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8.7.14

Agora fabricamos alfaces - sobre restruturação empresarial à japonesa

A mudança tecnológica tornou não lucrativos certos segmentos da indústria electrónica. Claro que, no Japão, muitas fábricas foram afectadas. Em Portugal também. A Siemens de Vila do Conde, por exemplo, foi higienicamente autonomizada e renomeada para não prejudicar a reputação da marca, vendida e fechada.
Mas esta notícia do Wall Street Journal dá conta da especificidade dos grupos empresariais japoneses. Várias empresas reconverteram as suas unidades electrónicas para o agro-alimentar e utilizaram os conhecimentos tecnológicos, por exemplo, na produção de alfaces, em vez de lançarem os seus trabalhadores no desemprego. Pode ser uma mudança inesperada, mas faz parte de um comportamento-padrão no Japão, que não entre nós.






17.2.14

Más notícias sobre a saída da crise vindas da história económica

A história económica das crises ensina - segundo este texto de Òscar Jordà, Moritz HP. Schularick, Alan M. Taylor - que as crises financeiras levam a perdas de 5% do PIB per capita, demoram 5 anos a recuperar, que a recessão é mais profunda e demora mais a desaparecer quando a crise é precedida por uma bolha de crédito e que a recuperação é ainda mais lenta quando uma crise de dívida coincide com um nível elevado de dívida pública.
Só más notícias, que a política devia ter em conta, quer na definição de terapias que não agravem a crise, quer nas promessas de ritmos de recuperação económica do país.


30.3.13

Se o Estado não é uma empresa, porque se fala de insolvência?

Em fim-de-semana, paremos para pensar um pouco sobre a razão de ser e os limites da analogia entre Estado e empresas a propósito da ideia de insolvência:

 Creditor countries calling the tune by which debtor countries dance is not a new invention. But using the language of insolvency to do so is new. So when and why did it happen? The single European currency project, in depriving member states of the ability to issue their own currency, has created the conditions for something close to national insolvency when economies slump. With high debt-to-national output ratios, current account deficits, fiscal deficits, and, putting it mildly, shaky banking systems, the debtor countries of Europe look very much like insolvent firms to the markets. Their sovereign power to issue currency is gone, meaning only painful deflation through the wage channels are possible. Leaving the currency union is very, very costly. The solution is national austerity. Indeed, in some cases, like Cyprus, Ireland, and Italy, the banking systems are so big relative to the rest of the economy as to make the sovereign itself almost vestigial.
(Stephen Kinsella, no Blogue da Harvard Business Review)

19.9.12

Senhor Ministro das Finanças, divulgue os estudos que demonstram que há efeitos positivos da sua mexida da TSU no emprego

The Portuguese way para mexer na TSU é uma original medida porque, em simultâneo, aumenta o nível de taxação sobre o salário, reforçan o esforço contributivo do factor trabalho e reduz o das empresas. O vendaval nas relações sociais que isto provoca era antecipável. Mas a medida foi anunciada com base na sua racionalidade económica dado ser benéfica para o emprego e foi-nos dito que havia estudos que o indicavam. Uma equipa da Universidade do Minho, amplamente citada, chegou à conclusão de que a mexida anunciada pelo governo terá um impacto negativo ou, na melhor das hipóteses neutro.
O link para o estudo é este. O debate democrático deve agradecer aos autores terem demonstrado a coragem devida aos que ostentam o estatuto de intelectuais. Em vez de se retirarem para as torres de marfim da Universidade esperando que o debate arrefeça tomaram a iniciativa de trazer um contributo académico extremamente relevante para a polémica, de modo a que possamos a tempo antecipar os efeitos reais do que o Governo se propõe fazer. 
Depois de ler o trabalho da equipa de Luis Aguiar-Conraria e verificando a dificuldade de com o mesmo modelo chegar aos resultados que nos foram anunciados, resta-nos como cidadãos que se pretendem ver esclarecidos secundar o trabalho dos académicos com um apelo: Senhor Ministro das Finanças, divulgue os estudos que demonstram que há efeitos positivos da sua mexida da TSU no emprego.

30.8.12

Que se passa com a balança portuguesa de bens e serviços?


O Nº 2 do Barómetro das Crises do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra dá uma boa imagem. Mostra como as exportações estão a crescer, mas se ressentiram fortemente em 2008 da crise económica internacional que os "teóricos do regabofe orçamental nacional" nunca viram. Recorda como continuamos a concentrar os nossos excedentes comerciais em calçado, têxteis e madeira e cortiça enquanto temos défices fortes nos combustíveis, máquinas e aparelhos e indústrias químicas. Regista que a diversificação de mercados existe, mas continuamos, sobretudo ligados à Alemanha e à Espanha e à UE no seu todo e, conclui com um paralelismo preocupante: do ponto de vista do comércio externo, Portugal não pode dizer que não é a Grécia.
Eis a conclusão dos autores do boletim sobre o reequilibrio em curso da balança de bens e serviços de Portugal:

