7.9.12
Talvez a penitência ajude
No navegar à bolina descrevem-se seriamente os efeitos do sacramento da penitência. Consegui encontrar um bom par de razões para a recomendar aos membros católicos do governo.
6.9.12
Blasfémias: quem diz "modelo social" leva
Basta alguém dizer "modelo social" sem ser no contexto da proposta da sua destruição que os blasfemos desatam logo ao soco. Nem Durão Barroso lhes escapa. Alergia tão à flor da pele nunca é sinal de pensamento profundo.
Aula prática de política
Diz o Vega9000 (e eu concordo): "Este discurso devia ser de visionamento obrigatório para todo o político que alguma vez chegue ao pé de um pódio e de um microfone com a intenção de abrir a boca. E creio que, daqui em diante, o será. Mais de que politica americana, mais do que politica espectáculo, isto é sobretudo política no seu melhor. Na palavra." (veja o vídeo no link do Aspirina B).
2.9.12
Afinal Passos Coelho e Sócrates não são o mesmo? Tarde demais, caro Louçã.
"Votar em José Sócrates é votar em Passos Coelho e votar em Passos Coelho é votar em José Sócrates" (Francisco Louçã, 27 de Abril de 2011)
"Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates" (Francisco Louçã, 2 de Setembro de 2012)
Os portugueses que se recordem que sem o voto conjunto do PSD, PCP, CDS e BE não haveria governo de Passos Coelho e partilhem, no mínimo, a opinião actual de Francisco Louçã sobre a diferença entre Sócrates e Passos Coelho têm direito a perguntar ao experiente político que ilações acha que o Bloco de Esquerda tirar do facto de ter sido um dos arquitectos das eleições antecipadas que nos ofereceram o tão perigoso governo de Passos Coelho. E só não digo que devem perguntar a Louçã que ilações tira pessoalmente, porque o próprio, homem inteligente, já as tirou ao não se recandidatar à liderança do seu partido, cujo futuro já só pode aspirar a condicionar como backseat driver.
"Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates" (Francisco Louçã, 2 de Setembro de 2012)
Os portugueses que se recordem que sem o voto conjunto do PSD, PCP, CDS e BE não haveria governo de Passos Coelho e partilhem, no mínimo, a opinião actual de Francisco Louçã sobre a diferença entre Sócrates e Passos Coelho têm direito a perguntar ao experiente político que ilações acha que o Bloco de Esquerda tirar do facto de ter sido um dos arquitectos das eleições antecipadas que nos ofereceram o tão perigoso governo de Passos Coelho. E só não digo que devem perguntar a Louçã que ilações tira pessoalmente, porque o próprio, homem inteligente, já as tirou ao não se recandidatar à liderança do seu partido, cujo futuro já só pode aspirar a condicionar como backseat driver.
1.9.12
Mais um episódio da novela sem fim do país das escutas
A.R. formula um desejo que não se concretizará, porque mercado não é igual a democracia e este tipo de coisas vendeu, vende e venderá em Portugal (e há sempre alguém a pensar que é um problema dos judeus, dos ciganos, dos homossexuais, até que chegue a sua vez).
Mafalda e a educação
(Obrigado, LMC, pela ideia deste contributo para o processo de debate em curso na educação básica portuguesa)
31.8.12
O puzzle sírio: uma guerra civil à espanhola com um desfecho à libanesa ou à jugoslava?
Ontem reuniu o Conselho de Segurança da ONU. Turquia e França subiram o seu nível de envolvimento, a primeira propondo a zona tampão e a segunda declarando-se pronta a reconhecer um governo de transição. Na frente russa e chinesa nada de novo. A novidade mais relevante da reunião foi o desinteresse americano, com Hillary Clinton a não comparecer à reunião.
Os analistas têm sublinhado que a guerra civil síria avança para uma situação de crise prolongada. Nomeadamente, há notícias de dois paralelismo históricos. Quanto ao desenvolvimento do conflito, evoca-se a Guerra Civil espanhola, sangrenta e demorada, dada a internacionalização do conflito. Na Síria combatem, diz-se, já diversas forças internacionais, dos dois lados. Com o governo haverá militares iranianos, para além de novos fornecimento de armamento russo e com os rebeldes diversos jihadistas internacionais, bem como recursos financeiros generosos das potências do golfo. Quanto ao seu desfecho evoca-se a Jugoslávia e o Líbano. No último caso, a Síria ficaria por muito tmpo um país instável e ingovernável, retalhado internamente por uma soberania frágil e dividido por zonas de influência por linhas religiosas. No caso sírio, essencialmente entre alevitas aliados a cristãos e drusos, sunitas e curdos. Caso evoluisse "à jugoslava", a Síria poderia romper com as fronteiras definidas pela repartição do império otomano no acordo Sykes-Picot, no fim da 1ª gerra mundial e dar origem a três nações (maioritariamente alevita, maioritariamente sunita e maioritariamente curda).
