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1.1.13

Horas vieram certas horas (Eduardo Guerra Carneiro)

Horas vieram certas horas
chegaram com amigos certos
Sei lá onde agora Sei que partem os amigos
e se vão para longe Não sei deles
Viajam alegres sem dinheiro certo
Outros que não vão morrem na guerra
que nos fere e dói que mais não seja
por ser guerra em vão.

(Poemas Livres 3, Porto, Edição dos Autores, 1968, 94 páginas. Coordenação dos Autores. (s/ Depósito Legal; s/ ISBN))




)

28.5.12

Vigiam a noite (José Carlos de Vasconcelos) [maio florido/maio português]

Vigiam a noite
sons sinistros  sirene   segredo
vigiam a noite
ouvidos ocultos  telefone de medo
vigiam a noite

esquinas agudas  paredes sombrias
vigiam a noite
encapotados de noite  vergonha dos dias
vigiam a noite

gatos  regatos  silêncios vigiam
casas vigiam   vigiam estrelas
barcos  ventos  velas
vigiam a noite
resina do terror suspeita
a cada esquina assomando
vigiam a noite
noite na note de negro cingida
vigiam a noite

noite na note de negro cingida
vigiam a noite
sombra desfeita  assomando outra vez
cigarro de sarro  suplício  coragem

maio florido  maio português

(José Carlos de Vasconcelos,  Poemas Livres 3, Porto, Edição dos Autores, 1968, 94 páginas. Coordenação dos Autores. (s/ Depósito Legal; s/ ISBN)).

13.2.12

Aqui (Fernando Assis Pacheco) [em Villanueva do silêncio/ del Fresno]

Porque o mataram com um tiro
nas costas, em Villanueva.
Aqui, aqui - não fosse falar.
Porque o mataram em Villanueva,
isto é, longe. Ficou sem voz.
Os olhos parados, girassóis
na névoa. Breves pulsos
desatados. Em Villanueva,
com um tiro nas costas.
Não fosse falar, mover-se
pelas estradas - isto é, perto.
Em Villanueva del Fresno.

Olha o mapa. É aqui.
Este pequeno ponto
quase imperceptível.
Aqui, aqui - mostro
a quem quer ouvir-me.
No silêncio do Outono.

Em Villanueva do silêncio
del Fresno. Com um tiro.

Assim se mata longe, perto.

(Francisco Assis,Pacheco, Poemas Livres 3, Porto, Edição dos Autores, 1968, 94 páginas. Coordenação dos Autores. (s/ Depósito Legal; s/ ISBN)).


Nota: A 13 de Fevereiro de 1965, em Villanueva del Fresno, Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE).