A situação de crise é um balão de oxigénio para os partidos contra o sistema, mas a liderança política do BE falhou repetidamente o teste da adaptação estratégica das esquerdas à crise internacional e mais tarde ou mais cedo essa falha vai custar-lhe eleitorado e implicar a perda de relevância política, a menos que alguém perceba a tempo o beco sem saída em que se está a colocar.
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25.1.14
O centro interno do BE está afastado dos seus eleitores e a sualiderança não o percebe
A demissão de Ana Drago da Comissão Política do BE por causa da estratégia para as eleições europeias é mais um sinal de que este partido caminha para o seu centro de gravidade interno, que, estou convencido, se encontra razoavelmente afastado das preocupações de uma boa parte do seu eleitorado.
15.11.12
Para desbloquear a esquerda. Um bom contributo do PS.
João Ribeiro aborda os pontos fulcrais do desbloqueio da esquerda portuguesa. Sendo o autor quem é, o BE nunca mais pode dizer que não houve lista de pontos para diálogo. E é uma boa lista, para além de ser a primeira vez que um representante da direcção do PS enuncia claramente um conjunto de questões em que está aberto a uma evolução conjunta de posições:
Não é nada difícil desbloquear entendimentos à esquerda. Bastaria que o Bloco de Esquerda (BE) não estivesse obcecado por crescer eleitoralmente à custa de um PS enraizado na sociedade portuguesa e que, também por isso, representa muito mais que manifestos e elites. Bastaria que o BE renunciasse a qualificar a União Europeia como sistema autoritário, para que o PS avançasse na sua agenda já muito reformista em matéria europeia. Bastaria que o BE abandonasse a ideia radical de saída imediata da NATO, para que o PS discutisse criticamente a sua reforma e o papel de Portugal na aliança atlântica. Bastaria que o BE tivesse o bom senso de recuar no desejo de nacionalização total da banca, das telecomunicações e da energia (aprovado na Convenção e, curiosamente, ignorado por jornalistas e comentadores), para que o PS admitisse um reforço significativo dos instrumentos de regulação, aceitasse uma maior intervenção do Estado através da Caixa Geral de Depósitos e reconhecesse que errou ao admitir a privatização da REN. Mas reduziram tudo ao rasgar de um memorando de entendimento que o país foi forçado a assinar, também em boa medida, por responsabilidade do BE.
O artigo, na íntegra, está no i e é um sinal ao contrário da tendência que receio e referi no meu post anterior. Oxalá vingue.
Não é nada difícil desbloquear entendimentos à esquerda. Bastaria que o Bloco de Esquerda (BE) não estivesse obcecado por crescer eleitoralmente à custa de um PS enraizado na sociedade portuguesa e que, também por isso, representa muito mais que manifestos e elites. Bastaria que o BE renunciasse a qualificar a União Europeia como sistema autoritário, para que o PS avançasse na sua agenda já muito reformista em matéria europeia. Bastaria que o BE abandonasse a ideia radical de saída imediata da NATO, para que o PS discutisse criticamente a sua reforma e o papel de Portugal na aliança atlântica. Bastaria que o BE tivesse o bom senso de recuar no desejo de nacionalização total da banca, das telecomunicações e da energia (aprovado na Convenção e, curiosamente, ignorado por jornalistas e comentadores), para que o PS admitisse um reforço significativo dos instrumentos de regulação, aceitasse uma maior intervenção do Estado através da Caixa Geral de Depósitos e reconhecesse que errou ao admitir a privatização da REN. Mas reduziram tudo ao rasgar de um memorando de entendimento que o país foi forçado a assinar, também em boa medida, por responsabilidade do BE.
O artigo, na íntegra, está no i e é um sinal ao contrário da tendência que receio e referi no meu post anterior. Oxalá vingue.
12.11.12
Uma pergunta aos rasgadores unilaterais de memorandos
O Acácio Lima, amigo e leitor deste blogue, recorda-me - a propósito do erro sectário do BE - o dia seguinte de um "rasganço" unilateral do memorando com a troika. A pergunta merece se endossada publicamente à nova liderança bloquista: se, por acaso, estivessem na posição de poder que dizem ambicionar e rasgassem o memorando unilateralmente, qual é a vossa receita para financiar o Estado nos meses seguintes e pagar os ordenados, as reforma, as funções sociais e tudo o resto?
Como o BE não está sozinho na retórica do "rasganço" são muito bem-vindas as respostas de todos os rasgadores de memorandos que se quiserem incomodar a dá-las.
Como o BE não está sozinho na retórica do "rasganço" são muito bem-vindas as respostas de todos os rasgadores de memorandos que se quiserem incomodar a dá-las.
11.11.12
O eterno retorno do erro sectário do Bloco de Esquerda
O Bloco de Esquerda continua enganado no adversário principal, ao concentrar as suas energias na troika. E continua incapaz de ver o PS como uma força com a qual há que dialogar, com respeito pela sua influência social e política no país. O que diminui em vez de aumentar a possibilidade de o país ser governado pela esquerda.
O Bloco fala como se Passos Coelho fosse uma marioneta da troika. Pelo contrário a troika é um aliado de ocasião das ideias que ele tinha antes de imaginar que ela chegaria a Portugal. Recomendo, pois, aos estrategas bloquistas a leitura deste documento da campanha de Passos Coelho contra Ferreira Leite, em Maio de 2008. Já então dizia abertamente pretender entre outras coisas:
O Bloco já ignorou uma vez o perigo de Passos Coelho chegar ao Governo em 2011, ao participar na tenaz esquerda-direita que derrubou Sócrates e fazer campanha com a ideia de que Passos Coelho não seria um Primeiro-Ministro diferente de Sócrates. Repete agora, acho, o erro ao ter como slogan "vencer a troika" estrangeira e não a direita caseira. Penso que já é visível para quem o queira, que há outra forma de ser interlocutor da troika e que vêm do próprio BCE e do FMI sinais de abertura para alternativas que Passos Coelho obstinadamente recusa em vez de esforçadamente procurar ampliar. Passos acredita na receita que está a aplicar, não está obrigado a ela. E esse é o nosso maior problema. A troika é apenas um problema sério, mas de segundo nível. Veja-se como, na própria direita europeia, Espanha gere de modo diferente a crise ou como os tecnocratas italianos procuram navegar nos interstícios de oportunidade que existem. Mas o Bloco prefere atacar a troika, consciente de que com isso se demarca inexoravelmente do PS em vez de atacar o PSD abrindo a porta a soluções políticas de entendimentos concretos com este.
Com o caminho que seguiu este fim-de-semana, o Bloco de Esquerda está em força nas primárias da esquerda populista, disputando ao PCP o apelo a um eleitorado que sofre as consequências destas políticas,sem lhes compreender as causas nem vislumbrar alternativas viáveis, mas retira-se do caminho da construção de uma alternativa de Governo de esquerda.
Dir-me-ão os amigos da maioria bloquista que não, que o Bloco anunciou o "verdadeiro" governo de esquerda. Esse que eles imaginam há-de chegar quando as massas revoltadas queimarem o Memorando em cerimónia pública no Terreiro do Paço e a insurreição popular generalizada na Europa tiver derrotado todas as comissões executivas da burguesia. Radio Tirana anunciava algo parecido há uma décadas.
Ao não perceber que a prioridade devia estar na construção de alianças concretas sobre políticas concretas e não na criação de zonas demarcadas de objectivos finais como a expulsão da troika, o Bloco auto-marginalizou-se do espaço das alternativas de Governo ao PSD-CDS e enfraqueceu a esquerda como um todo. Oxalá os portugueses não se enganem na avaliação deste erro crasso da nova liderança do BE e os que querem reforçar o espaço dessas alternativas tenham força suficiente e protagonistas capazes.
