2.8.12
Roménia: os dramas da fragilidade das instituições
23.11.11
Desigualdade: ainda bem que há os países bálticos
13.11.11
Circuito turístico Ceausescu? Há quem pense que sim.
29.9.11
A deslocalização: fenómeno também da periferia europeia
Este movimento segue-se a outros de unidades de produção de grandes empresas como a Policolor e a Kraft que deslocalizaram em 2007 e 2009, respectivamente, para a Bulgária; a Colgate-Palmolive que mudou para a Polónia e a Coca-Cola que partiu para o outro lado da fronteira, na Moldávia. Poderíamos acrescentar a esta lista empresas de menor dimensão, por exemplo na confecção que também partiram nos últimos anos. Outros países da periferia da UEsofrem o mesmo efeito.
A deslocalização da produção industrial deixou de ser um fenómeno do centro da Europa.
26.9.11
FC Oţelul Galaţi, pequena nota sobre fonética
17.7.11
19.8.10
São apenas ciganos romenos
Bem sei que é fácil não ter simpatia por ilegais instalados em acampamentos e que há muito lip service nos protestos internacionais. Assim como é seguro que haverá muitos eleitores que aprovam sem reservas este tipo de medidas.
Mas o Estado escolher para deportação em função de um grupo étnico ou de um tipo de alojamento provisório é um indicador de que uma doença séria já tomou conta das nossas democracias. Que o faça sob aplauso popular diz-nos que os sintomas de tal doença tendem a agravar-se.
Para muitos de nós são apenas ciganos romenos, presumíveis criminosos, embora não tenham sido acusados de nenhum crime em concreto. Et voilá.
25.1.10
19.1.10
Novo convite a Vitor Dias, agora para serviço público em matéria de política internacional do PCP
Parece que, embora respondendo-me, não aceitou o desafio para falar sobre os financiamentos ao PCP. Também não esperava que o aceitasse, aliás. Mas que era serviço público, era.
Quanto ao seu apreço pela obra de Rui Mateus, agora o Vitor muda de tom, prefere o burlesco. Como compreendo que tenha gostado das passagens sobre os elos entre o PS, o Iraque, a Roménia, a Líbia e a Coreia no Norte. Aproveito para o informar que Rui Mateus deixou de herança no Departamento Internacional do PS ao seu sucessor, Jorge Sampaio, centenas de obras de propaganda desses regimes talvez seus (dele) amigos. Saiba que a biblioteca sobre o ideal Zuche, tive o prazer de ajudar a removê-la... para o lixo. Saiba ainda que, era jovem mas tive orgulho em ter sido a pessoa escolhida para comunicar ao então Embaixador da república Socialista da Roménia que o PS não se faria representar no que veio a ser o último Congresso do Partido Comunista e ao qual genuinamente me não recordo hoje se o PCP foi e a que nível. (Mas foi, não foi?). Já agora, caro Vitor Dias, que puxa estas potências - a que se junta o Iraque e a Líbia - à liça, aceitará que lhe pergunte se está entre os que ainda hoje consideram a Coreia do Norte uma experiência socialista relevante. Já que não prestou o outro serviço público que lhe pedi, dê-me agora uma lição pública sobre a relação entre a Coreia do Norte e o socialismo. Você não é flor de estufa tão frágil que se incomode por lhe pedir que elabore sobre esta evolução recente da visão do mundo do PCP, pois não?
7.12.09
A instabilidade política romena ainda não acabou hoje (actualizado)
Nas últimas semanas tudo apontava para o resultado contrário, dado que, dos ultranacionalistas do PRM aos liberais do PNL, passando pelos partidos das minorias étnicas, todos tinham apostado no social-dmocrata Geoana, dando-lhe uma base eleitoral teórica que chegava aos dois terços dos votos.
A situação política não vai ficar imediatamente clara. Pelos resultados conhecidos, Basescu perdeu no país, mas ganhou as eleições entre os emigrantes, em particular nos EUA. No dia do anúncio, Mircea Geoana ainda tinha ainda uma mensagem de vitória publicada no seu site. Aliás, o porta-voz do PSD considera que houve fraude eleitoral grave e contestou os resultados.
A Roménia está sem governo, o FMI e a UE condicionam, a libertação do empréstimo concedido a que haja governo estável e os partidos que apoiaram Geoana têm larga maioria no Parlamento. Agora, ou se inicia uma coabitação que parece improvável, com Basescu a dar posse ao Governo da coligação que se formou contra si próprio, ou o país parte para eleições legislativas antecipadas, admitindo que o Tribunal Constitucional promulga os resultados. Certo, é que o leu desvalorizou 0,9% ao longo do dia e que ainda não acabou hoje a instabilidade política romena.
