28.4.09

As razões da candidatura: entrevista ao Acção Socialista

Recuperar décadas que Almada perdeu com o PCP.

H1N1: gripe mexicana ou nova gripe? (revisto)

Era bom que se deixasse cair definitivamente esta designação de gripe suína. Não é uma questão de requinte terminológico, é que tem consequências práticas, incluindo a preocupação de muitas pessoas em relação ao consumo de carne de porco. Todas as grandes pandemias de gripe tiveram origem no porco, como esta (em alguns casos, como agora se esperava, na Ásia, com passagem prévia das aves - no caso, o H5N1 - para o porco): a espanhola, a asiática, a de Hong Kong. Esta, a actual, é também uma doença já estabelecidamente humana, que de suína só tem a origem. Sugiro que se passe a falar sempre de gripe mexicana. P. S. (28.4.2009, 19:09) - A OMS também sugere que não se use mais a designação de "gripe suína". O que não tinha era de seguir a minha sugestão e propõe "nova gripe", em vez de "gripe mexicana". Não gosto muito, não é a tradição virológica de identificação das pandemias com a sua origem geográfica), mas compreendo o cuidado com as susceptibilidades nacionais. Hoje já apanhei muita bordoada de uma leitora mexicana do Público. Portanto, também vou adoptar esta designação, nova gripe. (texto de João Vasconcelos Costa, médico virologista)

27.4.09

Nova política urbana e habitação social em Almada (com adenda)

A "guetização" é a via clássica para enfrentar o problema da habitação dos grupos sociais em risco de exclusão. Primeiro, por inércia, deixou-se que bairros clandestinos se construissem e consolidassem numa existência à margem da vida urbana. Depois, tentou-se destruí-los, transplantando-os do modo mais absurdo de guetos de lata para guetos de betão, construindo grandes bairros que funcionam como cocktail de concentrado de problemas sociais, embora tenham dado aos autarcas a sua photo-oportunity, no momento das cerimónias de entrega de chaves. Há décadas que, primeiro nos EUA e depois pela Europa fora, se sabe que consequências tem este tipo de política. Mas isso não impediu que fosse seguida em Portugal e que, mais espantosamente, prossiga ainda. Porquê, se é tão evidente que causa problemas em vez de os resolver? O Walter Rodrigues explicou-o bem: A edificação do alojamento social em áreas urbanas de solos a custos mais reduzidos e em construções densificadas reduz os custos económicos mas agrava os custos sociais. Do mesmo passo agrava a segregação de áreas já segregadas, reforçando as desigualdades urbanas. Claro que o reverso desta moeda é a deliberada libertação de terrenos mais valorizados para os colocar no mercado privado e jogar o jogo do investimento imobiliário. Se podemos considerar esse jogo legítimo da parte do mercado, já da parte dos poderes públicos, ele é, para dizer o mínimo, obsceno. Com efeito, os poderes públicos e as autarquias dentro destes não têm tido políticas sociais de habitação mas políticas de habitação social subsumidas à especulação imobiliária. Neste capítulo e para o pior, como diz o Walter, Almada é um case-study. Isso mesmo será demonstrado pelo PS na Assembleia Municipal extraordinária que exigiu e hoje começa, porque há que combater esta doença urbana, como salientei anteriormente. As políticas guetizadoras deixaram muitas famílias de fora do acesso a direitos fundamentais (como o caso do bairro que por ser clandestino não tem sequer um chafariz em pleno século XXI)e confundiram, para outras, o realojamento com a política social de que deve ser instrumento. O problema da falta de habitação ficou por resolver, apesar da libertação de terrenos para os famosos "planos" municipais. É urgente definir novos caminhos, num momento em que em Almada já se atingiu há muito um nível de concentração de bairros sociais segregados para além do razoável e permanecem por resolver enomes carências de habitação. O modelo de realojamento do futuro tem que pôr o combate ao apartheid social que a segregação produz no topo das prioridades, tem que dispersar famílias carenciadas pelo tecido urbano, tem que renunciar às patéticas cerimónias paternalistas de "entrega de chaves", tem que fazer acompanhar a realização deste direito com a contratualização da assunção de responsabilidades por parte dos beneficiários, tem que garantir o acompanhamento de serviço social pós-realojamento, tem que respeitar redes familiares e sociais. Na nova política de cidade, o problema da falta de habitação deve ser resolvido com prevenção exigente do crescimento da habitação clandestina, promoção do arrendamento e realojamento eficaz, socialmente integrador e discreto. Tudo ao contrário do estardalhaço em que se tem embrulhado a transferência de lugar dos problemas sociais, para garantir que o capitalismo imobiliário selvagem prossegue a sua lógica a coberto de um especulador imobiliário público, que pode ser, como em Almada é, uma autarquia com trinta e cinco anos acumulados de gestão do PCP. Adenda. A Assembleia Municipal de ontem demonstrou bem o cansaço do poder municipal e a incapacidade de enfrentar este problema. Ontem, o PS que tomou a iniciativa de promover este debate, foi confrontado com uma atitude do PCP "gritante, mesquinha e teatral! (...) Já chega de tanta manipulação, de tanta insinuação torpe, de tanta gritaria insana e de tanto fazer que faz, mas faz mal!". Com efeito, o debate de ontem demonstrou definitivamente que os cidadãos de Almada podem ter a certeza de uma coisa: a política municipal de habitação só muda com mudança de Presidente e de maioria na Câmara.

