Uma das dimensões da política educativa de Nuno Crato corresponde ao modo como pretende enquadrar-se no recuo do investimento público em educação. Duas das suas medidas recentes nesse sentido são os cortes nos centros de reconhecimento, validação e certificação de competências dos Centros Novas Oportunidades e o aumento do número de alunos por turma.
Apenas a rendição ao austeritativismo pode justificar tais medidas que agravam os problemas educativos estruturais do país. Felizmente para as suas regiões, ambos os Governos Regionais se demarcaram deste caminho.
Na Madeira, o Secretário Regional Jaime Freitas disse que as Novas Oportunidades são um instrumento importante na política do Governo Regional no sentido de fazermos um combate ao insucesso escolar e ao abandono escolar e por isso são para continuar.
Nos Açores, a Secretária Regional Cláudia Cardoso anunciou a redução do número de alunos por turma no pré-escolar, no básico e no secundário porque "esta redução permitirá desenvolver um trabalho de maior qualidade".
O que une neste ponto as duas regiões e as separa do governo, que para estes efeitos, é só do Continente? A prioridade à educação.
23.5.12
21.5.12
Eu sou do tempo dos Bee Gees
Houve filas de horas, muito raras à época, para comprar bilhete para o Saturday Night Fever, no Teatro Aveirense.
18.5.12
Os americanos desconfiam de tudo menos do aparelho securitário
Segundo uma sondagem Gallup, apenas o exército, a polícia e os pequenos negócios recebem a confiança da maioria dos americanos.
Na última década, a confiança no Presidente e no Supremo Tribunal passou de maioritária a minoritária e apenas a religião, o sistema médico o sistema de justiça criminal, embora sem apoio maioritário, registaram aumento de confiança.
A Presidência e os bancos foram as instituições em que a descida da confiança foi mais abrupta. O Congresso, as grandes empresas e o trabalho organizado são as três instituições em que a desconfiança é mais generalizada.
Para onde pode estar a ir a maior democracia e a maior sociedade capitalista liberal do mundo, com cidadãos tão desconfiados dos pilares políticos e económicos em que assenta?
Na última década, a confiança no Presidente e no Supremo Tribunal passou de maioritária a minoritária e apenas a religião, o sistema médico o sistema de justiça criminal, embora sem apoio maioritário, registaram aumento de confiança.
A Presidência e os bancos foram as instituições em que a descida da confiança foi mais abrupta. O Congresso, as grandes empresas e o trabalho organizado são as três instituições em que a desconfiança é mais generalizada.
Para onde pode estar a ir a maior democracia e a maior sociedade capitalista liberal do mundo, com cidadãos tão desconfiados dos pilares políticos e económicos em que assenta?
11.5.12
Feriados: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
Não sei qual é o número adequado de feriados que deve haver, nem tenho opinião definitiva sobre se deveriam ser mais ou menos. Mas acho que devemos guardá-los para ritualizar datas a que se considere conceder dignidade maior, que se queiram presentes na consciência colectiva e que sublinhem algo verdadeiramente importante.
Olhando para os feriados que ficam depois do corte (e não muda muito em relação ao que já havia antes), vejo que a nossa laica república coloca assim a hierarquia desses momentos simbólicos especiais: 3 dias para Jesus Cristo (Natal, Sexta-feira santa e Páscoa), sendo um deles exclusivamente simbólico por ser obrigatoriamente a um domingo, 2 dias para a sua mãe (a Imaculada Conceição e a Assunção de Nossa Senhora), 2 dias para o regime político (o Dia da Liberdade e o Dia de Portugal), que acomodam a conjunção da revolução com a continuidade do dia da raça do regime autoritário, 1 dia para os trabalhadores (o Dia do Trabalhador) e 1 dia para um cerimonial do calendário (Dia de Ano Novo).
A nossa celebração ritual não considera importante celebrar de modo especial a independência do país, nem a forma republicana do regime, nem a pertença à Europa, nem a lusofonia, nem nenhuma personalidade política, nem qualquer feito militar, nem qualquer celebração de valores universais, excepto o do trabalho.
Os nossos símbolos são tudo menos neutros e no fundo somos um país que se entrega a Cristo, tem Nossa Senhora como padroeira, celebra a liberdade, o seu povo e o trabalho. A nossa laicidade é, digamos, atípica e a pátria não é coisa que comemoremos excessivamente.
Esta estrutura de feriados relembra-me um eixo de comunicação de uma campanha em que participei em tempos. Era-nos frequentemente mostrado pelos estudos de opinião que havia uma grande identificação do eleitorado com "os portugueses" mas muito mais restrita com "Portugal". De facto, os feriados reflectem-no: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
Olhando para os feriados que ficam depois do corte (e não muda muito em relação ao que já havia antes), vejo que a nossa laica república coloca assim a hierarquia desses momentos simbólicos especiais: 3 dias para Jesus Cristo (Natal, Sexta-feira santa e Páscoa), sendo um deles exclusivamente simbólico por ser obrigatoriamente a um domingo, 2 dias para a sua mãe (a Imaculada Conceição e a Assunção de Nossa Senhora), 2 dias para o regime político (o Dia da Liberdade e o Dia de Portugal), que acomodam a conjunção da revolução com a continuidade do dia da raça do regime autoritário, 1 dia para os trabalhadores (o Dia do Trabalhador) e 1 dia para um cerimonial do calendário (Dia de Ano Novo).
A nossa celebração ritual não considera importante celebrar de modo especial a independência do país, nem a forma republicana do regime, nem a pertença à Europa, nem a lusofonia, nem nenhuma personalidade política, nem qualquer feito militar, nem qualquer celebração de valores universais, excepto o do trabalho.
Os nossos símbolos são tudo menos neutros e no fundo somos um país que se entrega a Cristo, tem Nossa Senhora como padroeira, celebra a liberdade, o seu povo e o trabalho. A nossa laicidade é, digamos, atípica e a pátria não é coisa que comemoremos excessivamente.
Esta estrutura de feriados relembra-me um eixo de comunicação de uma campanha em que participei em tempos. Era-nos frequentemente mostrado pelos estudos de opinião que havia uma grande identificação do eleitorado com "os portugueses" mas muito mais restrita com "Portugal". De facto, os feriados reflectem-no: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
A cafeína diminui a hiperatividade? Investigadores da UC dizem que sim
Segundo um estudo desenvolvido em ratos por uma equipa de neurociência da Universidade de Coimbra, a cafeína equivalente a três a quatro chávenas de café por dia controla o défice de atenção e hiperactividade sem causar dependência. Claro que há muitas diferenças entre os resultados experimentais e a aplicação clínica e que parece contraintuitivo recomendar quatro cafés por dia a crianças e adolescentes, o que pode vir a acontecer se este estudo for corroborado em fases subsequentes de investigação. Mas, eu fiquei mais tranquilo com o meu gosto pelo café. É como o vinho, mais tarde ou mais cedo alguém havia de lhe descobrir virtudes terapêuticas.
10.5.12
Gays, casamento e adopção
Em Portugal, há quem rejeite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quem - como ficou na lei - o aceite mas sem direito a adopção e os radicais, em que me incluo, que acham que os dois direitos são da mesma natureza.
Nos EUA os mais conservadores estão no mesmo sítio, contra casamento e adopção por casais do mesmo sexo, Obama, quando escolheu ficar na história com uma marca dos direitos civisno séc. XXI, foi radical a defender o casamento dos homossexuais e o candidato republicano quando quis ficar ao centro escolheu... defender a adopção por casais homossexuais mas não o casamento. Gostava de ouvir a direita portuguesa uma parte não irrelevante dos protagonistas da esquerda a comentar a posição de Mitt Romney (os comentários à de Obama seriam óbvios).
Claro, que sem ingenuidades, lá como cá, as sondagens definem o centro, só que lá dão resultados diferentes.
Nos EUA os mais conservadores estão no mesmo sítio, contra casamento e adopção por casais do mesmo sexo, Obama, quando escolheu ficar na história com uma marca dos direitos civisno séc. XXI, foi radical a defender o casamento dos homossexuais e o candidato republicano quando quis ficar ao centro escolheu... defender a adopção por casais homossexuais mas não o casamento. Gostava de ouvir a direita portuguesa uma parte não irrelevante dos protagonistas da esquerda a comentar a posição de Mitt Romney (os comentários à de Obama seriam óbvios).
