24.4.12

Hoje, o cinema e a música: Mozart, Piano Concerto No. 21 - Andante



Este segundo andamento, largamente conhecido e justamente aclamado, do concerto tocado pela primeira vez em 10 de Março de 1785, foi rebaptizado no séc. XX, sendo por muitos conhecido como "Elvira Madigan", pela sua associação a um filme que teve estreia mundial na Suécia, a 24 de Abril de 1967. Segundo o IMDb, o filme nunca estreou em Portugal. Mas que a música tem uma suave contemporaneidade, apesar dos seus 227 anos, tem, inegavelmente.




19.4.12

Hoje é dia do padroeiro das causas urgentes


Mão amiga fez-me chegar o lembrete e eu dou-o ao conhecimento deste recanto da blogosfera. Diz ele:

Por uma imperdoável distracção só há pouco fui ver o que dizia o Borda D'água para hoje - eu guio-me sempre por ele e não me tenho dado mal - e constatei que hoje é dia de Santo Expedito, o santo das causas urgentes.
Na emergência das nossas vidas, com toda a urgência aqui vai o lembrete e um modelo de oração que poderão adaptar em conformidade com as respectivas preces.
É urgente, senão só para o ano!

17.4.12

RSI: os POC, outra vez.

Há muito que a direita portuguesa personifica nos beneficiários do RSI todos os males da sociedade e faz dos velhinhos e rebaptizados Programas Ocupacionais (POC's) o pau para toda a colher das respostas de quem faz de conta que se empenha na sua inserção (e nas dos desempregados, aliás).
O governo desiste de qualquer estratégia de inserção apostando mediaticamente na mais pobre de todas - a da actividade ocupacional - fazendo passar a mensagem de que o problema da pobreza extrema é a preguiça. Como desabafa um amigo no mail. "Novo ciclo de POC's? Não tem graça". E espero que o senhor Ministro não se esqueça que o RSI é uma prestação, logo, se houver trabalho no âmbito da inserção, ele terá que ser remunerado, pelo menos, que os beneficiários do RSI são pobres, não são escravos.

15.4.12

Uma Igreja Católica de matriz trotskista? É difícil acreditar.

Bento XVI prefere uma Igreja de poucos, firmes e fortes, a uma Igreja com uma multidão de pusilânimes internos e externos." (João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos)

Se trocarmos "Bento XVI" e "Igreja" por um nome de político e de um partido, respectivamente, resulta a descrição de um partido trotskista, sectário e fechado em si próprio, condenado à pequenez e à marginalidade.
Não sei exactamente o que pensa Bento XVI do séc. XXI e admito que ele - que é um homem totalmente do séc. XX - não o perceba, mas se Joseph Ratzinger tivesse esta versão sectária da Igreja Católica Apostólica Romana condená-la-ia a ser nele irrelevante. Antes de mais, o filósofo sabe que a instituição só sobrevive se entender o espírito do tempo, que é, aliás, o que sempre fez, desde que, só para dar um exemplo, adaptou as datas do nascimento e morte de Jesus Cristo às festividades pagãs da Primavera e do Verão. Mais, o cardeal Ratzinger interpretou e definiu - ao divulgá-lo -  o cânone da visão do chamado "terceiro segredo de Fátima" de um modo que o coloca claramente como um aviso sobre o perigo do fim da sua Igreja e não é credível que o queira precipitar, embora possa viver atormentado com a possibilidade, que corresponderia a um terrível silêncio de Deus.
Felizmente para a Igreja a que não pertenço, o seu Papa tem conselheiros mais avisados que João Gonçalves e, se é verdade como ele diz, que Ratzinger sabe que não pode ser uma "estrela pop", é igualmente verdade que o seu afastamento das interpretações da década de setenta e oitenta do século XX do Concílio Vaticano II se deve a um regresso fortíssimo ao carácter místico da fé católica que, num filósofo, só pode ser uma opção iluminada pela política.