H1N1: o risco de crise mundial sem aviso prévio

A exemplo do que acontece com as crises económicas, o risco de pandemia de gripe é frequentemente previsto sem que ocorra, não se sabendo quando ocorrerá sem que se preveja. Ainda não é possível saber se os casos de gripe por vírus H1N1, a que se anda a chamar gripe suína, mas que é contagiosa entre humanos, é apenas um foco preocupante de uma estirpe do vírus pouco frequente nas últimas décadas ou o início de uma crise global de gripe, a que em saúde se chama pandemia. Enquanto vemos as coisas evoluir, que fazer? João Vasconcelos Costa, virologista, amigo desde banco, acha que, individualmente, nada, colectivamente, agir preventivamente. Estes conselhos parecem prudentes, não vá o H1N1 dar-nos uma nova crise mundial devastadora sem aviso prévio. Foto: El Financiero

22.4.09

Imagens do metro do sul do Tejo

Tenho dito que o Metro do Sul do Tejo é uma grande obra mal feita e que deixou todos os meios de transporte a atropelarem-se uns aos outros. Esta foto do a-sul dispensa comentários adicionais.

bicicleta de dois lugares

Resistirão Manuela Ferreira Leite e Aníbal Cavaco Silva até ao Outono à tentação de pedalar juntos? Não punha as mãos no fogo.

21.4.09

A crise económica e o risco de crise social

A conjugação da quebra nas receitas fiscais, em particular no IVA, com a subida nas despesas sociais, em particular no subsídio de desemprego, não deixa margem para dúvidas. A crise económica está a ter efeitos sociais que exigem monitorização cuidada nos próximos meses. Penso que o Governo deve fazer tudo para evitar que a taxa de desemprego chegue aos 10%, para que o aumento da vulnerabilidade ao desemprego não se transforme em agravamento substancial do risco de pobreza e para que quem cai no desemprego tenha em tempo útil medidas de política activa de emprego disponíveis. Dir-me-ão que o défice pode ressentir-se desse tipo de preocupações. Mas este ano o controlo do défice é um objectivo subordinado da prevenção e mitigação da crise social.

A ler: quem se mete com as ordens, leva

Quem se mete com as ordens, leva. A Senhora Bastonária da Ordem dos Notários procurou vingar-se? Há muito que acho que um dos maiores problemas da democracia portuguesa é o défice de institucionalização. O gesto da Senhora Bastonária é mais um indício de que assim é.