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24.1.14
Quanto se reduziram as remunerações dos funcionários públicos?
Nos últimos cinco anos, os vencimentos dos funcionários públicos reduziram-se entre 24% e 40%, consoante o seu nível remuneratório, explica o Vitor Junqueira, com o rigor de sempre, no seu novo blogue. Estejam atentos aos buracos na estrada.
28.3.13
Má notícia sobre eficiência da nossa despesa educativa
Este post de Eric Charbonnier e Etienne Albiser contém uma má notícia sobre a eficiência da nossa despesa educativa. Mostra que o nosso custo de professor por estudante, em valores absolutos, é o quarto mais alto da OCDE, a seguir ao Luxemburgo, à Bélgica, à Áustria e à Espanha e à frente da Dinamarca, da Alemanha e da Finlândia.
O custo dos professores por estudante é medido pela combinação do salário, da dimensão das turmas, do número de horas leccionadas e do número de horas de aulas dos estudantes.
Numa das quatro variáveis há algo que podia estar melhor e a questão-chave pode nem ser o salário.
6.12.12
A casa e os impostos, o inferno dos portugueses? (a ler o Barómetro Social, 5ª série de 2012)
A polémica dos bifes é um fait-divers anacrónico. Os encargos com alimentação desceram de metade do orçamento das famílias em 67/68 para 13% em 2010/2011. O que nos consome é a casa (27% da despesa das famílias), o lazer e cultura (18%) e os transportes e comunicações (16%), segundo escrevem Mónica Truninger e José Gomes Ferreira.
A classe média está esmagada pelas despesas e vê no Estado e na inflação os seus maiores inimigos actuais. O que está a espremer a dita classe média portuguesa, acha ela num inquérito online feito em Outubro e Novembro de 2012, é o aumento de impostos e/ou de contribuições (diz 74%), o aumento de encargos/custo de vida (62%) e só depois a perda de benefícios sociais (38%), a diminuição de salário/rendimentos (25%) e o desemprego (14%), escreve Rosário Mauritti. Claro que estes foram os meses de grande visibilidade do Orçamento de Estado. Pero que las hay.
Estes e outros trabalhos interessantes estão disponíveis online, na 5ª série de artigos de 2012 da Plataforma Barómetro Social.
A classe média está esmagada pelas despesas e vê no Estado e na inflação os seus maiores inimigos actuais. O que está a espremer a dita classe média portuguesa, acha ela num inquérito online feito em Outubro e Novembro de 2012, é o aumento de impostos e/ou de contribuições (diz 74%), o aumento de encargos/custo de vida (62%) e só depois a perda de benefícios sociais (38%), a diminuição de salário/rendimentos (25%) e o desemprego (14%), escreve Rosário Mauritti. Claro que estes foram os meses de grande visibilidade do Orçamento de Estado. Pero que las hay.
Estes e outros trabalhos interessantes estão disponíveis online, na 5ª série de artigos de 2012 da Plataforma Barómetro Social.
27.11.12
Num blogue perto de si
A carga policial de 14 de Novembro feriu os limites do Estado de Direito?
A luta contra o terrorismo policial continua, Garcia Pereira em António Garcia Pereira
A crise vai andar por aí
Por qué la crisis y recesión española irá a peor, en 10 gráficas, Marco Antonio Moreno em El Blog Salmón
Nos EUA os refundadores não se desculpam com a troika
Killing social security, with a smile, Froma Harrop em Real Clear Politics
Recomendações de leitura
Young People and Politics: Political Engagement in the Anglo-American Democracies. Aaron J. Martin. Routledge. May 2012.
(Apresentação de Jacqueline Briggs, em British Politics and Policy at LSE)
(...)
