19.4.13
Enviesamento e miséria intelectual. O blogger, o jornalista e o Presidente pressupostamente de todos os portugueses.
José Mendonça da Cruz zurze no Corta-Fitas um jornalista que terá feito uma reportagem enviesada, colocando Saramago num pedestal de herói cultural dos pobres e encostando Graça Moura a uma escola privada de elite. Gosto da poesia de Graça Moura e não me agradam as militâncias estético-políticas, pelo que simpatizo com a crítica, embora não tenha visto a reportagem criticada para saber se me associo a ela ou não. Diz Mendonça da Cruz "notícias culturais enviesadas, ressabiadas, medíocres e manipulativas".
Perante tão veemente crítica - e para estar seguro de que o crítico não sofria do mesmo mal - googlei-o em associação com as palavras Cavaco e Saramago para ler o que teria escrito sobre a enviesada, ressabiada, medíocre e manipulativa omissão de uma referência cultural maior de Portugal, premiada com um Nobel, num discurso de um Presidente pressupostamente de todos os portugueses. Não encontrei nada. José Mendonça da Cruz, diligente contra o jornalista não se insurgiu contra o Chefe de Estado. Indignado com o que deve informar alguns portugueses (os que o vêem), cala-se perante o que deve representá-los todos. Respeitinho, ou retomando as suas palavras, "miséria intelectual"? Enviesamento, certamente.
Perante tão veemente crítica - e para estar seguro de que o crítico não sofria do mesmo mal - googlei-o em associação com as palavras Cavaco e Saramago para ler o que teria escrito sobre a enviesada, ressabiada, medíocre e manipulativa omissão de uma referência cultural maior de Portugal, premiada com um Nobel, num discurso de um Presidente pressupostamente de todos os portugueses. Não encontrei nada. José Mendonça da Cruz, diligente contra o jornalista não se insurgiu contra o Chefe de Estado. Indignado com o que deve informar alguns portugueses (os que o vêem), cala-se perante o que deve representá-los todos. Respeitinho, ou retomando as suas palavras, "miséria intelectual"? Enviesamento, certamente.
Rui Moreira e a candidatura ao Porto
A candidatura de Rui Moreira à Câmara do Porto vai ser a que tem melhor imprensa. Personifica o político-mediaticamente correcto do momento.
O candidato não vem dos partidos ou dos sindicatos ou do futebol, mas de uma associação empresarial, o que noutros tempos seria uma desvantagem porventura inultrapasável mas hoje lhe dá uma aura de vir do mundo real, talvez da única experiência que a maior parte dos eleitores não pode partilhar. Para empresário não se entra por militância, empenhamento cívico ou fé num clube.
O candidato já foi entronizado no comentário televisivo e na opinião jornalística. Faz política, mas não no terreno das realizações sempre discutíveis ou do contraditório do debate parlamentar. Nunca teve que gerir orçamentos públicos escassos e não há erros de escolha política pelos quais possa ser responsável. Não tem que ter obra, basta-lhe oratória de acordo com o espírito do tempo. E ele sabe bem situar-se nele.
O candidato é, como todos sabem, de direita. Mas enquanto cidadão com escolhas ideológicas, teve o azar político de se aproximar de uma direita com pouco valor no mercado eleitoral. Enquanto pessoa do seu espaço político natural, o CDS, nunca seria presidenciável. Mas como independente, com as mesmas ideias e o mesmo apoio partidário passou a ser. Consta que o CDS tentou que fosse seu candidato mas Rui Moreira foi mais inteligente que isso. Transformou o CDS no partido que apoia a sua candidatura. Faz muita diferença? Há situações em que mudar o ângulo da narrativa muda o conteúdo da notícia. Esta é uma delas e parece haver muita gente que não apoiaria o CDS com Rui Moreira disposta a apoiar Rui Moreira com o CDS. faz sentido no quadro político-mediático, prova que Rui Moreira é um homem inteligente que soube posicionar os seus interesses políticos e caracteriza-nos como eleitores tanto quanto a ele como político, que é nessa única qualidade que ele é candidato.
O candidato não vem dos partidos ou dos sindicatos ou do futebol, mas de uma associação empresarial, o que noutros tempos seria uma desvantagem porventura inultrapasável mas hoje lhe dá uma aura de vir do mundo real, talvez da única experiência que a maior parte dos eleitores não pode partilhar. Para empresário não se entra por militância, empenhamento cívico ou fé num clube.
O candidato já foi entronizado no comentário televisivo e na opinião jornalística. Faz política, mas não no terreno das realizações sempre discutíveis ou do contraditório do debate parlamentar. Nunca teve que gerir orçamentos públicos escassos e não há erros de escolha política pelos quais possa ser responsável. Não tem que ter obra, basta-lhe oratória de acordo com o espírito do tempo. E ele sabe bem situar-se nele.
