22.8.09
Política-canalha? Que a lama fique nas mãos de quem a atira (actualizado)
O Expresso traz hoje na capa uma menção a um texto publicado pelo Avante e assinado pelo seu chefe de redacção que ficará na história da política canalha em Portugal. Sobre o texto e a canalhice nele perpetrada pelo seu autor, já disse o que tinha a dizer.
Há, certamente, muitos comunistas que, tal como Tiago Mota Saraiva não se revêem nestes métodos. Não sei nem é assunto que me preocupe saber se a direcção do seu partido os acompanha a eles ou se a capa do Expresso é rigorosa ao colar o próprio PCP à política-canalha do autor do texto. Mas o PCP pode, querendo, esclarecer se a baixeza do seu funcionário corresponde à posição do partido ou não.
Os Leandros Martins deste mundo preferiam eliminar os adversários a confrontar argumentos com eles. Felizmente, em democracia não têm o poder de os eliminar fisicamente. Mas podem estar certos que não tenho medo das suas pulhices e estou seguro que as suas baixezas não encontram eco nos democratas em geral.
Neste caso, já não é de política que se trata, é de separar àguas entre mentes ditatoriais e espíritos livres. As primeiras derrotam-se. Com os segundos troca-se argumentos. A todos os que fazem parte deste último grupo e me fizeram chegar a sua solidariedade a propósito deste inusitado ataque da política-canalha, quero agradecer aqui publicamente.
Acresce que os posts escritos na blogosfera por esses espíritos livres, de diferentes sensibilidades partidárias, a quem agradeço a solidariedade já não deixam nada de importante por dizer. Leiam o Porfírio Silva, a Joana Lopes, o Pedro Correia , o Pedro Vieira, o Carlos Alberto, o Tomás Vasques, a Ana Matos Pires, o T. Mike , o João Tunes, a Palmira F. Silva, a Maria Henriques, a Ermelinda Toscano, o Sandro Pires, o Terrorista, a Ana Paula Fitas, a Sofia Loureiro dos Santos, o António Horta Pinto, o Eduardo Graça, o Rui Paulo Almas , a Ana Gomes, o Cipriano Justo e ... adiante. Que a lama fique nas mãos de quem a atira.
Adenda. Também no Twitter muita gente deu, de modo apropriado, conta do lamentável artigo do Avante. Agradeço, pois, aos twitters Hugo Costa, Tiago Barbosa Ribeiro, Luis Testa, João Pita, André Maciel Sousa, Elizabeth Butterfly, João Manuel Realinho , Luis Trindade, Luis Santos , Miguel Monteiro, Luis Azevedo Rodrigues, Francisco Madelino e Alexandre Rosa.
21.8.09
Bússola eleitoral para as legislativas
Descobri, sem surpresa, que sou da esquerda libertária-cosmopolita e, nas próximas eleições legislativas, próximo do PS. E você? Pergunte também à bússola eleitoral.
20.8.09
Adiante
Já me habituei há uns anos a ser insultado de vez em quando pelo Avante. Por isso já só sorrio e passo à frente quando é dessas bandas que vem este tipo de canalhices. Mesmo que o seu autor seja o chefe de redacção da coisa. Aliás, o personagem não precisa que eu qualifique as suas qualidades democráticas. Há uns tempos encarregou-se de descrever a sua visão do mundo. Escreveu, pois, sobre o glorioso camarada Estaline, o seguinte naco de prosa:
Mas a história, já se sabe, reescreve-se facilmente. E se, na Rússia de hoje, apesar dos tempos negros que se vivem e da obscuridade lançada desde há muito sobre os factos e os seus significados, voltam a aparecer cidades em que se dá o nome de Stáline a ruas, há logo quem, lá mesmo, venha advertir sobre os «crimes» cometidos ou não pelo revolucionário soviético. Foi o que pressurosamente fez Gorbatchov, que afirma não perdoar e alerta para este sobressalto russo que torna a elogiar Stáline. Diz ele que se não deve a vitória a Stáline. Estaríamos de acordo, se Gorbatchov pretendesse revelar que, para além do dirigente, há o povo. Certamente. O que ele não pode negar é que, se Stáline teve o seu papel na vitória ao lado do povo, Gorbatchov teve o papel principal na derrota do socialismo, acompanhado apenas por arrivistas e traidores de que se rodeou para torpedear a mais brilhante conquista da história da humanidade.
Que quem assim descreve Estaline e ainda hoje põe entre aspas os crimes que cometeu me insulte, sinto-o como um elogio. Que o PCP tenha quem assim pensa e assim discute política em posições de destaque, faz-me apenas pensar que a sorte deles é que quem neles vota não os lê, porque não acredito que uma parte significativa dos eleitores comunistas se reveja hoje em pensamento tão anacrónico e nível de discussão de propostas tão rasteiro. Adiante.