The chapters provide a fascinating insight into the topic of young people and politics but, of particular interest, is the detailed discussion of the political engagement facilitated via the internet. This new channel for political participation and political communication is discussed in an analytical and thought-provoking manner. The topic is given added relevance when one considers the way young people adopt new technology and are often at the forefront of its usage. New technology has the potential to facilitate the political socialisation process. The speed and ease of access mean that political messages can spread around the globe in a nanosecond. Witness, the 2011 Arab Spring and the way in which young people were at the forefront of that wave of protest and political action. An interesting aspect of internet usage, however, is the participatory inequality, not just in terms of who can access the internet but also in relation to what usage they make of it. This is to say that those young people more likely to participate in politics per se are precisely the young people who will participate via the internet. As Martin states, ‘… the more educated and politically interested (i.e. precisely those who would participate in politics regardless of the internet) are the group most likely to be politically engaged on the internet’ (p.113). ‘Twas, ever thus!
(...)
A luta contra o terrorismo policial continua, Garcia Pereira em António Garcia Pereira
A crise vai andar por aí
Por qué la crisis y recesión española irá a peor, en 10 gráficas, Marco Antonio Moreno em El Blog Salmón
Nos EUA os refundadores não se desculpam com a troika
Killing social security, with a smile, Froma Harrop em Real Clear Politics
Recomendações de leitura

(...)
The chapters provide a fascinating insight into the topic of young people and politics but, of particular interest, is the detailed discussion of the political engagement facilitated via the internet. This new channel for political participation and political communication is discussed in an analytical and thought-provoking manner. The topic is given added relevance when one considers the way young people adopt new technology and are often at the forefront of its usage. New technology has the potential to facilitate the political socialisation process. The speed and ease of access mean that political messages can spread around the globe in a nanosecond. Witness, the 2011 Arab Spring and the way in which young people were at the forefront of that wave of protest and political action. An interesting aspect of internet usage, however, is the participatory inequality, not just in terms of who can access the internet but also in relation to what usage they make of it. This is to say that those young people more likely to participate in politics per se are precisely the young people who will participate via the internet. As Martin states, ‘… the more educated and politically interested (i.e. precisely those who would participate in politics regardless of the internet) are the group most likely to be politically engaged on the internet’ (p.113). ‘Twas, ever thus!
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25.11.12
Num blogue perto de si
Sobre a refundação
O Estado social mais justo, Hugo Mendes em Jugular
A Primavera árabe no Inverno
The rise of a pharaoh: the Arab spring's newest dictator, Nezar Alsayyad em The Berkeley Blog
O Estado social mais justo, Hugo Mendes em Jugular
A Primavera árabe no Inverno
The rise of a pharaoh: the Arab spring's newest dictator, Nezar Alsayyad em The Berkeley Blog
Os media e os outros poderes
Nem os jornalistas são auxiliares das polícias nem as polícias devem ser bancos de imagens das televisões, Estrela Serrano, em Vai e Vem
22.11.12
16.11.12
Ou é desmascarado ou desmascarou um mascarado do 14 de Novembro.
A sequência de fotos de Sérgio Lavos no Arrastão - que reproduzo abaixo - perturba-me. Ou ele é desmascarado ou desmascarou um mascarado do 14 de Novembro de um modo que deita por terra todos os discursos deslumbrados, elogiosos ou meramente complacentes com a intervenção da PSP.
Continuo a interrogar-me porque abandonou a CGTP de mansinho o largo em frente à Assembleia, porque se deixou a PSP apedrejar por tanto tempo e porque houve tanta precaução e tão imediata em dissociar os distúrbios da CGTP. De certeza que há quem saiba muito mais do que se passou do que está à vista.
Continuo a interrogar-me porque abandonou a CGTP de mansinho o largo em frente à Assembleia, porque se deixou a PSP apedrejar por tanto tempo e porque houve tanta precaução e tão imediata em dissociar os distúrbios da CGTP. De certeza que há quem saiba muito mais do que se passou do que está à vista.