O Bloco fala como se Passos Coelho fosse uma marioneta da troika. Pelo contrário a troika é um aliado de ocasião das ideias que ele tinha antes de imaginar que ela chegaria a Portugal. Recomendo, pois, aos estrategas bloquistas a leitura deste documento da campanha de Passos Coelho contra Ferreira Leite, em Maio de 2008. Já então dizia abertamente pretender entre outras coisas:
- Focar a acção do Estado nos domínios de soberania;
- Promover uma concorrência sã, transparente e qualificada entre os sectores público, privado e social na organização e prestação dos cuidados de saúde, nomeadamente através de novos modelos de parcerias público-privadas e sociais;
- Promover a liberdade de aprender e de ensinar, por intermédio da iniciativa pública, particular e cooperativa, que entre si devem cooperar na manutenção de uma rede equilibrada e actualizada de ofertas educativas ao longo da vida, cobrindo, com qualidade, as necessidades de toda a população;
- Reduzir o papel que o Estado, directa e indirectamente, mantém na economia;
- Introduzir tectos para as contribuições e para as pensões que, mais do que gerador de equilíbrios orçamentais de longo prazo, favoreça a ideia de liberdade de escolha individual e de diversificação de riscos, de prevenção previdêncial das futuras gerações, libertando o Estado para apoiar as situações de maior dificuldade social.
O Bloco já ignorou uma vez o perigo de Passos Coelho chegar ao Governo em 2011, ao participar na tenaz esquerda-direita que derrubou Sócrates e fazer campanha com a ideia de que Passos Coelho não seria um Primeiro-Ministro diferente de Sócrates. Repete agora, acho, o erro ao ter como slogan "vencer a troika" estrangeira e não a direita caseira. Penso que já é visível para quem o queira, que há outra forma de ser interlocutor da troika e que vêm do próprio BCE e do FMI sinais de abertura para alternativas que Passos Coelho obstinadamente recusa em vez de esforçadamente procurar ampliar. Passos acredita na receita que está a aplicar, não está obrigado a ela. E esse é o nosso maior problema. A troika é apenas um problema sério, mas de segundo nível. Veja-se como, na própria direita europeia, Espanha gere de modo diferente a crise ou como os tecnocratas italianos procuram navegar nos interstícios de oportunidade que existem. Mas o Bloco prefere atacar a troika, consciente de que com isso se demarca inexoravelmente do PS em vez de atacar o PSD abrindo a porta a soluções políticas de entendimentos concretos com este.
Com o caminho que seguiu este fim-de-semana, o Bloco de Esquerda está em força nas primárias da esquerda populista, disputando ao PCP o apelo a um eleitorado que sofre as consequências destas políticas,sem lhes compreender as causas nem vislumbrar alternativas viáveis, mas retira-se do caminho da construção de uma alternativa de Governo de esquerda.
Dir-me-ão os amigos da maioria bloquista que não, que o Bloco anunciou o "verdadeiro" governo de esquerda. Esse que eles imaginam há-de chegar quando as massas revoltadas queimarem o Memorando em cerimónia pública no Terreiro do Paço e a insurreição popular generalizada na Europa tiver derrotado todas as comissões executivas da burguesia. Radio Tirana anunciava algo parecido há uma décadas.
Ao não perceber que a prioridade devia estar na construção de alianças concretas sobre políticas concretas e não na criação de zonas demarcadas de objectivos finais como a expulsão da troika, o Bloco auto-marginalizou-se do espaço das alternativas de Governo ao PSD-CDS e enfraqueceu a esquerda como um todo. Oxalá os portugueses não se enganem na avaliação deste erro crasso da nova liderança do BE e os que querem reforçar o espaço dessas alternativas tenham força suficiente e protagonistas capazes.
24.9.12
No BE primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias
O Bloco de Esquerda é um grande defensor do debate de ideias e um grande adversário da fulanização da política... fora de portas.
Dentro do partido, primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias. Os partidos que mandam no Bloco não brincam quando se trata de garantir que não se intrometem paus na engrenagem:
O Regimento da Convenção, aprovado na Mesa Nacional, só permite que haja apresentação das moções após a eleição de delegados.
Assim:
Dentro do partido, primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias. Os partidos que mandam no Bloco não brincam quando se trata de garantir que não se intrometem paus na engrenagem:
O Regimento da Convenção, aprovado na Mesa Nacional, só permite que haja apresentação das moções após a eleição de delegados.
Assim:
- Data para envio das listas de delegados: 19 de Outubro
- Datas para as sessões de apresentação e para debates entre as listas: 19 a 28 de Outubro
22.9.12
Depois do Conselho de Estado há uma nova relação de forças na políticaportuguesa
Se o Governo, como tudo indica que fará, recuar na mexida na TSU, haverá uma mudança de página na definição da relação de forças neste ciclo político.
Pela primeira vez nesta crise "a rua" terá obrigado um governo a arrepiar caminho, ainda por cima numa medida que se apresentou como integrando a espinha dorsal da estratégia de acção para 2013.
O Governo terá pago o preço de governar sem os parceiros sociais e terá sido forçado - provavelmente por Belém - a encontrar uma solução que possa ser defendida pela UGT, reforçando o papel desta ultima como instancia legitimadora indispensável, ainda que por aceitação passiva, de mexidas sociais.
O Governo terá reconhecido que Belém é o seu limite. Não se importou minimamente com o Parlamento, os parceiros sociais e o Tribunal Constitucional, mas recuou perante o PR. E o Palácio é hoje muito sensível à "rua" e sobretudo ao bom clima com a CIP e a UGT.
A esquerda maximalista festejará o recuo, mas sem razão. Para muitos manifestantes, o BE e o PCP também são "os políticos" e manifestamente a influencia dos seus aparelhos nos manifestantes é muito menor que nas grandes manifs de antigamente. Como já tinha acontecido a alguns sindicatos, os partidos de protesto também viram os inorgânicos a crescer à sua volta e passarão por um período de desorientação.
O CDS entrou em phasing-out da coligação. Teme voltar a afundar-se com o PSD como lhe aconteceu com Santana Lopes e passará a falar mais vezes, sempre que temer perder votos.
O PS ganhou este round. Depois do PSD ter rompido o consenso europeu que devia manter o centro-esquerda amarrado à austeridade, ficou muito mais livre para criticar credivelmente a relação do governo com a crise. Mas qual será o peso de Belém (e da UGT) no Rato? O sentido final de voto e o discurso que o PS fizer sobre um OE sem TSU o dirão.
É altamente improvável que não haja sacrificados no altar da remodelação governamental. Não sabemos quem serão os bodes expiatórios escolhidos mas, se imperasse o principio da responsabilidade politica, três Ministros teriam que sair antes do Natal: Vitor Gaspar, que orquestrou a estratégia orçamental; Álvaro Santos Pereira que não teve a força ou a visão necessárias para impôr a sua negociação com os parceiros e Mota Soares que aceitou a "prenda" da TSU e até balbuciou precocemente umas frases em sua defesa. Contudo, quem falhou rotundamente foi Passos Coelho, que não conseguiu gerir a relação com o quarteto que devia procurar manter consigo para evitar que o caldo do consenso europeu se entorne: Cavaco, Portas, Seguro e Proença.
A gestão desta crise mostrou que Passos Coelho não cumpre os requisitos indispensáveis para ser Primeiro-Ministro. É apenas necessário que ele o perceba ou alguém lhe explique que assim é.
