8.6.12
Bons na polícia, maus no ensino?
Que futuro devemos esperar para um país em que a "capacidade para o trabalho" por sectores demonstra que as forças policiais são o sector mais capaz e o menos capaz é o ensino? E o que nos pode dizer isto sobre o nosso presente?
4.6.12
Nem tudo é lamuria.
A arte musical portuguesa atravessa aquela que provavelmente é a sua idade de ouro maior, bem mais além do que a época da polifonia! Quem o diz são os responsáveis pelo Festival Música Viva, no CCB de 18 a 23 de Setembro e no goethe-Institut de Lisboa, de 6 a 10 de Outubro.
31.5.12
O relógio da crise social continua o seu tic-tac sem que as políticas públicas o ouçam.
Segundo o Barómetro das Crises do Centro de Estudos da Universidade de Coimbra, o aumento do desemprego é concomitante da redução da cobertura de desempregados por prestações d desemprego. Entre Fvereiro de 2010 e Março de 2012 a percentagem de desempregados que recebem prestações de desemprego terá descido de cerca de 60% para menos de 45%. O relógio da crise social continua o seu tic-tac sem que as políticas públicas o ouçam.
28.5.12
Vigiam a noite (José Carlos de Vasconcelos) [maio florido/maio português]
Vigiam a noite
sons sinistros sirene segredo
vigiam a noite
ouvidos ocultos telefone de medo
vigiam a noite
esquinas agudas paredes sombrias
vigiam a noite
encapotados de noite vergonha dos dias
vigiam a noite
gatos regatos silêncios vigiam
casas vigiam vigiam estrelas
barcos ventos velas
vigiam a noite
resina do terror suspeita
a cada esquina assomando
vigiam a noite
noite na note de negro cingida
vigiam a noite
noite na note de negro cingida
vigiam a noite
sombra desfeita assomando outra vez
cigarro de sarro suplício coragem
maio florido maio português
(José Carlos de Vasconcelos, Poemas Livres 3, Porto, Edição dos Autores, 1968, 94 páginas. Coordenação dos Autores. (s/ Depósito Legal; s/ ISBN)).
sons sinistros sirene segredo
vigiam a noite
ouvidos ocultos telefone de medo
vigiam a noite
esquinas agudas paredes sombrias
vigiam a noite
encapotados de noite vergonha dos dias
vigiam a noite
gatos regatos silêncios vigiam
casas vigiam vigiam estrelas
barcos ventos velas
vigiam a noite
resina do terror suspeita
a cada esquina assomando
vigiam a noite
noite na note de negro cingida
vigiam a noite
noite na note de negro cingida
vigiam a noite
sombra desfeita assomando outra vez
cigarro de sarro suplício coragem
maio florido maio português
(José Carlos de Vasconcelos, Poemas Livres 3, Porto, Edição dos Autores, 1968, 94 páginas. Coordenação dos Autores. (s/ Depósito Legal; s/ ISBN)).
23.5.12
Um ano de RSI equivale a 17 dias de juros e encargos da dívida pública
Que "o gasto anual com o RSI corresponde ao pagamento de um pouco menos de 17 dias de juros e outro encargos da dívida pública", é o cálculo do Economia e Finanças. Por que tão pouco dinheiro faz tantos inimigos e move tanta tinta? Será por cometer o pecado de se dirigir aos mais pobres de entre os pobres?
Em prioridade educativa, Açores e Madeira dão cartas ao Continente.
Uma das dimensões da política educativa de Nuno Crato corresponde ao modo como pretende enquadrar-se no recuo do investimento público em educação. Duas das suas medidas recentes nesse sentido são os cortes nos centros de reconhecimento, validação e certificação de competências dos Centros Novas Oportunidades e o aumento do número de alunos por turma.
Apenas a rendição ao austeritativismo pode justificar tais medidas que agravam os problemas educativos estruturais do país. Felizmente para as suas regiões, ambos os Governos Regionais se demarcaram deste caminho.
Na Madeira, o Secretário Regional Jaime Freitas disse que as Novas Oportunidades são um instrumento importante na política do Governo Regional no sentido de fazermos um combate ao insucesso escolar e ao abandono escolar e por isso são para continuar.
Nos Açores, a Secretária Regional Cláudia Cardoso anunciou a redução do número de alunos por turma no pré-escolar, no básico e no secundário porque "esta redução permitirá desenvolver um trabalho de maior qualidade".
O que une neste ponto as duas regiões e as separa do governo, que para estes efeitos, é só do Continente? A prioridade à educação.
Apenas a rendição ao austeritativismo pode justificar tais medidas que agravam os problemas educativos estruturais do país. Felizmente para as suas regiões, ambos os Governos Regionais se demarcaram deste caminho.
Na Madeira, o Secretário Regional Jaime Freitas disse que as Novas Oportunidades são um instrumento importante na política do Governo Regional no sentido de fazermos um combate ao insucesso escolar e ao abandono escolar e por isso são para continuar.
Nos Açores, a Secretária Regional Cláudia Cardoso anunciou a redução do número de alunos por turma no pré-escolar, no básico e no secundário porque "esta redução permitirá desenvolver um trabalho de maior qualidade".
O que une neste ponto as duas regiões e as separa do governo, que para estes efeitos, é só do Continente? A prioridade à educação.