Num blogue perto de si #3
Ainda no rescaldo da greve
Calhaus com olhos, Val em Aspirina B
No rescaldo dos confrontos de 14 de Novembro, Alexandre Rosa em Olhares do Litoral
Aprendam com o 15 de Setembro ou desapareçam, Val em Aspirina B
No dia da greve, Miguel Cardina em Arrastão
Saídas para as políticas da crise
A viragem, Pedro Lains em Economia e História Económica
Austerity bomb? Don't panic. Keep uour eyes on the prize, Ed Dolan, Economonitor
Há quem aposte nas Novas Oportunidades
15,000+ Hours of Free Video & Audio Lectures from World-Class Universities, Dan Colman em Open Culture
15.11.12
Num blogue perto de si #2
Rescaldos da greve
Chega!, Isabel Moreira em Aspirina B
A privatização dos protestos, John Wolf em O Ouriço
Acontecimentos preocupantes em Lisboa, Alexandre Rosa em Olhares do Litoral
Uma estratégia mediática, AR em Direitos Outros
Bem, João Gonçalves em Portugal dos Pequeninos
Novas da refundação passista
A linha geral segundo Passos Coelho, Miguel Abrantes em Câmara Corporativa
Estão à vista os alicerces da refundação, Francisco Clamote em A Terra dos Espantos
Um refundador que anda lá fora a lutar pela vida
O chumbo estrondoso do camarada Barroso, Porfírio Silva no Machina Speculatrix
Chega!, Isabel Moreira em Aspirina B
A privatização dos protestos, John Wolf em O Ouriço
Acontecimentos preocupantes em Lisboa, Alexandre Rosa em Olhares do Litoral
O dia não correu mal de todo ao governo, Estrela Serrano em Vai e vem
A violência gera violência, Ricardo Alves em A Esquerda RepublicanaUma estratégia mediática, AR em Direitos Outros
Bem, João Gonçalves em Portugal dos Pequeninos
Novas da refundação passista
A linha geral segundo Passos Coelho, Miguel Abrantes em Câmara Corporativa
Estão à vista os alicerces da refundação, Francisco Clamote em A Terra dos Espantos
Um refundador que anda lá fora a lutar pela vida
O chumbo estrondoso do camarada Barroso, Porfírio Silva no Machina Speculatrix
13.11.12
Num blogue perto de si
A chancelerina
Merkel em Lisboa: nove fora nada, Luis Salgado de Matos, em O Economista Português
Imagens que valem mil palavras, José Soares, em Câmara Corporativa
Não aprenderam nada com a história (II), Jorge Bateira em Ladrões de Bicicletas.
Paris minimise la crise sans la nier, Grégoire Biseau e Jean Quatremer em Coulisses de Bruxelles.
Assim vai Portugal
BD 280, Van Dog em Van Dog
É preciso deixar a realidade estragar uma boa história, Hugo Mendes em Jugular.
Equivalência à cadeira de pseudo-jornalismo canalha II, Paulo Granjo em 5 dias.
Memórias do Cárcere, A.R, em Direitos Outros.
Merkel em Lisboa: nove fora nada, Luis Salgado de Matos, em O Economista Português
Imagens que valem mil palavras, José Soares, em Câmara Corporativa
Não aprenderam nada com a história (II), Jorge Bateira em Ladrões de Bicicletas.
Paris minimise la crise sans la nier, Grégoire Biseau e Jean Quatremer em Coulisses de Bruxelles.
Assim vai Portugal
BD 280, Van Dog em Van Dog
É preciso deixar a realidade estragar uma boa história, Hugo Mendes em Jugular.
Equivalência à cadeira de pseudo-jornalismo canalha II, Paulo Granjo em 5 dias.
Memórias do Cárcere, A.R, em Direitos Outros.
8.11.12
E se a PT se concentrasse antes em dar-nos uma TDT de jeito?
Tem razão Pedro Lains. E eu acrescento que a questão da qualidade da recepção de TDT não se resume à cobertura de zonas rurais remotas. Testemunhei-o na cidade de Aveiro, supostamente uma Cidade Digital, no fim-de-semana passado. Como pode a PT viver bem com a ideia de que deu a Portugal, na era digital, uma situação em que o número de canais abertos não se expande e, ainda por cima, a qualidade da cobertura diminui? Não é aceitável que a recepção de canais abertos em Portugal seja em 2012 pior do que era em 1972.
