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27.8.09

Os imigrantes não são um fardo para o Estado: a queda de um mito anti-imigração

Um dos mitos anti-imigração consiste em assumir que os estrangeiros são um fardo adicional para os países. Este estudo sobre os imigrantes vindos dos novos Estados-membros da União Europeia para o Reino Unido demonstra o contrário: os imigrantes do Leste têm uma maior taxa de participação na força de trabalho, pagam mais impostos indirectos, como o IVA, usam menos os serviços públicos e recebem menos prestações sociais. Ou seja, o mito que a direita esgrime contra os imigrantes é derrotado no próprio terreno da argumentação que usa.

3.1.09

Os pró-ocidentais da Ucrânia não vão ter vida fácil

A Ucrânia passou os últimos anos a tentar ser um país ocidental com o apoio dos EUA. Mas estes falharam o projecto de colocar o país na NATO, em grande parte por falta de disponibilidade de países-membros da União Europeia.O ano de 2009 abriu com um novo episódio na guerra do gás. A Rússia fechou a torneira à Ucrânia e sente-se falta de pressão nos países que o recebem por esta via, apesar de ser negado que ele esteja a ser desviado. Em entrevista à BBC, o vice-presidente da Gazprom aproveita a situação para defender a necessidade de diversificar as vias de acesso do gás natural russo à Europa ocidental, ou seja de fazer um bypass à Ucrânia (e à Polónia).O mapa mostra a rede actual. O projecto russo-alemão através do Mar Báltico, hoje presidido pelo ex-chanceler Schroeder, vai mudar a situação dentro de alguns anos e pode ainda ser completado por outro raço, a sul, que evita, de novo, a Ucrânia, mas através do Mar Negro. O que acontecerá então à Ucrânia? A realpolitik manda que se deixe cair de novo para a esfera russa e o país está dividido politicamente ao meio. Sem grandes mudanças políticas e com a Alemanha numa parceria estratégica com a Rússia cada vez mais evidente, não é de crer que os pró-ocidentais da Ucrânia tenham vida fácil ou contem com grandes apoios exteriores. (publicado também n'O Canhoto)

25.5.08

A formação (militar) da Nova Europa

A empresa de sistemas de defesa Cubic Defense Applications fez saber que vendeu à Roménia e à Eslováquia material de formação militar idêntico ao que já tinha vendido à Hungria e que os seus produtos aumentam a operacionalidade militar na região por permitirem aos três países vizinhos treino millitar conjunto e entre eles e as forças americanas. Do ponto de vista militar, o Novo Continente continua a consolidar o alargamento da frente leste da Nova Europa. Um destes dias valerá a pena examinar, aliás, a redistribuição da presença militar americana na Europa depois do alargamento da NATO a Leste e das dificuldades levantadas pela Turquia à colaboração na invasão do Iraque. O guarda chuva americano, para o bem e para o mal "goes east".

20.5.08

A Mercedes na Roménia sem esperar pelas auto-estradas

Diz-se por aqui que a Daimler está perto de decidir instalar-se em Cluj ou em Timisoara para construir os Classe A ou os Classe B. Concretizando-se, será a maior fábrica automóvel da Roménia e consolidará significativamente o cluster automóvel que já conta com a Renault e, agora, a Ford, bem como com a deslocalização progressiva de empresas de componentes. Do ponto de vista do desenvolvimento económico do país é mais um sinal de que a indústria tenderá a olhar para Norte, sem esperar pelas auto-estradas que hão-de pôr a fronteira a poucas horas dos grandes mercados do centro europeu. Bucareste pode, com o tempo, vir a ser a capital administrativa localizada a sul de um país com o PIB a Norte. Nada que não se gira, mas a que os potenciais investidores que não se concentrem no curto prazo devem estar atentos na hora de definirem para onde ir.

19.5.08

A Companhia e o Estado

Na sequência dos posts que tenho dedicado à Rússia, à Alemanha e à Gazprom, chegou-me o link de um artigo que saiu no New York Times, que é bem elucidativo da fusão entre a Companhia e o Estado. Quem se mete com a Gazprom leva. Ou será com a Rússia?

6.5.08

O clima económico da Roménia

Desde o início do ano que se sente que algo está a mudar no clima económico da Roménia.

Talvez o primeiro sinal de alarme tenha tocado com os conflitos laborais na Dacia e na Mittal, como a Reuters (via Romania News Watch) agora recorda. Tratou-se de conflitos pesados, que se saldaram por acordos salariais dificilmente imagináveis se não estivéssemos numa economia sobreaquecida e em risco de espiral inflacionista. Esta semana, os jornais locais deram destaque à análise do FMI da situação da economia romena. O sentido é claro: a dependência da economia romena dos fluxos de capital estrangeiro tornou-se uma vulnerabilidade na conjuntura, a política fiscal é pró-cíclica, há dois estrangulamentos que exigem respostas de médio prazo, na construção de infraestruturas e na qualificação da força de trabalho e o crescimento económico começará a ressentir-se da pressão conjuntural começando a desacelerar já em 2008 e desacelerando ainda mais em 2009. A análise do FMI reflecte a crueza dos indicadores, que já em Março as estimativas não oficiais do banco Unicredit Tiriac antecipavam.

O cocktail de políticas do FMI é bem menos imaginativo – centra-se nos riscos da política fiscal apesar de ter identificado como constrangimentos estruturais os das infraestruturas e das qualificações. O sentido das recomendações é racional, dado que a contenção do défice é necessária e a Roménia vai entrar num ciclo eleitoral prolongado, a partir das eleições locais cuja campanha eleitoral já começou.

Errado, mesmo, é o emblema que o FMI escolheu para a sua causa. A medida a que se opõe mais energicamente é a redução do IVA sobre bens alimentares de primeira necessidade, cuja incidência o Senado votou baixar de 19 para 5% (a Roménia não tem, actualmente, taxa reduzida de IVA), com um custo fiscal que o FMI estimou, seguramente não por defeito, em 0,5% do PIB Mas não se podia esperar nada de muito diferente, embora choque a sensibilidade de quem pensa que seria melhor propor medidas que contrabalançassem essa perda de receita.