8.2.14
O emprego - uma metáfora negra
Ficha técnica no IMDb
Na metáfora, contudo, não é só o emprego que vejo em causa. Este filme é sobre a humanidade que somos. Ou melhor, sobre a actualidade da ideia de alienação no velhíssimo mas perene sentido que lhe dava o jovem Marx.
PS. Obrigado pelo link, LMC.
7.2.14
Os novos miseráveis e a nossa compaixão selectiva
Do Mediterrâneo à Oceânia, acumulam-se as notícias de tratamento desumano pelas autoridades policiais de potenciais imigrantes, refugiados ou sabe-se lá o quê, mas pessoas, que correm risco de vida no mar - onde morrem às centenas perante a nossa hostilidade ou mesmo atacados por nós -para atingir países com condições de vida vistas como desejáveis.
Está em curso nas fronteiras externas dos países ricos uma guerra sem quartel aos pobres que não são "nossos". Sabemos, sem ingenuidade, que nestes movimentos populacionais se misturam dinâmicas complexas, que vão da exploração dos "viajantes" a redes de crime organizado. Mas também sabemos que muitas destas vítimas tratadas como inimigos e invasores são apenas os novos miseráveis.
Tal como fizeram a Jean Valjean, se não os conseguimos manter ao largo - quiçá deixando-os afogar - "detemo-los", isto é, prendemo-los eufemisticamente, sem que tenham outra culpa ou crime que quererem partilhar dos nossos recursos. Essas detenções podem tornar-se em prisões perpétuas em muitos contextos.
O desespero dos novos Jean Valjean refina as suas técnicas enquanto as dos nossos comissários de polícia refinam as "nossas". Há dias a deputada socialista e Ministra da Família e da Solidariedade Social de Malta contava em Portugal, num encontro informal com colegas e amigos, que um dos novos problemas do seu país são os menores desacompanhados. Isto é, crianças que os seus país fazem chegar sozinhas à "salvação" - qual depósito em convento no séc. XIX - e que, pela idade, não podem ser deportadas. Mas não falam a língua do país, as estruturas de acolhimento não estão preparadas para as receber e acabam "Internadas" mas perto de abandonadas.
Os cidadãos da Europa, Portugal incluído, preocupados com a nossa crise, estamos de olhos fechados para a tragédia que se passa aqui mesmo às nossas portas. E, silenciosos, fingimos que não existe ou atiramo-la para longe. Podemos ser assim indiferentes ao sofrimento dos nossos vizinhos (se quiserem podem chamar-lhes irmãos) que são os novos miseráveis, só porque, ao contrário dos Jean Valjean do séc. XIX, não nasceram na nossa terra, não falam a nossa língua e talvez não tenham a nossa cor de pele ou a nossa religião?
Os novos miseráveis mereciam de nós maior consciência de que nascemos todos seres humanos.
6.2.14
1.2.14
A ver: Romeu e Julieta desenhados por Dali

Em 1975, Salvador Dali ilustrou Romeu e Julieta. Maria Popova, no Brainpickings, diz que a edição hoje é impossível de encontrar e publica as imagens. A ver.
30.1.14
29.1.14
Obama e o estado da Uniâo: Há quem não se engane no sentido da agenda para sair da crise

"Our job is to reverse these trends. It won’t happen right away, and we won’t agree on everything. But what I offer tonight is a set of concrete, practical proposals to speed up growth, strengthen the middle class, and build new ladders of opportunity into the middle class." (Read more: http://www.businessinsider.com/state-of-the-union-speech-full-text-2014-1#ixzz2rm1RuDD0)
Há chefes de estado que não se enganam na agenda necessária para saír da crise. Infelizmente para nós, o autor da frase manda do outro lado do Atlântico e não é ouvido em Berlim, Bruxelas ou Lisboa..
28.1.14
25.1.14
O centro interno do BE está afastado dos seus eleitores e a sualiderança não o percebe
A demissão de Ana Drago da Comissão Política do BE por causa da estratégia para as eleições europeias é mais um sinal de que este partido caminha para o seu centro de gravidade interno, que, estou convencido, se encontra razoavelmente afastado das preocupações de uma boa parte do seu eleitorado.
A situação de crise é um balão de oxigénio para os partidos contra o sistema, mas a liderança política do BE falhou repetidamente o teste da adaptação estratégica das esquerdas à crise internacional e mais tarde ou mais cedo essa falha vai custar-lhe eleitorado e implicar a perda de relevância política, a menos que alguém perceba a tempo o beco sem saída em que se está a colocar.
24.1.14
Quanto se reduziram as remunerações dos funcionários públicos?
Nos últimos cinco anos, os vencimentos dos funcionários públicos reduziram-se entre 24% e 40%, consoante o seu nível remuneratório, explica o Vitor Junqueira, com o rigor de sempre, no seu novo blogue. Estejam atentos aos buracos na estrada.
10.1.14
Mas onde estavas tu, Zézito, em 1966?
O país agitou-se no apuramento de onde estava José Sócrates num certo sábado de 1966, em que deveria ter 8 ou 9 anos e decorreu um jogo de futebol importante para a mitologia nacional dos heróis do mar. É revelador de quem somos que um ex-Primeiro Ministro vasculhe a sua memória para relatar com precisão esse longínquo dia, que a imprena se mobilize para o fact-check de tão importante declaração e que o assunto se estenda por vários dias na imprensa e no comentário político, incluindo os mais nobres espaços.
Onde estavas tu no 25 de Abril ainda fazia sentido, porque ajudava a classificar a sede de revolução e democracia que o interrogado teria nesse dia. Mas onde estavas tu, Zézito, em 1966 apenas nos diz que José Sócrates vende, a declaração da sua morte política foi precipitada e os jornais e os analistas pensam que o país está atento ao que ele diga ou faça.
E agora, vamos esperar por aquele sorriso gelado e a inflexão de voz a roçar a ira com que dirá domingo à noite que os seus inimigos estão sempre a construir sobre ele uma narrativa que visa diminui-lo? Ou vai ele ser capaz de não falar do assunto?
Eu não tenho a mínima curiosidade em relação ao que fazia o menino Zézito em 1966. E, honestamente, também me não mobiliza muito o que fará em 2016. Mas sinto-me ultraminoritário.
Onde estavas tu no 25 de Abril ainda fazia sentido, porque ajudava a classificar a sede de revolução e democracia que o interrogado teria nesse dia. Mas onde estavas tu, Zézito, em 1966 apenas nos diz que José Sócrates vende, a declaração da sua morte política foi precipitada e os jornais e os analistas pensam que o país está atento ao que ele diga ou faça.
E agora, vamos esperar por aquele sorriso gelado e a inflexão de voz a roçar a ira com que dirá domingo à noite que os seus inimigos estão sempre a construir sobre ele uma narrativa que visa diminui-lo? Ou vai ele ser capaz de não falar do assunto?
Eu não tenho a mínima curiosidade em relação ao que fazia o menino Zézito em 1966. E, honestamente, também me não mobiliza muito o que fará em 2016. Mas sinto-me ultraminoritário.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