Adenda (9.12.2009). O PSD solicitou ao Tribunal Constitucional a anulação dos resultados eleitoraise Mircea Geoana acusou Traian Basescu de querer instaurar uma "república de modelo Bielorusso".
23.11.09
E o próximo Presidente da República da Roménia será...
O terceiro candidato, Crin Antonescu (PNL, Democratas e Liberais Europeus), teve 20,02% dos votos, ficando como fiel da balança, a par dos pequenos partidos e em particular os representantes das minorias nacionais.
A lógica da ideologia faria prever que estas eleições desenbocassem num entendimento de centro-direita que reelegesse Basescu. Aliás, os partidos de Basescu e Antonescu formaram uma coligação vencedora na anterior legislatura. Só que essa aliança foi rompida pelo partido de Basescu que, inclusivamente, alimentou uma cisão nos liberais e estes, em contrapartida, apoiaram um processo de impeachment do Presidente votado favoravelmente no Parlamento e apenas derrotado em referendo.
Nas eleições legislativas de há uns meses, após um verdadeiro empate entre os dois maiores partidos, o PDL formou uma coligação com o PSD que foi, por sua vez, rompida prontamente pelo PSD, já a pensar nas presidenciais. O governo - então já só do PD-L - acabou por caír no Parlamento há um mês e meio. Hoje, Antonescu excluiu qualquer entendimento com Basescu, facilitando uma possível vitória de Geoana.
Se os eleitores seguirem Antonescu, Geoana pode ser o próximo Presidente da República, mas isso não quer dizer, neste sistema semipresidencialista, que o PSD assuma o Governo. É mesmo possível que o preço do apoio dos liberais seja a nomeação do Primeiro-Ministro que estes apoiam: Klaus Iohannis, Presidente da Câmara de Sibiu, vindo do pequeníssimo Forum Democrático dos Alemães, um partido étnico que agrupa o voto dos eleitores com ascendância germânica. Iohannis, o "alemão" governaria, assim, à frente de um entendimento parlamentar entre socialistas, liberais e partidos minoritários.
Se Basescu ganhar, contudo, não é impossível que se vá dar à mesma solução de governo, embora o Presidente a tenha recusado viabilizar, indigitando Iohannis antes das eleições.
Num caso e noutro, a governabilidade do país não é fácil e é de esperar que haja governo(s) fraco(s) ao longo de toda a legislatura ou eleições antecipadas, que lançariam o país em nova campanha eleitoral no meio da crise que atravessa (espera-se uma contração de 8% do PIB, este ano).
Na legislatura passada o mínimo de estabilidade política foi induzido pela necessidade de acautelar a entrada na União Europeia. Agora, como o país depende de divisas que o FMI, a União Europeia e o Banco Mundial dizem só desbloquear com novo governo, será o aperto orçamental a fazer essa função.
Contudo, o puzzle político romeno continua intrincado e não é óbvio como se resolve, mesmo se a próxima jogada pode ser, como disse, a mesma, seja qual for o próximo Presidente.
23.6.09
Esta não seria a minha Europa
Depois dos trabalhadores portugueses que foram vítima de um ataque xenófobo em nome dos "british jobs for british workers" agora é a vez de, na Irlanda do Norte, uma comunidade romena de etnia cigana a ser atacada a ponto de também ela se ver forçada a abandonar o Reino Unido. Como se não bastasse, a igreja que os acolheu depois de atacados foi ela própria vítima de apedrejamento.
A xenofobia também é uma pandemia que ressurge ciclicamente e nem sequer existe vacina contra ela. Mas os sinais, a que damos pouca atenção, excepto quando por qualquer motivo nos tocam, são preocupantes. Se seguisse por este caminho e estes "incidentes" fossem sendo cada vez mais frequentes, tolerados e desvalorizados esta não seria a minha Europa e isso preocupa-me ainda mais porque este mesmo post terá leitores que pensam que não se deve exagerar porque afinal são só ciganos romenos.
1.12.08
As eleições não melhoraram a governabilidade na Roménia
30.11.08
O nível baixo de participação eleitoral reflecte as dificuldades de afirmação do sistema democrático no país, apesar da sua entrada no campo do Ocidente, adesão à NATO e participação na União Europeia.