Pela primeira vez nesta crise "a rua" terá obrigado um governo a arrepiar caminho, ainda por cima numa medida que se apresentou como integrando a espinha dorsal da estratégia de acção para 2013.
O Governo terá pago o preço de governar sem os parceiros sociais e terá sido forçado - provavelmente por Belém - a encontrar uma solução que possa ser defendida pela UGT, reforçando o papel desta ultima como instancia legitimadora indispensável, ainda que por aceitação passiva, de mexidas sociais.
O Governo terá reconhecido que Belém é o seu limite. Não se importou minimamente com o Parlamento, os parceiros sociais e o Tribunal Constitucional, mas recuou perante o PR. E o Palácio é hoje muito sensível à "rua" e sobretudo ao bom clima com a CIP e a UGT.
A esquerda maximalista festejará o recuo, mas sem razão. Para muitos manifestantes, o BE e o PCP também são "os políticos" e manifestamente a influencia dos seus aparelhos nos manifestantes é muito menor que nas grandes manifs de antigamente. Como já tinha acontecido a alguns sindicatos, os partidos de protesto também viram os inorgânicos a crescer à sua volta e passarão por um período de desorientação.
O CDS entrou em phasing-out da coligação. Teme voltar a afundar-se com o PSD como lhe aconteceu com Santana Lopes e passará a falar mais vezes, sempre que temer perder votos.
O PS ganhou este round. Depois do PSD ter rompido o consenso europeu que devia manter o centro-esquerda amarrado à austeridade, ficou muito mais livre para criticar credivelmente a relação do governo com a crise. Mas qual será o peso de Belém (e da UGT) no Rato? O sentido final de voto e o discurso que o PS fizer sobre um OE sem TSU o dirão.
É altamente improvável que não haja sacrificados no altar da remodelação governamental. Não sabemos quem serão os bodes expiatórios escolhidos mas, se imperasse o principio da responsabilidade politica, três Ministros teriam que sair antes do Natal: Vitor Gaspar, que orquestrou a estratégia orçamental; Álvaro Santos Pereira que não teve a força ou a visão necessárias para impôr a sua negociação com os parceiros e Mota Soares que aceitou a "prenda" da TSU e até balbuciou precocemente umas frases em sua defesa. Contudo, quem falhou rotundamente foi Passos Coelho, que não conseguiu gerir a relação com o quarteto que devia procurar manter consigo para evitar que o caldo do consenso europeu se entorne: Cavaco, Portas, Seguro e Proença.
A gestão desta crise mostrou que Passos Coelho não cumpre os requisitos indispensáveis para ser Primeiro-Ministro. É apenas necessário que ele o perceba ou alguém lhe explique que assim é.
2.9.12
Afinal Passos Coelho e Sócrates não são o mesmo? Tarde demais, caro Louçã.
"Votar em José Sócrates é votar em Passos Coelho e votar em Passos Coelho é votar em José Sócrates" (Francisco Louçã, 27 de Abril de 2011)
"Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates" (Francisco Louçã, 2 de Setembro de 2012)
Os portugueses que se recordem que sem o voto conjunto do PSD, PCP, CDS e BE não haveria governo de Passos Coelho e partilhem, no mínimo, a opinião actual de Francisco Louçã sobre a diferença entre Sócrates e Passos Coelho têm direito a perguntar ao experiente político que ilações acha que o Bloco de Esquerda tirar do facto de ter sido um dos arquitectos das eleições antecipadas que nos ofereceram o tão perigoso governo de Passos Coelho. E só não digo que devem perguntar a Louçã que ilações tira pessoalmente, porque o próprio, homem inteligente, já as tirou ao não se recandidatar à liderança do seu partido, cujo futuro já só pode aspirar a condicionar como backseat driver.
"Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates" (Francisco Louçã, 2 de Setembro de 2012)
Os portugueses que se recordem que sem o voto conjunto do PSD, PCP, CDS e BE não haveria governo de Passos Coelho e partilhem, no mínimo, a opinião actual de Francisco Louçã sobre a diferença entre Sócrates e Passos Coelho têm direito a perguntar ao experiente político que ilações acha que o Bloco de Esquerda tirar do facto de ter sido um dos arquitectos das eleições antecipadas que nos ofereceram o tão perigoso governo de Passos Coelho. E só não digo que devem perguntar a Louçã que ilações tira pessoalmente, porque o próprio, homem inteligente, já as tirou ao não se recandidatar à liderança do seu partido, cujo futuro já só pode aspirar a condicionar como backseat driver.
21.8.12
Louçã, o novo backseat driver
Há muito tempo que Francisco Louçã não falava tanto sobre o futuro do BE, da liderança à estratégia, quanto como nos últimos dias. Nenhuma organização passa incólume por um ex-líder que tenta passar a backseat driver. O PS após a saída de Mário Soares e o PSD depois de Cavaco podem testemunhá-lo. Mais uma vez Louçã demonstra que não é Joschka Fisher e mais uma vez faz mal ao Bloco que não seja capaz de separar a sua pessoa da organização de que foi co-fundador e a que dedicou grande parte das suas energias. Se ele e quem com ele manda hoje no seu partido decidiu que é melhor que saia, é bom que os camaradas o ajudem a terminar o mandato com dignidade e que alguém lhe explique que ser ex tem códigos de conduta e obrigações. Nisso, tem um exemplo recente de grande capacidade em Carvalho da Silva que até deve ter mais razões objectivas para que lhe custe estar calado sobre a "sua" organização do que ele.
10.12.11
A FER acha que o Bloco se social-democratizou? Só é pena não ser verdade
Quem tenha acompanhado os movimentos trotskistas em Portugal não tem nem que ficar surpreendido nem que pensar que a saída do Bloco por parte da FER seja irreversível.
A relação entre os "morenistas" e os "mandelistas" sempre foi tensa e os camaradas de Gil Garcia e os de Francisco Louçã já se juntaram e romperam mais que uma vez desde o PREC. Deste grupo, o único movimento surpreendente foi quando os LST se uniram a Francisco Martins Rodrigues e à "Política Operária" depois do "Anti-Dimitrov". Em rigor, foi um gesto à escala desses grupusculos tão surpreeendente quanto a fusão num partido do PSR e da UDP.
A FER acha que o BE se social-democratizou? Só é pena não ser verdade. Por isso, Louçã deve ter a certeza que eles voltarão de novo. Por isso não comentará. Se João Semedo é mais agressivo na reacção é só porque vem de outra margem do BE. Em rigor, provavelmente João Semedo gostava que a crítica dos FER fosse mais fundada do que, de facto, é.
A relação entre os "morenistas" e os "mandelistas" sempre foi tensa e os camaradas de Gil Garcia e os de Francisco Louçã já se juntaram e romperam mais que uma vez desde o PREC. Deste grupo, o único movimento surpreendente foi quando os LST se uniram a Francisco Martins Rodrigues e à "Política Operária" depois do "Anti-Dimitrov". Em rigor, foi um gesto à escala desses grupusculos tão surpreeendente quanto a fusão num partido do PSR e da UDP.
A FER acha que o BE se social-democratizou? Só é pena não ser verdade. Por isso, Louçã deve ter a certeza que eles voltarão de novo. Por isso não comentará. Se João Semedo é mais agressivo na reacção é só porque vem de outra margem do BE. Em rigor, provavelmente João Semedo gostava que a crítica dos FER fosse mais fundada do que, de facto, é.
28.9.11
Estamos em 2011, sabem?
