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17.1.11

Afeganistão: a ingovernabilidade governável. NATO: missão acabada, mas não cumprida.

A ingovernabilidade do Afeganistão já era conhecida de Eça de Queiróz, como sabemos. Agora, a tentativa de saír da guerra pela via do reconhecimento de que a história nos forneceu um modelo de ingovernabilidade governável ganhou um adepto (que pelo menos já foi) de peso. A ingovernabilidade governável passa por um governo central frágil, grande autonomia às regiões e uma estrutura de poder pré-moderna baseada na estrutura clânica e nos códigos religiosos, defende David Miliband. A frase-chave não podia ser mais clara: "State or international security forces will not stabilize the country; only a peace deal can do that" (leia em "The way out of Afhganistan, don't militarize diplomacy").
A NATO prepara-se para deixar o Afeganistão do mesmo modo que a URSS, simplesmente retirando. Mas, racionalize-se como se quiser o facto, não foi para isso que lá entrou. Missão acabada, mas não cumprida.

23.6.10

Afeganistão: a jogada do general deixou o Presidente num dilema

Algo vai mal no Afeganistão. Se o principal chefe militar das tropas americanas no terreno estiver bom do juízo - e deve estar - aquilo que disse e deixou dizer nesta reportagem incrível da Rolling Stone só pode ser um passo táctico numa escalada que conduza ao seu despedimento ou agora, quando for recebido na Casa Branca ou não muito mais tarde. Contudo, como bom militar, não terá dado esses passos sem deixar o seu contendor de ocasião, no caso o seu comandante supremo, sem um dilema sério. Ou como diz a Time:

Unfortunately for Obama, the Rolling Stone story coincides with growing alarm over the situation on the ground in Afghanistan. The planned U.S.-led operation to secure Kandahar, the Taliban's spiritual capital, has been postponed, partly because of a lack of support among local Afghans for a military escalation there. And that delay and the difficulties it highlights have raised a question mark over Obama's vow to begin the drawdown of U.S. troops from Afghanistan next summer. Firing McChrystal would not improve matters, since the General handpicked by Obama to run the war has personally led much of the outreach to Afghans on which the strategy depends. "It's in the White House's interest to have a wounded McChrystal rather than a hero and a martyr," says one retired Admiral, speaking on background. "So I think he'll survive." Both Afghan President Hamid Karzai and NATO Secretary General Anders Fogh Rasmussen on Tuesday released statements of support for McChrystal.



Other senior military veterans took the opposite view. "I don't know how you serve an Administration and be loyal to them, which you have to be, when you're speaking out like this," said a former General, who also asked for anonymity.


Talvez o General só queira já lá não estar no momento em que for óbvio que a retirada militar americana ou não acontece ou deixa de novo o país no caos, repetindo o que aconteceu com os soviéticos. Nesse caso, se perder agora, sendo demitido, ganha a partida. Mas, aconteça o que acontecer ao General, começa a ficar claro para a opinião pública mundial que o Afeganistão se prepara para ser o primeiro problema a não ser resolvido pela política externa americana. É um péssimo terreno para registar a primeira grande derrota e, nós, europeus, não deviamos achar que não é nada connosco, porque iremos sofrer parte significativa das consequências.

3.5.10

É um cartoon sobre o Afeganistão? Antes fosse.

Já me tinham falado de um powerpoint incrível, que define a situação e os problemas no Afeganistão, mas eu só me cruzei com ele na edição impressa do Diário Económico de hoje.
Googlado, o powerpoint apareceu rapidamente em versão digital. Se pretendia retratar a enorme dificuldade de entender aquele país, conseguiu, mas isso já Eça tinha feito no século XIX. Se pretendia dizer que a guerra pode ser perdida pelos aliados, também deve ter surtido efeito, mas isso já as imagens dos tanques soviéticos em retirada nos tinha dito. Bendito país que tem intelligence militar capaz de dar às suas forças armadas tanta e tão diversa informação sobre um teatro de guerra. Não é a complexidade que aqui se retrata, mas a impotência.
Quem quisesse fazer um cartoon sobre o tema, dificilmente poderia ter melhor inspiração. Não admira que o chefe das forças da NATO no terreno tenha reagido, dizendo que "quando conseguirmos compreender este slide, teremos ganho a guerra".