23.10.09

A nomeação de Helena André rompe um preconceito, mas parece ter doído à CGTP

Hoje ficaram a conhecer-se os ministros do novo governo. Tenho, evidentemente, grande simpatia por esta equipa e desejo-lhe felicidades na tarefa, bem difícil, de governar o país em minoria com o mundo ainda a viver a maior crise desde os anos trinta do século passado. Uma das novas ministras é Helena André. A sua nomeação rompe, bem, com um preconceito histórico do PS. Julgo que é a primeira vez que uma pessoa que fez toda a sua carreira no sindicalismo chega à pasta no período constitucional. Surpreendente? Não, surpreendente mesmo é que Carvalho da Silva, secretário-geral de uma central sindical, não tenha sido capaz de se congratular pelo facto e tenha aceite ser o porta-voz de um ataque da CGTP à Ministra, ainda antes de esta tomar posse. Esse ataque não é inesperado mas também não ajuda a elevar o prestígio nem a evidenciar um mínimo de independência da central sindical de que ainda é, formalmente, o dirigente máximo.

2 comentários:

MFerrer disse...

Os tiques anti-PS são atávicos e só produzem este tipo de reacção.
Carvalho da Silva até já desconfia da sombra dum sindicalista, tão logo ele se disponha a trabalhar com o PS. A definição de quem é o inimigo continua a estar para a CGTP como o horizonte para os comunistas: Quanto mais nos aproximarmos, mais ele se afasta...
MFerrer

Vera T. Santana disse...

HELENA ANDRÉ

E é uma óptima escolha. A Helena André tem muita experiência no mundo laboral e uma particular atenção para com questões de Igualdade de Género, campo onde, apesar do recente Prémio Europeu para a Igualdade - atribuído ao Partido Socialista e do qual quase se não "ouviu falar" - há ainda muito caminho a percorrer, muitas barreiras a ultrapassar, muitos "tectos de vidro" a quebrar (e quão difícil é quebrar o que é invisível!), muitos preconceitos a contornar.

De um modo muito nítido, o mundo das relações de trabalho, e dentro das organizações, a Igualdade "terá de passar por aqui". Num estudo a publicar em Novembro próximo(Cadernos de Trabalho e Emprego - MTSS - Género nos Sindicatos)é demonstrado quão árduos continuam a ser os caminhos que levam ao exercício feminino de cargos de decisão e o quanto são consideradas "causas" para o afastamento das mulheres de lugares de poder, razões que o não são, pois o conjunto de mulheres em cargos de topo nas organizações sindicais, tomadas globalmente, tem mais disponibilidades de tempo e mais longas escolaridades do que os seus camaradas homens. Paradoxal . . .

Bom trabalho, Helena!

Saudações a todos - autor deste blog e leitores deste blog.

Vera Santana