral timorense e a manutenção das tendências de dispersão partidária de um país com mais de vinte partidos para meio milhão de eleitores, esse centro poderá ditar quem efectivamente governará o país nos próximos cinco anos.

Late night music na rádio das notícias e na blogosfera

A notícia chegou-me só agora pelo Pedro Adão e Silva, provavelmente por eu estar a leste das notícias da pátria. Todas as noites há uma hora de música na TSF, com escolha personalizada e temática. Por razões variadas e totalmente subjectivas, permitam-me que destaque o Mário Dias às terças e quintas (sempre a memória do Jamaica de antanho), o Fernando Alves ao domingo (o incomparável  homem da rádio) e o Pedro Adão e Silva ao sábado (amigos não se apresentam). Mas todos eles também à hora que quisermos ou pudermos - e para quem vive frequentemente em horários desencontrados é uma grande vantagem - no blogue TSF Músicas, que é também um espaço de escrita de cada um dos autores.

21.3.12

Slogan, soundbyte, tuite? O twitter e a propaganda.

Será o twitter um novo aparelho ideológico de estado? Depois de a diplomacia americana ter entrado por completo nas redes sociais (no que é seguida pela britânica e até pela russa, mas não pela portuguesa), Jon Kofas vê neste uso uma forma de tentar ganhar apoio público para as causas de cada Estado de construir hegemonia no velho sentido Gramsciano. Nas suas palavras:

the "Twitting" is not merely a new tool, but a new religion designed to capture peoples' hearts and minds. The question is for whose ultimate benefit is this new 'Twitting' religion working, and does it have any traces of 'democracy'?

Exagerado e apocalíptico? Parece, mas levanta uma questão interessante. A do uso do twitter como instrumento de defesa de interesses próprios no espaço público, isto é, sem eufemismos, como máquina de propaganda. Com efeito, 140 caracteres adaptam-se melhor a ser sucessores do slogan e do soundbyte do que a uma discussão profunda. Mas talvez também seja um bom exercício político aprender a expressar argumentos em 140 caracteres.

20.3.12

Só este clima político poderia fazer de mim socrático.

Eu, que nunca fui socrático e nunca calei, no momento próprio, nenhuma das críticas que achei que ele merecesse, gostaria de ter escrito este texto de Valupi.

Procura uma Embaixada de Portugal na página do MNE? Depois de 7 fotografias de Paulo Portas ainda lá não chegou.

Hoje precisei de procurar o endereço de uma embaixada. Fui ao site do Ministério dos Negócios Estrangeiros.  Esperavam-me sete fotografias do Dr. Paulo Portas e várias ligações, incluindo uns links rápidos (Dr. Portas, que tanto se indignou com o bué, link já entrou oficialmente nos diconários de português?). Mas nenhum desses links foi dar às embaixadas.
Experimentei a secção "quero saber mais" e dentro dela "sobre o Ministério". Aqui chegado, vi várias ligações, mas nenhuma dizia Embaixadas. Experimentei "estrutura orgânica", o que faz sentido para um português familiarizado com a língua e a política. Lá estava: "embaixadas, missões e consulados de Portugal."  Mas as surpresas não tinham acabado. Fui dar a uma janelinha de busca, para pôr a embaixada que me interessava? Não, a um documento PDF  de 156 páginas, que pude percorrer até encontrar o que desejava.
O planeador da página do MNE não pensou que procurar uma embaixada podia ser um uso frequente da dita página? Não devia ser intuitivo? Não devia haver um motor de busca na página que nos desse a Embaixada que procuramos? Podia, mas era se tivessem pensado a página para utilizadores assim, banais.

O trabalho doméstico está a desaparecer ou a submergir?

Desde uma micropolémica blogosférica sobre as classes médias com o Pedro Magalhães em finais de 2009 (ver o último texto dele aqui aqui e o meu ali) que partiu de um texto da Fernanda Câncio sobre limpar a casa, acrescentei o serviço doméstico às áreas que procuro acompanhar. Ainda é cedo para voltar à substância da conversa com o Pedro, mas acaba de me chegar às mãos pela via muito útil do newsletter do Centro de Recursos em Conhecimento do Instituto da Segurança Social (pedir em  iss-crc@seg-social.pt) esta tese de mestrado sobre imigração e serviço doméstico que traz na página 87 o número total de pessoas com contribuições pagas por serviço doméstico entre 2002 e 2006. Os dados são os seguintes: 172525 (2002); 169388 (2003); 157969 (2004); 151849 (2005) e 139800 (2006).

Em Portugal, entre 2002 e 2006, bem antes da crise, desapareceram da segurança social mais de 30 000 empregadas domésticas . Para onde foram? O trabalho doméstico está a desaparecer ou a submergir rapidamente na clandestinidade?



19.3.12

Deve haver racionalidade em mudar um embaixador menos de 2 anos depois de estar em posto

Hoje, como cidadão português registado no Consulado em Ankara, recebi a carta de despedida da Senhora Embaixadora, a qual tinha sido nomeada há menos de dois anos. Deve haver racionalidade política e económica nestes movimentos diplomáticos. Eu é que não vejo qual. Como pode um Embaixador chegar a fazer diplomacia num país de relevância pelo menos regional do qual sai mal acaba de chegar?

Porque não há uma intervenção militar na Síria?

Por enquanto não há mandato internacional para atacar a Síria e, claro, o precedente da interpretação extensiva do mandato concedido pela ONU na Líbia tornará mais difícil que o conselho de Segurança atinja um consenso. Como diz Vivienne Walt ,neste artigo da Time, Assad não está a repetir os mesmos erros de Kadaffi e procura segurar a amizade russa. Mas, tem também outra capacidade de dissuasão made in Russia, Armamento militar sofisticado, nomeadamente de defesa antiaérea que a Líbia não chegou a ter.
Um ataque à Síria não seria o passeio sobre o deserto líbio de há uns meses, mesmo sem contar com outras repercussões e ondas de choque regionais.