A versão Nuno Crato do eduquês: pobre, a bem dizer, nem precisa muito de escola

O Despacho Nº 5106-A/2012 que não é assinado pelo próprio Ministro mas pelos seus Secretários de Estado, para o efeito funcionando como seus guarda-costas, tem vários aspectos que são lançados de uma penada e que não são, efectivamente, de mera organização dos serviços, fazendo com que esta forma de legislar por despacho se subtraia a qualquer controlo democrático. Com efeito, o princípio da "liberdade de escolha" do estabelecimento escolar (que foi preparado com muita discussão, por exemplo, no Reino Unido), ou a dimensão das turmas são mais do que simples aspectos formais e burocráticos. Mas, note-se, Crato não é o primeiro nem será o último Ministro da educação a fazer mudanças de peso por despacho.
O que me motiva especialmente a escrever este texto é, contudo, um ponto do referido despacho escrito em puro eduquês e que reza assim:

       "5.10 - Na formação de turmas deve ser respeitada a heterogeneidade do público escolar, podendo,  
        no entanto, o director perante situações pertinentes, e após ouvir o conselho pedagógico, atender a  
        outros critérios que sejam determinantes para o sucesso escolar"

Este ponto é uma obra de arte do eduquês. Tal como nas obras de arte cada um pode ler lá o que entender e o criador oferece a quem o recebe liberdade de interpretação. Mas neste caso tal liberdade corresponde a dar poder discricionário sobre a realização do princípio fundamental da igualdade de oportunidades na educação. Os tais critérios serão determinantes para o sucesso escolar de quem? Esses tais critérios não têm limites materiais?
Dou alguns exemplos de onde pode levar o ponto 5.10. Pode uma escola decidir separar turmas de rapazes e raparigas? De brancos e negros? De portugueses e estrangeiros? De "bem" e "mal" comportados? Com e sem necessidades educativas especiais? De ricos e pobres? O despacho abre a porta a isto tudo e muito mais.
Sempre houve rumores sobre a organização encapotada de "boas" e "más" turmas nas escolas. Agora deixa de ser um pecado dos decisores nas escolas para ser uma prática legitimável por acto ministerial.
Tudo isto acontece em Portugal mais de seis décadas depois da decisão histórica do Supremo tribunal Americano que considerava a segregação escolar violadora da igualdade de oportunidades e muitas décadas depois das históricas conclusões de James S. Coleman de que na "mistura" escolar o que os "bons" alunos podem perder é muito menos do que aquilo que os "maus" ganham. Mas que se importa o neoelitismo de Nuno Crato com tais alunos?  O Ministro tem a escola para todos numa consideração igual à dos ministros pré-Veiga Simão.
O eduquês que se traduz no ponto 5.10 não é só hermético, é reacionário e combatê-lo devia ser uma prioridade de todos os espíritos progressistas que acreditam na escola democrática. De facto, dar menos educação a quem tem maiores problemas resolve o assunto a quem ache que pobre, a bem dizer, nem precisa muito de escola.

12.4.12

Liberdade de voto dos deputados socialistas? Barulho por nada.

Quando a regra no PS era a disciplina de voto no Parlamento a liberdade dos deputados votarem contra a orientação que recebiam era menor que hoje? A resposta que encontro leva-me a dizer apenas da dita iniciativa supostamente defensora da autonomia do deputado, que foi barulho por nada. Hoje, como dantes, podem votar diferente, de entre os que o desejam, os que obtêm autorização da tutela, digo da direcção do Partido ou talvez do Grupo Parlamentar. Dantes, havia ainda um ou dois que tinham estatuto para tal, mas reformaram-se. Neste contexto, o dou-vos liberdade, tiro-vos liberdade, é apenas risível. A verdade dura é que os deputados não são autónomos e o nosso sistema eleitoral foi prudentemente concebido para que não o fossem e o resto é fogo-de-artíficio.

Quais as diferenças entre os candidatos presidenciais de Timor_leste?

Pode encontrá-las nas respostas dadas por ambos às perguntas do Instituto La'o Hamutuk, em inglês ou em tetum.