Muita coisa me separa da análise que Carlos Brito faz do último governo e muita pedra haveria que partir para chegar de modo sério ao ponto de convergência política a que apela. Mas, perante o ataque ideológico da direita, cá como lá fora, a esquerda precisa de uma nova agenda se quiser ser alternativa. Por isso partilho inteiramente desta perspectiva:
Nada desculpa que perante a ofensiva violenta da direita, que está a provocar o brutal agravamento das condições de vida dos trabalhadores e de todo o povo, a esquerda permaneça dividida. Nenhuma das grandes formações políticas desta área pode ser desculpada.
O que é possível, por exemplo, na Dinamarca só é impossível em Portugal porque todas as esquerdas ainda vivem determinadas politicamente pelo lado da barricada em que estiveram no PREC, perante o Muro de Berlim ou ambos. Estamos em 2011, sabem?
PS. Para que não me avaliem mal. Entre o bloco central, a maioria de direita e o caos, o princípio da realidade continua a fazer-me preferir o bloco central. Mas esse é o resultado de erros nossos, sectarismo ardente, má fortuna.
Nada desculpa que perante a ofensiva violenta da direita, que está a provocar o brutal agravamento das condições de vida dos trabalhadores e de todo o povo, a esquerda permaneça dividida. Nenhuma das grandes formações políticas desta área pode ser desculpada.
O que é possível, por exemplo, na Dinamarca só é impossível em Portugal porque todas as esquerdas ainda vivem determinadas politicamente pelo lado da barricada em que estiveram no PREC, perante o Muro de Berlim ou ambos. Estamos em 2011, sabem?
PS. Para que não me avaliem mal. Entre o bloco central, a maioria de direita e o caos, o princípio da realidade continua a fazer-me preferir o bloco central. Mas esse é o resultado de erros nossos, sectarismo ardente, má fortuna.
16.9.11
Algo vai mal. Será no reino da Dinamarca?
Na Dinamarca, vitória dos socialistas implica coligação de esquerda. Em Portugal é impensável. Culpas? Repartidas por PS, CDU e BE em proporções a apurar quando houver coragem política em simultâneo nas três forças para resolver a questão. Até lá resta ao PS a solidão de ser um partido de esquerda responsável e ao país, quando o PS ganha, ter governos virados para o centro. Erros nossos, sectarismos ardentes, má fortuna.
12.7.11
Nem é tempo para o PSD brincar às ofensivas liberais nem para o PS passar a negar a que a crise mundial existe.
A economia portuguesa está doente há uma década e isso notou-se, entre outras coisas, nos crescimentos muito moderados e na incapacidade de conter o aumento do desemprego. Agora que está submetida a terapia intensiva terá dois anos sucessivos de recessão, "o maior recuo combinado da história portuguesa", diz-se. É preciso acreditar na cura para ter ânimo para sobreviver à terapia. Daí que não seja tempo para o PSD brincar às ofensivas liberais nem para o PS se substituir ao PSD de há 6 meses, de modo populista e irresponsável, negando a evidência da crise. Se não foi Sócrates que inventou a crise mundial, ela também não passou a ser ficção quando Passos Coelho chegou a Primeiro-Ministro. Deixemos o PCP e o BE brincar com as dificuldades dos portugueses, convencidos que as capitalizam e concentremo-nos em separar o trigo do joio nas medidas que aí vêm, ou se preferirem, em separar os princípios farmacológicos activos dos placebos e estes ainda dos alucinógenos liberais.
A pílula é tão mais amarga quanto sabemos que a falta de visão europeia da crise fez de nós vítimas precoces de um problema que mais cedo que tarde chegará às barbas de Paris e Berlim. Então, à europeia, serão tomadas as medidas que agora foram recusadas e a pressão sobre nós aliviar-se-á. O que o austeritativismo já nos terá feito não tem regresso, mas nem temos agora alternativa a seguir este caminho nem podemos ter outra esperança que não a de que a Europa prove que existe na hora de gerir o Euro, nem que o faça tarde. tardíssimo, como historicamente sempre faz. Sob pressão, contudo, a Europa tem acabado por tomar boas decisões. Oxalá a história se repita agora.
A pílula é tão mais amarga quanto sabemos que a falta de visão europeia da crise fez de nós vítimas precoces de um problema que mais cedo que tarde chegará às barbas de Paris e Berlim. Então, à europeia, serão tomadas as medidas que agora foram recusadas e a pressão sobre nós aliviar-se-á. O que o austeritativismo já nos terá feito não tem regresso, mas nem temos agora alternativa a seguir este caminho nem podemos ter outra esperança que não a de que a Europa prove que existe na hora de gerir o Euro, nem que o faça tarde. tardíssimo, como historicamente sempre faz. Sob pressão, contudo, a Europa tem acabado por tomar boas decisões. Oxalá a história se repita agora.
16.6.11
O governo preferido dos leitores do Banco Corrido
Mas para a reflexão necessária nos próximos anos acho que as opiniões aqui recolhidas sobre o Governo preferido deixam algumas pistas interessantes:
1. Os leitores que queriam o PSD no Governo tiveram o governo que pediram. Quem queria o PSD no governo apostou na coligação de direita (44%), ou no governo tripartido (27%), em terceiro lugar no bloco central (23%) e só em último lugar num governo minoritário do PSD (7%).
2. Os que queriam o PS no Governo estavam divididos quanto ao Governo que queriam. Apostaram numa maioria de esquerda (25%), mais do que no PS minoritário (23%) ou no PS coligado com o CDS (15%). Rejeitaram claramente o bloco central (defendido por 11%). Mas, se simplificarmos a leitura para uma agregação PS e esquerda, PS sózinho e PS e direita, o resultado é mais expressivo da fractura: PS e direita, 39%; PS e esquerda, 38%; PS sózinho, 23%.
À direita, o espaço natural PSD-CDS parece sólido para quem aqui veio dar opinião.A grande coligação - o bloco central - não mereceu simpatia dos que aqui deixaram o seu testemunho. À esquerda a fractura é notória, apesar da aproximação de análise da situação do país entre os partidos do "arco da governabilidade" e a diferença abissal de discurso político entre o PS e os partidos à sua esquerda.
A quantidade dos que aqui veio, contra todo o discurso produzido pelo PS, pelo PCP e pelo BE, defender um entendimento do PS com a esquerda não deixa de motivar reflexão sobre a descoincidência entre o posicionamento institucional dos partidos e a percepção dos (e)leitores.
Serão apenas os leitores do Banco a "puxarem" por uma opção de esquerda que não tem, de momento, qualquer adesão à realidade, ou reflectirão um sentimento eleitoral relevante que ñenhuma das forças de esquerda absorveu no seu posicionamento estratégico? Quem quiser continuar o debate é bem-vindo, agora à caixa de comentários.
11.6.11
Ich bin ein Daniel Oliveira ou quantas divisões tem o exército do Papa?
"Não, já o disse e alguns não perceberam, o desvario do Bloco não passa pelo seu coordenador." (Daniel Oliveira)
Não sei o suficiente sobre o BE para saber exactamente a quem se deve o desvario. Mas acho que ele foi notório na recente campanha eleitoral, como escrevi aqui. Daniel Oliveira, talvez tacticamente, quer poupar Francisco Louçã, mas a verdade é que o próprio tinha teorizado o objectivo do BE como sendo não o reforço da esquerda mas a derrota do PS. Acabou o BE por ser vítima da sua cegueira táctica e do desconhecimento de uma regra do comportamento eleitoral dos portugueses. Quando a esquerda desce, não é à custa de uns partidos de esquerda em benefício de outros mas, essencialmente, desce em conjunto, claro que uns mais que outros e, quando muito, uns aguentam-se quando os outros caem a pique. Não foi o que agora aconteceu ao BE perante a derrota do PS. Mas, francamente nem é isso que é essencial.