6.11.12
A propósito da redefinição da igualdade: entrevista a Pierre rosanvallon
O blogue Sociologos Plebeyos publica uma entrevista com Pierre Rosanvallon, a propósito do lançamento da versão castelhana de A Sociedade dos Iguais, que é uma forma interessante de nos introduzir à sua proposta de regresso ao valor da igualdade, dando-lhe um âmbito contemporâneo que permita saír da fuga para a equidade ou da sua redução à igualdade de oportunidades.
Pregunta. Usted no propone identificar nuevos instrumentos para promover la igualdad sino redefinir el concepto.
Respuesta. Hasta ahora la igualdad se ha pensado remitiéndola a la idea de justicia y también identificándola con el igualitarismo, como sucedió en el siglo XIX. El concepto que sugiero entiende la igualdad como relación social. De lo que se trata es de vivir como iguales, reconociendo la singularidad de cada cual. La experiencia de las utopías igualitarias, que acabaron en el totalitarismo, hizo que incluso la izquierda prefiriese hablar de equidad y no de igualdad. A mi juicio, claro que hay que hablar de igualdad, pero entendiéndola como relación social y no como distribución igualitaria.
P. Se ha preferido hablar de equidad pero también circunscribir la igualdad a la igualdad de oportunidades. Usted ve esta evolución con reservas.
R. En último extremo, se convierte en una forma de legitimar la desigualdad. Si se alcanzara una igualdad de oportunidades perfecta, entonces las desigualdades serían naturales y, por tanto, habría que resignarse a aceptarlas. Dada la infinita variedad de talentos y habilidades de los individuos, la sociedad sería inhabitable. Mi idea es que son necesarias políticas que fomenten la igualdad de oportunidades —pensemos en la sanidad o en la educación—, pero que la igualdad de oportunidades no puede convertirse en una filosofía.
P. Políticas, en definitiva, que corrijan el desequilibrio que usted observa entre ciudadanía política y ciudadanía social.
R. Al desaparecer el horizonte del igualitarismo tras el fracaso del socialismo de la colectivización, solo sobrevivió la idea de la igualdad de oportunidades. Blair y la tercera vía la colocaron en el primer plano de la reflexión y de la acción de gobierno, pero no definieron una visión social alternativa. Las desigualdades crecieron y, como dijo Rousseau, la desigualdad material no es un problema en sí misma, sino solo en la medida en que destruye la relación social. Una diferencia económica abismal entre los individuos acaba con cualquier posibilidad de que habiten un mundo común.
Rosanvallon pisa o terreno do regresso às origens da ideia da igualdade de estatutos da Revolução Francesa, pensando nas desigualdades sociais contemporâneas.
Pregunta. Usted no propone identificar nuevos instrumentos para promover la igualdad sino redefinir el concepto.
Respuesta. Hasta ahora la igualdad se ha pensado remitiéndola a la idea de justicia y también identificándola con el igualitarismo, como sucedió en el siglo XIX. El concepto que sugiero entiende la igualdad como relación social. De lo que se trata es de vivir como iguales, reconociendo la singularidad de cada cual. La experiencia de las utopías igualitarias, que acabaron en el totalitarismo, hizo que incluso la izquierda prefiriese hablar de equidad y no de igualdad. A mi juicio, claro que hay que hablar de igualdad, pero entendiéndola como relación social y no como distribución igualitaria.
P. Se ha preferido hablar de equidad pero también circunscribir la igualdad a la igualdad de oportunidades. Usted ve esta evolución con reservas.
