24.1.12

Quem não ouve é forçado a recuar - pedonalização da Rua Cândido dos Reis em Cacilhas

A Câmara Municipal de Almada tem um problema com uma empreitada que envolve uma área sensível para os moradores - a pedonalização da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Esse problema vai implicar a revogação do contrato com o empreiteiro a quem a obra foi adjudicada e, para não perder mais tempo, um procedimento de ajuste directo a um outro.
Problemas destes, causando embora transtornos aos cidadãos, acontecem na gestão camarária. O que não se percebe é porque é que a Presidente, tendo havido reunião ordinária pública a 18 de Janeiro, quis fazer uma reunião extraordinária fechada dois dias depois, para proceder a essa operação.
O PS fez saber em devido tempo que não se oporia ao agendamento do tema  para reunião pública extraordinária nem conhecia nenhum impedimento a que a operação se fizesse, para evitar mais atrasos, mas não aceitava que se tomasse uma decisão destas à porta fechada, como se houvesse algo a esconder dos cidadãos. Convém, aliás, recordar que na Câmara de Almada todas as reuniões são públicas, bandeira recorrentemente usada pela própria Presidente para  fins de auto-elogio.
A Presidente insistiu, contudo, em convocar para a passada sexta-feira uma reunião à porta fechada, certamente segura de que faria funcionar o rolo compressor da sua maioria que deixou de ser relativa com a anexação estratégica do BE pela CDU.
Consequente com as palavras, o PS entendeu não participar nessa reunião por estar em causa uma questão de princípio. Sabemos agora que a CDU arrepiou caminho e foi convocada para quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012 uma reunião extraordinária pública para discutir o assunto. No momento em que escrevo não sei se a reunião discreta não teve quorum ou o teve mas a CDU percebeu a monumentalidade do erro em que incorria. Mas sei que, mesmo minoritária, a representação do PS na Câmara teve um ganho para os cidadãos de Cacilhas. Os que assim o entenderem vão poder ouvir de viva voz porque é revogado o contrato de empreitada assinado e porque é proposto fazer agora um ajuste directo. Mais, têm  na parte reservada o público, se assim o entenderem, uma oportunidade de dizer o que pensam.
Quem não ouve é forçado a recuar. Ainda bem que, como dizia Miguel Torga, a recusa tem um enorme poder.

1 comentário:

António Anastácio disse...

Parabéns pela atitude e que ela não se fique por aí. Que sejam bem explicadas as razões e fundamentadas as decisões.