O que é importante é que o BE tudo fez para precipitar a queda do PS, desde a sua pueril moção de censura do Carnaval, sem que tivesse estratégia sobre o que fazer com essa queda.
Há uma coisa que quem dirige o PS, o BE e o PCP não percebe. Os partidos estão distantes entre si em tudo, menos nos seus eleitorados, em que partes significativas já votaram em momentos diferentes nos três.
Nós os "políticos" podemos continuar a viver por muito tempo sem fazer a constatação do Rui Tavares. Ou sem ouvir, no BE, o realismo do Daniel Oliveira que percebeu (sem que eu concorde cm os adjectivos) que o papel do Bloco é ocupar um espaço amplo na esquerda, que não se revê nem na ortodoxia do PCP, nem na moleza do PS, mas que quer um Bloco disponível para soluções de poder. Ou, no PS, cedendo à tentação centrista da equidistância como se não fosse verdade, como disse em 2009, que o que estruturalmente divide o PS do BE e do PCP é a Europa e o princípio da realidade.
Julgo que a esquerda tem tudo a ganhar em clarificar tanto as suas diferenças como as suas convergências, nisso aprendendo com a direita. Foi isso que não conseguiu no ciclo político que agora termina, como em tempo disse Soares, autopsiando previamente (com dois anos de antecedência) a morte da maioria parlamentar de esquerda que se encaminhava para a derrota que teve agora, em 2011. Manuel Alegre, honra lhe seja feita, tentou inverter essa tendência num dado momento, fossem quais fossem as suas intenções. Mas já então foi o mesmo Luis Fazenda que agora nos pergunta quem é Daniel Oliveira que se encarregou de matar a conversa na casca.
Talvez o Daniel, que sabe muito mais do BE que eu, tenha razão quando diz que o problema não passa pelo coordenador. Eu só tenho a certeza que neste momento a solução também não. Quanto a quem é Daniel Oliveira, permitam-me que responda com amizade pelo Daniel, à pergunta de Luis Fazenda. É um homem de esquerda, um espírito livre, que quer ao mesmo tempo que haja à esquerda alternativas ao PS e ao PCP e uma cultura de poder para mudar Portugal em vez de bramir contra os que o mudam contra a nossa vontade. Não será do meu partido e eu não serei do dele, mas sabe distinguir o essencial do acessório. Quantos políticos, no PS, no PCP e no BE o saberão? Cada partido tem o Fazenda que merece e a pergunta estalinista típica de Fazenda ao Daniel, já eu a ouvi a outros no PS e no PCP é cultura oficial. Afinal quantas divisões tem o exército do Papa?
Os Fazendas dos três partidos conduzem-nos ciclicamente aos governos da AD e talvez até fiquem contentes. Os que neles votam mais tarde ou mais cedo vão perceber o logro.
Não sei o suficiente sobre o BE para saber exactamente a quem se deve o desvario. Mas acho que ele foi notório na recente campanha eleitoral, como escrevi aqui. Daniel Oliveira, talvez tacticamente, quer poupar Francisco Louçã, mas a verdade é que o próprio tinha teorizado o objectivo do BE como sendo não o reforço da esquerda mas a derrota do PS. Acabou o BE por ser vítima da sua cegueira táctica e do desconhecimento de uma regra do comportamento eleitoral dos portugueses. Quando a esquerda desce, não é à custa de uns partidos de esquerda em benefício de outros mas, essencialmente, desce em conjunto, claro que uns mais que outros e, quando muito, uns aguentam-se quando os outros caem a pique. Não foi o que agora aconteceu ao BE perante a derrota do PS. Mas, francamente nem é isso que é essencial.
O que é importante é que o BE tudo fez para precipitar a queda do PS, desde a sua pueril moção de censura do Carnaval, sem que tivesse estratégia sobre o que fazer com essa queda.
Há uma coisa que quem dirige o PS, o BE e o PCP não percebe. Os partidos estão distantes entre si em tudo, menos nos seus eleitorados, em que partes significativas já votaram em momentos diferentes nos três.
Nós os "políticos" podemos continuar a viver por muito tempo sem fazer a constatação do Rui Tavares. Ou sem ouvir, no BE, o realismo do Daniel Oliveira que percebeu (sem que eu concorde cm os adjectivos) que o papel do Bloco é ocupar um espaço amplo na esquerda, que não se revê nem na ortodoxia do PCP, nem na moleza do PS, mas que quer um Bloco disponível para soluções de poder. Ou, no PS, cedendo à tentação centrista da equidistância como se não fosse verdade, como disse em 2009, que o que estruturalmente divide o PS do BE e do PCP é a Europa e o princípio da realidade.
Julgo que a esquerda tem tudo a ganhar em clarificar tanto as suas diferenças como as suas convergências, nisso aprendendo com a direita. Foi isso que não conseguiu no ciclo político que agora termina, como em tempo disse Soares, autopsiando previamente (com dois anos de antecedência) a morte da maioria parlamentar de esquerda que se encaminhava para a derrota que teve agora, em 2011. Manuel Alegre, honra lhe seja feita, tentou inverter essa tendência num dado momento, fossem quais fossem as suas intenções. Mas já então foi o mesmo Luis Fazenda que agora nos pergunta quem é Daniel Oliveira que se encarregou de matar a conversa na casca.
Talvez o Daniel, que sabe muito mais do BE que eu, tenha razão quando diz que o problema não passa pelo coordenador. Eu só tenho a certeza que neste momento a solução também não. Quanto a quem é Daniel Oliveira, permitam-me que responda com amizade pelo Daniel, à pergunta de Luis Fazenda. É um homem de esquerda, um espírito livre, que quer ao mesmo tempo que haja à esquerda alternativas ao PS e ao PCP e uma cultura de poder para mudar Portugal em vez de bramir contra os que o mudam contra a nossa vontade. Não será do meu partido e eu não serei do dele, mas sabe distinguir o essencial do acessório. Quantos políticos, no PS, no PCP e no BE o saberão? Cada partido tem o Fazenda que merece e a pergunta estalinista típica de Fazenda ao Daniel, já eu a ouvi a outros no PS e no PCP é cultura oficial. Afinal quantas divisões tem o exército do Papa?
Os Fazendas dos três partidos conduzem-nos ciclicamente aos governos da AD e talvez até fiquem contentes. Os que neles votam mais tarde ou mais cedo vão perceber o logro.
22.5.11
O relógio do Bloco anda de novo em direcção a 1975 e deram a bala de prata ao meu amigo Pureza
Tal como o Jeremias do Jorge Palma, o Bloco de Esquerda escolheu o lado de fora.
José Manuel Pureza foi designado para sintetizar a plataforma eleitoral do BE neste video. A ideia do cartoon, não sendo original, é bem conseguida e ele diz bem o texto. Está lá toda a velha retórica da extrema esquerda, agora dita em linguagem soft: os partidos do sistema, lacaios da burguesia, chamaram o FMI para ajudar os capitalistas, vender o país ao estrangeiro e lançar os portugueses na miséria. Antigamente, isto seria dito com frases agressivas, punhos erguidos e bandeiras vermelhas. Como agora fará Garcia Pereira e mais comedidamente Jerónimo de Sousa. Mas só muda a linguagem, a estética clean e a tentativa de branqueamento do fundo ideológico. O resto é igual.
Estou convencido que o Bloco fez nestas eleições a escolha do seu aparelho e da sua história e não a dos eleitores que lhe deram o crescimento dos últimos anos.
Penso que o regresso do Bloco à luta com o PCP pelo lado de fora do sistema político e da governabilidade e a ambição silenciada da revolução socialista são um recuo histórico deste partido que nasceu de uma causa pós-materialista em 1999 e em torno dela cimentou a sua plataforma de apoio popular.