Claro, que sem ingenuidades, lá como cá, as sondagens definem o centro, só que lá dão resultados diferentes.
9.5.12
A desigualdade mata? Sim, devagar.
Hui Zeng, professor de Sociologia na Ohio State University estudando dados dos EUA entre 1984 e 2006 concluiu que a desigualdade mata devagar. O aumento da desigualdade começa a sentir-se no aumento da mortalidade 5 anos mais tarde, atinge o seu máximo efeito ao fim de 7 anos e desvanece-se ao fim de 12.
Aos impactos já determinados da desigualdade junta-se a possibilidade de ser também um problema de saude pública. O estudo foi publicado na revista Social Science and Medicine e a notícia pode ler-se no site da Universidade.
Aos impactos já determinados da desigualdade junta-se a possibilidade de ser também um problema de saude pública. O estudo foi publicado na revista Social Science and Medicine e a notícia pode ler-se no site da Universidade.
8.5.12
Se Portugal fosse a Grécia
Se Portugal fosse a Grécia, o PSD tinha acabado de ganhar por pouco as eleições ao Bloco de Esquerda e o PNR tinha eleito duas dezenas de deputados. O CDS ter-se-ia desvinculado do memorando de entendimento com a troika e por isso apenas o PSD e o PS, que tinha ficado em terceiro lugar, poderiam formar um governo capaz de se manter no quadro da negociação com a dita. Mas, para além da fraglidade resultante de terem sido penalizados pelo eleitorado, faltava-lhes um deputado para chegar à maioria.
Se Portugal fosse a Grécia, Passos Coelho tinha ido a Belém dizer a Cavaco que não conseguia formar governo com Seguro, que tinha ele próprio posto grandes reservas a manter-se no quadro da negociação com a troika. Cavaco teria convidado Francisco Louçã a tentar formar governo, mas Jerónimo já teria feito saber que não o apoiaria, porque exige mesmo a saída do Euro e não apenas a ruptura com a troika.
Nenhum político português tem inveja do seu homólogo grego, excepto o senhor Pinto Coelho. Mas ainda nos falta um segundo memorando de entendimento para que os portugueses entrem no estado face à política e à Europa em que os gregos estão agora. Oxalá os portugueses nunca se sintam no beco sem saída em que os gregos se sentiam no domingo passado.
Se Portugal fosse a Grécia, Passos Coelho tinha ido a Belém dizer a Cavaco que não conseguia formar governo com Seguro, que tinha ele próprio posto grandes reservas a manter-se no quadro da negociação com a troika. Cavaco teria convidado Francisco Louçã a tentar formar governo, mas Jerónimo já teria feito saber que não o apoiaria, porque exige mesmo a saída do Euro e não apenas a ruptura com a troika.
Nenhum político português tem inveja do seu homólogo grego, excepto o senhor Pinto Coelho. Mas ainda nos falta um segundo memorando de entendimento para que os portugueses entrem no estado face à política e à Europa em que os gregos estão agora. Oxalá os portugueses nunca se sintam no beco sem saída em que os gregos se sentiam no domingo passado.
Mais opinião online: Plataforma Barómetro Social
A Plataforma Barómetro Social já anda por aí há mais de um ano, mas eu, confesso a distração, só dei por ela agora. Em Abril, uma série de artigos que merece leitura e de que, por mera razão dos meus interesses pessoais, destaco os de Augusto Santos Silva sobre o desafio à sociologia do alargamento da escolaridade obrigatória, e de Hugo Mota Ferreira sobre a não-notícia construtora de não-opinião.
O Barómetro tem o apoio do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e da FCT. Mais opinião online que vale a pena.
O Barómetro tem o apoio do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e da FCT. Mais opinião online que vale a pena.
6.5.12
Soave sia il vento, Mr. Hollande
Soave sia il vento//Tranquilla sia l'onda// Ed ogni elemento // Benigno risponda //Ai nostri desir.
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