21.5.12
Eu sou do tempo dos Bee Gees
Houve filas de horas, muito raras à época, para comprar bilhete para o Saturday Night Fever, no Teatro Aveirense.
18.5.12
Os americanos desconfiam de tudo menos do aparelho securitário
Segundo uma sondagem Gallup, apenas o exército, a polícia e os pequenos negócios recebem a confiança da maioria dos americanos.
Na última década, a confiança no Presidente e no Supremo Tribunal passou de maioritária a minoritária e apenas a religião, o sistema médico o sistema de justiça criminal, embora sem apoio maioritário, registaram aumento de confiança.
A Presidência e os bancos foram as instituições em que a descida da confiança foi mais abrupta. O Congresso, as grandes empresas e o trabalho organizado são as três instituições em que a desconfiança é mais generalizada.
Para onde pode estar a ir a maior democracia e a maior sociedade capitalista liberal do mundo, com cidadãos tão desconfiados dos pilares políticos e económicos em que assenta?
Na última década, a confiança no Presidente e no Supremo Tribunal passou de maioritária a minoritária e apenas a religião, o sistema médico o sistema de justiça criminal, embora sem apoio maioritário, registaram aumento de confiança.
A Presidência e os bancos foram as instituições em que a descida da confiança foi mais abrupta. O Congresso, as grandes empresas e o trabalho organizado são as três instituições em que a desconfiança é mais generalizada.
Para onde pode estar a ir a maior democracia e a maior sociedade capitalista liberal do mundo, com cidadãos tão desconfiados dos pilares políticos e económicos em que assenta?
11.5.12
Feriados: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
Não sei qual é o número adequado de feriados que deve haver, nem tenho opinião definitiva sobre se deveriam ser mais ou menos. Mas acho que devemos guardá-los para ritualizar datas a que se considere conceder dignidade maior, que se queiram presentes na consciência colectiva e que sublinhem algo verdadeiramente importante.
Olhando para os feriados que ficam depois do corte (e não muda muito em relação ao que já havia antes), vejo que a nossa laica república coloca assim a hierarquia desses momentos simbólicos especiais: 3 dias para Jesus Cristo (Natal, Sexta-feira santa e Páscoa), sendo um deles exclusivamente simbólico por ser obrigatoriamente a um domingo, 2 dias para a sua mãe (a Imaculada Conceição e a Assunção de Nossa Senhora), 2 dias para o regime político (o Dia da Liberdade e o Dia de Portugal), que acomodam a conjunção da revolução com a continuidade do dia da raça do regime autoritário, 1 dia para os trabalhadores (o Dia do Trabalhador) e 1 dia para um cerimonial do calendário (Dia de Ano Novo).
A nossa celebração ritual não considera importante celebrar de modo especial a independência do país, nem a forma republicana do regime, nem a pertença à Europa, nem a lusofonia, nem nenhuma personalidade política, nem qualquer feito militar, nem qualquer celebração de valores universais, excepto o do trabalho.
Os nossos símbolos são tudo menos neutros e no fundo somos um país que se entrega a Cristo, tem Nossa Senhora como padroeira, celebra a liberdade, o seu povo e o trabalho. A nossa laicidade é, digamos, atípica e a pátria não é coisa que comemoremos excessivamente.
Esta estrutura de feriados relembra-me um eixo de comunicação de uma campanha em que participei em tempos. Era-nos frequentemente mostrado pelos estudos de opinião que havia uma grande identificação do eleitorado com "os portugueses" mas muito mais restrita com "Portugal". De facto, os feriados reflectem-no: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
Olhando para os feriados que ficam depois do corte (e não muda muito em relação ao que já havia antes), vejo que a nossa laica república coloca assim a hierarquia desses momentos simbólicos especiais: 3 dias para Jesus Cristo (Natal, Sexta-feira santa e Páscoa), sendo um deles exclusivamente simbólico por ser obrigatoriamente a um domingo, 2 dias para a sua mãe (a Imaculada Conceição e a Assunção de Nossa Senhora), 2 dias para o regime político (o Dia da Liberdade e o Dia de Portugal), que acomodam a conjunção da revolução com a continuidade do dia da raça do regime autoritário, 1 dia para os trabalhadores (o Dia do Trabalhador) e 1 dia para um cerimonial do calendário (Dia de Ano Novo).
A nossa celebração ritual não considera importante celebrar de modo especial a independência do país, nem a forma republicana do regime, nem a pertença à Europa, nem a lusofonia, nem nenhuma personalidade política, nem qualquer feito militar, nem qualquer celebração de valores universais, excepto o do trabalho.
Os nossos símbolos são tudo menos neutros e no fundo somos um país que se entrega a Cristo, tem Nossa Senhora como padroeira, celebra a liberdade, o seu povo e o trabalho. A nossa laicidade é, digamos, atípica e a pátria não é coisa que comemoremos excessivamente.
Esta estrutura de feriados relembra-me um eixo de comunicação de uma campanha em que participei em tempos. Era-nos frequentemente mostrado pelos estudos de opinião que havia uma grande identificação do eleitorado com "os portugueses" mas muito mais restrita com "Portugal". De facto, os feriados reflectem-no: são as crenças privadas que dominam os nossos momentos privilegiados de comemoração pública.
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