Julgo que o Bloco é o partido que cometeu os maiores erros tácticos da política portuguesa em 2011. Primeiro, apresentando uma moção de censura pueril, depois colando-se à ideia de uma coligação com a CDU como alternativa e agora dedicando a campanha à assimilação do PS à direita, sem ter sequer as cautelas clássicas do PC, que ressalva sempre a diferença entre as "traidoras" cúpulas e as "saudáveis, mas enganadas" bases do PS.
Nunca acreditei que o Bloco enquanto fosse dirigido pela velha geração moldada no sectarismo da extrema-esquerda do PREC fosse além disto e esperava que mais tarde ou mais cedo os seus impasses - eles diriam as suas contradições - viessem ao de cima.
Mas essa geração aprendeu a ser prudente. Por isso escolheu para dar a cara, o católico, moderado e responsável José Manuel Pureza. Ele leu o texto com o profissionalismo de um lente de Coimbra. Tenho pena por ele, que respeito e de quem sou amigo. Preferia ver Luis Fazenda neste papel, porque este é o seu guião.
No que interessa no imediato, a coisa é simples: a plataforma do Bloco está mais perto, no conteúdo, da da sua minoria radical - a Alternativa FER - do que aparenta pelo marketing e a forma como é lida pelos intelectuais orgânicos que a podem tornar palatável.
O ressentimento do eleitorado mais à esquerda face ao PS até pode não penalizar eleitoralmente o BE tanto quanto a acumulação de erros tácticos justificaria, mas esta campanha demonstra que começou o regresso do partido à esquerda sectária, ao lado de fora, à conquista do poder na rua.
Contra os lacaios do capitalismo marcham de braço dado o Jerónimo de sempre em busca dos operários e camponeses do sul, Garcia Pereira mobilizando os bairros sociais e agora Pureza, como porta-voz de Louçã e Fazenda, mais credível no Bairro Alto e na Ribeira, agitando as massas que vão derrubar o capitalismo de cerveja em punho entre duas idas ao estádio.
O relógio do Bloco anda de novo em direcção a 1975 e deram a bala de prata ao meu amigo Pureza. Não tenho pena por eles, mas pela falta que faz ao país um partido moderno à esquerda do PS. O partido que o Bloco faz de conta que quer ser mas esta campanha demonstra que é cada vez menos.
José Manuel Pureza foi designado para sintetizar a plataforma eleitoral do BE neste video. A ideia do cartoon, não sendo original, é bem conseguida e ele diz bem o texto. Está lá toda a velha retórica da extrema esquerda, agora dita em linguagem soft: os partidos do sistema, lacaios da burguesia, chamaram o FMI para ajudar os capitalistas, vender o país ao estrangeiro e lançar os portugueses na miséria. Antigamente, isto seria dito com frases agressivas, punhos erguidos e bandeiras vermelhas. Como agora fará Garcia Pereira e mais comedidamente Jerónimo de Sousa. Mas só muda a linguagem, a estética clean e a tentativa de branqueamento do fundo ideológico. O resto é igual.
Estou convencido que o Bloco fez nestas eleições a escolha do seu aparelho e da sua história e não a dos eleitores que lhe deram o crescimento dos últimos anos.
Penso que o regresso do Bloco à luta com o PCP pelo lado de fora do sistema político e da governabilidade e a ambição silenciada da revolução socialista são um recuo histórico deste partido que nasceu de uma causa pós-materialista em 1999 e em torno dela cimentou a sua plataforma de apoio popular.
Julgo que o Bloco é o partido que cometeu os maiores erros tácticos da política portuguesa em 2011. Primeiro, apresentando uma moção de censura pueril, depois colando-se à ideia de uma coligação com a CDU como alternativa e agora dedicando a campanha à assimilação do PS à direita, sem ter sequer as cautelas clássicas do PC, que ressalva sempre a diferença entre as "traidoras" cúpulas e as "saudáveis, mas enganadas" bases do PS.
Nunca acreditei que o Bloco enquanto fosse dirigido pela velha geração moldada no sectarismo da extrema-esquerda do PREC fosse além disto e esperava que mais tarde ou mais cedo os seus impasses - eles diriam as suas contradições - viessem ao de cima.
Mas essa geração aprendeu a ser prudente. Por isso escolheu para dar a cara, o católico, moderado e responsável José Manuel Pureza. Ele leu o texto com o profissionalismo de um lente de Coimbra. Tenho pena por ele, que respeito e de quem sou amigo. Preferia ver Luis Fazenda neste papel, porque este é o seu guião.
No que interessa no imediato, a coisa é simples: a plataforma do Bloco está mais perto, no conteúdo, da da sua minoria radical - a Alternativa FER - do que aparenta pelo marketing e a forma como é lida pelos intelectuais orgânicos que a podem tornar palatável.
O ressentimento do eleitorado mais à esquerda face ao PS até pode não penalizar eleitoralmente o BE tanto quanto a acumulação de erros tácticos justificaria, mas esta campanha demonstra que começou o regresso do partido à esquerda sectária, ao lado de fora, à conquista do poder na rua.
Contra os lacaios do capitalismo marcham de braço dado o Jerónimo de sempre em busca dos operários e camponeses do sul, Garcia Pereira mobilizando os bairros sociais e agora Pureza, como porta-voz de Louçã e Fazenda, mais credível no Bairro Alto e na Ribeira, agitando as massas que vão derrubar o capitalismo de cerveja em punho entre duas idas ao estádio.
O relógio do Bloco anda de novo em direcção a 1975 e deram a bala de prata ao meu amigo Pureza. Não tenho pena por eles, mas pela falta que faz ao país um partido moderno à esquerda do PS. O partido que o Bloco faz de conta que quer ser mas esta campanha demonstra que é cada vez menos.
15.2.11
Moção de censura do Carnaval
Les jeux sont faits. A moção de censura fez caír... o Bloco no ridículo.
14.2.11
A "doença infantil censória" da esquerda: O BE devia ouvir a Renovação Comunista
Agora João Semedo devia responder com clareza se está com a Renovação Comunista ou com o directório Louçã-Fazenda. A dita Renovação Comunista não podia ser mais clara na denúncia da "doença infantil censória" do BE. Escrevem eles:
Para os porta-estandarte da censura o que parece contar é a utopia de um pólo de contestação à esquerda que trabalhe para uma reversão do governo na quimera de uma forte aceleração do processo social em Portugal. Linha que os dispense de, no imediato, meter a mão nas dificílimas tarefas de tirar urgentemente o nosso País do declínio económico. Das duas uma, ou o poder vem parar às mãos de uma esquerda que não se compromete, ou então a esquerda faz uma espécie de greve às responsabilidades incontornáveis de reconstruir o espaço da esquerda para montar renovadas condições para a governação alternativa. Há certamente muito bluff nesta linha demonstrativa das moções de censura, mas o que há acima de tudo é uma perigosa recaída na doença infantil de censurar para tentar defender-se eleitoralmente. Sem compreender que, em última análise, a esquerda se fortalece ou enfraquece consoante seja capaz de mostrar de forma credível como tem uma política para governar Portugal, mesmo nas mais difíceis e impopulares condições. E a doença infantil vai ao ponto de permitir a imagem de inaceitável competição entre o BE e o PCP na disputa dos respectivos territórios de influência. A doença infantil censória da esquerda é muito perigosa porque pode fornecer todos os pretextos para separar o que começava a ser juntado e para dotar a direita socialista de mais fortes argumentos para hegemonizar o PS e as suas inclinações atávicas para entendimentos à direita.
Leia todo o texto da Renovação Comunista, aqui.