R. En último extremo, se convierte en una forma de legitimar la desigualdad. Si se alcanzara una igualdad de oportunidades perfecta, entonces las desigualdades serían naturales y, por tanto, habría que resignarse a aceptarlas. Dada la infinita variedad de talentos y habilidades de los individuos, la sociedad sería inhabitable. Mi idea es que son necesarias políticas que fomenten la igualdad de oportunidades —pensemos en la sanidad o en la educación—, pero que la igualdad de oportunidades no puede convertirse en una filosofía.
P. Políticas, en definitiva, que corrijan el desequilibrio que usted observa entre ciudadanía política y ciudadanía social.
R. Al desaparecer el horizonte del igualitarismo tras el fracaso del socialismo de la colectivización, solo sobrevivió la idea de la igualdad de oportunidades. Blair y la tercera vía la colocaron en el primer plano de la reflexión y de la acción de gobierno, pero no definieron una visión social alternativa. Las desigualdades crecieron y, como dijo Rousseau, la desigualdad material no es un problema en sí misma, sino solo en la medida en que destruye la relación social. Una diferencia económica abismal entre los individuos acaba con cualquier posibilidad de que habiten un mundo común.
Rosanvallon pisa o terreno do regresso às origens da ideia da igualdade de estatutos da Revolução Francesa, pensando nas desigualdades sociais contemporâneas.
5.11.12
"O que é preciso é refundar a política do Governo e reformular esta austeridade sem saída." (Ferro Rodrigues, no debate do Orçamento de Estado para 2013)
As palavras são de Ferro Rodrigues e a sua escolha para título do post resulta de um furto à Câmara Corporativa.
Foram ditas na Assembleia da República no encerramento do debate do Orçamento de Estado para 2013, num texto que a Isabel Moreira disponibilizou na íntegra no Aspirina B. Para que se deguste o que aí se encontra aqui fica um excerto:
Vem aí um novo conjunto de metas que são incumpríveis, porque foram traçadas com base em pressupostos falsos, em cenários irreais e em projeções fantasiosas. E isso já se começa a ver. O apelo a uma misteriosa “refundação” do acordo com a troika anuncia o que aí vem. Depois de esgotada a margem para os aumentos de impostos, anuncia-se uma tentativa de ataque final às funções sociais do Estado. No fundo, recuperando aquilo que o PSD tentou lançar numa célebre proposta de Revisão Constitucional que foi obrigado a fechar numa gaveta, muito antes de qualquer troika. É essa a gaveta que agora se abre de novo. O Governo quer sim refundar a unidade da direita, tentar pôr a classe média contra o estado social, remeter à marginalização os sociais democratas que ainda resistem.E o Governo já mostrou ao que vem: quer arrastar o PS para essa descida ao abismo. Mas já tiveram a resposta: o que é preciso é refundar a política do Governo e reformular esta austeridade sem saída. O que é preciso é tirar partido das posições mais flexíveis das instituições europeias e internacionais, em vez de as rejeitar. O que é preciso é lutar por explorar as margens de alteração de prazos, de juros, de metas. Com coragem, com frontalidade, com verdade, em nome do interesse nacional. Em vez de aceitar como uma fatalidade muito conveniente o caminho para que nos estão a empurrar.
Foram ditas na Assembleia da República no encerramento do debate do Orçamento de Estado para 2013, num texto que a Isabel Moreira disponibilizou na íntegra no Aspirina B. Para que se deguste o que aí se encontra aqui fica um excerto:
Vem aí um novo conjunto de metas que são incumpríveis, porque foram traçadas com base em pressupostos falsos, em cenários irreais e em projeções fantasiosas. E isso já se começa a ver. O apelo a uma misteriosa “refundação” do acordo com a troika anuncia o que aí vem. Depois de esgotada a margem para os aumentos de impostos, anuncia-se uma tentativa de ataque final às funções sociais do Estado. No fundo, recuperando aquilo que o PSD tentou lançar numa célebre proposta de Revisão Constitucional que foi obrigado a fechar numa gaveta, muito antes de qualquer troika. É essa a gaveta que agora se abre de novo. O Governo quer sim refundar a unidade da direita, tentar pôr a classe média contra o estado social, remeter à marginalização os sociais democratas que ainda resistem.E o Governo já mostrou ao que vem: quer arrastar o PS para essa descida ao abismo. Mas já tiveram a resposta: o que é preciso é refundar a política do Governo e reformular esta austeridade sem saída. O que é preciso é tirar partido das posições mais flexíveis das instituições europeias e internacionais, em vez de as rejeitar. O que é preciso é lutar por explorar as margens de alteração de prazos, de juros, de metas. Com coragem, com frontalidade, com verdade, em nome do interesse nacional. Em vez de aceitar como uma fatalidade muito conveniente o caminho para que nos estão a empurrar.
