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10.4.14

Joschka Fischer sobre como Putin deve acordar a Europa para os perigos que enfrenta

"For far too long, the West has harbored illusions about Vladimir Putin’s Russia – illusions that have now been shattered on the Crimean peninsula. The West could (and should) have known better: Ever since his first term in office as Russian president, Putin’s strategic objective has been to rebuild Russia’s status as a global power.
(...)
Europeans have reason to be worried, and they now have to face the fact that the EU is not just a common market – a mere economic community – but a global player, a cohesive political unit with shared values and common security interests. Europe’s strategic and normative interests have thus re-emerged with a vengeance; in fact, Putin has managed, almost singlehandedly, to invigorate NATO with a new sense of purpose.
(...)
The EU peace project – the original impetus for European integration – may have worked too well; after more than six decades of success, it had come to be considered hopelessly outdated. Putin has provided a reality check. The question of peace in Europe has returned, and it must be answered by a strong and united EU."

Leia na íntegra: http://www.project-syndicate.org/commentary/joschka-fischer-argues-that-the-eu-is-now-in-a-fundamental-strategic-struggle-with-russia#ytdZaq8YJtFDBA9z.99

19.3.14

A "aceitação" da Crimeia na Rússia deve fazer tocar o despertador daEuropa

A Rússia tem interesses e força suficientes para "aceitar" a integração da Crimeia sem que a comunidade internacional possa fazer algo mais do que gestos inconsequentes e dirigidos à opinião pública no curto prazo para o evitar. Sem orejuízo das sanções que se imporão - e que como escreve o think-tank Brueghel - têm que ser vistas também pelo seu impacto nos países que a imporão, há que pensar a resposta a este acto na perspectiva de médio e longo prazo.
Com este conflito por resolver, a integração da Ucrânia na NATO - que já não ocorreu porque os parceiros europeus reconheciam como legítimos os interesses de segurança russos no país - fica definitivamente excluída por muito tempo. 
Mas é a altura de saber se a União Europeia pode ser o embrião de uma nova potência política de nível mundial. A íntegração da Ucrânia na União Europeia é a única forma de impedir que o país volte com maior ou menos conflitualidade para a esfera de influência russa. Mas a União Europeia tal como existe não poderá absorver este país. Como dificilmente poderá incluir a maior parte dos países do sudeste europeu ou a Turquia.
Se a este puzzle acrescentarmos a dificuldade de o Reino Unido conviver com o a profundamente federalista da União, a crise ucraniana pode ser a nossa wake-up call. A Europa de geometria flexível, com um anel alargado de menor exigência de integração que o actual pode ser o único caminho para evitar o regresso à confrontação entre o eixo atlântico e a Rússia com fronteiras a mover-se como placas tectónicas entre o centro e o leste da Europa.
Para preparar a Europa para integrar a Ucrânia, a Turquia, os Balcãs orientais e para não perder o Reino Unido, é necessário preparar uma reforma institucional de sentido oposto às que tivemos nas últimas décadas, que crie uma forma de participação, real e mitigada, de escolha dos países que queiram ser "regiões especiais" da União.
É a hora de pensar a Europa como projecto de paz que transcende a paz entre a França e a Alemanha. Ou, se preferirem, de acolher uma segunda geração de país fundadores. desde que surjam os protagonistas com essa visão. Ou, senão, não teremos resposta para os movimentos da placatectónica  geopolítica que atravessa de sul para Norte o eixo mar negro-Báltico.


19.3.12

Porque não há uma intervenção militar na Síria?

Por enquanto não há mandato internacional para atacar a Síria e, claro, o precedente da interpretação extensiva do mandato concedido pela ONU na Líbia tornará mais difícil que o conselho de Segurança atinja um consenso. Como diz Vivienne Walt ,neste artigo da Time, Assad não está a repetir os mesmos erros de Kadaffi e procura segurar a amizade russa. Mas, tem também outra capacidade de dissuasão made in Russia, Armamento militar sofisticado, nomeadamente de defesa antiaérea que a Líbia não chegou a ter.
Um ataque à Síria não seria o passeio sobre o deserto líbio de há uns meses, mesmo sem contar com outras repercussões e ondas de choque regionais.

25.9.11

Putin: os czares, quando são fortes, morrem de velhos.

O Presidente da Rússia que Putin designou teve o privilégio de anunciar ao Partido da Rússia Unida que o próximo Presidente seria o ex-designante.
É evidente que pelo meio haverá um processo eleitoral e que a real adesão popular ao candidato há-de decidir se o seu resultado final é de 70 ou de 90%, mas na semidemocracia russa, o próximo Presidente - por mais dois mandatos - já é conhecido e será de novo Vladimir Putin. Talvez Medvedev, para a dança das cadeiras ser perfeita, volte a Primeiro-Ministro.
O sistema constitucional russo foi desenhado para impedir a perpetuação do poder pessoal centenária na Rússia dos czares (que foram vermelhos por umas décadas). Mas o sistema político de aliança entre o novo partido hegemónico e a oligarquia alimentada pelos ex-aparatchiks sobrepôs-se-lhe. Os czares e os ditadores não se reformam. Quando são fortes morrem de velhos, como Putin demonstrará.
No twitter, hoje, @javiersolana augurou a possibilidade da passagem da Rússia, nos próximos mandatos de Putin de emergente a decadente. Os sinais desse risco, a bem dizer, nunca desapareceram por completo. Mas este passo de Putin faz lembrar uma vez mais que a incapacidade de renovar elites dirigentes na Rússia costuma levar por esse caminho.