18.8.09
E se for necessário pensar alternativas para os contentores de Alcântara? A Arquitecta Ana Miguens pensa à escala correcta para a Margem Sul e a AML
A Arquitecta Ana Miguéns olha com a escala adequada e numa perspectiva de futuro para o problema eventual da necessidade de encontrar alternativas para a localização de um terminal de contentores:
Afinal, não passa tudo de um problema de escala!
Dos argumentos de Fonseca Ferreira,o terminal na Trafaria justificar-se-ia pelo aumento do tráfego anual de contentores, acima dos 600 mil, no terminal de Alcântara.No meio disto tudo, na mesma visão estratégica para a Grande Área Metropolitana de Lisboa, onde se inclui obviamente a Península de Setúbal, onde ficam os portos de Setúbal e Sines?? Fonseca Ferreira fala em "acautelar o futuro numa visão de desenvolvimento próprio da Península de Setúbal" e nas "oportunidades de desenvolvimento económico e social que, projectos como o novo aeroporto de Alcochete e a plataforma logística do Poceirão, podem justificar um terminal portuário para reforço da autonomia e desenvolvimento" da própria península, esquecendo que a Península está mais que equipada e subaproveitada, refira-se (!), não precisando de extensões à Trafaria. Um território sem escala e sem acessibilidades, para dar uma resposta verdadeiramente competitiva a este nível! Para além de comprometer sériamente a qualidade de vida dos trafarienses! Talvez FF ainda não tenha percebido, que a Grande Área Metropolitana de Lisboa só faz sentido, à escala mundial, quando engloba todo o seu território! E portanto a extensão do terminal de Alcântara, deve ser encarada a esta escala, também! Sendo Setúbal e Sines, as soluções expectantes, imediatas e naturais, diria mesmo!!!
PS. Para quem não saiba, fica aqui a informação de que a Arquitecta Ana Miguens lidera a candidatura do PS à Cova da Piedade.
17.8.09
Contentores na Trafaria? É uma visão passadista do papel da margem sul na AML, reafirmo.
Por muito que António Fonseca Ferreira se irrite com as minhas opiniões, continuarei a defender que a Trafaria não é o local próprio para instalar um terminal de contentores.
Se voltar a ser incorrecto comigo no plano pessoal, garanto-lhe que, tal como agora, não responderei na mesma moeda, porque discuto e qualifico ideias e não pessoas. A desqualificação pessoal de quem tem ideias diferentes das minhas não faz parte da minha maneira de agir e surpreende-me que faça parte da dele.
Se ele considera que a alternativa de futuro passa por, em caso de necessidade de expansão do terminal de contentores, o levar para a Trafaria, está no seu direito. Não será a primeira vez que tem uma ideia sobre o desenvolvimento da Área Metropolitana que não partilho e não será, provavelmente, a última. Estudarei sempre os seus argumentos e darei às suas posições os nomes que acho que elas têm. E sempre que ele defender uma visão passadista do futuro da margem sul e de Almada em particular, pode ter a certeza que continuarei a dizê-lo preto no branco, irrite-se e seja deselegante ou não, que esse tipo de reacção não muda nada.
16.8.09
O que divide o PS do BE e do PCP? A Europa e o princípio da realidade
O Diário Económicopediu-me um comentário sobre os programas eleitorais dos partidos de esquerda. Eis o que me parece e foi publicado na edição de ontem:
Na esquerda portuguesa há duas visões sobre a evolução do mundo e o papel que Portugal pode nela desempenhar.
O PCP e o BE têm a visão da esquerda da década de setenta do século XX: são contra a OMC, o Banco Mundial e o FMI; vêem a NATO como uma emanação do imperialismo americano; desconfiam da União Europeia. Em contrapartida, o PS é a força que representa em Portugal a ala progressista dos governos ocidentais, que quer uma reforma do sistema de relações internacionais, que procura colocar-nos na liderança do processo de integração europeia, que quer assumamos na NATO do século XXI o papel devido a um pequeno país cosmopolita.
Na política interna, para lá do que a superfície eleitoral deixa ver, há muito mais factores de convergência: na necessidade de combater as desigualdades, de reforma fiscal, do sistema de segurança social, de defesa do Serviço Nacional de Saúde ou mesmo no paradigma do direito de trabalho. Só que a divisão de funções, tão estabelecida que os próprios protagonistas já a tomam por real, deixa ao PS o papel necessário mas frequentemente antipático de garantir a sua sustentabilidade e viabilidade, enquanto o PCP e o BE se deixam embalar no confortável papel da crítica e da defesa dos pobres equilíbrios estabelecidos.
No fundo, o que mais divide a esquerda nas próximas eleições é a Europa e o princípio da realidade. Tivessem o PCP e o BE agendas próprias de governo e não apenas de protesto e tudo seria diferente.
