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30.3.14

Há 40 anos revolucionários e sectários, hoje respeitáveis e frios?

Quando fui com os amigos do CIDAC, onde na altura pertencia ao Grupo de Solidariedade com a América Latina, ao funeral de José Afonso, uma amiga de todos os que por esse colectivo passaram, a nossa Mimi, contou-me, a mim, que era o único que não tinha idade para lá ter estado, de um grande canto livre no Coliseu, pouco antes do 25 de Abril, em que "o Zeca" só estava autorizado pela censura a cantar o "Milho Verde" e a "Grândola Vila Morena".
A sua descrição era fascinante para um antifascista que era criança quando o fascismo morreu. Contou-me emocionada da existência de bufos na sala, do receio de carga policial e de como, mesmo assim, nada afectava a energia revolucionária lá dentro. Disse-me que o público tentava que "o Zeca" cantasse as outras, "aquelas" canções e que ele respondia atacando o refrão do "Milho Verde".
Hoje um amigo fez-me cair no mail a sua versão desse mesmo concerto, muito mais abrangente, pois a Mimi apenas queria nesse dia falar da sua grande perda.
Das duas histórias que assim recebo, retenho quanto o entusiasmo é simultaneamente generoso e cruel. Fico a saber que a Grândola como senha para o 25 de Abril pode ter nascido ali, no mesmo dia em que Ary era vítima de homofobia e Tordo e Paulo de Carvalho quase vistos como colaboracionistas. Como, amigos, depois da Tourada e Depois do Adeus?
A história tem sempre os seus românticos, os seus romances e as coisas que mais tarde os seus protagonistas gostavam que tivesse sido diferente.
Mas, da história da Mimi do GSAL e do relato do LMC não me sobram dúvidas. A ditadura tinha dificuldade em conter aquela gente, podia era estar convencida que eles nada representavam. Comparando mal, é como se hoje alguém enchesse o pavilhão antigamente chamado atlântico para cantar uma alternativa e achássemos que isso nada queria dizer. Mas a Arena Meo só enche para quem não contesta e não é preciso polícia por fora nem por dentro e somos livres. talvez por isso também menos sedentos de alternativas e, ao que me diz quem lá foi, com plena vontade de evocar o que nos resta da energia revolucionária, o concerto celebrando os 40 anos desse original, tenha sido muito mais como a nossa democracia, respeitável e frio.

PS. Irene Pimentel publicou no Jugular o registo histórico desse concerto de 29 de Março de 1974.

11.6.13

Simple Minds, Mandela Day, Wembley, faz hoje 25 anos

Os Simple Minds foram a primeira banda a responder à chamada para o concerto de Wembley pelos 70 anos de Mandela, então preso há 25 anos. Foram também a única a compôr uma canção especialmente para o evento. Cantaram-na assim, faz hoje vinte e cinco anos.

4.1.13

A última aparição de Jimi Hendrix na BBC.

A 4 de Janeiro de 1969, Jimi Hendrix deveria ter feito um dueto no programa Happening for Lulu da BBC com a apresentadora, a Lulu que era então também a senhora Robert Gibbs e decidiu praticar resistência musical.
No momento do guião em que a apresentadora introduzia o tema da banda em que o dueto deveria ocorrer ("Hey Joe") ouviu-se - aos 4'45'' do vídeo - um feedback que muitos julgam ter sido intencional. Depois, a banda começou a tocar o tema mas, antes da partenaire entrar em palco, Jimi diz ao microfone que o grupo quer parar de "tocar aquele lixo" e dedicar um tema aos Cream; o grupo começa a tocar uma versão instrumental de "Sunshine of your love" e tocou, tocou, tocou... até acabar o tempo, com o produtor aos gritos. Dizem que isso lhe valeu ser banido da BBC, há 44 anos.

21.10.12

Berrogüetto: A Forza das Mareas

Hoje vota-se na Galiza, será que se "queima o tempo dos sospiros//arrecende [cheira] a rosa nova, como termina esta canção dos Berrogüetto?

    10.- A Forza das Mareas  Quico Comesaña
    Letra: Guadi Galego
     Vaise o río, vaise o mar,
    vaise a forza das mareas,
    vaise o río, vaise o mar,
    leva a auga das túas penas. Penas tinxidas de sombras
    levan mar na súa partida,
    perden forza, perden vida,
    marchan xa na despedida. Eres a chuvia e o sol,
    eres a lúa do día,
    eres fonte na sequía
    e o sentir da miña vida. Deixa de ser lume novo,
    medra por dentro e por fóra,
    queima o tempo dos sospiros,
    arrecende a rosa nova.


21.5.12

Eu sou do tempo dos Bee Gees

Houve filas de horas, muito raras à época, para comprar bilhete para o Saturday Night Fever, no Teatro Aveirense.

5.5.12

Dose dupla em tempo de crise: Ridi, pagliaccio; it's a hard life

Freddie Mercury inspirou-se no sofrimento do palhaço espelhado na ária que encerra o 1º acto da ópera "Pagliacci" de Ruggiero Leoncavallo (estreada em Milão em 1892) para a abertura de "It's a hard life", numa ligação entre ópera e rock que continuou até ao fim da carreira.
(Vesti la Giubba, por Lucian Pavarotti)
 
(Queen, It's a hard life, Works, 1984, vídeo oficial, que a banda parece ter detestado)

24.4.12

Hoje, o cinema e a música: Mozart, Piano Concerto No. 21 - Andante



Este segundo andamento, largamente conhecido e justamente aclamado, do concerto tocado pela primeira vez em 10 de Março de 1785, foi rebaptizado no séc. XX, sendo por muitos conhecido como "Elvira Madigan", pela sua associação a um filme que teve estreia mundial na Suécia, a 24 de Abril de 1967. Segundo o IMDb, o filme nunca estreou em Portugal. Mas que a música tem uma suave contemporaneidade, apesar dos seus 227 anos, tem, inegavelmente.




28.3.12

Dose dupla: Fiesta/Esta vida de marinheiro

Sempre que ouço uma das canções lembro-me da outra. Ambas boas para libertar energias. Temas que recomendo a stressados.

(Fiesta, The Pogues, 1988)

(Esta vida de marinheiro, Sitiados, 1992)

22.3.12

Late night music na rádio das notícias e na blogosfera

A notícia chegou-me só agora pelo Pedro Adão e Silva, provavelmente por eu estar a leste das notícias da pátria. Todas as noites há uma hora de música na TSF, com escolha personalizada e temática. Por razões variadas e totalmente subjectivas, permitam-me que destaque o Mário Dias às terças e quintas (sempre a memória do Jamaica de antanho), o Fernando Alves ao domingo (o incomparável  homem da rádio) e o Pedro Adão e Silva ao sábado (amigos não se apresentam). Mas todos eles também à hora que quisermos ou pudermos - e para quem vive frequentemente em horários desencontrados é uma grande vantagem - no blogue TSF Músicas, que é também um espaço de escrita de cada um dos autores.