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9.5.13

It takes two for tango (2) - o savoir-faire que lhes falta

O Reino Unido tem pouca experiência de governos de coligação e um sistema eleitoral que faz a sua formação ser algo de extraordinário. E tem, como Portugal, um governo em que o junior partner tem que lutar para garantir a sobrevivência do seu partido à crise de impopularidade do governo. Dá-nos por isso, boa oportunidade de comparação de comportamento.
A comparação entre o tratamento da discórdia sobre a questão da taxa sobre as pensões em Portugal e a reforma do número de crianças por sala nas creches no Reino Unido é esclarecedora.
Enquanto em Portugal tivemos um Primeiro-Ministro a anunciar solenemente que ia tomar uma medida, que na 25ª hora o seu parceiro de coligação diz, dramatizando, que quer fazer não acontecer, como se  trata ma discórdia do mesmo calibre na coligação do Reino Unido? Lá, "a BBC soube" que Nick Clegg fez saber nas reuniões preparatórias da medida que não apoiaria o plano. Por isso, "Whitehall", querendo dizer em abstracto e genericamente o Governo, está a à espera que o Primeiro-Ministro comece as negociações com o parceiro de coligação a ver se ele muda de posição. Entretanto, o porta-voz do líder dos Liberais-Democratas, declara, prudentemente que ele "ainda tem que ser convencido" da medida e que "a discussão continua". Já todos sabemos, com naturalidade, que há diferença de opiniões. E todos sabemos que alguém vai ter que recuar. E nenhum de nós sabe quem vai ser nem a troco de quê. Mas não houve episódios de opereta, com anúncios dramáticos em declarações ao país ou conferências de imprensa encenadas para maximizar o efeito da discórdia.
Porque não é assim que estas diferenças se tratam na coligação portuguesa de direita? Em grande medida porque a negociação política exige esforço e competência, requer o savoir-faire que lhes falta.

8.1.12

Remunerações excessivas dos gestores: poder de veto aos accionistas, representantes dos trabalhadores nas decisões. Quem propõe? David Cameron

PS indigna-se com nomeações de militantes do PSD e do CDS. PSD e CDS indignaram-se com nomeações de militantes do PS. PCP e BE indignam-se com nomeações de todos, exceto nas autarquias que governam. Ninguém se indigna com nomeações de personagens descoloridas e desconhecidas que nunca tenham defendido nenhuma causa em público. Todos aplaudem ou se calam com nomeações cinzentas fabricadas em sacristias, lojas, tertúlias, bancadas de estádios de futebol ou mesinhas de bar ou, simplesmente, no berço. Sem falsas ingenuidades, anda por aí tanta nomeação absurda quanta indignação selectiva. E, quando espreito as síntese do DR não vejo assim tantos currículos brilhantes nos desconhecidos que ninguém contesta. A presunção de incompetência de quem tem a coragem de ter posições irrita-me, até porque ao contrário de outras, a mentira sobre a incompetência "dos políticos", repetida ao longo dos anos, arrisca-se a tornar-se verdade na mudança de gerações. Ou como diria a nova personalidade reverenciada na sede do meu partido, a má moeda... Se tivessem 18 anos hoje, Soares, Sá Carneiro, Amaro da Costa ou Cunhal adeririam a um partido? Começo a duvidar.

2.11.11

Sabia que no Reino Unido todas as pessoas, independentemente dos seus rendimentos, de mais de 60 anos têm direito durante o Inverno a um apoio financeiro (winter fuel payment) para compensar as despesas acrescidas com o aquecimento? E liberais são eles, dizem-nos.

6.7.10

Giddens: new labour as such is dead.