O candidato é, como todos sabem, de direita. Mas enquanto cidadão com escolhas ideológicas, teve o azar político de se aproximar de uma direita com pouco valor no mercado eleitoral. Enquanto pessoa do seu espaço político natural, o CDS, nunca seria presidenciável. Mas como independente, com as mesmas ideias e o mesmo apoio partidário passou a ser. Consta que o CDS tentou que fosse seu candidato mas Rui Moreira foi mais inteligente que isso. Transformou o CDS no partido que apoia a sua candidatura. Faz muita diferença? Há situações em que mudar o ângulo da narrativa muda o conteúdo da notícia. Esta é uma delas e parece haver muita gente que não apoiaria o CDS com Rui Moreira disposta a apoiar Rui Moreira com o CDS. faz sentido no quadro político-mediático, prova que Rui Moreira é um homem inteligente que soube posicionar os seus interesses políticos e caracteriza-nos como eleitores tanto quanto a ele como político, que é nessa única qualidade que ele é candidato.
O delírio Cratico dos exames nacionais da 4a
18.4.13
Perante os disparates governamentais até no Blasfémias se sente necessidade de defender a Constituição
Se Passos Coelho e Gaspar tivessem a mesma lucidez face ao nosso sistema democrático que leio no insuspeito de oposicionismo Blasfémias evitavam algumas dores de cabeça ao país. Mas temos que viver com o Primeiro-Ministro que temos enquanto aqueles de quem ele constitucionalmente depende lhes mantiverem confiança, a menos que o próprio perceba que os limites da sua legitimidade política se tocam, por exemplo, quando tenta atropelar recorrentemente a Constituição e as instituições encarregues de a proteger.
17.4.13
Governo sem salvação possível
António José Seguro não se deixou enredar no simulacro de compromisso que Passos lhe estava a oferecer. acho que fez bem. As convergências exigem muito trabalho prévio, para o qual Passos Coelho nunca mostrou grande abertura e disponibilidade para cedências recíprocas, coisa que a sua carta nem sequer fingia permitir.
O PS em caso algum pode sequer parecer que participa da salvação deste Governo. Todas as convergências de que o país necessita, até podem um dia ter que ser com um PSD liderado por Passos Coelho, mas nunca no quadro da viabilização ainda que tácita deste Governo nem da continuidade da sua linha estratégica face à troika e ao processo de ajustamento do país.
O PS em caso algum pode sequer parecer que participa da salvação deste Governo. Todas as convergências de que o país necessita, até podem um dia ter que ser com um PSD liderado por Passos Coelho, mas nunca no quadro da viabilização ainda que tácita deste Governo nem da continuidade da sua linha estratégica face à troika e ao processo de ajustamento do país.
Almada, eleições, inaugurações. A época está aberta.
Em Almada, ano de eleições é ano de inaugurações, tal como na Região Autónoma da Madeira e em todo o lado em que o planeamento não é feito por forma a melhorar gradualmente os serviços à população mas para obedecer a campanhas eleitorais de estilo manipulador.
Em Almada vem aí a inauguração do Quarteirão das Artes, que se saúda. Mas passaram mais quatro anos sem que todas as crianças do concelho tenham escola a tempo inteiro. Há 3 anos diziam que esta necessidade óbvia conflituava com o endeusado plano (no caso, a carta escolar). Três anos passados e a necessidade agudizada (até pelas crianças que regressam à escola pública), está tudo como dantes. Que pena não se ter inaugurado em tempo as salas de aula que faltam.
Em Almada vem aí a inauguração do Quarteirão das Artes, que se saúda. Mas passaram mais quatro anos sem que todas as crianças do concelho tenham escola a tempo inteiro. Há 3 anos diziam que esta necessidade óbvia conflituava com o endeusado plano (no caso, a carta escolar). Três anos passados e a necessidade agudizada (até pelas crianças que regressam à escola pública), está tudo como dantes. Que pena não se ter inaugurado em tempo as salas de aula que faltam.
As idiossincrasias coimbrãs e os cosmopolitanismos provincianos
Não vi o debate entre Nuno Encarnação e João Galamba. Não sei se a invocação de Adriano pelo Nuno foi apropriada e nem me custa admitir que possa ter sido contraproducente para o autor. Escrevo motivado pelos posts e do Paulo Pinto e o comentário do Nuno Encarnação no Jugular.
Paulo Pinto parece surpreendido pela idiossincrasia coimbrã que faz com que um deputado nascido e criado na direita do pós-25 de Abril se sinta à vontade com as letras e as músicas da balada coimbrã. Não ficaria tão surpreendido se tivesse presente que a direita coimbrã se apegou às "tradições" académicas, depois do 25 de Abril, aliás, à época contra a esquerda e incorporou no seu revivalismo praticamente todas as canções de Adriano, José e Afonso que obedecem aos cânones da "sua" música, algo que inclui quase todo o Adriano e pelo menos o José Afonso até ao início dos anos setenta.