22.10.12
Fica tudo dito sobre justiça e política neste texto de Valupi
A situação da Justiça portuguesa é calamitosa. E ninguém se salva – ou melhor, ninguém nos salva. A gravidade é tão indescritível que até ao PS, principal vítima política das disfunções e perversões dos magistrados, falta um discurso sobre o problema. Repare-se: não tinha de ter uma solução, por mais difícil, morosa ou improvável que fosse, já bastava ter algo a dizer. Bastava, para dar sentido cívico aos acontecimentos e servir de base para a reflexão urgente a fazer, que o PS introduzisse no debate público a denúncia do que se passa no Ministério Público e nos tribunais. Mas nem isso, a desgraça é quase absoluta. Continue a ler aqui.
Eu só acrescentaria que há silêncios que são condicionamentos e que simbolizam a que ponto chegou a debilitação de instituições democráticas fundamentais.
Eu só acrescentaria que há silêncios que são condicionamentos e que simbolizam a que ponto chegou a debilitação de instituições democráticas fundamentais.
21.10.12
Paulo Gorjão lembrou-se dos "malucos do riso" eu acho que é mais para chorar
Se o Ministério Público não tem dúvidas que a chamada para Passos Coelho não tem relevância penal porque é ela transcrita e "foge" para os jornais? Alguém a pôs a correr. Quem na justiça procura estes momentos de opereta ou é imaturo ou inapto, o que já seria mau, ou tem uma agenda em relação à democracia representativa que é mais para chorar que para rir, o que seria muito pior. Perante a recorrência destas coisas, rimos de quê, a não ser da patetice dos que na política esfregam as mãos de contentes por cada embaraço provocado a terceiros?
Adenda depois de ler no vaievem o tratamento dado pela imprensa a esta vaga de escutas no Vaievem. Revejo-me totalmente na conclusão de Estrela Serrano sobre este episódio: À parte as questões semânticas e jornalísticas, a verdade é que o poder judicial continua a revelar a sua capacidade de marcar a agenda política e jornalística. Venham de onde vierem, representem ou não “avisos” ao poder político, correspondam ou não a cumplicidades e interesses mútuos entre agentes da justiça e jornalistas, as fugas de informação minam a justiça e o jornalismo, isto é, minam a democracia.
Adenda 2. E, poderemos, caro Paulo Gorjão aceitar que, independentemente da sua licitude e regularidade, há determinadas conversas que hoje em dia não se pode ter ao telefone em Portugal. É uma triste realidade, mas é a que temos? Não será, já, aceitar uma diminuição substancial da qualidade da vida democrática, admitir a possibilidade de remeter por medo e auto-censura conversas que se julga não reprováveis para a esfera da semiclandestinidade?
Adenda depois de ler no vaievem o tratamento dado pela imprensa a esta vaga de escutas no Vaievem. Revejo-me totalmente na conclusão de Estrela Serrano sobre este episódio: À parte as questões semânticas e jornalísticas, a verdade é que o poder judicial continua a revelar a sua capacidade de marcar a agenda política e jornalística. Venham de onde vierem, representem ou não “avisos” ao poder político, correspondam ou não a cumplicidades e interesses mútuos entre agentes da justiça e jornalistas, as fugas de informação minam a justiça e o jornalismo, isto é, minam a democracia.