Do ponto de vista dos resultados, as sondagens à boca de urna dão vantagem à coligação entre PSD e PC (liderada pelo partido filiado no PSE, que chefiava a oposição), sobre o PD-L (partido do Presidente da República, filiado no PPE) e o PNL (partido do primeiro-ministro cessante, que tinha chegado ao poder numa coligação que se rompeu há dois anos).
Se as previsões se confirmarem, é provável que o PSD+PC e o PNL formem uma coligação para governar, isolando o partido do Presidente a meses das eleições presidenciais. Mas o sistema semipresidencial romeno dá poderes ao Presidente que este tem interpretado com alguma latitude, pelo que não se pode excluir completamente que o mesmo resultado possa prodzir outros cenários, sobretudo se quaisquer duas das três forças mais representadas conseguir maioria parlamentar.
Outra das incertezas do resultado prende-se com os partidos que têm funcionado como fiel da balança: a extrema-direita ex-comunista (o PRM), que deverá perder muitos votos e o partido da minoria hungara (UMDR), previsivelmente enfraquecido pelos efeitos da reforma do sistema eleitoral, que juntou aos círculos uninominais uma cláusula barreira de 5% de que era o principal visado.
Ainda não é, pois, seguro que o país tenha governabilidade acrescida depois destas eleições.
9.9.08
O vento de Leste mudou
9.6.08
O voto nas autarquias regionais e a polarização eleitoral da Roménia

Este fim-de-semana foram publicados os resultados oficiais da primeira volta das eleições locais na Roménia, que decorreu a 1 de Junho..
A eleição dos Presidentes de Consilii Judetene (algo como Presidentes de autarquias supramunicipais) dá uma ideia da geografia política tendencial das forças maioritárias:
- o Partido Social Democrata (PSD, a vermelho no mapa), membro do Partido Socialista Europeu ganhou predominantemente no sul e no leste;
- o Partido Democrata Liberal (PDL, a azul), membro do Partido Popular Europeu, ganhou predominantemente no Norte e no Oeste;
- a União Democrata Magiar da Roménia (UDMR, partido da minoria húngara, a verde) - e, como ela, o Forum Democrático dos Alemães da Roménia (FDGR, a preto) - segue a importância demográfica da minoria nacional representada;
- o Partido Nacional Liberal (PNL, a amarelo), membro dos Democratas Liberais Europeus, ganha algumas maiorias esporádicas e dispersas pelo território.
Em suma, nas vésperas das próximas eleições legislativas do Outono – em que o país substituirá o sistema proporcional pelo sistema maioritário - continuou a verificar-se a existência de um sistema tetrapartidário, com duas forças alternativas predominantes (PSD e PDL) e dois fieis da balança alternativos: os liberais (PNL) e os democratas húngaros (UDMR). A quem julgar que a equação é, assim, simples e previsível, recorda-se que o PSD e o PDL, embora hoje colocados em famílias políticas europeias opostas, sairam ambos da FSN que tomou o poder em 1989.
25.5.08
A formação (militar) da Nova Europa
21.5.08
"A revolução que ninguém sabe se houve
José Pacheco Pereira dá conta de um livro sobre a revolução que, como diz, “ninguém sabe se houve”. Na Roménia, continuando muita informação relevante inacessível, ouvem-se as mais fantasiosas teorias sobre o que aconteceu ao regime que alguns acham que caiu e outros que se atirou ao chão.
20.5.08
A Mercedes na Roménia sem esperar pelas auto-estradas
14.5.08
Para já, não
Para já, não está em causa a alienação do Millenium na Roménia nem na Grécia, depreende-se da entrevista de Carlos Santos Ferreira, CEO do grupo, à Reuters, reproduzida hoje no jornal económico gratuito OJE.
Contudo, a alienação de activos não é completamente excluida da estrate´gia que levou ao aumento de capital. Diz Santos Ferreira: “Quando optámos por fazer o aumento de capital, uma das razões porque o fizemos foi para podermos pensar sem ser debaixo de pressão relativamente aos activos que incluem, naturalmente, as operações internacionais. As alternativas clássicas, quando é necessário reforçar o core-Tier1, passam sempre pela alienação de activos ou por aumentar o capital, e uma das razões porque apontámos para o aumento de capital foi não ter de alienar activos sobre pressão.
Que lugar terão as redes do sudeste europeu na estratégia do grupo quando a pressão diminuir? Saberemos mais tarde.