Para os porta-estandarte da censura o que parece contar é a utopia de um pólo de contestação à esquerda que trabalhe para uma reversão do governo na quimera de uma forte aceleração do processo social em Portugal. Linha que os dispense de, no imediato, meter a mão nas dificílimas tarefas de tirar urgentemente o nosso País do declínio económico. Das duas uma, ou o poder vem parar às mãos de uma esquerda que não se compromete, ou então a esquerda faz uma espécie de greve às responsabilidades incontornáveis de reconstruir o espaço da esquerda para montar renovadas condições para a governação alternativa. Há certamente muito bluff nesta linha demonstrativa das moções de censura, mas o que há acima de tudo é uma perigosa recaída na doença infantil de censurar para tentar defender-se eleitoralmente. Sem compreender que, em última análise, a esquerda se fortalece ou enfraquece consoante seja capaz de mostrar de forma credível como tem uma política para governar Portugal, mesmo nas mais difíceis e impopulares condições. E a doença infantil vai ao ponto de permitir a imagem de inaceitável competição entre o BE e o PCP na disputa dos respectivos territórios de influência. A doença infantil censória da esquerda é muito perigosa porque pode fornecer todos os pretextos para separar o que começava a ser juntado e para dotar a direita socialista de mais fortes argumentos para hegemonizar o PS e as suas inclinações atávicas para entendimentos à direita.
Leia todo o texto da Renovação Comunista, aqui.
10.2.11
A moção de censura da Primavera pode vir, afinal, já no Carnaval
1. O BE vai apresentar a sua moção de censura dentro de um mês, disse hoje Francisco Louçã na Assembleia da República. O mesmo Francisco Louçã tinha dito no fim-de-semana passado que tal gesto agora não teria utilidade prática. Portanto, ou anunciou um gesto sem utilidade prática ou mudou de opinião sobre a dita utilidade entre sábado e quarta-feira.
2. A rapidez da mudança de discurso do líder do BE sobre o assunto levanta uma curiosa questão sobre a democracia interna do seu partido ou a verdade da sua relação com os media. Ou a Mesa Nacional do passado fim-de-semana discutiu o assunto e tomou a decisão e Louçã ludibriou os jornalistas com o que disse sobre o assunto. Ou nãoo discutiu e o poder do directório Louçã-Fazenda é tal que os dirigentes do seu partido podem saber de decisão tão importante pelos jornais, sem consulta prévia quais primeiros-ministros europeus perante a dupla Merkel-Sarkozy.
3. O anúncio súbito e sem preparação de tal gesto é um sinal do esquerdismo que tanto irrita os comunistas com sólida formação táctica. O BE sabia que ia ficar amarrado pela sua fragilidade sindical à dinâmica de protesto que o PCP queria protagonizar (como eu disse aqui). Estava consciente que aparecia num papel secundário na operação, que exigiria logística e tempo, que o PCP tinha em marcha. E, como sempre na velha extrema-esquerda, perante a fragilidade, deu um salto em frente, como um jogador de xadrez que não pensa no fim da partida, mas apenas na construção de uma vantagem para a jogada seguinte.
4. Na jogada do BE, o principal visado não é o Governo, mesmo que possa parecer que é a sua grande vítima potencial. O BE quer apenas proeminência sobre os protagonistas comunistas e só o consegue com gestos mediáticos e solos virtuosos. Ao contrário do PCP, o BE não tem o PS como inimigo principal, mas como inimigo secundário. Antes de se dedicar a essa tarefa tem que ganhar vantagem sobre o PCP como protagonista da esquerda à esquerda do PS. O primeiro inimigo do BE, no Parlamento, nos sindicatos, nos ditos movimentos sociais, continua a ser a organização sólida e disciplinada do PCP. Os bloquistas acham-se mais brilhantes, mais inteligentes e mais educados, mais orientados para o futuro, mas subalternizados por uma máquina cinzenta mas podrerosa e triturante em diferentes campos de acção. Hoje, no Grupo Parlamentar do BE há pessoas que dedicaram a sua vida à militância política antigamente dita unitária mas que o PCP sempre vetou para qualquer função importante, que nem esqueceram nem desistiram.
5. É muito provável que o BE tenha feito abortar o sucesso de uma moção de censura, o que não lamento, antes pelo contrário. Mas o oportunismo de a fazer discutir nos primeiros dias de mandato de Cavaco Silva; a coincidência temporal da discussão com o rescaldo das brejeirices do Carnaval da Mealhada e aparentados e a greve de braços caídos que o PCP fará nos exercícios preparatórios, ajudarão a esquerda a isolar-se e diminuem as hipóteses de condicionar o PSD e o CDS. Durante um mês teremos uma espécie de campanha eleitoral entre PCP e BE a ver quem faz discurso mais radical, quem ataca mais a União Europeia real, quem diz mais coisas irreais sobre as possibilidades de sustentar o Estado social. O PCP pagará com gosto esse tributo verbal, desembaraçado da responsabilidade da operação e sabendo que o seu sucesso está comprometido. Ajudará, aliás, a comprometê-lo no que puder. Acredito que as manifestações e greves a convocar até Março estão agora adiadas para Abril. O PCP tudo fará para alimentar então a ideia de que a esquerda é minoritária no parlamento mas maioritária na rua, uma vez que não acredita que processos apressados não abortem.
6. O PSD e o CDS também podem ter algum alívio porque sem tanta pressão da rua, sem tanto descontentamento "espontâneo", sentir-se-ão mais livres para fazer o papel de parceiro responsável. Aliás, é dificil imaginar Passos Coelho a querer mandar José Sócrates já em campanha para a reeleição para a Cimeira Extraordinária em que tantas medidas do seu póprio programa parecem estar perto de ser tomadas. Se Sócrates estiver demissionário por força da derrota, pode ir à Cimeira de Março dizer o que lhe vai na alma, até porque coincidirá com facilidade com a única via para tentar ganhar eleições. Se for para a mesma Cimeira reforçado pela viabilização da direita ao seu Governo, se fica mais livre para dizer que o Parlamento recusou aventuras irresponsáveis, continuará impedido de expressar em público discordâncias sobre o sapo liberal que tem que engolir para evitar o recurso ao FMI.
7. A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou".
2. A rapidez da mudança de discurso do líder do BE sobre o assunto levanta uma curiosa questão sobre a democracia interna do seu partido ou a verdade da sua relação com os media. Ou a Mesa Nacional do passado fim-de-semana discutiu o assunto e tomou a decisão e Louçã ludibriou os jornalistas com o que disse sobre o assunto. Ou nãoo discutiu e o poder do directório Louçã-Fazenda é tal que os dirigentes do seu partido podem saber de decisão tão importante pelos jornais, sem consulta prévia quais primeiros-ministros europeus perante a dupla Merkel-Sarkozy.
3. O anúncio súbito e sem preparação de tal gesto é um sinal do esquerdismo que tanto irrita os comunistas com sólida formação táctica. O BE sabia que ia ficar amarrado pela sua fragilidade sindical à dinâmica de protesto que o PCP queria protagonizar (como eu disse aqui). Estava consciente que aparecia num papel secundário na operação, que exigiria logística e tempo, que o PCP tinha em marcha. E, como sempre na velha extrema-esquerda, perante a fragilidade, deu um salto em frente, como um jogador de xadrez que não pensa no fim da partida, mas apenas na construção de uma vantagem para a jogada seguinte.