Adenda 2. E, poderemos, caro Paulo Gorjão aceitar que, independentemente da sua licitude e regularidade, há determinadas conversas que hoje em dia não se pode ter ao telefone em Portugal. É uma triste realidade, mas é a que temos? Não será, já, aceitar uma diminuição substancial da qualidade da vida democrática, admitir a possibilidade de remeter por medo e auto-censura conversas que se julga não reprováveis para a esfera da semiclandestinidade?
24.9.12
No BE primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias
O Bloco de Esquerda é um grande defensor do debate de ideias e um grande adversário da fulanização da política... fora de portas.
Dentro do partido, primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias. Os partidos que mandam no Bloco não brincam quando se trata de garantir que não se intrometem paus na engrenagem:
O Regimento da Convenção, aprovado na Mesa Nacional, só permite que haja apresentação das moções após a eleição de delegados.
Assim:
Dentro do partido, primeiro alinham-se os exércitos e depois discutem-se as ideias. Os partidos que mandam no Bloco não brincam quando se trata de garantir que não se intrometem paus na engrenagem:
O Regimento da Convenção, aprovado na Mesa Nacional, só permite que haja apresentação das moções após a eleição de delegados.
Assim:
- Data para envio das listas de delegados: 19 de Outubro
- Datas para as sessões de apresentação e para debates entre as listas: 19 a 28 de Outubro
12.9.12
Hoje em Karlsruhe
o martelo do Tribunal Constitucional abate-se ou não sobre o Euro, provocando suspiros de alívio ou dores de cabeça muito fortes. Prognóstocos? Só no final do jogo, embora Jean Quatremer (a cujo blogue fui buscar a imagem) ache que os juízes não assumirão o peso da responsabilidade histórica de dar cabo do já tão esfarrapado €.
9.9.12
Li, gostei, passo.
Estará a crise a tornar-se social e a influir na alteração de padrões estáveis de comportamento? Fernanda Palma põe-nos a pensar que sim, a propósito de uma variação de 50% nos homicídios captados pelas estatísticas que, a confirmar-se como tendência, deveria tornar-se alvo de debate público.
Estarão as instituições que foram pilares da Europa Ocidental, como a Igreja Católica Apostólica Romana a perder o pé do espírito do tempo? Encontro-me entre os que acham que sim, mas sou "de fora". O Padre Anselmo Borges deixa no ar a ideia de que assim é e há quem o tenha tentado evitar, no seu artigo sobre o recentemente falecido Cardeal Carlo Martini que provavelmente discordou nas últimas décadas do poder do Vaticano em tudo o que é importante na relação da igreja com o corpo - o seu próprio corpo e os seus signos vestimentários como a moral sexual e as prescrições que a muitos crentes parecem tão anacrónicas e para não seguir como para os não crentes. Elegantemente, Anselmo Borges diz que o cardeal recusou a "obstinação terapêutica". Concordo e sou capaz de pensar numa palavra mais agressiva aos ouvidos da actual hierarquia do Vaticano para descrever esta sua última decisão corajosa. Poderia a Igreja hoje ser outra? A história não produz contraprova e segue.
Mas a história deixa vestígios, por vezes incómodos para quem esteve ligado aos perdedores. É o que se vê na revisitação de José Milhazes às suas notas sobre o KGB e o PCP, capazes de fazer as alegações de Zita Seabra sobre microfones e etc menos ridiculamente conspirativas do que surgem aos espíritos (ingénuos?) dos que pensam que não há um lado sombrio na relação do PCP com a segurança - a uma escala em que o real pode parecer hipérbole e em que até os eufemismos parecem exagerados à nossa falta de conhecimento.
Mas, para responder à crise, nada como imbuir-se do espírito da portuguesa Casa do Polvo gerida por uma alemã com sucesso visível, pelo menos no relato da Ementa na Língua. E, para dar de comer ao pensamento, siga-se a sugestão de leitura de um Prémio Nobel da Economia que nos recorda que estamos errados quando pensamos que pensamos racionalmente.
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