Dentro dessa idiossincrasia reage Nuno Encarnação com uma - começa a ser recorrente - tentativa de ataque a que a esquerda se aproprie dos hinos que eram da esquerda. Pessoalmente felicito Nuno Encarnação por não se sentir incomodado com a Grândola ou a Trova, mas ele sabe melhor que eu que fora do ccírculo restrito dos jovens do fado de Coimbra não tem muitos companheiros no partido ou na coligação para essa batalha. Aliás, essa batalha só faz sentido para os filhos de Abril (e ainda bem que o tentam), porque a direita que érea adulta à época, mesmo quando hoje nos aparece pela esquerda, nunca consegue esconder bem a reacção cutânea a estas cantorias.
Infelizmente o Paulo Pinto precipitou-se porque o cosmopolitismo às vezes é um pouco provinciano em relação àqueles a quem não atribui pedigree e não reconhece linhagem. Porque haviam de ser os deputados do PSD mais parvenus que, por exemplo, os do PS ou do BE? Infelizmente anda por aqui um vestígio de complexo de superioridade que faz mal a debate democrático.
Paulo Pinto parece surpreendido pela idiossincrasia coimbrã que faz com que um deputado nascido e criado na direita do pós-25 de Abril se sinta à vontade com as letras e as músicas da balada coimbrã. Não ficaria tão surpreendido se tivesse presente que a direita coimbrã se apegou às "tradições" académicas, depois do 25 de Abril, aliás, à época contra a esquerda e incorporou no seu revivalismo praticamente todas as canções de Adriano, José e Afonso que obedecem aos cânones da "sua" música, algo que inclui quase todo o Adriano e pelo menos o José Afonso até ao início dos anos setenta.
Dentro dessa idiossincrasia reage Nuno Encarnação com uma - começa a ser recorrente - tentativa de ataque a que a esquerda se aproprie dos hinos que eram da esquerda. Pessoalmente felicito Nuno Encarnação por não se sentir incomodado com a Grândola ou a Trova, mas ele sabe melhor que eu que fora do ccírculo restrito dos jovens do fado de Coimbra não tem muitos companheiros no partido ou na coligação para essa batalha. Aliás, essa batalha só faz sentido para os filhos de Abril (e ainda bem que o tentam), porque a direita que érea adulta à época, mesmo quando hoje nos aparece pela esquerda, nunca consegue esconder bem a reacção cutânea a estas cantorias.
Infelizmente o Paulo Pinto precipitou-se porque o cosmopolitismo às vezes é um pouco provinciano em relação àqueles a quem não atribui pedigree e não reconhece linhagem. Porque haviam de ser os deputados do PSD mais parvenus que, por exemplo, os do PS ou do BE? Infelizmente anda por aqui um vestígio de complexo de superioridade que faz mal a debate democrático.
16.4.13
E agora, António José?
A carta de Passos Coelho a Seguro já deveria ser esperada, dada a sua estratégia de relegitimação após a decisão do Tribunal Constitucional.
Depois de Cavaco ter sido forçado a ter agenda num domingo em que tinha anunciado não a ter apenas para que se soubesse que dava o seu beneplácito ao governo, amarrando-se a ele, é a vez de Seguro.
Evidentemente que, depois de uma moção de censura e semanas a pedir a queda do Governo, não há qualquer margem de manobra decente para ele se deixar colar à estratégia de Passos e Gaspar. Mas a chantagem deve ser forte. Agora se vai ver de que é feita a capacidade de liderança de Seguro. Terá a força necessária para dizer que só se podem fazer novos consensos nacionais depois da demissão deste governo ou vai acabar a benzer tal como Cavaco, por omissão que seja, a dupla Passos-Gaspar?
Depois de Cavaco ter sido forçado a ter agenda num domingo em que tinha anunciado não a ter apenas para que se soubesse que dava o seu beneplácito ao governo, amarrando-se a ele, é a vez de Seguro.
Evidentemente que, depois de uma moção de censura e semanas a pedir a queda do Governo, não há qualquer margem de manobra decente para ele se deixar colar à estratégia de Passos e Gaspar. Mas a chantagem deve ser forte. Agora se vai ver de que é feita a capacidade de liderança de Seguro. Terá a força necessária para dizer que só se podem fazer novos consensos nacionais depois da demissão deste governo ou vai acabar a benzer tal como Cavaco, por omissão que seja, a dupla Passos-Gaspar?
10.4.13
É costume um credor pedir ao cliente para não realizar auditorias à sua gestão?
Há algo de original na capa do Record de hoje, como me assinalou um amigo. Não é todos os dias que é notícia que a banca exige a quem lhe pede crédito para "não realizar auditoria à gestão" da entidade, pois não? Ou é costume e eu é que ando distraído?
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