4. Na jogada do BE, o principal visado não é o Governo, mesmo que possa parecer que é a sua grande vítima potencial. O BE quer apenas proeminência sobre os protagonistas comunistas e só o consegue com gestos mediáticos e solos virtuosos. Ao contrário do PCP, o BE não tem o PS como inimigo principal, mas como inimigo secundário. Antes de se dedicar a essa tarefa tem que ganhar vantagem sobre o PCP como protagonista da esquerda à esquerda do PS. O primeiro inimigo do BE, no Parlamento, nos sindicatos, nos ditos movimentos sociais, continua a ser a organização sólida e disciplinada do PCP. Os bloquistas acham-se mais brilhantes, mais inteligentes e mais educados, mais orientados para o futuro, mas subalternizados por uma máquina cinzenta mas podrerosa e triturante em diferentes campos de acção. Hoje, no Grupo Parlamentar do BE há pessoas que dedicaram a sua vida à militância política antigamente dita unitária mas que o PCP sempre vetou para qualquer função importante, que nem esqueceram nem desistiram.
5. É muito provável que o BE tenha feito abortar o sucesso de uma moção de censura, o que não lamento, antes pelo contrário. Mas o oportunismo de a fazer discutir nos primeiros dias de mandato de Cavaco Silva; a coincidência temporal da discussão com o rescaldo das brejeirices do Carnaval da Mealhada e aparentados e a greve de braços caídos que o PCP fará nos exercícios preparatórios, ajudarão a esquerda a isolar-se e diminuem as hipóteses de condicionar o PSD e o CDS. Durante um mês teremos uma espécie de campanha eleitoral entre PCP e BE a ver quem faz discurso mais radical, quem ataca mais a União Europeia real, quem diz mais coisas irreais sobre as possibilidades de sustentar o Estado social. O PCP pagará com gosto esse tributo verbal, desembaraçado da responsabilidade da operação e sabendo que o seu sucesso está comprometido. Ajudará, aliás, a comprometê-lo no que puder. Acredito que as manifestações e greves a convocar até Março estão agora adiadas para Abril. O PCP tudo fará para alimentar então a ideia de que a esquerda é minoritária no parlamento mas maioritária na rua, uma vez que não acredita que processos apressados não abortem.
6. O PSD e o CDS também podem ter algum alívio porque sem tanta pressão da rua, sem tanto descontentamento "espontâneo", sentir-se-ão mais livres para fazer o papel de parceiro responsável. Aliás, é dificil imaginar Passos Coelho a querer mandar José Sócrates já em campanha para a reeleição para a Cimeira Extraordinária em que tantas medidas do seu póprio programa parecem estar perto de ser tomadas. Se Sócrates estiver demissionário por força da derrota, pode ir à Cimeira de Março dizer o que lhe vai na alma, até porque coincidirá com facilidade com a única via para tentar ganhar eleições. Se for para a mesma Cimeira reforçado pela viabilização da direita ao seu Governo, se fica mais livre para dizer que o Parlamento recusou aventuras irresponsáveis, continuará impedido de expressar em público discordâncias sobre o sapo liberal que tem que engolir para evitar o recurso ao FMI.
7. A moção de censura que o PCP queria preparar para a Primavera visava condicionar toda a gente. A que o BE vai apresentar no Carnaval é um fogacho de circunstância. Entre uma e outra há toda a diferença que resulta de o PCP sonhar com o derrube de um regime e o BE querer apenas a crista da onda. O hino da moção do PCP seria a centenária Internacional, o da do BE será a instantânea "parva que sou".
27.9.10
VItal. o BE e a Europa
Vital Moreira diz umas verdades sobre o BE e a Europa que não é costume as pessoas por cá notarem e sublinharem:
"Mas quando se trata de votar no Parlamento Europeu as medidas que se traduzem realmente em mais Europa, como sucedeu esta semana com o pacote da supervisão financeira a nível europeu, o BE recusa o seu apoio, acompanhando mais uma vez a posição anti-UE dos comunistas e da extrema-direita nacionalista europeia."
Leia no Causa Nossa.
"Mas quando se trata de votar no Parlamento Europeu as medidas que se traduzem realmente em mais Europa, como sucedeu esta semana com o pacote da supervisão financeira a nível europeu, o BE recusa o seu apoio, acompanhando mais uma vez a posição anti-UE dos comunistas e da extrema-direita nacionalista europeia."
Leia no Causa Nossa.
29.8.10
Parabéns pela coragem de falar por si, Ermelinda.
"Em Almada, a subserviência do Bloco de Esquerda à CDU revolta-me e indigna-me. Por uma questão de honra e dignidade pessoal, não posso pactuar com este defraudar das expectativas que criámos nos nossos eleitores".
Esta frase vem na carta dirigida aos eleitores por Ermelinda Toscano, que foi eleita pelo BE para a Assembleia Municipal de Almada e para a Assembleia de Freguesia de Cacilhas e reflecte o estado de espírito de quem acreditava que votar no BE era votar contra o domínio asfixiante da CDU sobre o concelho.
A divisão entre os que queriam a afirmação de independência e autonomia do BE e os que o usam para prolongar e dar conforto ao marasmo do poder da CDU já era evidente há bastante tempo. Eu próprio já tinha perguntado quantos Blocos de Esquerda há em Almada e tinha denunciado que o Bloco devolveu à CDU através da sua vereadora o que os eleitores lhe tiraram, a maioria absoluta.
Também se percebia que havia eleitos do BE embaraçados com o servilismo ao PCP de alguns dos seus camaradas. Mas não se sabia o desfecho. Agora soube-se. Vamos ter mais três anos de BE atento e venerando à grande irmã CDU.
Mas não se perde tudo. Acredito que as vozes independentes da CDU hão-de fazer ouvir-se nos seus partidos, incluindo dentro do BE. Os que acreditam na construção de uma plataforma de mudança no concelho, vindos de vários partidos, sabem também que Ermelinda Toscano, liberta do espartilho da facção filoCDU do BE local, vai ser uma voz ainda mais importante do que ja é na denúncia dos desmandos do círculo do poder de Maria Emília de Sousa. Os textos mais recentes no blogue Infinitos são indicadores inequívocos de que assim será. Parabéns pela coragem de falar por si, Ermelinda.
(Publicado também no blogue Por Almada)
Esta frase vem na carta dirigida aos eleitores por Ermelinda Toscano, que foi eleita pelo BE para a Assembleia Municipal de Almada e para a Assembleia de Freguesia de Cacilhas e reflecte o estado de espírito de quem acreditava que votar no BE era votar contra o domínio asfixiante da CDU sobre o concelho.
A divisão entre os que queriam a afirmação de independência e autonomia do BE e os que o usam para prolongar e dar conforto ao marasmo do poder da CDU já era evidente há bastante tempo. Eu próprio já tinha perguntado quantos Blocos de Esquerda há em Almada e tinha denunciado que o Bloco devolveu à CDU através da sua vereadora o que os eleitores lhe tiraram, a maioria absoluta.
Também se percebia que havia eleitos do BE embaraçados com o servilismo ao PCP de alguns dos seus camaradas. Mas não se sabia o desfecho. Agora soube-se. Vamos ter mais três anos de BE atento e venerando à grande irmã CDU.
Mas não se perde tudo. Acredito que as vozes independentes da CDU hão-de fazer ouvir-se nos seus partidos, incluindo dentro do BE. Os que acreditam na construção de uma plataforma de mudança no concelho, vindos de vários partidos, sabem também que Ermelinda Toscano, liberta do espartilho da facção filoCDU do BE local, vai ser uma voz ainda mais importante do que ja é na denúncia dos desmandos do círculo do poder de Maria Emília de Sousa. Os textos mais recentes no blogue Infinitos são indicadores inequívocos de que assim será. Parabéns pela coragem de falar por si, Ermelinda.
(Publicado também no blogue Por Almada)
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