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27.11.12

Somos todos culpados das mortes nas fábricas do Bangladesh


Foto: Reuters, via Yahoo! News

Enquanto não sentirmos que todos nós, que procuramos os superpreços, também temos culpa, haverá pessoas que morrem - às centenas -  a trabalhar por salários miseráveis em fábricas sem condições mínimas. Estes acidentes que não o são bem até tê culpados directos que são muitas vezes identificados quando as tragédias ocorrem, mas têm outros, indefinidos, que alimentam o sistema que os permite; porque resultam da dureza  extrema do supercapitalismo (como lhe chamou Robert Reich). Para ter presente este facto duro, basta ler o insuspeito blog da Harvard Business Review.
Este é o resultado de uma nova contradição entre capitalismo e democracia (como a que houve no século XIX, mas agora energizada pelas massas), que resulta do processo de "invisibilização" do trabalho nas cadeias globais de produção e que se alimenta da nossa indiferença. Voltando às palavras de Robert Reich, enquanto cidadãos temos ideais mas enquanto consumidores temos necessidades que os contradizem.

20.5.11

Marcas, religião e o futuro do trabalho: entre economia e neurociência, uma análise convergente sobre o supercapitalismo

A descoberta por neurocientistas de que os applefans activam as mesmas zonas do cérebro quando na presença de um produto da marca que os crentes em contextos religiosos levou-me de volta a um livro de há uma década, escrito por Robert Reich: o futuro do sucesso.
Analisando aquilo a que viria a chamar mais tarde o supercapitalismo, sustenta que entrámos num processo de transição do valor do produto para a marca e que esse encadeado de marcas que transforma o próprio trabalhador em detentor de marca pessoal tem repercussões sociais de grande relevo.
Tive o privilégio de escrever a apresentação da edição portuguesa desse livro dedicado afinal às consequências sociais da fetichização da marca, algo que bem se pode aproximar do que, por caminhos tão diferentes, esta equipa de neurocientistas conclui.
Decidi, então, "pendurar" no sribd o texto que escrevi em 2003, apresentando o livro e a que chamei "a vida no trapézio ou um novo contrato social: a nova economia sem meio termo".

14.9.10

Joseph Stiglitz, a entrada e a saída da crise mundial. Leitura obrigatória.

Ainda não cheguei ao fim das trezentas páginas e posso ter algum desilusão com a parte final, mas para abrir o apetite a quem esteja curioso, talvez estes dois parágrafos da parte inicial do livro ajudem:

This book is about a battle of ideas, about the ideas that led to the failed policies that precipitated the crisis and about the lessons that we take away from it. In time, every crisis ends. But no crisis, especially one of this severity, passes without leaving a legacy. The legacy of 2008 will include new perspectives on the long-staning conflict over the kind of economic system most likely to deliver the greatest benefit. The battle between capitalism and communism may be over, but market ecoonmies come in many variations and the contest among them rages on (Preface, p. xii)

"As the Unites States entered the first Gulf War in 1990, General Colin Powell articulated what came to be called the Powell doctrine, one element in which included attacking with decisive force. There should be something analogous in ecoonmics, perhaps the Krugman-Stiglitz doctrine. When an ecoonmy is weak, very weak as the world economy in early 2009, attack with overwhelming force. A government can always hold back the extra ammunition if it has it ready to spend, but not having the ammunition ready can have long-lasting effects. Attacking the problem with insufficient ammunition was a dangerous strategy, especially as it became increasingly clear that the Obama adminsitration had underestimated the strength of the downturn, including the increase in unemployment" (Chapter 2, Freefall and its aftermath, pp. 34-35)


Stiglitz, Joseph, Freefall, free markets and the sinking of the global economy, London, Allen Lane, 2010.

9.5.09

As diferenças entre 1929 e 2009

Esta manhã, num debate sobre a crise mundial, sustentei a tese de que a crise actual é da mesma gravidade que a de 1929, apenas está a ter uma resposta mais rápida (usando especialmente estes dados) e que Portugal está agora a começar a sofrer significativamente os seus efeitos, acrescendo que se estes se aliam na adversidade à vulnerabilidade da nossa posição no mercado interno depois do alargamento a leste. A certa altura, um dos participantes comentou que não havia então diferenças entre a crise de 1929 e a actual, que o capitalismo não tinha evoluído nada em oitenta anos. A repetição da crise demonstra que, entre outras coisas, aprendemos a lição das dificuldades de responder ao problema. por isso, agora os governos e os bancos centrais estão a reagir mais depressa. Mas a primeira resposta que me veio ao espírito foi a de que, para além de tudo o mais, há uma grande diferença nos dispositivos de gestão da dimensão social da crise e que isso é visível nos rostos das pessoas e lembrei-me da grande iniciativa de reportagem fotográfica da administração americana. As fotos acima mostram, de facto, as diferenças entre esta cise e a de 1929. Outras, do acervo que resultou dessa iniciativa inédita de fotografar a crise, podem ser vistas aqui.

20.10.08

Os salários dos CEO americanos

Em 2007 o salário dos CEO das 15 maiores empresas norte-americanas era 521 vezes o salário da média dos trabalhadores das mesmas empresas. Leia aqui.

9.10.08

Grandes males, grandes remédios ou pequenos remendos?

O furacão que irradia de Wall Street não está a provocar apenas uma crise económica. Parece que produziu também um eclipse total dos que defendem a desregulação dos mercados. Ainda há poucos meses não faltava quem esgrimisse argumentos demonstrando o carácter parasitário do Estado na economia e queixando-se de que a carga fiscal produz perda de eficiência económica. Esperar-se-ia de quem pensa neste registo que nos fizesse chegar uma doutrina consistente sobre como saír desta crise pelo lado liberal, ou seja com intervenção mínima do Estado e esperando pelos dinamismos do mercado. Ora, parece que o consenso ou pelo menos o pensamento hegemónico neste momento vai por outro lado. Continue a ler aqui.

1.10.08

So now what?

Paul Krugman segue James Galbraith na defesa desapaixonada de que o Plano que anda entre o Senado e a Câmara de Representantes é melhor que nada e do que a proposta original da administração Bush e compra tempo para que Obama possa fazer algo de consistente na superação da crise financeira. Melhores alternativas pareceriam agora e ainda demasiado socialistas aos olhos americanos. Oxalá Obama ganhe e não tenha medo.