"New Labour as such is dead, and it is surely time to abandon the term itself." Anthony Giddens faz uma excelente autópsia de um dos últimos grandes impulsos renovador da social-democracia europeia. É certo que em Portugal nunca teve boa imprensa e que esta morte não é alheia aos seus problemas congénitos, mas a estratégia que o Labour desenhou para chegar de novo ao poder continua a não encontrar muitas fórmulas vencedoras de sucesso que com ele rivalizem, à excepção da via escandinava que todos citam mas ninguém tentou seriamente seguir. E quem queira procurar as novas vias para a social-demcoracia europeia não pode simplesmente fechar os olhos e fazer de conta que a terceira via nunca existiu. Pelo contrário, foi um ente de sucesso e se tem muitas culpas no cartório, tem também alguns resultados para mostrar. Quem melhor que um dos seus mentores para fazer a sua autópsia? Lendo, verá que não teve medo de expôr as feridas nem se afastou do que sempre julgou serem as forças daquela via.
Na hora de pensar de novo o futuro da esquerda democrática como projecto político de poder, é mais importante ler os que têm a coragem de dizer o que pensam do que os que apanham sempre a última moda com a facilidade de quem muda de roupa em cada estação.

11.3.10

Funcionários da cooperação britânica em missão têm residência oficial na blogosfera

O Rui descobriu que os funcionários de Sua Magestade em serviço overseas blogam e têm alojamento oficial na página do departamento de cooperação internacional. Enfim, uma boa prática e uma interessante experiência de administração aberta que nos dá a possibilidade de ver países muito diversos pelas lentes deste cidadãos britânicos. Coisas que não custam nada a fazer para quem queira e saiba pensar nelas.

29.1.10

Desigualdade no Reino Unido: um copo meio cheio

Os anos de Blair não inverteram estruturalmente as desigualdades no Reino Unido, mas interromperama tendência de crescimento que vinha de Tatcher (e já começara a estagnar com Major). A conclusão não é nova, já se tinha visto em 2006, mas foi reafirmada pelas conclusões do painel governamental sobre a igualdade (de facto, sobre a desigualdade) que foi tornado público esta semana.
Há uma semana atrás ouvi a Ministra Harriet Harman explicar a um grupo de socialistas de duas dezenas de países europeus que a interrupção sustentada do crescimento da desigualdade na década passada foi um sucesso do Labour. Não faltará quem veja na não diminuição das desigualdades o seu insucesso, evidentemente.  A desigualdade parou de crescer no Reino Unido nos anos do New abour? Parou. A desigualdade, nesses mesmos anos, diminuiu? Não. Um caso típico de copo meio cheio.
Mas há um mérito que ninguém pode tirar ao Labour, por pequeno que seja: no Reino Unido há um relatório oficial deste teor. Em Portugal também podia haver, não podia?

27.8.09

Os imigrantes não são um fardo para o Estado: a queda de um mito anti-imigração

Um dos mitos anti-imigração consiste em assumir que os estrangeiros são um fardo adicional para os países. Este estudo sobre os imigrantes vindos dos novos Estados-membros da União Europeia para o Reino Unido demonstra o contrário: os imigrantes do Leste têm uma maior taxa de participação na força de trabalho, pagam mais impostos indirectos, como o IVA, usam menos os serviços públicos e recebem menos prestações sociais. Ou seja, o mito que a direita esgrime contra os imigrantes é derrotado no próprio terreno da argumentação que usa.

23.6.09

Esta não seria a minha Europa

Depois dos trabalhadores portugueses que foram vítima de um ataque xenófobo em nome dos "british jobs for british workers" agora é a vez de, na Irlanda do Norte, uma comunidade romena de etnia cigana a ser atacada a ponto de também ela se ver forçada a abandonar o Reino Unido. Como se não bastasse, a igreja que os acolheu depois de atacados foi ela própria vítima de apedrejamento. A xenofobia também é uma pandemia que ressurge ciclicamente e nem sequer existe vacina contra ela. Mas os sinais, a que damos pouca atenção, excepto quando por qualquer motivo nos tocam, são preocupantes. Se seguisse por este caminho e estes "incidentes" fossem sendo cada vez mais frequentes, tolerados e desvalorizados esta não seria a minha Europa e isso preocupa-me ainda mais porque este mesmo post terá leitores que pensam que não se deve exagerar porque afinal são só ciganos romenos.

25.5.08

Ideias de reforma da educação

Se as férias de Verão fossem mais curtas os resultados escolhares melhoravam e as razões pelas quais os resultdos escolares finlandeses são melhores que os ingleses incluem a focalização das escolas deste país no bem estar das crianças e o curriculo do período dos 5-7 anos incluir o desenvolvimento de actividades sociais. Veja aqui o video que apresenta as conclusões e aqui a entrevista com uma das autoras.