O reequilíbrio da balança de bens e serviços não é, por si só, um sintoma de recuperação económica ou um atributo de uma economia pujante, sobretudo quando decorre de uma redução das importações obtida principalmente pela contração da procura interna. As políticas de austeridade em curso têm sido extremamente penalizadoras do consumo privado, do consumo público e do investimento.
De resto, o padrão de evolução das exportações, das importações e do saldo da balança de bens e serviços portuguesa apresenta uma notável similitude com o de outro país sujeito à mesma estratégia do “ajustamento estrutural”, a Grécia (...). No que diz respeito à evolução das exportações de bens e serviços, ambos os países registaram uma recuperação, no caso português mais intensa, após a quebra verificada no contexto da crise iniciada em 2008. As exportações de bens e serviços da Grécia revelam igualmente uma desaceleração do seu ritmo de crescimento a partir da segunda metade de 2011. No que diz respeito às importações a retração verificada na Grécia tem sido mais forte do que em Portugal.
Além do mais, a previsão de um reequilíbrio da balança de bens e serviços portuguesa depende de uma evolução favorável das exportações que está envolta em incerteza. A desaceleração económica observada no conjunto da União Europeia e, em particular, a recessão que atinge os países da Europa do Sul pode afetar negativamente a evolução das exportações nacionais. É de destacar as dificuldades que atravessa o principal destino das exportações portuguesas, a Espanha. (o link sobre a citação conduz ao texto integral do boletim)

28.1.12

21.12.11

É estranha, a sensação de ser governado à direita do pensamento predominante no FMI

Os parágrafos aqui transcritos são de Olivier Blanchard, que os publicou numa análise do ano de 2011 no blog do FMI. Li e reli. É estranha, a sensação de ser governado à direita do Director do Departamento de Estudos do FMI:
financial investors are schizophrenic about fiscal consolidation and growth.
They react positively to news of fiscal consolidation, but then react negatively later, when consolidation leads to lower growth—which it often does. Some preliminary estimates that the IMF is working on suggest that it does not take large multipliers for the joint effects of fiscal consolidation and the implied lower growth to lead in the end to an increase, not a decrease, in risk spreads on government bonds.  To the extent that governments feel they have to respond to markets, they may be induced to consolidate too fast, even from the narrow point of view of debt sustainability.
I should be clear here. Substantial fiscal consolidation is needed, and debt levels must decrease. But it should be, in the words of Angela Merkel, a marathon rather than a sprint. It will take more than two decades to return to prudent levels of debt.  There is a proverb that actually applies here too: “slow and steady wins the race.”


Leia o texto integral aqui.

18.12.11

Deve reduzir-se as dívidas públicas gradualmente e sem esquecer o crescimento. Quem o diz? Economistas do FMI

A redução da divida publica deve ser gradual e combinada com medidas estruturais de aumento da competitividade. Quem diz algo tão contra a terapia do choque abrupto dos nossos austerativistas mais-troikistas-que-a-troika? Economistas do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI que estudaram cem anos de experiências de redução da dívida pública. Tudo ao contrário do nosso Orçamento para 2012, digo eu.

11.12.11

Uma visão equilibrada sobre as privatizações no mundo

John Quiggin, na revista do FMI:

In summary, privatization is valid and important as a policy tool for managing public sector assets effectively, but must be matched by a willingness to undertake new public investment where it is necessary. As a policy program, the idea of large-scale privatization has had some important successes, but has reached its limits in many cases. Selling income-generating assets is rarely helpful as a way of reducing net debt. The central focus should always be on achieving the right balance between the public and private sectors

leia o artigo todo.

8.11.11

E se a Itália entra na espiral da crise das dívidas soberanas?

A todos os que pensam que a Europa pode brincar com o fogo da crise para sempre recomendo esta análise que conclui que a recessão prolongada é o melhor cenário que a Europa pode esperar depois de perder-se o controlo do risco da dívida soberana italiana.

6.11.11

Economia dos conflitos: Israel agravou a Intifada

Um estudo israelita acabado de sair demonstra que as restrições ao emprego de palestinianos agravaram a intensidade da segunda intifada na Faixa Ocidental. Cada ponto percentual de descida da taxa de emprego implicou um acréscimo de 0.12 no número de mortos. Moral política do estudo dos economistas: aumentar a taxa de emprego de Palestinianos em Israel não apenas melhora o bem-estar dos Palestinianos, mas também diminui a sua disponibilidade para se envolverem no conflito. Um jogo win-win para quem queira a paz e a coexistência dos dois povos.

19.10.11

E se o nosso PIB formal fosse 19% superior ao valor que consideramos?

E se o nosso PIB formal fosse 19% superior e os rendimentos gerados por essa riqueza não contabilizada pagassem impostos, quantos sacrifícios a menos se justificaria pedir, quanto desceria o défice sem cortar em funções sociais e que efeitos teria sobre o rating da nossa dívida pública?
Segundo um estudo da Visa, citado pelo Economia e Finanças, o nosso PIB real tem 19% a mais que o nosso PIB formal, isto é, virtual.