15.8.09
Ferro Rodrigues pôs o dedo na ferida
Partilho inteiramente da visão que Ferro Rodrigues hoje desenvolveu na entrevista ao Expresso sobre o que o PS deve fazer a seguir às próximas eleições legislativas no cso, provável, de ganhar sem maioria absoluta.
Em Portugal há um sistema eleitoral desenhado para favorecer coligações e um pensamento à esquerda que vai contra a lógica do sistema que a Constituição desenhou.
Sei perfeitamente o que divide a esquerda (ainda hoje no Diário Económico escrevi um pequeno depoimento sobre isso). Mas também sei que o PS não pode deixar o PCP e o BE fugirem às responsabilidades perante o país que o seu peso eleitoral lhes confere. Assim como acho incompreensível que o PCP e o BE não sejam capazes de distinguir nos seus programas os pontos essenciais dos negociáveis. Evidentemente, tal cenário também desafiaria o PS a distinguir o essencial do acessório nas suas posições.
Sei ainda melhor que o mundo não está de molde a que Portugal possa ter um governo mendigo na Assembleia da República, nas mãos de coligações negativas e irresponsáveis. Pelo que nem a coligação com o PSD se pode considerar um cenário impossível.
Antes de mais, os políticos têm que saber estar à altura das responsabilidades que os eleitores lhes vão conferir. A reacção instantânea de Jerónimo de Sousa não surpreende, mas demonstra o enorme erro de perspectiva do PCP. Será Louçã menos pavloviano?
Terminal de contentores na Trafaria? Não, obrigado.
A recuperação da ideia de instalar na Trafaria um terminal de contentores é mais uma demonstração de que no melhor pano cai a nódoa. As afirmações do ainda Presidente da CCDRLVT e a reserva mantida no PROT enfermam de uma visão que em Almada não partilhamos de todo, segundo a qual a margem sul é uma mera área de reserva das necessidades de expansão da margem norte, dependente delas e sem autonomia estratégica e projecto próprio de afirmação.
O PS em Almada há muito tempo que se pronunciou contra qualquer aumento da capacidade portuária na margem sul e, seguramente, mesmo que ele se revelasse necessário, não seria na Trafaria que poderia ocorrer. A valorização estratégica da frente de estuário para Almada é completamente oposta desse uso e é vital para a Almada do futuro que esta visão se imponha, derrotando os que ainda têm a visão do século passado.
Nos últimos anos, o governo do PS deu, aliás, passos importantes na direcção do que pensamos. Recorde-se que este governo revogou definitivamente a reserva de espaço ferroviário para acesso à Trafaria, pelo que já não é, felizmente, concretizável sequer a ideia de fazer tal ligação ferroviária da Trafaria a qualquer plataforma logística.
Poderiam já ter sido dados mais passos para libertar a Trafaria do risco de ser atacada pelos defensores da visão passadista que a limitaria gravemente. A gestão camarária da CDU podia ter iniciado, tal como o fizeram, por exemplo, as câmaras de Lisboa, Porto, Gaia e Matosinhos, contactos com o governo para definir as áreas de uso portuário, mista e sem actividade portuária. Não o tendo feito, renunciou por omissão a um instrumento que nos permitiria ter já a garantia do regresso a usos adequados das áreas sob reserva portuária na Trafaria. Na Assembleia Municipal, o PS já chamou a atenção para essa omissão grave e apresentou uma moção instando-a a iniciar tais negociações. O PCP, naturalmente, votou contra protegendo a inoperância da Câmara.
Depois de eleito, tal como agora, recusarei liminarmente qualquer ideia de construção de um terminal de contentores na Trafaria e iniciarei os contactos para devolver a Trafaria plenamente a Almada. Discordo completamente da especulação infeliz do ainda Presidente da CCDRLVT e defenderei que a Câmara tudo faça para que a reserva mantida no PROT seja eliminada, para que esta nódoa saia do pano em que caiu.
14.8.09
A confissão do vereador
José Gonçalves, vereador da Câmara Municipal de Almada, veio a terreiro manifestar a sua satisfação pela adesão dos cidadãos ao parque de estacionamento no centro da cidade que abriu a 1 de Agosto. No seu entusiasmo, diz que tal parque tem como objectivo: "dinamizar as visitas" ao centro da cidade. Ou seja, confessa que tais visitas careciam de dinamização. Já agora, pode ser que algém lhe pergunte um dia destes porque é que este parque só foi inaugurado a 71 dias das eleições, quando deveria ter entrado em funcionamento ao mesmo tempo que o Metro e este sofreu um atraso de pelo menos três anos nas obras. Evidentemente, José Gonçalves continua a não querer ver o óbvio: o problema estrutural reside em terem partido o coração da cidade. Mas isso era pedir muito, pelo menos para já. Oxalá, quando o desespero apertar a uma ou duas dúzias de dias das eleições, a coisa mude. caso contrário, cá estaremos para corrigir o problema a seguir.
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