Ambos os cenários - Líbano e Jugoslávia - são um pesadelo para a Turquia, que veria a sua guerra com a insurgência curda alargada potencialmente a bases logísticas, quando não à ambição da constituição de uma pátria curda, juntando a sua zona de fronteira com pelo menos as regiões curdas do Iraque e da Síria. Compreende-se, pois, o activismo turco, pressionado no curto prazo pela crise dos refugiados e no médio prazo por problemas reais de soberania. A crise dos refugiados já causa esporadicamente alegações de perturbação social. Por um lado há rumores de treino militar a refugiados que desertaram das fileiras do exército sírio, por outro de instabilidade, com refugiados a circular fora dos campos e a causar conflitos nas cidades vizinhas e até em pontos tão longínquos da crise como Istambul. As autoridades turcas já prclamaram um limite para a sua capacidade de acolhimento, mas não será fácil fazê-lo cumprir.
O puzzle sírio arrisca-se a constituir para o Médio oriente um novo quadro prolongado de instabilidade. A propsota turca de uma zona de exclusão aérea é, de algum modo, a primeira que o formaliza, já que corresponde a criar uma "soberania limitada" sobre parte do território sírio que poderá prolongar-se. Mas, mesmo essa, é muito difícil de concretizar. Para já, não parece que a Turquia consiga arrastar quaisquer aliados para o plano e o poder anti-aéreo russo se mobilizado para a Síria, não tornará a vida fácil a quem se envolver militarmente na zona.
A solidão turca, contudo, pode também dar lugar a um espírito intervencionista. As forças armadas do país têm um potencial elevado e podem as autoridades convencer-se que a sua segurança interna fica seriamente ameaçada com a continuação por muito tempo da crise turca...
No meio disto tudo, Israel é o grande beneficiário de curto prazo. Com os olhos postos na Síria, os seus mais perigosos adversários não podem dedicar as mesmas energias, se dedicarem algumas, à questão palestiniana e, quem sabe, haverá margem, no meio da confusão, para uma meia dúzia de ataques cirúrgicos que enfraqueçam os seus bem identificados adversários mais perigosos.
Os analistas têm sublinhado que a guerra civil síria avança para uma situação de crise prolongada. Nomeadamente, há notícias de dois paralelismo históricos. Quanto ao desenvolvimento do conflito, evoca-se a Guerra Civil espanhola, sangrenta e demorada, dada a internacionalização do conflito. Na Síria combatem, diz-se, já diversas forças internacionais, dos dois lados. Com o governo haverá militares iranianos, para além de novos fornecimento de armamento russo e com os rebeldes diversos jihadistas internacionais, bem como recursos financeiros generosos das potências do golfo. Quanto ao seu desfecho evoca-se a Jugoslávia e o Líbano. No último caso, a Síria ficaria por muito tmpo um país instável e ingovernável, retalhado internamente por uma soberania frágil e dividido por zonas de influência por linhas religiosas. No caso sírio, essencialmente entre alevitas aliados a cristãos e drusos, sunitas e curdos. Caso evoluisse "à jugoslava", a Síria poderia romper com as fronteiras definidas pela repartição do império otomano no acordo Sykes-Picot, no fim da 1ª gerra mundial e dar origem a três nações (maioritariamente alevita, maioritariamente sunita e maioritariamente curda).
Ambos os cenários - Líbano e Jugoslávia - são um pesadelo para a Turquia, que veria a sua guerra com a insurgência curda alargada potencialmente a bases logísticas, quando não à ambição da constituição de uma pátria curda, juntando a sua zona de fronteira com pelo menos as regiões curdas do Iraque e da Síria. Compreende-se, pois, o activismo turco, pressionado no curto prazo pela crise dos refugiados e no médio prazo por problemas reais de soberania. A crise dos refugiados já causa esporadicamente alegações de perturbação social. Por um lado há rumores de treino militar a refugiados que desertaram das fileiras do exército sírio, por outro de instabilidade, com refugiados a circular fora dos campos e a causar conflitos nas cidades vizinhas e até em pontos tão longínquos da crise como Istambul. As autoridades turcas já prclamaram um limite para a sua capacidade de acolhimento, mas não será fácil fazê-lo cumprir.
O puzzle sírio arrisca-se a constituir para o Médio oriente um novo quadro prolongado de instabilidade. A propsota turca de uma zona de exclusão aérea é, de algum modo, a primeira que o formaliza, já que corresponde a criar uma "soberania limitada" sobre parte do território sírio que poderá prolongar-se. Mas, mesmo essa, é muito difícil de concretizar. Para já, não parece que a Turquia consiga arrastar quaisquer aliados para o plano e o poder anti-aéreo russo se mobilizado para a Síria, não tornará a vida fácil a quem se envolver militarmente na zona.
A solidão turca, contudo, pode também dar lugar a um espírito intervencionista. As forças armadas do país têm um potencial elevado e podem as autoridades convencer-se que a sua segurança interna fica seriamente ameaçada com a continuação por muito tempo da crise turca...
No meio disto tudo, Israel é o grande beneficiário de curto prazo. Com os olhos postos na Síria, os seus mais perigosos adversários não podem dedicar as mesmas energias, se dedicarem algumas, à questão palestiniana e, quem sabe, haverá margem, no meio da confusão, para uma meia dúzia de ataques cirúrgicos que enfraqueçam os seus bem identificados adversários mais perigosos.
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