23.11.10

No dia da cimeira da NATO quantos conceitos estratégicos mudaram?

O Rui Herbon pergunta-se, com grande capacidade prospectiva, se a Rússia aceitará um papel periférico no sistema que estamos a construír. O que levanta a questão de saber para onde está a caminhar o centro e onde estará ele em 2050? No Oceano Índico, quem sabe?
Mas o que me parece mais importante salientar é que, ao que parece, em Lisboa não mudou um conceito estratégico, mudaram dois: o da NATO e o da Rússia. Mesmo se, a NATO e a Rússia têm já algum tempo, como bem recordou Alexandre Guerra, um relacionamento menos frio do que parece. Contudo, a Rússia quis vir a esta Cimeira dar muitos sinais e Obama quis aproveitá-los para consumo mundial e doméstico. Se somos parceiros cada vez mais próximos e pensamos em defender-nos em conjunto, que ameaças comuns temos e/ou imaginamos? Diria que o fundamentalismo islâmico é um perigo sério, mas de curto prazo e nunca uniu tão estreitamente a NATO e a Rússia como agora ambas parecem desejar, pelo que me parece necessário procurar noutros lugares e noutros sistemas de pensamento a razão desta parceria reforçada.

20.11.09

Rússia vai abolir a pena de morte

O Tribunal Constitucional da Rússia obrigou o Parlamento a ratificar a lei que proíbe a pena de morte.
Por muito que choque com a nossa percepção das coisas, a Rússia passa a estar, neste capítulo dos direitos humanos, à frente dos EUA.

30.3.09

Medvedev, realista. E Putin, como reage?

"Medvedev, pelo menos, é realista. Talvez esta seja uma das razões dos atritos que se têm vindo a observar entre ele e Putin, que são cada vez mais evidentes", conclui José Milhazes da análise dos efeitos da crise mundial no seu país pelo Presidente da Rússia. A evolução da situação política russa após a sua base económica ser submetida à forte pressão da contracção dos mercados internacionais merece ser acompanhada.

17.2.09

Complexopolítico-energético e risco de crise social na Rússia

Carlos Santos prevê vida curta ao Presidente Putin, depois de passar em revista os riscos de confronto social na Rússia. Terá razão? Certo é que o complexo politico-energético russo tem pés económicos de barro e, vendo a questão de outro ângulo, uma fragilidade interna que pode ser ameaçadora do exterior. De facto, com pouca riqueza para distribuir pode o sistema querer vender orgulho aos russos à custa dos vizinhos e da estabilidade mundial. A questão do empréstimo ao Kirquizistão em troco do fecho de uma base americana importante para as operações no Afeganistão, a afirmação militar na Geórgia e o impasse de Janeiro no fornecimento de gaz à Europa Ocidental não são factos desligados entre si. Joe Biden, na Europa e Hillary Clinton, no Senado, já nos avisaram de que podemos estar a descurar a segurança europeia mas os europeus - e em particular os alemães e os italianos - estão a ver antes o lado da parceria económica. Quem estará a definir a melhor estratégia?

3.1.09

Os pró-ocidentais da Ucrânia não vão ter vida fácil

A Ucrânia passou os últimos anos a tentar ser um país ocidental com o apoio dos EUA. Mas estes falharam o projecto de colocar o país na NATO, em grande parte por falta de disponibilidade de países-membros da União Europeia.O ano de 2009 abriu com um novo episódio na guerra do gás. A Rússia fechou a torneira à Ucrânia e sente-se falta de pressão nos países que o recebem por esta via, apesar de ser negado que ele esteja a ser desviado. Em entrevista à BBC, o vice-presidente da Gazprom aproveita a situação para defender a necessidade de diversificar as vias de acesso do gás natural russo à Europa ocidental, ou seja de fazer um bypass à Ucrânia (e à Polónia).O mapa mostra a rede actual. O projecto russo-alemão através do Mar Báltico, hoje presidido pelo ex-chanceler Schroeder, vai mudar a situação dentro de alguns anos e pode ainda ser completado por outro raço, a sul, que evita, de novo, a Ucrânia, mas através do Mar Negro. O que acontecerá então à Ucrânia? A realpolitik manda que se deixe cair de novo para a esfera russa e o país está dividido politicamente ao meio. Sem grandes mudanças políticas e com a Alemanha numa parceria estratégica com a Rússia cada vez mais evidente, não é de crer que os pró-ocidentais da Ucrânia tenham vida fácil ou contem com grandes apoios exteriores. (publicado também n'O Canhoto)

19.5.08

A Companhia e o Estado

Na sequência dos posts que tenho dedicado à Rússia, à Alemanha e à Gazprom, chegou-me o link de um artigo que saiu no New York Times, que é bem elucidativo da fusão entre a Companhia e o Estado. Quem se mete com a Gazprom leva. Ou será com a Rússia?